terça-feira, 23 de dezembro de 2014

DESANCAR A " HIERARQUIA "

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Ontem o Papa desancou os jarretas esclerosados da Cúria Romana, exactamente da forma como devia, sem se preocupar com etiquetas. O que disse o Papa já toda a gente sabia; mas, dito por ele, tem outro sabor.
Ouço e leio há anos que a Cúria está infiltrada por "gente carreirista" (o Papa falou nisso); pelos que "protegem os interesses de um círculo fechado" (o Papa falou neles); pelos doentes de Alzheimer espiritual que se esqueceram de Deus e "vivem dependentes das suas paixões, caprichos ou obsessões" (o Papa falou neles); pelos que “tentam preencher o vazio existencial arrebanhando bens materiais” (o Papa falou neles); pelos que "cultivam a má língua", "doença dos cobardes" (o Papa falou neles); pelos "semeadores da discórdia"(o Papa falou neles); pelos "assassinos a sangue frio da reputação dos seus irmãos" (o Papa também falou neles).
Em consequência, o Papa convidou os cardeais a fazerem um “verdadeiro exame de consciência”, pedindo perdão a Deus, “Ele que nasceu na pobreza numa caverna em Belém para ensinar a humildade” e foi acolhido “não pelos eleitos”, mas pelos “pobres e simples”. Ao contrário, disse, a Igreja actual padece de “infidelidades” e está ameaçada por doenças que urge “tratar”.
Coisa mais clara, lúcida e corajosa nunca tinha ouvido, visto ou conhecido no Vaticano. Vinte valores para Francisco. Há décadas que não se via uma coisa assim. E digo décadas porque só nasci há 75 anos e não  conheço suficientemente o passado para dizer séculos, o mais provável. Mas desta foi: só se perderam as que caíram por fora.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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"James Madison" e "Shamrock"
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UM GRANDE PORTO

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CUIDADO COM A CABEÇA

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O conceituado site "The Atlantic" publicou há dois dias uma peça intitulada How the World Changed in 2014, pretendendo mostrar a evolução da sociedade a nível planetário no ano que agora acaba. E o que nos diz o artigo? Informa-nos sobre alguns dados "estatísticos" escolhidos aparentemente sem critério, ou com critério mais que discutível.
Por exemplo, que o número de golpes de estado subiu 100% a 200%, em relação ao ano passado. As contas do autor são como segue. O ano passado, houve um golpe no Egipto. Este ano, o mesmo aconteceu na Tailândia e no Burkina Faso. Na Ucrânia, há dúvidas se o derrube de Yankovych foi um golpe. Se não foi, os golpes foram só dois o que dá uma percentagem de aumento de 100%. Se sim, foram três os golpes e a percentagem é de 200%.  Isto é, estamos em face da história do frango: se eu comer um frango e tu não comeres nenhum, cada um de nós comeu meio frango.
Estatística é ciência com regras. Falar de percentagens exige amostras significativas—caso contrário, é anedota. O referido é asinino, como são asininos outros números do artigo, verbi gratia que o número de membros do Grupo dos 8 diminuiu 12,5%  porque a Rússia foi expulsa e o Grupo passou a ser G7 (óh égua!). Ou que a temperatura global média excedeu em 0,5 graus Celsius a média do Século XX (óh jerico!).
Pode dizer-se que a asneira é livre, não paga imposto e não tem importância nenhuma; mas não é verdade. A técnica, frequentemente não tão desinteressada como parece, origina vieses na cabeça das pessoas desprevenidas. O "British Medical Journal" costuma publicar no Natal artigos/anedota para divertimento dos leitores: por exemplo, este ano conclui que os homens morrem mais cedo que as mulheres porque são estúpidos. O problema é que já têm sido encontradas referências a alguns desses artigos antigos em artigos actuais e sérios.
Há muitas maneiras, algumas pouco decentes, de meter bosta na cabeça das pessoas. Por isso, o melhor é estar de pé atrás como o Senhor dos Passos. E não acreditar em tudo que se lê, mesmo escrito em locais reputados, ou considerados como tal.
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MONOCÓRDICO

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É NATAL

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Estamos a três dias do Natal, festa religiosa alusiva ao nascimento de Cristo que terá ocorrido no dia 25 de Dezembro, há 2015 anos. Na realidade, embora isso seja indiferente, parece que Cristo terá nascido, ironicamente, antes de Cristo (AC). Devido ao erro dum clérigo—cometido séculos mais tarde—a data estará incorrecta em alguns anos. Cristo, provavelmente, nasceu entre os anos 7 e 4 AC.
Quanto ao dia e mês, julga-se que há igualmente erro histórico. O Evangelho de S. Lucas refere-se a pastores a guardar os rebanhos à noite, prática habitual na Primavera quando nasciam os cordeiros. Assim, Cristo terá nascido—provavelmente—na Primavera, entre 7 e 4 anos AC.
Outro ponto não esclarecido é o da Estrela de Belém, um dos ícones mais representativos do Natal. Há algumas dúvidas se existiu tal episódio astronómico. A única referência à Estrela é feita no Evangelho de S. Mateus e, mesmo aí, é vaga. Depois de falarem com Herodes, os magos partiram à procura do "Rei dos Judeus" e "viram aparecer uma estrela a Leste que se deslocou até ao local onde o recém-nascido estava".
Se foi assim, tratou-se seguramente dum fenómeno não natural, eventualmente divino—um milagre. A hipótese de ser um meteoro—ou estrela cadente—não faz muito sentido por ser muito fugaz, o que não corresponde à descrição bíblica. Outra possibilidade adiantada por alguns é de que teria ocorrido a conjugação de Júpiter e Saturno naqueles dias. E ainda de que foi uma supernova, fenómeno, como se sabe, correspondendente ao final explosivo e espectacular duma grande estrela. Na verdade, há registos chineses duma supernova na Primavera do ano 5 AC que foi observável durante dois meses. Contudo, estava localizada na constelação de Capricórnio e, nessa posição, não teria encaminhado os magos como é referido na Bíblia.
Em boa verdade, não interessam tais especulações "semi-científicas". Quem tem fé não precisa delas. Quem não tem, precisa ainda menos.
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domingo, 21 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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COMEÇOU O INVERNO

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INTERMEZZO

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'YOLLE'

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TEM PORTUGUÊS QUE É CEGO !

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Chega o Natal e os meus amigos inundam-me de cuecas e meias. Triste fado. Mas por que motivo eu não terei um amigo como o amigo de José Sócrates? Uma pessoa lê a imprensa e depois conclui que: a) o amigo emprestava dinheiro – milhares de euros, em mão – ao gosto do freguês; b) o freguês – acrescentam os jornais – nem faz ideia de quanto o amigo lhe emprestava; c) não bastasse o dinheiro e Carlos Santos Silva ainda lhe pagava motorista, férias e casa em Paris; e d) se a família Sócrates tinha casas para vender na parvónia, o amigo atravessava-se sem hesitar. Um amigo que empresta como um poço sem fundo é uma raridade bíblica. Um amigo que até nos compra uma casa no Cacém é o quê? Eu, se fosse o dr. Cavaco, esquecia Sócrates e mandava chamar o amigo para as condecorações oficiais. Um homem destes é um exemplo nacional e, em certas esferas, talvez um caso de santidade. 

João Pereira Coutinho in "Público"
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CALÇADA PORTUGUESA

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Eu não disse o que dizem que disse. Se dizem, dizem mal, porque não era isso que eu queria dizer—pelo contrário, queria dizer precisamente o oposto, diferente do que dizem que disse e queria dizer.

António Costa (em dia de inspiração)
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AVES DO ESTUÁRIO DO TEJO

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TEM PORTUGUÊS QUE É CEGO !

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TEM PORTUGUÊS QUE É CEGO !

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sábado, 20 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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INTERMEZZO

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(Piazolla)
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CHEGA D. SEBASTIÃO

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UM 'BLUFF'

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Vladimir Putin, o 007 moscovita, é uma figura patética. Com andar bamboleante de mestre em artes marciais e especial gosto em deixar-se fotografar em poses de caçador de leões e encantador de serpentes—especialmente serpentes do sexo feminino—está enrascado com o imbróglio que arranjou na Crimeia e na Ucrânia. Há dias, numa conferência de imprensa, interrogado se não temia um golpe palaciano, respondeu aos jornalistas dizendo para estarem calmos porque não tem palácios; só o Kremlin, que está bem defendido.
A respeito, José Milhazes lembra que no tempo dos comunistas também não havia palácios e, em 1964, Nikita Khrutschov levou um chuto no fundo das costas quando, ironicamente, estava de férias na Crimeia. A primeira coisa que Putin deve fazer é não fazer férias na Crimeia—dá azar. A segunda é baixar a bola porque, embora robusto atleta, é fraco no jogo alto. Tem um País que, se não tivesse petróleo e gás, seria hoje um Burundi em ponto grande.
Putin arrota a lombos de linguado porque está politicamente esgotado e disfarça assim. Agora promete o Céu para daqui a dois anos. Há 14 no poder, ainda não fez nada—se descontarmos a protecção de uns tantos compadres mundialmente conhecidos por trafulhices. Agarra-se a ideias fora de época e apela ao patriotismo dos russos, agitando o perigo de putativas ameaças externas—coisas do Século passado, ou mais antigas—porque não tem mais nada no encéfalo. Teve, isso sim, 14 anos para mostrar o que vale e já se viu: não vale nada. Acabou.
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SÓ ALDRABÕES !

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