Loren Eisley, um antropologista americano, escreveu
algures o seguinte:
Enquanto assistia
uma noite, com um poeta amigo, a uma ópera representada numa tenda iluminada
por lâmpadas eléctricas, ele tocou-me no braço e apontou para uma borboleta que
voava de luz em luz por cima dos actores. "Ela não sabe", disse-me
ele excitado. "Está num universo alienígena, brilhantemente iluminado, mas
invisível para ela. Está noutra representação; não nos vê. Não sabe. Se calhar,
está a acontecer o mesmo connosco".
A citação não carece de muitos comentários. O mundo é o
que cada um percebe, diferente para todos. E todos são aquilo que pensam ser, sem
saberem o que cada um pensa ser, sequer se pensa qualquer coisa parecida com o que pensamos.
Na realidade, a única certeza é cada um ser o centro do
universo—resto é isso mesmo: é o resto!
A cadeira que está ao meu lado tem pernas, mas não
consigo fazê-las mexer como faço com as minhas. E também não consigo o
mesmo com a pessoa que está sentada nela. Obedecem à vontade da pessoa, mas não
à minha. São resto.
Isto é, não há um universo—há triliões de triliões de
triliões de ... de universos. Nem sequer sabemos se os objectos inanimados também
têm universo, como nas fábulas. Às tantas, também têm e aí as coisas
multiplicam-se.
Os biocentristas, como o Dr. Robert Lanza, de quem em
tempos já falei, acham que só os seres vivos têm universo. Em boa verdade, quimicamente,
são um nadinha mais complicados que a massa bruta. Mas essa coisa de "massa
bruta", quem sabe, não é pedantismo dos vivos? Admito que sim—logo seremos massa bruta.
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