sexta-feira, 14 de junho de 2013

EU, LÁPIS DE GIZ

.
Há noventa milhões de anos, partes da actual costa norte da Europa encontravam-se abaixo do nível do mar. Protozoários como os foraminíferos viviam no fundo do mar entre os detritos que caiam das camadas superiores do oceano. As suas conchas eram formadas por calcite, greda, giz ou cré, extraída da água e, após a sua morte e por sedimentação, as conchas formaram gradualmente leitos espessos no fundo, que eventualmente solidificaram em rocha ao longo de milhões de anos devido ao peso dos sedimentos superiores. Movimentos tectónicos elevaram estes depósitos marinhos acima do nível do mar, formando falésias, como as de Dover na Inglaterra e Møns Klint na Dinamarca. Mas grande parte da Europa e Ásia repousa sobre camada extensa de calcite, constituída por carbonato de cálcio, cuja molécula tem um átomo de carbono, um de cálcio e três de oxigénio.
Quando o universo nasceu, 3/4 dos átomos eram de hidrogénio e 1/4 de hélio, se desprezarmos quantidades menos que insignificantes de átomos leves, como o lítio. Então de onde veio o giz com que os professores  não escrevem no quadro porque estão a exercer o direito de  greve em tempo de exames?
O giz veio das estrelas! É verdade! Estrelas mais que fanadas, em fim de vida, com falta de ar, perdão, com falta de hidrogénio, fundem tudo que têm à mão (como Vítor Gaspar) para criar energia, criam átomos mais pesados com essas fusões e, quando acabam e estouram, fazem uma supernova e atiram para o espaço esses átomos que são depois incorporados em estrelas da geração seguinte e hão-de um dia ser fundidos para formar átomos ainda mais pesados, até chegar ao urânio, o mais complicado—por enquanto—com mais de 230 partículas no núcleo.  Assim nasceram os átomos de carbono, oxigénio e cálcio do giz, com que os professores não escrevem porque...
Mas como conspiraram esses átomos para fazer giz? Não conspiraram nada, como já disse.  Foram os foraminíferos referidos em cima, com o segredo da fórmula do giz inscrito na ADN, que o fizeram. Mas para quê? Para os professores escreverem? Não valia a pena tanta trapalhada porque os professores não escrevem: estão a exercer o direito... 
Na realidade, a vida era difícil no fundo do mar e havia por lá quem gostasse mais de foraminíferos que de lagosta. Então, foraminífero sem casca, estava tramado—marcharam todos e foram apreciados. Só resistiram os que tinham casca. Pelo menos foi o que disse Darwin.
E essa coisa do ADN, com a fórmula do carbonato de cálcio escondida? Isso é ainda mais complicado que a história do lápis de que falava ontem! Mais ainda que a dos pasteis de Belém! Mas hoje é melhor parar porque dizem que escrevo textos muito compridos. Maiores que os do Dr. Soares e menos variados!
.

Sem comentários:

Enviar um comentário