quinta-feira, 13 de junho de 2013

SER OU NÃO SER

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Loren Eisley, um antropologista americano, escreveu algures o seguinte:

Enquanto assistia uma noite, com um poeta amigo, a uma ópera representada numa tenda iluminada por lâmpadas eléctricas, ele tocou-me no braço e apontou para uma borboleta que voava de luz em luz por cima dos actores. "Ela não sabe", disse-me ele excitado. "Está num universo alienígena, brilhantemente iluminado, mas invisível para ela. Está noutra representação; não nos vê. Não sabe. Se calhar, está a acontecer o mesmo connosco".

A citação não carece de muitos comentários. O mundo é o que cada um percebe, diferente para todos. E todos são aquilo que pensam ser, sem saberem o que cada um pensa ser, sequer se pensa qualquer coisa  parecida com o que pensamos.
Na realidade, a única certeza é cada um ser o centro do universo—resto é isso mesmo: é o resto!
A cadeira que está ao meu lado tem pernas, mas não consigo fazê-las mexer como faço com as minhas. E também não consigo o mesmo com a pessoa que está sentada nela. Obedecem à vontade da pessoa, mas não à minha. São resto.
Isto é, não há um universo—há triliões de triliões de triliões de ... de universos. Nem sequer sabemos se os objectos inanimados também têm universo, como nas fábulas. Às tantas, também têm e aí as coisas multiplicam-se.
Os biocentristas, como o Dr. Robert Lanza, de quem em tempos já falei, acham que só os seres vivos têm universo. Em boa verdade, quimicamente, são um nadinha mais complicados que a massa bruta. Mas essa coisa de "massa bruta", quem sabe, não é pedantismo dos vivos? Admito que sim—logo seremos massa bruta.
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