O pessimismo em relação ao progresso tecnológico é geralmente considerado novo, especialmente depois de Hiroxima e Chernobil, mas na realidade o fenómeno é antigo. No início da Revolução Industrial, Adam Smith escrevia que qualquer livro ou panfleto falava em declínio da riqueza nacional, no despovoamento do País, na agricultura negligenciada, na manufactura em decadência, no comércio arruinado, rebabá.
Em 1830, a América e a Europa prosperavam em paz, com
navios a vapor, teares mecânicos, pontes
suspensas, o motor eléctrico, o canal de Erie e por aí fora. Os velhos do
Restelo de então anunciavam o dilúvio e comportavam-se com as debulhadoras como
os velhos do Restelo actuais com o arroz dourado—vandalizavam-nas. Nesse ano,
abriu a linha férrea entre Liverpool e Manchester e os defensores do ambiente
previam que os comboios iriam fazer as éguas perder os potros, ou estes nasceriam
com duas cabeças e três pernas, ou meio cavalo meio chimpanzé, ou uma trampa
assim. O filósofo John Gray proclamava então, urbi et orbi, que "o
crescimento económico por tempo indeterminado era a ideia mais obscena alguma vez apresentada à humanidade em
sofrimento"—um enorme "arrincanço", diga-se em aparte.
O resultado do progresso tecnológico na sociedade está à
vista. Nada a acrescentar. O curioso é ser habitualmente gente de esquerda a combatê-lo.
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