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VIZINHO s. m.—O que nos mandam amar como a nós
próprios e faz os possíveis para desobedecermos.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
O LIVRO DO TERROR
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O livro que se vê em cima é um registo feito pelo
reverendo Horace Salusbury Cotton, capelão da Newgate Prison de Londres, onde
consta informação detalhada de todos os condenados à morte por enforcamento que
passaram pela instituição entre 1812 e 1839. Foram 413, numa época em que em
Inglaterra se podia ser enforcado por
roubar coisas insignificantes, fazer batota na contabilidade, ou danificar a
ponte de Westminster.
Mas o reverendo Cotton não se ficava pelo registo,
acrescentando comentários cruéis sobre os condenados, a quem gostava de berrar
que iam arder no Inferno até à eternidade. Popularmente, falava-se em morrer em
Newgate com Cotton nos ouvidos—um horror!
O livro está a ser objecto de estudo pelo historiador Peter
Berthoud, cuja opinião é de que Cotton gostava daquilo. Provavelmente, digo eu,
porque reforçaria o efeito dissuasor da pena de morte com a ameaça do castigo
eterno. Há cada um!!!...
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UM ERRO CHAMADO NOÉ
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Deus tem só uma medida a tomar com esta humanidade
inútil: afogá-la num dilúvio. Mas afogá-la toda, sem repetir a fatal
indulgência que o levou a poupar Noé; se não fosse o egoísmo senil desse
patriarca borracho, que queria continuar a viver para continuar a saber, nós
hoje gozaríamos a felicidade inefável de não sermos...
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Eça de Queirós in "Cartas de Inglaterra"
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AOS QUE ATIRAM PEDRAS
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A respeito de
declarações feitas pelo senhor Selassié sobre Portugal e suas finanças e
economia, o inestimável homem dos círculos concêntricos, que também responde
pelo nome de Baptista Bastos (BB), diz hoje no "Diário de Notícias":
"Somos tratados com displicente condescendência. Afinal, numa
interpretação lisa e, acaso, aceitável, somos os pedintes e eles os curadores
dessa nossa triste condição."
Afinal, digo eu, BB começa a ver o problema do ângulo certo porque compreende finalmente as coisas como elas são, só com a reserva de que diz sermos os pedintes e eles os curadores, numa interpretação acaso aceitável. O núcleo da matéria está exactamente aí—não é acaso aceitável, mas aceitável tout court.
Afinal, digo eu, BB começa a ver o problema do ângulo certo porque compreende finalmente as coisas como elas são, só com a reserva de que diz sermos os pedintes e eles os curadores, numa interpretação acaso aceitável. O núcleo da matéria está exactamente aí—não é acaso aceitável, mas aceitável tout court.
Portugal está de
cócoras com a política irrealista conduzida maioritariamente por socialistas. A desgraça começou com os comunistas, imediatamente depois da
"revolução dos cravos", com o PREC, e entrou em estado pré-comatoso primeiro, com
os socialistas, e a seguir em coma agónico com essa nulidade feita
primeiro-ministro chamada Zezito. São todos responsáveis, mais o inquilino de Belém e outras individualidades—uma cadeia de lástimas deplorável e fatal.
Agora, todos atacam
o Governo que, embora mereça críticas, não foi o responsável pela aflição
actual. Está a tentar remediar—com
pouca inspiração, é verdade—as asneiras alheias. Quem estiver inocente, atire a primeira pedra. O aviso é também para BB, um dos pioneiros da desgraça que devia estar calado.
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
A 'FAÇANHA' DE BREIVIK
Este vídeo, feito a partir de câmaras de vigilância e agora revelado pela polícia norueguesa, mostra Breivik a estacionar a carrinha com uma tonelada de explosivos debaixo do edifício do gabinete do Primeiro-Ministro e a abandonar o local com um uniforme da segurança. Também mostra o momento da explosão, no dia 22 de Julho de 2011.
QUASE 70 MILHÕES DE VISUALIZAÇÕES !
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Um grupo
de búfalos é alvo do ataque de quatro leões que caçam um deles, pequeno, já
dentro de água. Segue-se a disputa da presa com um crocodilo. Vencido este, os
búfalos voltam, libertam o filho e põem os leões a dar de frosques, com o rabo entre as pernas. Tudo
filmado por um amador no Kruger Park.
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(Colaboração de Francisco Carvalho)
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POUPEM-NOS
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Uma sondagem
publicada pelo jornal "i" diz que 63% dos inquiridos não aprovam uma
intervenção militar no actual estado da Nação. Diz mais a dita sondagem: a
maioria dos que não aprovam têm mais de 55 anos e são eleitores do PSD.
Que sejam eleitores do PSD a ter tal opinião, não surpreende, nem é preciso dizer porquê. Que sejam os maiores de 55 anos também é mais ou menos claro. São pessoas que tinham, pelo menos, 17 anos na altura do PREC e não têm pachorra para aturar novamente gente como
Que sejam eleitores do PSD a ter tal opinião, não surpreende, nem é preciso dizer porquê. Que sejam os maiores de 55 anos também é mais ou menos claro. São pessoas que tinham, pelo menos, 17 anos na altura do PREC e não têm pachorra para aturar novamente gente como
Otelo, Vasco Lourenço e outros crânios do mesmo jaez. As duas
referidas personalidades não perdem uma oportunidade para agitar o papão da
intervenção militar, saudosos do tempo em que enchiam as páginas dos jornais,
num protagonismo saboroso para tão medíocres intelectos—recordemos apenas a
tirada de Otelo quando dizia que, se tivesse cultura livresca, podia ser o
Fidel da Europa, ou outra trampa qualquer do mesmo género.
Os militares do 25
barra 4 derrubaram uma ditadura caduca, a cair da tripeça, em que já ninguém acreditava—nem os próprios mentores—incapaz de resistir a um golpe militar
organizado por Otelo e outras cabeças da mesma qualidade, o que diz tudo. Depois,
foi o que se viu: PREC, seguido de vitórias em jacto até ao estado final que é o actual.
Pelas almas de quem lá têm, poupem-nos agora.
domingo, 25 de novembro de 2012
OS GRANDES VELEIROS
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"Pequod"
O "Pequod", como é sabido, é o navio fictício do romance "Moby-Dick", aqui representado numa bela pintura.
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NÃO HÁ-DE SER NADA
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Falávamos mais abaixo da idade do universo—da sua origem
ou eternidade e por aí fora—e de que, tal como o conhecemos, terá tido início
há 13,7 mil milhões de anos. Portanto, antes era o nada, concluímos nós, mas
possivelmente concluímos mal. O nada existe? Existiu alguma vez? Ou é construção
da nossa imaginação e nem sabemos muito bem o que é?
Eu não percebo o nada e estou em muito boa companhia nesta ignorância. Por influência cultural—filosófica e religiosa—convencionou-se que o nada é o estado natural e normal e a existência o estado que quebra a normalidade e tem de ser explicado. Mas nenhum facto permite afirmar que o contrário é falso, ou seja, o normal é a existência e o anómalo é o nada, fruto da nossa inteligência ou falta dela.
Eu não percebo o nada e estou em muito boa companhia nesta ignorância. Por influência cultural—filosófica e religiosa—convencionou-se que o nada é o estado natural e normal e a existência o estado que quebra a normalidade e tem de ser explicado. Mas nenhum facto permite afirmar que o contrário é falso, ou seja, o normal é a existência e o anómalo é o nada, fruto da nossa inteligência ou falta dela.
Estamos agarrados à ideia da origem da existência a
partir do nada, reforçada pela teoria do Big-Bang. Mas o problema é que antes
implica tempo e antes de Big-Bang não havia tempo—não há antes antes do
Big-Bang, se me é permitida a confusão sintáctica, porque no nada não há tempo
por definição. E sem antes não podia haver nada, o que também é confuso. Provavelmente,
a percepção limitada das dimensões do universo nunca nos permitirá compreender nem
o nada, nem a existência, o que é supinamente frustrante, convenhamos. É a vida!
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DICIONÁRIO DO DIABO
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MAGNITUDE s. f.—Dimensão. A magnitude é relativa. Nada é
grande e nada é pequeno. Se tudo no universo aumentasse mil vezes, nada seria
maior ou mais pequeno que antes; mas se uma coisa ficasse do mesmo tamanho,
todas as outras seriam maiores. Compreendendo a relatividade da
magnitude, o astrónomo deve observá-la como o microscopista. O universo visível
pode ser uma pequena parte dum átomo flutuando no fluído vital dum ser.
Possivelmente, as pequenas criaturas que povoam os corpúsculos do nosso sangue também
ficam esmagadas pela distância entre tais corpúsculos.
NRP "VIANA DO CASTELO"
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NRP "Viana do Castelo"
Este navio, de patrulha oceânica, construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, é provavelmente o maior navio a motor armado construído em Portugal.
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DE USSHER AO 'BIG-BANG'
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A idade do universo é matéria que tem dividido a
humanidade ao longo de séculos e ainda hoje assim acontece. O mais antigo e
fastidioso estudo sobre o assunto é, provavelmente, o de Jaime Ussher,
arcebispo de Armagh, na Irlanda, em 1624. Ussher procurou ligar passagens da
Bíblia com factos históricos e, depois dum trabalho ciclópico, informou o mundo
que o mundo tinha começado no dia 22 de Outubro de 4004 antes de Cristo. Para
ser mais preciso, Ussher acrescentava que foi às 6 horas da tarde.
A descoberta de Ussher tornou-se oficial em Inglaterra e
passou a figurar na introdução da Bíblia até ao Século XX. Contudo, a Teoria da
Evolução de Darwin descrevia factos que levavam muito mais que 6 mil anos para
se consumarem e fez pressão nos meios científicos para admitir que
a idade do universo poderia ser da ordem
de milhões, mesmo milhares de milhões, de anos.
Estudos geológicos sobre o tempo necessário para a
formação de rochas sedimentares apontavam para um número da ordem de vários milhões de anos. E
Lord Kelvin, partindo do princípio de que a Terra já teria estado a temperatura
para fundir rochas, e calculando o tempo necessário para arrefecer até à
temperatura actual, estimava a idade em 20 milhões de anos. John Joly, admitindo que os oceanos começaram por ser de água pura, determinou o
tempo necessário para se transformarem no mar salgado, das lágrimas de Portugal
de Pessoa, e chegou ao resultado de 100 milhões da anos. No início do Século
XX, os físicos descobriram que a radioactividade podia ser usada para calcular
a idade da Terra, o que levou à cifra de 500 milhões de anos. O apuramento da
técnica viria a apontar para número maior, da ordem de mil
milhões.
Cada nova técnica usada apontava para datas mais antigas,
tornando-se claro que a Terra e o universo eram provavelmente ainda mais velhos
e assim surgiu a ideia da eternidade do mundo. Se o universo existiu sempre, as
coisas simplificavam-se para a teoria científica—desaparecia a necessidade de
explicar como foi criado, quando foi criado, porque foi criado e quem o criou. Era
um alívio científico que só terminou com um conjunto de observações independentes
e convergentes de que o universo, tal como o conhecemos, teve um
princípio há cerca de 13,7 mil milhões de anos—a formação do hélio, a expansão
permanente, a constituição das galáxias, as micro-ondas cósmicas de fundo e por
aí fora apontam nesse sentido com enorme probabilidade da teoria estar certa.
Mesmo assim, não é líquido que antes não existisse nada, nem sequer o tempo.
Por isso, blá, blá, blá.
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