quinta-feira, 13 de junho de 2013

O RIDÍCULO E O SHELLTOX

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Todos terão tido oportunidade de ver, na televisão ou na Internet, o ministro Santos Pereira e um ou dois dos seus secretários de Estado a rirem-se à gargalhada duma graçola com piada dita por um deputado do PCP na Comissão de economia da Assembleia da República. A piada era dirigida ao Governo, mas fez as delícias dos membros do dito ali presentes. A tal ponto que o ministro até pediu ao deputado para lhe mostrar ou oferecer o exemplar do "Borda d' Água" de que se tinha servido.
E porquê isto? Porque a graçola acertava em cheio em Vítor Gaspar e este e Santos Pereira são protagonistas duma guerra intestina—quase literalmente—no executivo. Quando as coisas chegam a este ponto, segue-se Gaspar a rir-se publicamente de Portas, Portas a rir-se publicamente de Marques Guedes e Marques Guedes a rir-se publicamente de Poiares Maduro—uma risota pegada, com todos a rirem-se de Passos Coelho, no fundo, o que dá mais vontade de rir.
Os políticos portugueses, com honrosas excepções, não primam pela ausência de ridículo. Desde Freitas do Amaral a ameaçar com a vinda dos "Filipes", até Soares a lembrar a Cavaco o regicídio, fazem todos um bouquet de cravos vermelhos de papel. Pode sobreviver-se a uma moção de censura no Parlamento, ou a uma gigantesca manifestação de hostilidade na rua. Com o que nunca nenhum governo se aguentou, foi com o ridículo—é pior que o Shelltox.

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