terça-feira, 24 de agosto de 2010

O CARTEIRO

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O carteiro é uma esperança ambulante. Este homem, de fisionomia serena, espalha nas famílias, com a mesma insensibilidade, a tristeza e a alegria, os lutos e as galas. As donzelas, umas com as lágrimas nos olhos, suspiram pela sua vinda, outras com o sorriso nos lábios e o rubor nas faces! Quantas mães aflitas com ânsia lhe arrancam das mãos a carta do filho ou do marido ausente, único lenitivo das saudades que as consomem.
À maneira da fortuna o correio é cego, porque distribui com a mesma desigualdade os prémios e os castigos, as prosperidades e as ruínas. Impassível, convida com igual indiferença tanto para o baile como para o cemitério, e entrega com a mesma imperturbabilidade a inocente missiva afectuosa como a infame carta anónima.
Todas as coisas para ele têm igual peso; tão leve considera o singelo bilhete de visita, ou a participação funeral, como a carta de ordens em que um banqueiro envia a outro uma avultadíssima soma.
Na mala misteriosa do correio não se conhecem categorias sociais, nem ódios, nem rivalidades; ali não há lugares distintos para os sexos, nem para as idades; ali todas as línguas se falam e todas se entendem. Frequente é ver naquela boceta irem na maior intimidade os mais irreconciliáveis inimigos; o plebeu colocado por cima do nobre, ou formando dele estrado; damas rivais pacificamente recostadas umas sobre as outras; a esposa ciumenta vê indiferentemente o esposo junto de outra dama sua rival, sem gemer o menor queixume.
Quem há, enfim, que prestando os ouvidos da alma àquele grosseiro e veloso surrão, conduzido com tanta frieza e indiferença, não oiça lá dentro gemidos de saudade, gritos de dor, ou sorrisos de contentamento, ou exclamações de entusiasmo ?
Oh! aquela bolsa simboliza o caos da vida: alegrias! tristezas! amores! ódios! esperanças! incertezas! desenganos! interesses! ruínas! tudo ali se acha envolvido e conglomerado na mais absoluta e inextricável confusão!
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Latino Coelho in “Tipos Nacionais”
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BOA!...

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. Os "arcebispos" estão na grande

A COMPLEXA MENTE DO HOMO SAPIENS

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Na vila de Claudy na Irlanda do Norte, a meio da manhã do dia 31 de Julho de 1972, três carros explodiram na rua principal: nove pessoas morreram - incluindo três crianças - e trinta ficaram feridas.
O atentado foi levado a cabo pelo IRA, mais precisamente pela brigada de Derry, a que pertencia o padre católico James Chesney, prior de Bellaghy. O padre teria ingressado no IRA depois de acontecimentos sangrentos ocorridos em Derry durante o protesto dos direitos civis, em que soldados britânicos mataram várias pessoas e, segundo a investigação da polícia local, teve papel importante na organização do acto terrorista. Não foi preso porque os superiores o impediram, sob pressão do governo britânico e da hierarquia religiosa, nomedamente do Cardeal Conway.
O padre Chesley foi transferido para uma paróquia do Condado de Donegal no fim de 1973 e viria a morrer em 1980. A história completa veio agora à superfície, com o acordo da hierarquia da Igreja Católica. São factos para pensar porque dão bem para isso.
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QUASE PICASSO

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QUEIROZ ENCRAVOU NA PORTA

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A Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) decidiu avocar e rever o processo instaurado a Carlos Queiroz, passo que lhe permitirá aumentar a sanção imposta ao seleccionador (um mês de suspensão), o que pode redundar na sua demissão. Qualquer decisão disciplinar da ADoP só é passível de recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), mas, mesmo assim, esse apelo não tem efeitos suspensivos sobre a sanção que lhe vier a ser imposta.
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In Diário de Notícias



Desde há algumas horas, uma ideia não me sai da cabeça: Carlos Queiroz, além de ser um nabo como treinador, não é muito listo, como dizem os espanhóis. Isto é, não percebe as coisas facilmente e com prontidão. Em suma, não quisesse fugir de ofender, diria que Carlos Queiroz é um bocado burro.
Então o homem faz aquele papelão no Campeonato do Mundo; assiste à onda de descontentamento popular daí decorrente; na sequência disso vê empolar a linguagem vernácula da Covilhã; o Secretário de Estado do Desporto acha tudo muito grave, bom para desviar atenções das burrices do Sócrates; em desespero de causa o amigo Madaíl lá consegue que apanhe só um mês de suspensão e pequena multa; e não percebe que as coisa nunca ficariam por aí?
Não antecipa que, melhor ou pior, provavelmente pior que melhor, vai ser despedido, sem cheta de indemnização, com o futuro profissional comprometido e com o nome inscrito no livro negro do futebol lusitano. E que seria muito mais inteligente ter posto o lugar à disposição da direcção da FPF às primeiras reticências desta, dirigindo-se com compostura ao Burkina Fasso para treinar a respectiva selecção, e ver a sua retórica objecto da atenção reverente dos adeptos daquele País, mesmo com vernáculo tipo Covilhã à mistura, provavelmente até apreciado.
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MOURINHO NÃO PERDOA

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.Mourinho: Liverpool declined under Benítez


Jose Mourinho claims Liverpool became “worse, worse and worse” with each passing season of Rafael Benítez’s reign.
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ENTERRADOS VIVOS

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No Chile, desabou uma mina de cobre e ouro no dia 5 de Agosto, ficando prisioneiros 33 homens cuja situação não se conhecia até ontem - 17 dias depois do desastre - quando se comprovou estarem todos vivos, e tão bem quanto possível naquelas circunstâncias.

Foram abertos dois furos até ao local onde se encontram aprisionados, através dos quais se estabeleceu comunicação e foram enviados alimentos e água. É um dos casos de maior sobrevivência em desastres de minas em todo o mundo: no ano passado, três mineiros chineses foram resgatados em Guizhou depois de 25 dias, contando que haviam comido carvão para matar a fome; e em 2006, dois mineiros foram salvos na Tasmânia, na Austrália, ao fim de 14 dias de cativeiro.

Se tudo correr bem, estes 33 chilenos também serão retirados dos escombros com êxito, mas prevê-se que tal só venha a ser possível lá para o Natal. Que calvário!...

CAPA DO DIA

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A A25 sucede ao IP5 de má memória: o traçado mantém a tradição do horror!
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ECLIPSE EM LISBOA

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O navio de cruzeiros "Eclipse" atracado em Alcântara
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

OS CARROS DO TINTIN

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Jaguar
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PALAVRA DE HOMEM DE ESTADO

Churchill, acompanhado por Eisenhower, passa revista a tropas americanas em Inglaterra.
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Há 70 anos - em Junho - um velho político inglês que nos vinte anos anteriores fora tido pelos compatriotas como figura literária excêntrica e marginal da política, levantou-se para fazer um discurso na Câmara dos Comuns. A Força Expedicionária Britânica acabara de ser evacuada de França, empurrada pelo exército alemão vencedor – evacuada com sucesso mas, como disse o orador, as guerras não se ganham assim – e a Inglaterra acreditava que iria ser invadida em breve. Muitas das mais importantes personalidades do próprio partido do deputado pensavam que era tempo de fazer um acordo para conseguir o menos mau dos alemães.
Tudo parecia perdido mas a luz da esperança surgiu quando Winston Churchill pronunciou algumas das mais famosas palavras do século passado. “Temos de ir até ao fim”, disse com voz empastada. “Lutaremos nos mares e oceanos; lutaremos com confiança e força crescente no ar; defenderemos a nossa Ilha qualquer que seja o custo; lutaremos nas praias; lutaremos nos aeródromos; lutaremos nos campos e nas ruas; lutaremos nos montes; nunca nos renderemos”.
As palavras daquele intelectual exótico cumpriram tudo o que as palavras podem. Disseram o que fazer; anunciaram porque devia ser feito naquele momento; inspiraram os que tinham de o fazer.
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Adaptado de um texto de Adam Gopnik na “The New Yorker”
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ENTRE ASPAS

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"O comportamento responsável, para José Sócrates, é fácil de definir: se o cidadão concordar com as propostas do PS, é um ser responsável e digno de atenção; se não concordar, é um irresponsável e um indivíduo desprezível.
Claro está que o entendimento de responsabilidade do primeiro-ministro tem de ser acompanhado com uma dose generosa de amnésia. Ou, melhor, vai variando em função das conveniências políticas do chefe do Governo".
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Pedro Marques Lopes in Diário de Notícias
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ABSTRACTO

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HISTÓRIA E HISTÓRIAS

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António Lobo Antunes é médico e escritor apreciado por muita gente. Tem um estilo que não comento - porque a minha opinião não conta - baseado no impacto do imprevisto chocante e um tanto impiedoso. Relata factos e descreve pessoas de forma que insinua o cinismo colectivo da sociedade.
Nesta linha, disse há tempos, em entrevista a um jornalista, que o seu batalhão na guerra das ex-colónias sofreu um número brutal de baixas e conta como os portugueses, para acumular pontos, alegadamente necessários para serem transferidos para lugares menos perigosos, faziam o inaceitável: “Fazíamos tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros.”
Obviamente, desta vez exagerou: usou o impacto do imprevisto chocante e impiedoso para além do razoável.
Ontem, confrontado com a reacção dos militares, terá dito: “Não sou historiador, os meus livros são romances, e tudo o que escrevo passa pela verdade da ficção. Qualquer outra interpretação é abusiva. Começo a ficar cansado de constantes invasões à minha vida privada e das más interpretações do que escrevo ou digo”.
Em primeiro lugar, regista-se que o afirmado pelo autor não corresponde à verdade. Lobo Antunes não é historiador – diz -, é romancista, e o que escreve passa só pala verdade da ficção. Mas Lobo Antunes não disse o que disse num romance – disse-o em entrevista a um jornalista. Não estava a contar uma história, estava a contar a História.
O escritor mentiu, envolvendo pessoas em acusações graves e gratuitas, e não pede desculpa porque não tem coragem para o fazer. Adicionalmente, acrescente-se que quem invade a sua vida privada o faz porque tem boas razões para o fazer neste caso; e não interpreta mal o que disse: interpreta com a mais cristalina clarividência.
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INGENUIDADE OU CINISMO?

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. "A paisagem não tem dono", escreveu alguém na parede.
Infelizmente tem e não está em boas mãos.
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CIGANOS ILEGAIS EM FRANÇA

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O ministro do Interior francês, Brice Hortefeux, desafiou ontem os que criticam as medidas adoptadas pela França contra a comunidade cigana a levarem os ciganos para junto das suas casas.
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Um sacerdote confessa rezar para que o senhor Sarkozy tenha um ataque cardíaco.
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E mais não digo.

CAPA DO DIA



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A insistência do técnico Jorge Jesus em manter o guarda-redes espanhol – que custou 8,5 milhões de euros – está a irritar parte do plantel, apurou o CM.

domingo, 22 de agosto de 2010

FERNÃO LOPES



O nosso célebre crítico Francisco Dias, o homem, talvez, de mais apurado engenho que Portugal tem tido para avaliar os méritos de escritores, diz que Fernão Lopes fora o primeiro, na moderna Europa, que dignamente escrevera a história: com razão o diz, e poderia acrescentar que poucos homens têm “nascido” historiadores como Fernão Lopes. Se em tempos mais modernos e mais civilizados houvera vivido e escrito, não teríamos por certo que invejar às outras nações nenhum dos seus historiadores. Além do primor com que trabalhou sempre por apurar os sucessos políticos, Lopes adivinhou os princípios da moderna história: a “vida” dos tempos de que escreveu transmitiu-a à posteridade, e não, como outros fizeram, somente um esqueleto de sucessos políticos e de nomes célebres. Nas crónicas de Fernão Lopes não há só história: há poesia e drama: há a idade média com sua fé, seu entusiasmo, seu amor de glória. Nisto se parece com o quase contemporâneo cronista francês Froissart; mas em todos esses dotes lhe leva conhecida vantagem. Com isto, e com chamar a Fernão Lopes o Homero da grande epopeia das glórias portuguesas, teremos feito a tão illustre varão o mais cabal elogio.
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Alexandre Herculano in "Opúsculos"
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CURIOSIDADES

Quando a temperatura ambiente é baixa, a pele perde calor para o ar envolvente, o que origina a sensação de frio. Se está vento, essa sensação é mais forte; isto é, parece que a temperatura ambiente é mais baixa. Porquê? Porque o vento remove o ar próximo de nós, aquecido pela pele, e substitui-o por outro mais frio, que por sua vez vai retirar mais calor à pele. O mecanismo refrescante das ventoinhas no Verão é o mesmo. Quanto mais rápido é o vento, maior é a sensação de frio.
É interessante quantificar a influência da velocidade do vento na percepção do frio e isso está calculado: é o Wind Chill Factor. A tabela reproduzida acima relaciona a temperatura ambiente com a velocidade do vento. Por exemplo, com temperatura do ar de 10ºC e velocidade do vento de 40 km/hora, sentimos o equivalente à temperatura ambiente de 6ºC sem vento.
Mais nada.
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MR. BILL MILLIN

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Mr. Bill Millin, na fotografia, morreu na Quarta-Feira passada com 87 anos. E porque falo nele? Porque Mr. Millin, em 6 de Junho de 1944, desembarcou na Normandia com uma brigada do Exército Britânico, lançando-se à água a caminho da praia, debaixo do fogo inimigo, a tocar o Blue Bonnets Over the Border na gaita-de-foles; e assim continuou em terra durante a progressão dos militares invasores, através das vilas de Ouistreham, e depois Bonouville, até ao objectivo desse dia.
A gaita que usou, bastante danificada pelo desembarque e metralha dos dias subsequentes, encontra-se no National War Museum of Scotland, desde 2001. A memória de Mr. Millin ficará na estátua que os franceses tentam erigir na praia onde desembarcou, apropriadamente chamada Praia da Espada.


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