segunda-feira, 27 de julho de 2015

"CREOULA"

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EH . . . EH . . . EH . . .

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E como qualificar um homem que entra em nossa casa, senta-se à mesa, aceita o prato que lhe dão, não pára de cuspir para o chão e, ainda assim, recusa-se a sair e ainda se diz vítima da situação?
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CONTRALUZ

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EM ITÁLICO

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Quando o Syriza ganhou o referendo na Grécia, os otários festejaram por aí: finalmente, o governo de Alexis Tsipras fazia um manguito à ‘austeridade’ com uma vigorosa lição democrática. No dia seguinte, o governo do manguito esticava o braço e já andava a pedir esmolas aos credores, aceitando a ‘austeridade’ toda. Os otários mudaram de ‘narrativa’. A capitulação da Grécia e a traição ao seu povo era culpa dos alemães, que pressionaram o imaculado governo Tsipras a engolir todos os sapos sob ameaça de uma saída do euro. Sabemos agora que, afinal, Tsipras andou a preparar nos bastidores essa saída do euro e um regresso ao dracma, com o apoio de Moscovo. Sem sucesso. Os otários portugueses, se tivessem vergonha na cara, recolhiam-se em meditação e não abriam o bico tão cedo sobre a ‘austeridade’ ou ‘os nazis’ dos alemães. Mas, por outro lado, se eles tivessem vergonha, dificilmente seriam os otários que são.

João Pereira Coutinho in "Correio da Manhã"
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domingo, 26 de julho de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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PENSAMENTO PARA HOJE

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ELE HÁ COISAS ! ! !

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Toda a gente—ou quase—conhece o fenómeno chamado da sincronização de Huygens dos relógios. Para o caso de alguém pouco informado não conhecer (eu só conheci há minutos), explico. Quando se suspendem dois relógios de pêndulo numa parede e se põem a trabalhar dando impulso aos pêndulos, qualquer que seja o modo como cada um começa, ao fim de pouco tempo a oscilação dos pêndulos faz-se de forma completamente oposta. Parece bruxedo e nem Huygens, que havia inventado aqueles relógios percebeu—também foi ele que descobriu a laracha da sincronização e até escreveu à Royal Society, todo contente, a contá-la.
Pois ao fim de 350 anos, parece que o mistério estará explicado; e falo nisto porque quem o explicou foram dois investigadores, Henrique Oliveira e Luís Melo, da Universidade de Lisboa. Pode ler aqui o artigo publicado na revista "Scientific Reports", se conseguir meter o dente. Naturalmente que eu não consegui, não percebi nada, mas gostei muito—é como os discursos do Nóvoa.
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UMA CASA PORTUGUESA

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MORRA O MOSQUITO, MORRA. PIM !

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Já ouviu falar de mosquitos, seguramente, uns dos nossos irmãos mais queridos com que a natureza achou por bem contemplar-nos. E já percebeu que esses amorosos seres, quando estão presentes no local onde dormimos, apesar de pequeninos, nos encontram num instante, mal começamos a querer fechar os olhos, mesmo em escuridão total. Não têm luz, não têm bússola, não têm GPS, mas navegam certeiramente em direcção à sua bochecha, à sua orelha, ou ao seu braço para se alimentarem e chatearem. Já viu outra coisa assim?! Como fazem eles isto? Porque não vão eles picar as pedras da calçada?
Pois um senhor chamado Michael H. Dickinson, professor de Bioengenharia na Universidade de Washington (há disso!) estudou a matéria e chegou à conclusão que os mosquitos—e as mosquitas, naturalmente—têm um sistema de navegação que envolve três passos e não falha.
No primeiro, averiguam se há gente viva nas proximidades através da avaliação da quantidade de dióxido de carbono no ar. Partindo do princípio de que o penico e a mesa de cabeceira não respiram, se há dióxido de carbono, alguém está por ali. Conseguem detectar o CO2 a 10 a 50 metros. Espertos!
Depois, a 5 a 10 metros, orientam-se pela visão. E, a menos de 1 metro, pelo calor e humidade, antes de aterrar e chatear o Homo sapiens.
Há pachorra para a natureza que levou milhões de anos a desenvolver uma coisa como o mosquito que só chateia? Não há. O mosquito é um dos melhores e mais consequentes argumentos contra a teoria do desenho inteligente. Tanto filósofo e teólogo a falar disso e ninguém lhes atira com o mosquito à cara! Falta de lembrança.
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O LÍBANO EM PORTUGAL

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O COSTA SEGUNDO ALBERTO GONÇALVES

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Não era difícil prever o desastre que é António Costa. Os primeiros indícios chegaram com o culto da "inteligência" caseira, que se destaca pela portentosa falta da dita e atabalhoadamente tentou converter um amorfo funcionário do PS no D. Sebastião de 2014. Os sinais acentuaram-se durante o combate contra Seguro, raro momento em que, por comparação, este se assemelhou a um estadista promissor ou, vá lá, a um ser vivo. Chegado à liderança do partido, o dr. Costa continuou a provar com espantosa frequência que a inabilidade na gestão de uma autarquia não basta para governar um país. Não era difícil prever o desastre: difícil era adivinhar a respectiva dimensão.
Comentadores magnânimos atribuem o fiasco a factores externos, da prisão de Sócrates ao advento do Syriza. Na sua generosidade, esquecem-se de acrescentar que, sozinha, a brutal inépcia do dr. Costa, que possui a firmeza da esparguete cozida, transformou cada eventual obstáculo numa cordilheira inultrapassável.
Sobre Sócrates, o dr. Costa começou tipicamente por avaliar mal o "sentimento" popular e defender com tremeliques de orgulho as proezas do preso 44 enquanto primeiro-ministro. Uma bela manhã até desceu a Évora. Meses depois, numa exibição de objectividade sem precedentes, o dr. Costa criticou um governo de que ele próprio fez parte e jurou, sem jurar, não repetir a excursão alentejana.
Sobre o Syriza, o dr. Costa já disse tudo e o seu oposto, de acordo com o que tomou pelo clima do momento. Qualquer hipotético avanço dos maluquinhos que fingem mandar na Grécia tinha o dr. Costa, dez minutos decorridos, a erguê-los ao estatuto de farol da Europa. Em vinte minutos, os avanços recuavam estrategicamente e a apreciação do dr. Costa também: uma ocasião, apelidou o Syriza de "tonto". Mas isso foi antes do referendo, em que o Syriza voltou a ser sublime. E o referendo foi antes do acordo, em que o glamour do Syriza regressou a níveis da peste bubónica.
Nos intervalos dos Grandes Temas, o dr. Costa desdobrou-se a opinar acerca de temas minúsculos, naquele português de causar inveja a Jorge Jesus e sempre no lado errado do discernimento: o "investimento" público (promete muito), a austeridade (é uma péssima opção), a autonomia dos autarcas (quer reforçá-la), a "lusofonia" (acha-a linda). Nos intervalos dos intervalos, passeou o currículo democrático e arranjou uma guerra interna com as "bases" do PS, que consultaram as sondagens e desataram a questionar a infalibilidade do chefe. As cambalhotas em volta dos (inacreditáveis) candidatos presidenciais não ajudaram. Nem os abraços aos socialistas franceses que, afinal, conspiram para varrer Portugal do euro. Nem nada.
Resta apurar se a tendência para a calamidade é involuntária ou propositada. A verdade é que o dr. Costa conseguiu, em pouco tempo, renovar as esperanças eleitorais da coligação no poder. Um tiro no pé do Governo é invariavelmente seguido por uma explosão auto-infligida no porta-aviões do PS. Se o PS perder as eleições, o mérito será inteirinho do dr. Costa. Se ganhar, é Portugal que não merece melhor. E pior parece impossível.
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Alberto Gonçalves in "Diário de Notícias"
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sábado, 25 de julho de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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PENSAMENTO PARA HOJE

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1 MINUTO DE MÚSICA

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A PONTE

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UMA NÓVOA SOBRE PLUTÃO

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Hoje apanhei um susto. Lia o jornal tranquilamente, não havia notícias preocupantes, Salgado estava em casa com saúde, pele de leopardo e boa reputação, o Zezito não tinha escrito nenhuma epístola, Costa estava a conceber o programa do XX Governo Constitucional e, de repente, o meu olhar capta um título que quase me faz cair da cadeira: "Plutão está coberto por uma névoa".
Preciso explicar que tenho andado em tratamento na Oftalmologia e a minha visão não tem muita acuidade; e onde se lia névoa, eu li Nóvoa. Compreendem a angústia? O Nóvoa a cobrir Plutão! Só faltava essa.
Ainda faltam seis meses para as eleições presidenciais e o névoa, perdão, o Nóvoa já deu três voltas a Portugal e debitou cinco centenas de discursos inspirados e alguns milhões de vocábulos raros e escolhidos.
Imaginem o que seria uma personagem destas a cobrir Plutão. Coitado do Plutão.
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ESPLANADA

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O RISO DA HIENA

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(Nesta fotografia, todos riem e só um chora)

Do blog "Delito de Opinião" transcreve-se a seguir—com a devida vénia—um texto de Luís Menezes Leitão publicado ontem com o título "O Sarilho do PS":

Há uma coisa que sempre admirei em António Costa: a sua enorme capacidade para ter boa imprensa. Era praticamente impossível algum líder do PS arranjar semelhante sarilho com as listas de deputados do seu partido, e com o seu candidato presidencial, e contar com um silêncio total na comunicação social. Imagine-se o que não se diria de António José Seguro se tivesse provocado uma confusão semelhante num partido que deveria estar totalmente unido nas vésperas do combate eleitoral mais importante dos próximos anos.

Os critérios de António Costa para compor as listas do seu partido são elucidativos. Diz que fez uma "renovação geracional", mas a mesma passa por chamar antigos líderes da JS, que obviamente hoje nada têm de jovens. Apresenta, no entanto, alguns professores universitários, cuja experiência política é absolutamente nenhuma, e dos quais nada se espera no parlamento, mas que servirão para dar uma imagem mais técnica a um partido cujas propostas políticas parecem muito pouco ponderadas. Mas o essencial é ajustar contas internas. Os seguristas sofreram uma razia total  de tal forma que nem a Presidente das Mulheres Socialistas consta das listas, o que já a levou a apresentar a sua demissão do cargo. Também António Galamba foi corrido das listas, o que o levou a escrever este artigo arrasador para António Costa.

Mas se António Costa procurou ajustar contas com os apoiantes de Seguro, curiosamente também não poupou os seus próprios apoiantes, os socráticos,  que foram o seu principal esteio para derrubar Seguro. Tenho vindo a defender que o derrube de Seguro foi uma estratégia conjunta de José Sócrates e António Costa, uma vez que o primeiro queria ser candidato presidencial, o que Seguro nunca permitiria. Mas mal Sócrates foi preso, nas vésperas do congresso que o deveria entronizar como candidato presidencial, Costa largou-o e agora pretende criar uma espécie de "chinese wall" em torno dos seus apoiantes. E chega ao ponto de criticar o governo de Sócrates,  esquecendo-se de que era o número 2 desse governo e que a recuperação do passado de Sócrates foi um dos pontos essenciais da sua candidatura à liderança.

A demonstração da confusão com que Costa encara as listas é também exemplificada no episódio Maria do Rosário Gama. Costa tem propostas eleitorais completamente absurdas, como delapidar 10% do Fundo de Estabilização da Segurança Social e baixar a TSU. Compreendendo que tal arrasaria definitivamente a Segurança Social, Maria do Rosário Gama opôs-se a essas propostas. Logo a seguir António Costa indicou-a, porém, publicamente como candidata a deputada, o que esta compreensivelmente rejeitou. Na verdade, passa pela cabeça de alguém com o mínimo de bom senso indicar como deputado quem não se revê no programa eleitoral do partido?

O outro ponto em que António Costa insiste num desastre total é o seu apoio a Sampaio da Nóvoa. Maria de Belém ainda não anunciou qualquer candidatura e já está nas sondagens à frente desse candidato que, mesmo que dê trinta vezes a volta a Portugal, não tem a mínima hipótese de ser eleito. Mas Maria de Belém foi presidente do PS nos tempos de Seguro, o que justifica que Costa continue a preferir Nóvoa , apenas para tapar o caminho à ala segurista do PS.


Está à vista que a única coisa que Costa conseguiu ao derrubar Seguro foi arranjar ao PS um sarilho monumental. Como já se está a ver e irá ver-se seguramente nas próximas eleições.
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ILHA AZUL

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sexta-feira, 24 de julho de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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