Francisco Almeida Leite é—para quem não sabe e deve ser quase toda a gente—Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação. Hoje falou para quem o quis ouvir: o meu caso. E que disse Leite? Poucas coisas, mas importantes. Por exemplo, que "a língua portuguesa não é propriedade de Portugal". Aliás, todos pensávamos que era propriedade da China, mas também não é; por enquanto. Segundo Leite, a língua portuguesa é propriedade da Organização Mundial do Comércio. Tal e qual!
Digo isto porque Leite, a folhas tantas, explica-nos que "o português tem um valor económico enorme e todos os Estados já perceberam
isso e estão a apostar nisso” (sic). Os Estados apostam, mas Leite aposta
pouco, como se vê pelo estilo.
Mas mais eructou: "A importância económica da língua é aferida pela ideia de que tem
subjacente um mercado com um potencial muito grande para as exportações".
Só...!?, pergunta o
leitor inquieto. Não só, tranquilizo-o eu e Leite: "Para as importações também. Nós vamos apostar nisso,
mais do que essa dessintonia em termos temporais de adesão ao Acordo
Ortográfico. Isso, neste momento, não é o principal".
Portanto, ficamos esclarecidos. O português de Camões, Vieira,
Eça e Camilo, que não usavam tantos pronomes demonstrativos e com tanta propriedade
quanto Leite, não é património cultural; é antes agente comercial, caixeiro viajante de nabiças, bróculos e pasta
para papel higiénico.
Secretário de Estado???!!!...
Que mais irá nos acontecer?
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