terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A QUE NOVOS DESASTRES DETERMINAS DE LEVAR ESTES REINOS E ESTA GENTE?

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O pessimismo em relação ao progresso tecnológico é geralmente considerado novo, especialmente depois de Hiroxima e Chernobil, mas na realidade o fenómeno é antigo. No início da Revolução Industrial, Adam Smith escrevia que qualquer livro ou panfleto falava em declínio da riqueza nacional, no despovoamento do País, na agricultura negligenciada, na manufactura em decadência, no comércio arruinado, rebabá.
Em 1830, a América e a Europa prosperavam em paz, com navios a vapor, teares mecânicos, pontes suspensas, o motor eléctrico, o canal de Erie e por aí fora. Os velhos do Restelo de então anunciavam o dilúvio e comportavam-se com as debulhadoras como os velhos do Restelo actuais com o arroz dourado—vandalizavam-nas. Nesse ano, abriu a linha férrea entre Liverpool e Manchester e os defensores do ambiente previam que os comboios iriam fazer as éguas perder os potros, ou estes nasceriam com duas cabeças e três pernas, ou meio cavalo meio chimpanzé, ou uma trampa assim. O filósofo John Gray proclamava então, urbi et orbi, que "o crescimento económico por tempo indeterminado era a ideia mais obscena  alguma vez apresentada à humanidade em sofrimento"—um enorme "arrincanço", diga-se em aparte.
O resultado do progresso tecnológico na sociedade está à vista. Nada a acrescentar. O curioso é ser habitualmente gente de esquerda a combatê-lo.
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