domingo, 10 de janeiro de 2010

A POLÍCIA E A JUSTIÇA QUE NÃO SÃO, E AS FINAÇAS QUE SÃO

O quartel dos bombeiros de Alguidares de Baixo ficou reduzido a cinzas depois de violento incêndio. A esquadra da polícia de Alguidares de Cima foi assaltada por facínoras armados e de cara descoberta. Estranho, se fosse verdade? Em Portugal, estranho não; mas caricato sim.
O Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIJ), que gere os dinheiros do Ministério da Justiça - repito, do Ministério da Justiça - tem 850 milhões de euros depositados em 12 contas ilegais abertas na Caixa Geral de Depósitos. Nalgumas, o Ministério nem sabe o montante que lá se encontra. Aquele Instituto passou nove cheques que não chegaram aos destinatários porque alguém os interceptou, falsificou, aumentando o valor, e levantou na CGD. A burla custou 744.244,84 euros. Dessas contas foram efectuados pagamentos sem que existam documentos de suporte das despesas correspondentes e não há explicação para outros movimentos bancários. Só em duas contas, há movimentos de 7,2 milhões de euros nessas condições.
Uma auditoria da Inspecção-Geral dos Serviços da Justiça revelou todos estes horrores do IGFIJ. Alberto Costa, o anterior ministro, meteu o relatório na gaveta.
O dinheiro depositado nas 12 contas “particulares” da CGD devia ter sido entregue ao Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público. Mas não foi e, só em 2007, rendeu indevidamente 24 milhões de euros ao Ministério – ao Ministério pensamos nós porque somos optimistas.
Os pormenores macacos são mais, como pode ler-se no Diário de Notícias, mas isto chega. Há um ministro da Justiça que toma conhecimento desta situação e mete o relatório da Inspecção-Geral na gaveta. O mesmo ministro que, quando tutelava a Polícia, declarava publicamente que aquela não era a Polícia dele. Provavelmente, esta também não era a Justiça dele, mas ainda não sabemos. E era bom saber porque, se for assim, deve ser investido como Ministro das Finanças. A avaliar pela cegada nas finanças do Ministério da Justiça, as Finanças portuguesas é que devem ser as Finanças dele. Aí encontrará, finalmente, o estilo à sua medida. Nos outros ministérios, está visto que ardem os quartéis dos bombeiros e são assaltadas as esquadras da polícia. É bué de baril!

sábado, 9 de janeiro de 2010

CITAÇÃO

Intelectual é o homem que usa mais palavras que o necessário para dizer mais do que sabe.

Dwight D. Eisenhower

ONDE ESTÁ O WALLY?


SEJAMOS CLAROS

O telégrafo é uma espécie de gato muito comprido. Puxa-se o rabo em Nova Iorque e a cabeça mia em Los Angeles. E o rádio funciona exactamente da mesma maneira: mandam-se sinais daqui e eles recebem-nos lá. A única diferença é que não há gato.

Albert Einstein

PLAYING FOR CHANGE/SONG AROUND THE WORLD


Mistery Train

SER OU NÃO SER CÉPTICO

Muitos cientistas atribuem o aquecimento global – poucos, ou nenhum, têm ainda dúvidas de que o aquecimento está a ocorrer, dada a subida da temperatura em todo o mundo – a ciclos naturais, não a emissões das centrais eléctricas, dos automóveis e a outras actividades humanas. “A evidência das observações...sugere que qualquer aquecimento resultante do aumento dos gases com efeito estufa é provavelmente insignificante, difícil de detectar acima das flutuações do clima e, portanto, inconsequente”, diz o físico atmosférico Fred Singer, um reconhecido céptico do aquecimento global e fundador do Science and Environmental Policy Project.

Esta é a tradução de um fragmento do artigo publicado sobre o cepticismo em relação ao aquecimento global antropogénico, saido no número de 8 de Abril do ano passado da revista Scientific American. O autor explica porque os cépticos estão provavelmente errados.

Leia o artigo completo clicando aqui.

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ADY GIL




Ady Gil, um pequeno barco de fibra envolvido em manobras provocatórias com um navio baleeiro japonês. Acabou em abalroamento e com o Ady Gil. As versões dos acontecimentos são diferentes.

ADY GIL

Outra perspectiva do abalroamento

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

DEFINIÇÕES

Céptico é alguém que olha para ambos os lados antes de atravessar a rua só com um sentido.

HIS MAJESTY SHIPS

Sovereign of the Seas
Pintura de Derek G M Gardner

MALTHUS: SE NÃO FORDES CASTOS, SEDE CAUTOS

Thomas Robert Malthus procupava-se. Ficou mesmo na História por se preocupar. Além das consumições decorrentes da família, do seu rebanho paroquial – era pastor anglicano – e da carestia da vida, com que se preocupava um nadinha, preocupava-se sobretudo com o aumento da população mundial porque não via meio de dar de comer a tanta gente. Achava que o povão se multiplicava em progressão geométrica e a comidinha em progressão aritmética. Não tardaria o dia da maior fome, do crime e das guerras movidas pela sobrevivência, das doenças incontroladas e de todas as calamidades.
O desespero era tanto, que se lembrou de sugerir o controlo da natalidade pelo retardar dos casamentos e pela abstinência sexual dos solteiros e dos casados com mais filhos que o razoável. E, para diminuir a população, a não prestação de assistência médica e social.
Neste momento, o malthusianismo calhava muito bem em Portugal para diminuir o défice público.
Mas a teoria de Malthus tinha pés e cabeça nos séculos XVIII e XIX em que viveu. Havia, efectivamente, uma explosão demográfica que se manteve muitos anos e a agricultura mantinha práticas mais ou menos bíblicas. Pertencemos a uma geração que, pela primeira vez na história do planeta, viu duplicar a população mundial no espaço de uma vida, ultrapassando os 6 mil milhões.
Mas a Demografia não é uma ciência exacta e, como em todos os ramos da Ciência, a verdade é verdade até deixar de o ser. E o crescimento da população mundial abrandou e esta não vai seguramente ultrapassar nunca os dez mil milhões. Provavelmente, vai diminuir até ao final do Século.
Perguntar-se-á porque aconteceu este abrandamento demográfico. Paradoxalmente, foi causado por aquilo que os malthusianos mais receavam: a melhoria económica dos povos. Segundo eles, o aumento da prosperidade traria aumento da dimensão das famílias até chegar ao insustentável, o que tinha lógica. Mas a lógica é um mecanismo mental do Homo sapiens muito falível. A melhoria económica das populações provocou o fenómeno da sua urbanização maciça, com a mulher a trabalhar, a ser também cabeça activa na sociedade e a fazer opções nesta e na família. E passou a procriar menos. Outras razões existem, mas esta é das mais importantes. São os povos mais atrasados que mais se reproduzem.
Por outro lado, a agricultura transfigurou-se: abandonou práticas arcaicas e adoptou técnicas inspiradas na indústria. A mecanização, os novos métodos de irrigação, os adubos, o combate às pragas, e por aí fora, deram o que está à vista. Infelizmente com excesso de produção em alguns países e fome noutros. Mas isso não é culpa da actividade agrária, mas sim dos políticos que, na falta de fazer qualquer coisa, praticam a asneira com competência.

Malthus morreu preocupado sem razão. Não sei onde está e se pode perceber o que se passa. Se sim deve estar a respirar aliviado. Se não, está preocupado há mais de 200 anos.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

NÚMEROS QUE DESLUMBRAM

Há números que, pela sua grandeza, merecem a nossa atenção. Por exemplo, o valor da dívida pública portuguesa. Ou o valor da dívida externa. Mas não era realmente desses que queria falar. Saíram à liça porque todos os dias penso neles. Mas há outros.
Sabia que num estádio de futebol, com assistência de 50.000 pessoas, cerca de 135 fazem anos no mesmo dia? Ou que, quando um avião cai, cerca de 1,5 milhões de pessoas sonharam com isso na véspera? Não sabia, mas não interessa porque também não era disso que queria falar.
Queria era mesmo dizer que no planeta Terra o consumo anual de energia é de 4,5 x 10 elevado a 20 (ou 4,5 x 10^20, ou 450.000.000.000.000.000.000) joules. E 70% dessa energia (3,15 x 10^20 joules) é produzida por combustão de matérias fósseis!
Outro número é ainda maior, felizmente, e também maior que o débito externo de Portugal. A energia que o Sol descarrega anualmente de forma gratuita sobre a Terra é de 3.000.000 x 10^20 joules. O Sol fornece-nos muitíssimas vezes a energia que gastamos, e mais limpa que guardanapos do Ritz.
A utilização racional dessa radiação dava para tudo, desperdício incluído. Somos uns nabos por nos deixar enrolar por interesses privados que, ainda por cima, também são públicos. Ponha-se toda a sociedade empenhada a mobilizar a Ciência e a Tecnologia, a Economia e a Política, o Capital e o Trabalho, e estaremos a gozar os rendimentos da energia barata, renovável e limpa. E acaba-se com esse horror que são as minas e centrais de carvão, os poços de petróleo e as centrais de fuel, as centrais de gás natural e as centrais nucleares. A única central nuclear que nos interessa é o Sol porque está a 149 milhões de quilómetros de distância.

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"NOVAS CRIANÇAS IRÃO NASCER"

Vamos transformando o mundo passo a passo, geração a geração. Legamos as nossas próprias inovações e os novos mundos criados por estas aos nossos filhos – que imaginam novas alternativas. E assim, ao longo das gerações, vamo-nos aproximando daquilo que entendemos como sendo uma vida melhor. A nossa vida moral não é menos determinada pelo passado evolucionário do que a nossa vida física e social.
Na melhor das hipóteses, posso ter alguns vislumbres do futuro se esses vislumbres se alicerçarem consistentemente no passado. Mas é uma boa indução racional, a de que os meus filhos e os filhos deles e todas as crianças que nascerem depois irão ver o mundo sob novas perspectivas, descobrirão novas possibilidades e novos caminhos para o tornarem melhor, através de meios que hoje nem consigo imaginar.


Alison Gopnik
Professora de Psicologia
Universidade da Califórnia

ANTONIO CAPEL


Capel é o exemplo da pintura realista. Diria hiper-realista. Para quem gosta, aqui fica.
(Recebida de João Castro Brito)

A FIABILIDADE DO RECORTE LITERÁRIO

No início do romance "Anna Karenina", Tolstoi afirma que as famílias felizes são todas parecidas entre si e as infelizes são infelizes à sua própria maneira. Vladimir Nabokov, no "Ada", tinha outra opinião: todas as famílias felizes são mais ou menos diferentes, todas as famílias infelizes são mais ou menos parecidas.
Pedindo desculpa por participar nesta discórdia entre gente tão ilustre, acho que todas as famílias felizes são diferentes e todas as famílias infelizes são também diferentes. É inegável que, individualmente, há maneiras diferentes de ser feliz ou infeliz. É dos livros porque, se ninguém é igual a ninguém, porque o seria na felicidade ou na infelicidade? E a qualidade daquela, ou desta, mesmo não sendo um simples somatório de estados de espírito individuais na família, também não pode ser a mesma. Como aceitar que a interacção de personalidades diferentes conduza sempre a um resultado padrão?
É complicado fazer jogos com palavras, especialmente quando exprimem sentimentos. Tolstoi sabia-o e Nabokov também. Mas a arte literária sacrifica o rigor, em nome do ritmo da prosa, ou do imprevisto da ideia, da originalidade, ou do impacto que produz no leitor.
Tomemos um exemplo. Vejamos a seguinte frase de James O’Donnell: Afinal de contas, começámos nas savanas de África, a tentar correr suficientemente depressa para apanhar as coisas que podíamos comer e fugir das que nos podiam comer. A frase tem ritmo, embora prejudicada pela tradução; fala de uma situação imprevista, porque esquecida, da vida passada do homem; é original, ao contemplar simultaneamente a qualidade humana de predador e vítima da predação; e produz impacto no leitor do Século XXI, ao ser confrontado com a triste figura do seu antepassado.
Mas não é verdadeira. Não começámos assim, porque outros estados da evolução já tinham ocorrido antes; na fase africana do desenvolvimento da humanidade, os hominídeos pouco corriam, se é que o faziam; ainda fugiam dos predadores trepando às árvores; e a sua alimentação não fugia a correr, seguramente, porque era predominantemente vegetal.
Ninguém espera que uma pintura seja a reprodução fiel do que quer que seja, excepto os admiradores do realismo (que estão no seu direito). O escritor também não está obrigado a ser correcto em matéria científica, psicológica, ou sociológica. Pelo menos não devemos tomá-lo como tal, por maior respeito que nos mereça a sua obra. Aprecie-se a prosa, o enredo, a caracterização das personagens, que em inglês até se chamam characters, a eventual mensagem contida no texto, e pouco mais. Afinal, há familias felizes e infelizes e são todas diferentes.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

REFLEXÃO

Mais do que em qualquer época da História, a Humanidade encontra-se numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero extremo. O outro à extinção. Rezemos para sermos capazes de fazer a escolha certa.

Woody Allen
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EVOLUCIONISMO








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"O Dolicocéfalo" acredita no Evolucionismo e é uma janela aberta para todos os fenómenos que documentam a origem do Homo sapiens.

LA PALICE O INJUSTIÇADO

Falo em baixo no Senhor de La Palice. Acabo de cometer a maior das injustiças ao fazê-lo da maneira como o faço. Invoco-o sem nenhum respeito, como papagueador ridículo de ideias óbvias, como é habitual, não só em mim mas em quase todos. Tem-se de La Palice a imagem de ignorante e oco pretensioso. Mas não era. La Plalice foi um valente e brilhante militar de França, pela qual deu a vida.
Serviu sob as ordens de três reis e participou gloriosamente em todas as guerras de Itália no seu tempo. Esteve na tomada de Nápoles em 1495 e na conquista do Ducado de Milão em 1500.
Conquista em 1501 várias Praças-Fortes nos Abruzos e Pouilles. Ferido e feito prisioneiro, pelo Duque de Terranova no cerco de Rouvre em 1502, será libertado em 1504. Terá uma participação importante nas Batalhas de Agnadel e Ravena, onde será gravemente ferido.
Em 1511 é-lhe concedido o título de Grão-Mestre de França.
Foi novamente feito prisioneiro na Batalha de Guinegatte em 1513, mas evadiu-se rapidamente e participou na conquista de Villefranche e na Batalha de Marignan.
Promovido a Marechal em 2 de Janeiro de 1515. Retorna a Calais para negociar um tratado de paz com os enviados do Imperador. A negociação falha e La Palice retorna a Itália e bate-se no combate de la Bicoque em 1522.
Foi enviado, em 1523, em socorro de Fontarabie que conseguiu reabastecer. Obriga o Condestável de Bourbon (Carlos III) a levantar o cerco a Marselha, conquista Avignon e termina a sua carreira militar e a vida, pois foi morto, na Batalha de Pavia, onde comandava a vanguarda do exército Francês.
Era, como se pode ver, um homem de respeito. Porque tem colada à memória a imagem de calino? Em boa verdade, não tem culpa nenhuma disso. A popularidade junto dos soldados fez nascer várias canções depois da sua morte. Numa delas, cantava-se: S’il n'était pas mort il ferait envie. É pouco inspirado, mas é uma ternura. Só que as almas malignas que vagueiam pelo mundo deturparam a ideia e transformaram-na em: S’il n'était pas mort il serait en vie. Além de pouco inspirado, passou a ridículo. E, com esta piada de mau gosto, se arruinou a memória de um homem notável.

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"EFEITO INVESTIGADOR" E O SENHOR DE LA PALICE


Em 1903, René Blondlot, respeitado cientista francês, descreveu uma radiação nova a que chamou Raios N, em homenagem à sua Universidade de Nantes. Os Raios N eram muito difíceis de observar. Tão difíceis, que ninguém os conseguia detectar. Embora as suas experiências fossem confirmadas por vários cientistas franceses, ninguém as reproduzia com sucesso.
Em 1904, o físico americano Robert Wood observou a experiência feita pelo próprio Blondlot, depois de remover às escondidas uma peça fundamental do seu equipamento laboratorial. E Blondlot continuava, entusiasticamente, a observar os Raios N! Wood contou a partida que fez e os Raios N nunca mais foram vistos.
Este caso com expressão mundial ocorre diariamente em laboratórios. O investigador procura avidamente a confirmação da sua hipótese e acaba por perder o pé, o mesmo que perder o senso e a autocrítica. Não se trata de mistificação intencional. Isso são casos de polícia. É um fenómeno conhecido, chamado “Efeito Experimentador”. Porque se sabe isso, a Ciência tem mecanismos de se corrigir a si mesma através do controlo que os pares fazem uns aos outros. Por isso, o cepticismo é um dos seus ícones. Tudo é verdadeiro até que se demonstre que não é verdadeiro. O Senhor de La Palice não diria melhor.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O SALDO É PEQUENO

Há mais bem que mal neste mundo - ainda que a diferença seja reduzida.

Rabi Zalman Schacter-Shalomi

O HUMOR NA ECOLOGIA

A ironia
Estou optimista em relação ao passado. A cada dia que passa, parece que tem melhor aspecto. Daqui a 200 anos, quando os gelos da Gronelândia e da Antárctida tiverem derretido e o nível do mar tiver subido 60 metros, os nossos descendentes geneticamente modificados estarão sentados nas suas propriedades à beira-mar, no Nevada, lembrando-se dos bons velhos tempos que passaram nas então submersas cidades de Nova Iorque, Londres e Tóquio. Para eles, o passado vai ter mesmo muito bom aspecto.
Seth Lloyd

O chiste
Eu posso não querer saber o que acontece às ilhas-nações, ou aos frágeis ecossistemas do outro lado do mundo, mas fico chateado se a minha viagem anual para esquiar ficar estragada pela ausência de neve.
James Geary

O escárnio
Por causa do aquecimento das casas este Inverno, as contas de electricidade são as mais altas dos últimos cinco anos; mas o governo já tem um plano para controlar o aumento desta despesa. Chama-se aquecimento global.
Jay Leno


A anedota
Ontem um grupo de cientistas avisou que o aquecimento global fará subir o nível do mar, ao ponto de algumas áreas de Nova Jersia poderem ficar submersas. Mas a parte má é que há zonas de Nova Jersia que não vão ficar submersas.
Conan O’Brien

MARC CHAGALL


AQUILO QUE NOS DIVIDE É AQUILO QUE NOS MATA

Racismo, sexismo, especismo, etarismo, elitismo, fundamentalismo, ateísmo. Tudo correntes com fortíssimo carácter de “favorecimento de grupo” de que ontem falávamos. Desencadearam guerras, alimentaram ódios, justificaram torturas, dividiram países, acentuaram diferenças económicas e destruíram civilizações. Para alguns são causas por que vale a pena morrer. E sobretudo matar. Junte-se um número elevado deles e estão criadas as condições mais lamentáveis.
O instinto de sobrevivência está subjacente ao “favoritismo de grupo”. Não é, porventura, a força individual que tem sido considerada. Reside no indivíduo de facto, mas integra um fenómeno biológico hierarquicamente superior, o da sobrevivência da espécie, que o evolucionismo chama de família genética e neste caso é o grupo.
A identificação dos mecanismos que entravam o harmónico funcionamento da sociedade tem sido perseguida ao longo da História. Não estou a falar só de guerras, mas também dos problemas ambientais, das desigualdades económicas planetárias, da pobreza e da injustiça. Tal objectivo não é simples pois, se a compreensão das comunidades biológicas mais simples é complicada, imagine-se o que dizer de uma comunidade de seres ditos racionais.
O progresso verificado nos últimos anos nas neurociências, nomeadamente na compreensão dos fenómenos cerebrais da actividade psíquica, criam esperança de melhores dias no relacionamento entre os homens. Tudo leva a crer, dizem os estudos, que o Homo sapiens está programado para a empatia, comportando-se como se comporta em consequência de essa tendência constitucional ser desviada por processos mentais chamados reflexivos e deliberados. Por isso as crenças religiosas e políticas são capazes de nos converter tão eficazmente em pequenos monstros. Recorde-se como a população da Alemanha aderiu ao Nazismo.

A investigação em curso nestas matérias é a janela aberta para uma humanidade melhor ao permitir perceber o modo como aquilo que nos divide nos torna tão desprezíveis.

MARC CHAGALL

Adão e Eva

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

CITAÇÃO

Uma coisa apenas pode ser sempre atribuída a um filósofo; e essa coisa é discordar dos outros filósofos.

Williams James

O QUE É "COOL" EM AUDIOVISUAL



Rádio, gira-discos e leitor de CD e DVD tem o "ressuscitado" modelo da italiana Brionvega, com altifalantes móveis o que permite personalizar a configuração.


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... . . . . . . . . ..RADIOFONOGRAFIO

GUERRAS E CONFLITOS, FAVORITISMO DE GRUPO, CASULOS SOCIAIS E INTERNET


Já não há guerras. Actualmente, há conflitos. A guerra deixou de fazer parte da tradição do homem. Ninguém declara guerra contra ninguém, como era praxe até meados do século passado.
Se for caso disso, entra-se com tropas por um país dentro e começa-se a malhar. Como o invadido, teoricamente, é sempre mais fraco – se não fosse, não era invadido – defende-se sem observar as regras da guerra clássica: mete-se na toca, mobiliza a opinião mundial contra a violência de que está a ser vítima e, sempre que pode, usa ele da maior violência contra o agressor, não poupando velhos, doentes ou crianças inocentes porque tudo lhe é desculpado. Estamos então em presença de um conflito, com um agressor de um lado e terroristas do outro.
Este paradigma bélico é, apesar de tudo, um progresso. Não tenho dados para o afirmar mas acredito que neste figurino morre menos gente e não há tanto sofrimento como nas guerras clássicas. É um estado entre a guerra da brutalidade, das bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki, e a paz universal.
Os conflitos são localizados e a participação directa de várias nações nos conflitos é rara. Há, isso sim, participação indirecta, traduzida em fornecimento de material militar e apoio logístico aos mais fracos que, às vezes, assim se tornam fortes. Esta beligerância começa a entrar no campo das tricas resultantes do que os psicólogos sociais chamam de favoritismo de grupo.
O termo favoritismo de grupo refere-se à tendência para acreditar que os membros do “nosso grupo” merecem mais que os membros do “outro grupo” e que estes são diferentes de nós, todos iguais entre si e uma ameaça porque são maus. Eis os condimentos para o conflito entre irlandeses católicos e protestantes, entre sunitas e xiitas, entre negros e brancos americanos, entre islâmicos e cristãos e por aí fora. No fundo, este caldo sócio-político resulta do desconhecimento do “outro”, da incapacidade de perceber que não corresponde minimamente à imagem que se tem dele e, pior, da recusa de querer aceitar o contrário, porque isso nos faria tão maus como eles.
Só um trabalho persistente de fomento de contactos mútuos pode ir dissipando este primarismo vigente de parte a parte. E, nesse aspecto, os meios de comunicação virtual têm papel fundamental. Nunca como se hoje se pôde ter uma multidão espalhada por todo o mundo em contacto com outra multidão espalhada pelo mesmo mundo. É o Menssenger, o HI5, o Twitter, o Facebook, os blogs e toda essa trapalhada que vão permitindo o diálogo entre gente que se julga muito diferente e vai aprendendo que é mais ou menos igual.
A Internet faz mais pela paz mundial do que vinte assembleias gerais da ONU, centenas de milhares de militares de forças “dissuasoras”, ou milhões de manifestações pacifistas.

BURJ DUBAI


A Torre do Dubai é inaugurada hoje. É a maior estrutura feita pelo homem e o edifício mais alto do mundo (mais de 800 metros e 160 andares). Concebida pelo americano Adrian Smith, foi construída pela companhia Sul Coreana Samsung, e as companhias Besix, da Bélgica, e Arabtec, dos Emiratos Árabes Unidos. O custo do projecto foi de 4,1 mil milhões de dólares e, com toda a área envolvente – Downtown Burj Dubai - 20 mil milhões! Not bad!!!... Crisis?!!!... What crisis?!!...

PROVERBIOS DO MUNDO

O caminho da descoberta começa na velhice.

(Angola)

domingo, 3 de janeiro de 2010

INTRIGANTE!

Vamos fazer magia.

EL MAGISTRAL DE LA REGENTA


O magistral é Don Fermín de Pas, orientador espiritual da mulher do Regente de Oviedo, no romance de Leopoldo Alas «Clarín» "La Regenta". Falo dele porque esta gravura é mencionada numa carta aberta, muito comentada em Espanha, escrita pelo Padre Pedro Aliaga a Gaspar Llamazares, da Isquierda Unida, a respeito da retirada dos símbolos religiosos nas instituições públicas naquele País.
(A gravura foi-me enviada por João Castro Brito)

HUBBLE, O TRIUNFO DA TECNOLOGIA

O Telescópio Espacial Hubble é um satélite artificial e enormíssimo telescópio de radiação visível e infravermelha. Lançado pela NASA em Abril de 1990, a bordo do vaivém Discovery, é a primeira missão do programa Grandes Observatórios Espaciais, que incluirá telescópios de raios gama e raios X.
Concebido por Lyman Spitzer, permite ver mais longe que as estrelas da nossa galáxia e estudar áreas do Universo até agora desconhecidas. Constitui um avanço no conhecimento dos astros comparável ao aparecimento da luneta de Galileu. O fim da sua vida operacional estava previsto para este ano de 2010, mas a arte e o engenho dos homens não pára de nos deslumbrar e o telescópio tem sido visitado e recebido assistência de tripulações dos vaivéns espaciais.
Em Maio de 2009, os astronautas do Atlantis, Drew Feustel e John Grunsfeld, fizeram mais uma caminhada no espaço para abordar o Hubble e reparar componentes avariados, instalar novos instrumentos científicos e substituir as seis baterias originais que o alimentaram durante quase 20 anos quando não recebe a luz solar – seis baterias de 57 kg!
É extraordinário como tudo isto se passou e constituiu tema de quarta página em noticiários com as actividades suspeitas do primeiro-ministro, ou a transferência de um qualquer jogador de futebol, a abrir as edições. Esta foi a última missão em que o Hubble é visitado, mas ficou operacional para uma década ou mais. E o que a humanidade tem aprendido através dele não pode se avaliado nos anos mais próximos. Os dados transmitidos para a Terra até agora vão levar anos a digerir.
A missão do Atlantis que transportou os astronautas/cientistas/mecânicos/heróis foi a última e mais completa a dar assistência ao Hubble. Por isso a podemos considerar o acontecimento do ano de 2009 na área da tecnologia.

sábado, 2 de janeiro de 2010

LISBOA D' OUTRAS ERAS

Venda de leite em 1910

MENSAGEM DE ANO NOVO: FRAQUINHA! COM A ÉTICA REPUBLICANA METIDA A MARTELO



Ontem, cumpriu-se o ritual e o Senhor Presidente da República endereçou uma mensagem ao País.
E que disse Sua Excelência?
Falou assim:
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[...] Ao longo do último ano, o desemprego subiu acentuadamente, atingindo, no terceiro trimestre, 548 mil pessoas. Quase 20% dos jovens estavam desempregados. [...]
[...] Mas o desemprego não é o único motivo de preocupação.
A dívida do Estado tem vindo a crescer a ritmo acentuado e aproxima-se de um nível perigoso.
O endividamento do País ao estrangeiro tem vindo a aumentar de forma muito rápida, atingindo já níveis preocupantes.
Acresce que o tempo das taxas de juro baixas não demorará muito a chegar ao fim.
Se o desequilíbrio das nossas contas externas continuar ao ritmo dos últimos anos, o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos, ficará seriamente hipotecado.
Quando gastamos mais do que produzimos, há sempre um momento em que alguém tem de pagar a factura.
Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva. [...]
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E não disse mais?!!
Claro que disse. Mas não interessa. Foi aquela conversa do aumento da produtividade, da melhor Justiça, educação, formação profissional, solidariedade, e por aí fora. Palha mastigada, digerida e já incorporada no bolo fecal.
E falou num chavão que ninguém sabe o que é: a ética republicana. Ninguém sabe e ninguém explica.
Mas eu vou explicar porque encontrei a matéria numa página da Internet chamada “Semiramis”. E aí se refere, a propósito de um discurso em que Jorge Sampaio falou torrencialmente naquela ética, que entre os ícones que povoam o relicário mental de Sampaio (bem como do clã Soares e de outros herdeiros do jacobinismo político), resplandecem os egrégios vultos da 1ª República. Contrariamente aos próceres socialistas, a autora do texto, que só sei chamar-se Joana, naqueles vultos só encontra ética numa minoria: grupo Seara Nova e pouco mais. Outros eram de ética mais que duvidosa, progressivamente mais duvidosa à medida que subiam na importância política.
E interroga-se se é ética republicana, após a implantação da república, reduzir o corpo eleitoral a metade, com medo da opinião dos cavadores e analfabetos; ou dissolver os partidos existentes, excepto o republicano; ou pôr “cientistas” a medir o crânio dos Jesuítas para confirmar que eram anormais e publicar fotografias das investigações nas revistas da época; ou ter Afonso Costa, como ministro da Justiça, provido nos melhores lugares o seu irmão, os seus dois cunhados, o sócio do cartório, o seu procurador, um amigo íntimo e por aí fora; ou organizar a carnificina da Noite Sangrenta; ou criar um regime tutelado por arruaceiros e rufias dos cafés e tabernas de Lisboa; ou criar a Guarda Nacional Republicana a fim de ser a Guarda Pretoriana do regime, com efectivos a chegar quase aos 15.000 homens.
E termina a Joana desta forma lapidar:
A ética republicana é um mito do relicário ideológico do jacobinismo: por muitos desmandos que pratique é, por convenção, o estado perfeito de governação.
O Senhor Presidente da República Cavaco Silva já fez bastantes asneiras desde que está em Belém. Está perdoado. Mas não venha agora com essa conversa da ética republicana porque, nem lhe assenta bem o fato, nem cai melhor em muita gente.
Ética é um conceito filosófico relativo às normas de conduta, dos costumes e dos deveres em geral, esperando-se que sejam boas - para o indivíduo e para a sociedade. É, portanto, aplicado sem qualquer especificidade. Não há ética republicana. Há simplesmente ética, Senhor Professor Cavaco Silva. Deixe essas parolices para o Dr. Soares.

DO AR, FOGO, ÁGUA E TERRA ATÉ AO QUARK

O filósofo grego Empédocles classificou os elementos fundamentais do Universo no Século V AC: Ar, Fogo, Água e Terra.
Na Índia, no Século III DC, eram cinco: Ar, Fogo, Água, Terra e Espaço.
Os chineses achavam que eram Fogo, Água, Terra, Madeira e Metal.
A "Física de Partículas" daquele tempo era bem mais simples!

LOUIS ARMSTRONG - When the Saints Go Marchin' in

Oh, when the saints go marchin' in,
Oh, when the saints go marchin' in,
Lord, I want to be in that number
When the saints go marchin' in.
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And when the sun, begins to shine,
And when the sun, begins to shine,
Oh, how I want to be in that number
When the sun begins to shine.





Oh, when the trumpet, sounds its call
Oh, when the trumpet, sounds its call,
Lord, how I want to be in that number
When the trumpet sounds its call.

Oh, when the saints go marchin' in,
Oh, when the saints go marchin' in,
Lord, how I want to be in that number
When the saints go marchin' in.



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(Armstrong só canta a primeira quadra. Esta é a versão integral e correcta dos versos).

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CITAÇÃO

Quando toda a gente concorda comigo, penso sempre que devo estar errado.

Oscar Wilde

LAURIE JUSTUS PACE


CRÓNICAS DE TIMOR: A POLITOLOGIA E O LIURAI MAU LOI

Esta crónica foi escrira há uns anos, mas permanece actual. A aplicação indiscriminada da filosofia política é um erro muito comum nos nossos dias. Quando surgem coisas como o Zimbabwe e a Venezuela, os teóricos ficam sem teoria. Entopem e esperam que um pacóvio qualquer, com um bocado de bom senso, lhes aplane o terreno para voltarem a perorar sobre as melhores soluções para regiões que não têm, ou têm pouca, solução.


Hoje assisti na TV a um “frente a frente” sobre Timor, entre Telmo Correia e Vicente Jorge Silva.
O primeiro esteve lá alguns dias (horas?), numa comissão parlamentar. O segundo nunca lá esteve, mas honradamente faz os possíveis para se manter informado. Ambos honestos e sensatos.
O que disseram?
Coisas importantes e evidentes.

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QUANDO A FOTOGRAFIA DIZ TUDO


NA PRÁTICA A TEORIA É OUTRA

Esta é a tradução da resposta enviada pelo ministro canadiano da Defesa a uma boa alma que se queixava da sorte reservada aos “combatentes” afegãos, prisioneiros nos centros de detenção do Afeganistão.

Ministério da Defesa Nacional
Mgen George R. Pearks Bldg, 15 NT
101 Colonel By Drive
Ottawa, ON K1A OK2
Canada

Cara Cidadã Inquieta,

Obrigado pela sua carta exprimindo profunda inquietação pela sorte dos terroristas da Al Qaeda capturados por forças canadianas, transferidos para a custódia do governo afegão e presentemente detidos nos centros nacionais de reagrupamento de prisioneiros.
A nossa administração considera muito a sério este assunto e a vossa mensagem é considerada importante e clara aqui em Otava. Ficareis contente por saber que, graças ao contributo de cidadãos como vós, criámos um novo departamento no seio da Defesa Nacional, que será chamado PLARA, ou seja, “Programa dos Liberais que Assumem a Responsabilidade por Assassinos”.
De acordo com as directivas deste novo programa, decidimos escolher um terrorista e colocá-lo sob a vossa vigilância pessoal. O detido foi seleccionado e será conduzido sob escolta fortemente armada até ao vosso domicílio em Toronto, a partir da próxima segunda-feira.
Ali Mohammed Ahmed bin Mahmud (pode tratá-lo simplesmente por Ahmed) ficará a vosso cargo segundo as normas que exigistes na carta de reclamação. Será provavelmente necessário recorrer à colaboração de assistentes. Faremos inspecções semanais a fim de nos assegurarmos que Ahmed goza de todos os cuidados que recomendais com tanta firmeza na vossa carta.
Pese o facto de Ahmed ser um psicopata extremamente violento, esperamos que a vossa sensibilidade para o que chamais de “problema comportamental” vos ajudará a ultrapassar as suas perturbações de carácter. Tendes talvez razão quando descreveis estes problemas como simples diferenças culturais.
Compreendemos a vossa intenção de lhe dar conselhos e educação domiciliária. O vosso terrorista adoptado é extremamente eficaz nas disciplinas de combate corpo-a-corpo e pode pôr termo a uma vida com objectos simples, como um lápis ou um corta-unhas. Aconselhamos a não lhe pedir para fazer uma demonstração na vossa próxima sessão de yoga.
É igualmente perito em explosivos e pode fabricá-los a partir de objectos de limpeza doméstica. Recomendamos a mantê-los fechados à chave, a menos que tal (segundo a vossa opinião) possa ofendê-lo.
Ahmed não procurará manter relações convosco ou com as vossas filhas (excepto sexualmente), na medida em que considera as mulheres uma espécie sub-humana. É matéria particularmente sensível para ele, conhecido por ter reacções violentas contra mulheres que não observam critérios de vestuário apropriados. Estou convencido que, com o tempo, vireis a apreciar o anonimato que a burkha oferece. Recordai que isto faz parte do respeito pelas crenças religiosas de que falais na vossa carta.
Obrigado, mais uma vez, pela vossa preocupação. Apreciamos verdadeiramente que cidadãos como vós nos indiquem a melhor maneira de fazer o nosso trabalho e de nos ocuparmos dos nossos semelhantes.
Tomai bem conta de Ahmed e lembrai-vos que observamos o vosso caso.
Boa sorte e que Deus vos abençoe.

Cordialmente,

Gordon O’Connor

A respeito desta carta, vale a pena citar Soljenitsyne quando dizia, em 1978, na Universidade de Harvard: E que dizer dos espaços sombrios onde se move a criminalidade propriamente dita? Os quadros jurídicos, muito latos, principalmente na América, são para o indivíduo não só um encorajamento ao exercício da sua liberdade, mas também uma incitação a cometer certos crimes que oferecem ao criminoso a possibilidade de escapar ao castigo ou de beneficiar de uma indulgência imerecida, graças ao apoio de um milhar de vozes que se elevarão a seu favor. E quando num país os poderes públicos tentam desenraizar vigorosamente o terrorismo, a opinião acusa-os logo de espezinhar os direitos cívicos dos bandidos.

Soljenitsyne era um reaccionário; está na cara!

ALMADA NEGREIROS

Família pertence a uma vasta série de desenhos e pinturas em que Almada Negreiros celebra a sua própria família, nascida do casamento com a pintora Sarah Afonso. Neste caso, no entanto, só a presença do casal e da menina sugerem uma situação biográfica (a primeira infância de sua filha) uma vez que não há nenhuma efectiva semelhança fisionómica entre figuras e os seus eventuais modelos. Trata-se, portanto, de uma metáfora, embora com articulações com a história pessoal: o enlevo do amor conjugal e filial [...]
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Raquel Henriques da Silva
Professora de História de Arte
In Catálogo Arte Partilhada Millennium bcp

PROVÉRBIOS DO MUNDO

All who have died are equal.

(Provérbio comanche)