terça-feira, 8 de junho de 2010

JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO POR OLIVEIRA MARTINS

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Faz hoje, 2 de Outubro, 55 anos que morreu o desbragado foliculário, o poetastro infatigável, o panfletário sabido que fundou entre nós o jornalismo político, com o Desengano, com a Tripa Virada e com a Besta Esfolada, de que chegavam a tirar-se quatro mil exemplares!
Nunca houve homem mais plebeiamente popular; nenhum dos nossos caceteiros da pena lhe deitou a barra adiante na impudência, no descaramento, na desfaçatez. A sua veia (hoje diz-se verve), a sua facúndia, eram inesgotáveis. Sabia a linguagem das colarejas e rameiras, porque as frequentava; e o calão dos cárceres e das enxovias porque passou por lá. O seu estilo era torrente, mas jorro que sai de um cano – um enxurro violento de imundícies. Criou um género, que se nacionalizou português.
Era alentejano, de Beja, onde nascera em 1761. Fez-se frade na Graça em 1778. Foi expulso por devasso em 1792. Os tempos tormentosos da passagem do século XVIII para o nosso, com o esboroar de todas as coisas, desequilibraram o pensamento e o carácter desse homem poderoso, cuja força se perdeu num dilúvio de vulgaridades, numa indigesta montanha de folhetos, de jornais, de sermões, de cartas, de poemas e de versalhada, medíocre, mas espantosa, pela quantidade – um Himalaia, de calhaus rolados!
Um grande orgulho baseado na consciência da sua força real, levava-o a odiar Camões, esse desespero de Castilho que se parece tanto com José Agostinho como uma limonada com um almude de vinho torrejano, espesso, negro, e carrascão. As cócegas da rivalidade levavam-no a beliscar em Bocage, o grande homem perdido, que lhe respondia:
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...Epístolas, Sonetos
Odes, Canções, Metamorfoses...
Na frente põe teu nome, e estou vingado.
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Elmiro, com a batina desabotoada, as ventas largas cheias de rapé, abordoado a uma bengala, membrudo, violento, ossudo, desbragado, dava murros no balcão gorduroso dos Bertrands, ao Chiado, enchendo Lisboa com o estrépito das suas polémicas e com a fama da sua vida airada.
Andava amancebado com uma freira de Odivelas; passava as noites em arruaças e bebedeiras. Acusavam-no de ter furtado livros da livraria dos Paulistas, o que provavelmente era calúnia.
Fabricava poemas: O Oriente, o Gama, A Meditação, Newton, A Natureza, para não falar nos Burros, traduzindo numa linguagem friamente convencional, sem génio, sem colorido, as sensaborias banais do racionalismo naturalista do tempo. Fazia comédias, pregava sermões. Ensaiava o drama burguês moderno, inventado por Diderot, com a Clotilde e o Vício sem Máscara, e alinhavava dissertações filosóficas. A sua veia porém, a sua vocação, era a polémica. Inventou o jornal, nacionalizou o panfleto. Foi o mestre de S. Boaventura, autor do Mastigóforo, e de Alvito Buela, o autor do Cacete.
É por ser o patriarca do jornalismo lusitano que lhe comemoramos hoje o aniversário.
[...]

Oliveira Martins in "Perfis" (edição póstuma, 1930)

Lendo este excerto de Oliveira Martins, adivinha-se o encanto rasca de José Agostinho de Macedo, personalidade a manter à distância mas sob permanente observação para não perder pitada de tão pitorescamente ordinária figura; um ícone da vida desbragada, conflituosa e pretensamente literata.
O texto é uma peça notável de estilo. Para quem o quiser ler na íntegra, fica aqui o link.

LONDRES

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RELATO DE UMA MÉDICA BRASILEIRA QUE SERVE NO EXÉRCITO DE ISRAEL


[...]
Os comandantes do navio concordaram com a inspeção.

5:00h – Minha chegada em Gaza. Exatamente no momento em que os soldados estavam entrando nos barcos. E Foram gratuitamente atacados: tiveram suas armas roubadas, foram espancados e esfaqueados. Mais soldados foram enviados, desta vez para controlar o conflito. Cerca de 50 pessoas se envolveram no conflito, 9 morreram. Morreram aqueles que tentaram matar nossos soldados, aqueles que não eram civis pacifistas da ONU, mas sim militantes terroristas que comandavam o grupo. Todos os demais 22 feridos entre os tripulantes do navio, foram atendidos e resgatados por nós, eu e minha equipe e enviados para os melhores hospitais em Israel.
Entre nós, 9 feridos. Tiros, facadas e espancamento. Um deles ainda está em estado gravíssimo após concussão e 6 tiros no tronco. Meninos entre 18 e 22
anos, que tinham ordem para inspecionar um navio da ONU e não ferir ninguém. E não o fizeram. Israel não disparou nem o primeiro, nem o segundo tiro. Fomos punidos por confiar no suposto pacifismo da ONU. Se soubéssemos a intenção do grupo, jamais teríamos enviados nossos jovens praticamente desarmados para dentro do navio. Ele teria sim sido atacado pelo mar. E agora todos os que ainda levantam a voz contra Israel estariam no fundo mar.
[...]
Só milionário idiota que acha lindo ser missionário da ONU não entende que guerra não é lugar para civis se meterem. Havia um bebê no barco (que saiu ileso, obviamente): alguém pode explicar por que uma mãe coloca um bebê em um navio a caminho de uma zona de guerra? Onde eles querem chegar com isso?
[...]
E o presidente Lula precisa também entender que desta guerra ele não entende. E que o Brasil já tem problemas demais sem resolver. Tem mais gente passando fome que Gaza. Tem muito mais gente morrendo vítima da violência urbana no Rio do que mortos nas guerras daqui. E passar a cuidar dos problemas daí. Dos daqui, cuidamos nós.
[...]
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O transcrito acima são excertos da carta alegadamente escrita por uma médica brasileira que serve no exército de Israel e acompanhou no local a cena da auto-intitulada flotilha humanitária.
Não posso assegurar a fidelidade do texto. Chegou-me através do correio electrónico, numa daquelas missivas que dão a volta ao mundo sem certificado de qualidade.
Há dias recebi uma apresentação de PowerPoint em que o Professor Parker Pearson denuncia a genuidade do centro britânico de Stonehenge. Pesquisa sumária na Net permite verificar que Parker Pearson nem sabia do que se tratava quando foi confrontado com a apresentação.
Postas estas reservas, aqui fica o
link para a carta completa.

Não foi editada para não lhe tirar eventual veracidade.
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CHUVA

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ALÁ É GRANDE E MAOMÉ O SEU PROFETA


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No dia 8 de Junho de 632, faz hoje 1378 anos, Maomé morreu em Medina. Nascido em Meca em 570, é considerado pelos muçulmanos o último profeta do monoteísmo, no sentido de que encerra o ciclo da revelação monoteísta, iniciado com Abraão e continuado com Ismael, Isaac, David, Moisés e Jesus.
Durante a primeira parte da vida, foi um mercador que viajou muito e se recolhia frequentemente nos montes para meditar. Tinha 40 anos quando, num desses retiros no Monte Hira, lhe apareceu o Anjo Gabriel a comunicar que Deus o havia escolhido como o último profeta enviado à humanidade.
Os textos do Corão foram compilados pelos discípulos depois da morte do profeta, com base nas suas prédicas.
A vida e palavra de Maomé, além da influência religiosa, são fonte do Direito muçulmano como é evidente nos tempos actuais, com interpretações erróneas segundo muitos.
Maomé é uma personalidade histórica de primeira grandeza e é legítimo assinalar o aniversário da sua morte.
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NECROFILIA IDEOLÓGICA

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Presidente Chávez ‘nacionaliza’ mais 80 empresas
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In Diário Económico
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O CACHECOL VERMELHO

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

A IRA

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O que se irrita justificadamente nas situações em que se deve irritar ou com as pessoas com as quais se deve irritar, e ainda da maneira como deve ser, quando deve ser e durante o tempo em que deve ser, é geralmente louvado. Quem assim for é gentil, se é que a gentileza é uma disposição louvada. Porque o gentil quer permanecer imperturbável e não quer ser levado pela emoção, e apenas o sentido orientador lhe poderá prescrever as situações em que deve irritar-se e durante quanto tempo.
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Aristóteles

TERRA À VISTA

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O BRILHO DA RETÓRICA INGÉNUA


[...]
No tempo de Noé sucedeu o dilúvio que cobriu e alagou o Mundo, e de todos os animais quais livraram melhor? Dos leões escaparam dois, leão e leoa, e assim dos outros animais da terra; das águias escaparam duas, fêmea e macho, e assim das outras aves. E dos peixes? Todos escaparam, antes não só escaparam todos, mas ficaram muito mais largos que dantes, porque a terra e o mar tudo era mar. Pois se morreram naquele universal castigo todos os animais da terra e todas as aves, porque não morreram também os peixes? Sabeis porquê? Diz Santo Ambrósio: porque os outros animais, como mais domésticos ou mais vizinhos, tinham mais comunicação com os homens, os peixes viviam longe e retirados deles. Facilmente pudera Deus fazer que as águas fossem venenosas e matassem todos os peixes, assim como afogaram todos os outros animais. Bem o experimentais na força daquelas ervas com que, infeccionados os poços e lagos, a mesma água vos mata; mas como o dilúvio era um castigo universal que Deus dava aos homens por seus pecados, e ao Mundo pelos pecados dos homens, foi altíssima providência da divina Justiça que nele houvesse esta diversidade ou distinção, para que o mesmo Mundo visse que da companhia dos homens lhe viera todo o mal; e que por isso os animais que viviam mais perto deles, foram também castigados e os que andavam longe ficaram livres.
[...]
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Padre António Vieira in "Sermão de Santo António aos Peixes"
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FAROL

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OS NOSSOS AVÓS DE ROMA

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Investigações arqueológicas feitas nos arredores de York, no Reino Unido, revelaram os mais bem preservados exemplares de restos de gladiadores romanos e dos que travavam lutas sangrenta nas arenas com animais selvagens. Pelo menos oitenta esqueletos foram desenterrados durante uma década e, num deles, são visíveis as marcas de ter sido morto por um animal carnívoro - leão, tigre, ou urso.
Cerca de um quarto têm um membro superior mais comprido que o outro, de 1 a 1,8 cm, significando que terão começado com treino físico muito violento na puberdade; e todos eram de altura superior à média e muito robustos. A análise dos pontos de inserção nos ossos mostra, em 85% dos esqueletos, que tinham desenvolvidos sobretudo os músculos responsáveis pela mobilidade do ombro e do braço. O formato dos crânios é de gente oriunda de diferentes partes do Império Romano, incluindo a Europa Central e Oriental, bem como o Norte de África. Já nessa altura haveria o equivalente à actual contratação internacional de jogadores de futebol!
Aspecto intrigante é o de muitos terem sido decapitados. Embora com sinais de feridas potencialmente mortais, a causa da morte foi a decapitação. Sabe-se que os gladiadores eram frequentemente mortos na arena pelos seus vencedores, mas pensava-se que era com um golpe de sabre na garganta. Admite-se agora poder ser também por decapitação, com golpe, ou golpes, de misericórdia da nuca para diante. Há também calotes cranianas fracturadas por martelo, eventualmente com o mesmo propósito.
Os achados correspondem a homens que viveram entre o Século I AC e o Século IV DC. Catorze deles foram inumados com bens para usufruirem depois da morte. Um deles, jovem alto com 18 a 23 anos, foi enterrado com abundante carne de cavalo, a avaliar pelo número de ossos de equídeo (424 ossos de 4 cavalos diferentes), além de porco e vaca. Tinha sido decapitado por várias espadeiradas no pescoço. Encontraram-se também peças de barro, um cabrito inteiro, e galinhas noutros túmulos.
Caso especial é o das ossadas com pesados aneis de ferro em volta das pernas achadas numa tumba. Julga-se que era a forma de punir certos crimes, mas tal é pura especulação. É provável que no cemitério estejam também criminosos, juntos com gladiadores e combatentes de feras.
Estes factos fazem pensar na utilidade de deixar aos vindouros o máximo de informação clara sobre cada geração. Do passado não muito remoto temos pouca e difícil de interpretar, como se vê. Pergunta-se se do presente deixamos quanto baste. Pensamos que sim, mas provavelmente não. A informação útil é aquela que o estado do conhecimento de cada época precisa, e só sabendo qual será esse conhecimento daqui a séculos, se saberá se deixamos o necessário. Por isso, o melhor é cortar por largo e deixar tudo quanto pudermos.
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IMAGEM DO DIA

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. Pelicano na maré negra do Golfo do México
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HISTÓRIA DE UMA FOTOGRAFIA DA HISTÓRIA

domingo, 6 de junho de 2010

JOSÉ DE ANCHIETA

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Depois de tudo criado
por conto, peso e medida,
disse Deus: "Seja formado
o homem, como treslado
de nossa imagem subida".
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E criou
a Adão, a quem dotou
da semelhança divina.
Mas foi tal sua morfina,
que mui depressa borrou
aquela imagem tão divina.
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Mas Cristo, Deus humanado,
glorioso São Francisco,
para limpar o treslado,
que Adão tinha borrado,
pondo o mundo em tanto risco,
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quis pintar,
e consigo conformar
a vós, de dentro e de fora,
com graça tão singular,
que vos podemos chamar
homem novo, em quem Deus mora.

[...]

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In Carta da Companhia de Jesus para o Seráfico São Francisco
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A ARTE DA CARICATURA

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VELHAS PRÁTICAS NO SÉCULO XXI


Necrofilia ideológica é uma imagem usada por Moisés Naim num artigo do jornal El País de hoje. Curiosa imagem!
A necrofilia é a atracção sexual por cadáveres e a necrofilia ideológica a atracção pelas ideias mortas; como o maoismo, “o sistema mais completo, progressista, revolucionário e racional da história da humanidade”, dizia-se! Já nem os líderes chineses acreditam nisso, se alguma vez acreditaram. Morreram 55 milhões na China às mãos de Mao, mas continua a haver maoistas: na Índia, no Nepal e essa coisa sinistra no Peru chamada Sendero Luminoso!
Há outras formas de necrofilia nas ideias: por exemplo, na Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela. Países sem quadros, onde se insiste nas nacionalizações e entrega da gestão a gente sem qualificação, factor de multiplicação da falta de produtividade, da ruína económica e do que se pretende combater e alastra como mancha de óleo – a pobreza, mesmo a miséria.
A necrofilia política não é exclusivo da esquerda. Tem elevada prevalência nos liberais fundamentalistas que acreditam na capacidade auto-reguladora do mercado, e acham a intervenção dos governos na economia e nas finanças desnecessária e até contraproducente. Na situação de crise actual, só por ironia se pode eructar tal boutade.
Fala-se frequentemente do politicamente correcto - forma condicionada de pensar sob pressão dos opinion makers – e não se percebe que tal fenómeno é, na maioria dos casos, manifestação de necrofilia política. É o método privilegiado de castração intelectual do cidadão, como faziam os caciques de outros tempos.
Veja-se essa cena da intercepção da flotilha humanitária pelos israelitas. Fica claro, para quem não é necrófilo, que a razão não está exclusivamente de um lado e a culpa do outro. Houve excesso de força por parte dos judeus? Provavelmente. E comportamento deliberadamente provocatório por parte de pessoas que dizem só os mover o desejo de suprir as carências elementares da população de Gaza? Provavelmente também. Negar isto é necrofilia ideológica, ao procurar fazer vingar a versão de cada um dos lados, claramente facciosa, no melhor estilo da política velha, baseada na mentira, na intriga e na manobra manhosa. E que dizer dos que ficam com o coração despedaçado quando morre um terrorista, e indiferentes quando um bombista terrorista mata dezenas de inocentes? Necrofilia na prática política.
Em verdade vos digo que não há pachorra para tanto primitivismo.


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THOMAS JEFFERSON CONHECIA-OS!

(Sugerido por Gaspar Cirne de Castro)

JORNALISMO CRIATIVO


O jornalista não é simplesmente um relactor de ideias gerais e notícias, ou um dissertador sobre temas especializados. Para tal basta ter cultura mediana, ou conhecer bem alguma matéria, e saber escrever ao nível da antiga quarta classe. Jornalismo é escrita criativa, como é o romance, a peça de teatro, ou o poema. Infelizmente, fartamo-nos de ler prosa de amanuense na imprensa.
Vem isto a propósito do artigo publicado hoje no Times Online, pela pena de Irwin Stelzert, intitulado “All we can see is the clouds in the silver lining”. O autor recorda a catástrofe ecológica e económica no Golfo do México; o caos na Eurolândia, provocado por estados desbragados na gestão das finanças que ameaçam não poder pagar as dívidas contraídas; a tensão no Médio Oriente entre Israel e os estados muçulmanos; a ameaça de guerra na península da Coreia; a resignação do Primeiro-Ministro do Japão; o aquecimento excessivo da economia chinesa; a obstinação do Irão na marcha para o nuclear, não obstante os esforços em contrário da Nações Unidas; e os problemas da recuperação económica americana, onde no mês de Maio, dos 431.000 novos empregos criados, só 41.000 foram no sector privado.
É um quadro negro que o jornalista resume assim: A má notícia é que há muitas notícias más (The bad news is that there is a lot of bad news). De mestre!
Além da forma como redige a peça, aprecia-se sobretudo a forma como resume a situação - com o tipo frase que fica para consumo e aplicação futura.
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HISTÓRIA DE UMA FOTOGRAFIA DA HISTÓRIA

sábado, 5 de junho de 2010

FLORENÇA

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MEDIOCRIDADE

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O nosso máximo esforço de independência consiste em opor, por vezes, um pouco de resistência às sugestões quotidianas. A grande massa humana nenhuma resistência opõe e segue as crenças, as opiniões e os preconceitos do seu grupo. Ela obedece-lhe sem ter mais consciência do que a folha seca arrastada pelo vento.
Só numa elite muito restrita se observa a faculdade de possuir, algumas vezes, opiniões pessoais. Todos os progressos da civilização procedem, evidentemente, desses espíritos superiores, mas não se pode desejar a sua multiplicação sucessiva. Inapta a adaptar-se imediatamente a progressos rápidos e profundos em demasia, uma sociedade tornar-se-ia logo anárquica. A estabilidade necessária à sua existência é precisamente estabelecida graças ao grupo compacto dos espíritos lentos e medíocres, governados por influências de tradições e de meio.
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Gustave Le Bon in 'As Opiniões e as Crenças'

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A LOJA DA ESQUINA

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MEDALHA DE PRATA PARA COLOMBO?

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Garcia Redondo, membro da Academia Brasileira, realizou em 3 de Junho de 1911, no Instituto Histórico e Geográfico de S.Paulo, a conferência “Descobrimento do Brasil. Prioridade dos Portugueses na Descoberta da América”, sobre documentos históricos relacionados com o achado da América, e cronologia dos acontecimentos daí deduzível, que aponta para a chegada de Colombo posterior à dos portugueses.
O texto viria a ser publicado em livro. É matéria já muito discutida, mas o interesse é estar bem documentado, com informação interpretada de forma aparentemente irrefutável para quem não é historiador.
Seguem-se algumas passagens, podendo o texto completo, com grafia da época em ficheiro digitalizado pela University of California Libraries, ser lido clicando aqui.
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[...] Em 1435, já o mapa-mundi de Bechario representa a Antilia e outras ilhas, a Oeste dos Açores, acompanhadas da seguinte legenda : — Insule de novo reperte (ilhas recentemente descobertas.) Em 1436, um ano após, aparecem o mapa-mundi de André Bianco e o seu portulano (*) cujas cartas já representam o mar de Baga, o mar dos Sargaços, as Antilhas e o Brasil, figurando este como se fosse uma grande ilha. [...]
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[...] No entretanto, do célebre promontório de Sagres, o Infante D. Henrique vê sumirem-se no mar intérmino as caravelas, que sucessivamente iam partindo à descoberta, e já em 1448, numa carta do portulano de André Bianco, tratando dos descobrimentos dos portugueses, se regista o Brasil de uma forma precisa, na parte Oeste e Sul do Cabo de S. Roque, ao Sul das ilhas do Fogo e Brava de Cabo Verde, na sua verdadeira posição, em frente á costa africana, sendo designado por ilha autêntica e assinalada a sua distância exacta de 1500 milhas do arquipélago de Cabo Verde. Esta carta do portulano de Bianco, bem como os anteriores de 1436 mostram, pois, meus senhores, que o Brasil foi descoberto em 1435, ou antes, por navegantes portugueses e que até das Antilhas já havia noticia nessa época. [...]
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[...] Em 1460 morre o infante D. Henrique, deixando reconhecida toda a costa africana até Serra Leoa e legando ainda á sua pátria os descobrimentos dos arquipélagos dos Açores, de Cabo Verde e do Brasil. A morte do infante não faz, porém, arrefecer o entusiasmo lusitano pelos descobrimentos e já dois anos depois, em 1462, D. Afonso V, por carta régia de 29 de Outubro, faz doação a seu irmão o Infante D. Fernando, filho adoptivo de D. Henrique e seu herdeiro universal, de uma terra achada no mar alto, a Noroeste das ilhas Canárias e da Madeira, que Gonçalo Fernandes havia descoberto. Essa terra não podia ser outra se não a América. Meses antes, por carta régia de 19 de Fevereiro, esse mesmo Afonso V havia feito doação a João Vogado de duas ilhas por ele descobertas no Mar Oceano, às quais dera os nomes de Lono e Capraria. Nos documentos da época, a expressão Mar Oceano era usada para designar o mar que banhava a América, que então ainda não tinha esse nome. Esta doação a João Vogado prova que as duas ilhas Lono e Capraria eram ilhas ou pontos da costa americana. Onze anos depois, em 1473, D. Afonso V, por carta régia de 12 de Janeiro, faz doação à sua sobrinha D. Beatriz, filha do Infante D. Fernando, de uma ilha que aparecera, em 1468, através da ilha de Santiago, e que era uma das Antilhas, aonde só 24 anos depois aportou Colombo. Convém notar que esta descoberta é feita por navegadores portugueses 5 anos antes da chegada de Colombo a Lisboa. Do exposto se conclui que as próprias Antilhas já tinham sido descobertas pelos portugueses muitos anos antes de Colombo lá ir tomar delas posse para a coroa da Espanha. Todas estas consecutivas viagens para o Ocidente formam uma série que já constitui uma brilhante e indiscutível documentação da prioridade dos portugueses na descoberta da América. [...]
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* Portulano era um conjunto de instruções náuticas escritas. Incluía as cartas (cartas-portulano), mas com o tempo passou a usar-se o termo como sinónimo de carta.
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** As figuras são cartas-portulano decorativas. Não ilustram o texto.
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CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA

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NOTÍCIA DO DIA

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O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros pode estar em vias de abandonar o governo. A hipótese volta a estar em cima da mesa e às razões pessoais de Luís Amado - que o ano passado chegou a pedir para sair alegando cansaço - somam-se agora razões políticas. O ministro de Estado foi ontem desautorizado na Assembleia da República, sem contemplações, pelo primeiro-ministro.

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Jornal i

CAPA DO DIA

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sexta-feira, 4 de junho de 2010

AS ITALIANAS

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A esta hora fogem as que estiveram entre nós. Deixem-me porém fazer uma observação.
As italianas de que vou falar não são as mulheres de Itália, — são as mulheres da Ópera. Não nasceram para viver, — nasceram para cantar. Por isso andam cantando de país em país, e chegam no Inverno, quando a natureza emudece, partindo na Primavera, quando as andorinhas regressam . . . São ricas, opulentas, e todavia o mais que guardam na sua mão são os seus aneis de cabelo, as suas fitas e as suas rendas, coisas tão leves que o vento pode agitá-las. O tesouro delas está na garganta; lá é que guardam as notas que trocam em qualquer país, sem desconto, antes com o prémio das palmas e dos aplausos. Cantando atravessam o mundo, as tempestades sociais, os cataclismos da humanidade. Cabe-lhes perfeitamente a anedota que se conta do guitarrista Phillis, pai da célebre cantora do mesmo nome. Uma vez, durante o Terror, um magistrado chamou-o e perguntou-lhe:

— Como se chama?

— Phillis.

— Que faz?

— Toco guitarra.

— Que fazia no tempo do tirano?

— Tocava guitarra.

— Que vai fazer pela república?

— Tocar guitarra.

Elas também atravessaram todos os regimes, a república, a monarquia, a própria tirania, cantando, sempre cantando, sem que o imperador Guilherme recuse ouvi-las por haverem cantado na presença de Grant ou de Thiers. Constituem elas mesmas a única realeza perdurável, porque lá está a Sass em Madrid sendo rainha, vitoriada, festejada, aclamada, e todavia a Espanha acaba de emergir a fronte do baptismo republicano. [...]
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Alberto Pimentel
in “Entre o Café e o Cognac"
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BARCELONA

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ALEGRE, A CHAMA-ETERNA


Manuel Alegre é, há uns tempos curtos, candidato potencial à Presidência da República. Prontes. Os tempos são curtos, mas parecem longos. E porque parecem eles longos? É sobre tal matéria que me proponho lavrar.
Como candidato assumido, Alegre tem de manter a chama acesa, qual vulcão atacado pela convulsão da náusea, a vomitar lava incandescente. Estou a falar do poeta e o estilo deve ser em conformidade. E não é lava hoje e lava para a semana, com fumaça no interregno. É lava todos dias! Sim Senhor, todos os dias!
É obra!... Mas nada para intimidar o intelectual Alegre, capaz de parir ideias soberbas com a fecundidade das coelhas. E o que diz o poeta Alegre? Coisas da maior transparência, sapiência e transcendência, pois claro! Exemplifiquemos:
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Não vou ser “um presidente executivo”, caso seja eleito.
Apesar de não interferir na governação, vou ser interventivo.
Sem ser executivo, o Presidente da República tem que ter uma voz.
Cavaco Silva é mesmo co-responsável pela actual situação do País.
É responsável também pela situação económica dado que criou a ilusão de que, sendo professor e economista, a poderia evitar e criar um Portugal mais próspero. A verdade é que ele não governa, mas não resolveu. Não resolveu. Não resolveu
(não fui eu que risquei o disco; é mesmo assim).
Neste momento há um regular funcionamento das instituições. Ainda ninguém derrubou este governo, por isso continua com legitimidade para governar.
Eu não estou aqui para derrubar o governo, nem para interferir na actividade governativa. Por isso sou um garante da estabilidade.
Nunca nada é definitivo. Já usei uma metáfora futebolística. Há sempre uma primeira vez.
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Tudo ideias de arrasar, originais, estimulantes, criativas; e profundas como os buracos na Avenida Defensores de Chaves no Inverno. Mas a derradeira é de cair de cauda. E amanhã estejamos preparados porque a boca de Alegre volta a lançar chama. Chama igual à de hoje e à de ontem, pois claro, mas chama. É o que se chama chama-eterna, responsável por parecer longa a putativa candidatura curta de Alegre.
Portugal não merece um dragão assim, em verdade vos digo.
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LIÇÃO SOBRE TROMPAS

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Barry Tuckwell foi um eminente intérprete da trompa francesa, e dos maiores divulgadores do instrumento. Esta lição em inglês, com legendas em italiano, é de fácil apreensão e muito interessante. A trompa francesa é dos instrumentos com som mais bonito. Atinge o zénite no Bolero de Ravel.

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NURY GUARNASCHELLI, A MESTRIA

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Nury Guarnaschelli começou a aprender trompa com o avô, na Argentina onde nasceu, e estudou na sua terra natal, em Nova-Iorque e Berlim. É uma das grandes intérpretes e docentes actuais.

(O fragmento apresentado é do concerto para trompa de Mozart)

DEIXAR O EURO?


Deixar o euro? Impensável.
Talvez não! De acordo com o comentador económico do "The Times", Bronwen Maddox, os eventuais candidatos a tal operação são a Grécia em primeiro lugar, seguida de Portugal. Mas o mais importante não é saber quem sairá - se sair - mas como sair.
Uma trapalhada dos diabos. Adivinham-se processos judiciais intermináveis para saber a divisa em que serão pagas as dívidas, e não só. Também quais os tribunais competentes para julgarem tais matérias e muito mais: o caos financeiro internacional, em suma.
Pode sair-se de supetão, sem dizer aí vai água, sugere Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia. Ou então, através de negociações lentas, muito lentas. E entretanto, como funcionará a vida? Muito dificilmente.
Depois levará meses para criar novas notas e moedas, durante os quais a nova moeda existirá apenas electronicamente.
Alguém está a ver o programa?
Eu não.
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Quitting the euro club is no longer unthinkable

quinta-feira, 3 de junho de 2010

JANELA DE GUILHOTINA

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O NATAL DE FIALHO

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...dia de Natal, eu que conheço toda a gente, não tive ninguém que me dissesse “anda jantar”. Vinguei-me saindo de casa, e engajando os primeiros va-nu-pieds eventuais. Dois pobres do asilo, os uniformes sem nódoas, pouco bêbedos. Marchámos para o Augusto, e na sala comum, a uma de cujas mesas nos sentámos, houve reboliço por banda das meretrizes e irregulares que mais alegres do que eu, ali tinham ido fazer o seu jantar de festa, em partie fine. Não descrevo a comida, registando apenas o trabalho gasto em despersuadir os meus dois comensais de não meterem no bolso os restos de cada prato do festim. À sobremesa, um deles, bêbado, como eu o fitava com uma piedade cristã de filho pródigo, confiou-me que estivera quatro anos na África, por um roubo, e o conselheiro X o metera no asilo, havia sete meses O outro era um velhinho abaulado, olhos de doido irónico, que fugiam, falando pouco; mas todo o jantar o suspeitei de celerado, tanto os seus monossílabos humildes, e os seus contínuos escrúpulos de consciência lhe davam o ar dum homem de bem. À despedida, o mais velho chamou-me conde, e o mais novo, doutor, sem acertarem, e lá foram cambaleando, a rogar pragas a quem lhes fizera o serviço de lhes meter no crânio a apoplexia. Pobres malandros! deixai o meu egoísmo abusar da vossa fome. Sem vós, eu não poderia dizer, como toda a gente “Jantei hoje o natal com dois amigos velho”.
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Fialho de Almeida
in "Os Gatos"
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CAMPO DE SANTA CLARA

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AS SALOIADAS DO ZÉ


Dizia o Diário Económico em 28.05:
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No segundo dia de visita ao Rio, José Sócrates e o músico brasileiro Chico Buarque encontraram-se para tomar um café.
Segundo apurou o Económico, o encontro foi combinado por intermédio de Lula da Silva, que intercedeu junto do Chefe do Governo português para que se encontrasse com Chico Buarque, pois este queria muito conhecer Sócrates.
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Dizia o Público em 29.06:
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Afinal a história está mal contada. Não foi Chico Buarque que quis conhecer o primeiro-ministro durante a sua viagem ao Brasil, como foi divulgado pela imprensa portuguesa. Foi José Sócrates que pediu esse encontro.
"Foi o vosso ministro quem pediu o encontro. Aliás, nem faria muito sentido eu pedir um encontro e o primeiro-ministro vir ter à minha casa", disse o músico e escritor brasileiro ao PÚBLICO, através de correio electrónico. Chico Buarque ficou indignado ao saber que a imprensa nacional estava a contar uma versão bastante diferente.
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Dizia o Diário de Notícias em 03.06:
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A seguir a este desmentido, o gabinete do PM rectificou: afinal a iniciativa partira mesmo de Sócrates, que há algum tempo tinha dito a Lula que gostava de conhecer pessoalmente o cantor/escritor. E a versão inicial (Chico a pedir o encontro) não passara, afinal, de um "erro de transmissão" no gabinete.
O primeiro-ministro aproveitou para pedir autógrafos para distribuir pela família. Levava na cara um sorriso (para além de enorme cansaço), deixando cair um "vai ser um sucesso lá em casa".
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Dizia brasileiro:
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O Zé bateu papo, tirou foto e ganhou um monte de autógrafo do Chico, para a famíla. Disse mesmo que "vai ser um sucesso lá em casa".
E vai mesmo. Porque é mesmo o único sucesso de Zé: o autógrafo e a foto com Chico. Porque o país, lá onde fica a casa do Zé, não tem mais nada para celebrar. Tem desemprego, tem aumento de imposto, tem retroatividade, tem uma parede a chegar, tem promessas quebradas, tem que apoiar o Alegre.
Só que alguém cortou o barato ao Zé e contou ao Chico, que era ele que queria conhecer o Zé. E o Chico não entendeu.
Claro que o Chico não entendeu. O Chico só conheceu ontem o Zé...
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DANIELl COHN-BENDIT

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Boa peça!...

MAS...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

MOONLIGHT SONATA

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Uma das mais bonitas peças para piano de Beethoven

IMPRENSA

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Se a arte do escrever foi o mais admirável invento do homem, o mais poderoso e fecundo foi certamente a imprensa. Não é ela mesma uma força, mas uma insensível mola do mundo moral, intelectual e físico, cujos registos motores estão em toda a parte e ao alcance de todas as mãos, ainda que mão nenhuma, embora o presuma, baste só por si para a fazer jogar. Imaginavam os antigos uma urna de destinos, a que os tempos e os homens corriam sujeitos: é a imprensa a urna dos destinos trasladada para a terra; potência maravilhosa, formando as opiniões sem ter uma opinião, criando as vontades sem ter uma vontade, condensando ou dissipando forças sem ter força, arrastando aqueles mesmos que julgam dirigi-la, paralisando e quebrando o braço sacrílego que se lhe atreve, medrando com a prosperidade, medrando ainda mais com a perseguição; sol novo que o homem acendeu e não poderia apagar, sol que alumia ou aquece, deslumbra ou abrasa, desenvolve flores e frutos, venenos e serpentes! É a imprensa o maior facto da sociedade moderna, o que marcou a maior época da história universal, fazendo surgir a revolução mãe, a revolução das revoluções, a revolução por excelência. Se a civilização progride com tanta rapidez, a este seu invento o deve, que se tornou o seu carro triunfal, que movido por vapor ou por electricidade, arremete com todos os caminhos ferrados ou pedregosos, devora com igual facilidade os plainos e os alcantis, passa por cima de todos os obstáculos e inimigos, e lá vai para o horizonte incógnito que Deus lhe tem apontado.
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Alexandre Herculano in “Opúsculos”

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GANHAR

Sócrates apoiou-me por convicção e desta vez é para ganhar.
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(Manuel Alegre)
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Ganhar o quê?!
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Conhecimentos, provavelmente.
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A CURVA

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VAI...!

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Tive ocasião de assinalar ao senhor primeiro ministro marroquino que o sector empresarial português tem muito interesse em acompanhar o projecto de Alta Velocidade aqui em Marrocos, que está já a desenvolver-se na fase de concurso. E tenho a certeza de que a experiência portuguesa se pode somar à experiência marroquina para que esses projetos venham a ter sucesso.
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José Sócrates
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O peralta anda a gozar!
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BEBIDA DE DEUS


Segundo Frederick Lawton, Balzac trabalhava arduamente. Deitava-se às seis da tarde e dormia até à meia-noite, quando se levantava e escrevia doze horas seguidas encharcado em café.
Ele próprio dizia no “Tratado sobre os Modernos Estimulantes”: O café cai no vosso estômago e imediatamente ocorre a mobilização geral. As ideias põem-se em marcha no campo de batalha, como batalhões do Grande Exército, e as operações iniciam-se. As recordações vêm a galope, o estandarte desfraldado ao vento. A cavalaria ligeira das analogias lança formidável carga, a artilharia da lógica apronta as peças e munições, as lâminas do engenho atacam como atiradores certeiros. Surge o sorriso, o papel é coberto com tinta; a batalha começa e acaba com torrentes de água preta, tal como a batalha com pó.
Na sua longa caminhada, a civilização acabou por seleccionar naturalmente três bebidas não alcoólicas – o chá, o café e o cacau, por ordem de grandeza do consumo. A primeira preparada a partir de folhas, e as outras de grão. Indiscutivelmente, no mundo ocidental o café é mais importante que o chá.
A planta é originária da Abissínia e talvez da Arábia, mas foram os árabes os responsáveis pela sua difusão no mundo. Os mais antigos relatos conhecidos das propriedades do café datam de nove séculos AC, e a primeira cultura feita pelo homem terá sido no Iemen em 575 AC.
A entrada na Europa fez-se a partir de Constantinopla pela mão de comerciantes venezianos, cerca 1580. Prospero Alpini, médico de Pádua, foi o primeiro a editar um tratado com a descrição da planta e da bebida, intitulado “As Plantas do Egipto”; redigido em latim e publicado em 1592 em Veneza.
Quando se tornou conhecido em Roma, o café foi alvo imediato do fanatismo religioso que quase provocou a sua excomunhão pela Cristandade. A argumentação, completamente estúpida, era assim: Maomé proibiu o álcool aos muçulmanos porque o vinho era santificado por Jesus Cristo e usado na Sagrada Comunhão; e então deu-lhes aquela bebida negra do Diabo a que chamavam café. Para os Cristãos, bebê-lo era cair na armadilha de Satanás para almas pias.
Pediram ao Papa Clemente VIII que o proibisse aos fieis. Foi então que o Papa “mandou vir uma bica” para provar a bebida do Diabo; e ficou agradado, dizendo: esta bebida do Diabo é deliciosa e seria uma pena deixá-la só para os infieis – vamos correr com Satanás, baptizando-a e fazendo dela uma bebida verdadeiramente Cristã.
Hoje pode dizer-se que o café é responsável por metade da energia que o homem dispende nas mais variadas actividades: laborais, culturais, desportivas, lúdicas e sei lá que mais. É o que os anglo-saxónicos chamam um muscle-fuel, a que se pode acrescentar psyche-fuel e humour-fuel. O mundo podia viver sem café, sim senhor; mas perdia metade do encanto.
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terça-feira, 1 de junho de 2010

MIRÓ

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QUANDO O GÉNIO É IRÓNICO


[...] À volta de uma mesa do café Martinho, em Lisboa, estavam, por 1857, cinco ou seis sujeitos saturados de política. Estava também eu em princípio de saturação — palavra pedida de empréstimo à química para bem materializar a ideia do corpo abeberado daquele cívico entusiasmo que salva as nações... nos botequins.
Naquela noite, os meus interlocutores eram todos mais ou menos republicanos. Havia tal que dizia acreditar na metempsicose, porque sentia dentro do seu ventre os fígados de Robespierre; e outro, que arredondava musicamente os períodos corrosivos, revelava-nos, com modéstia parelha do talento, que sentia coriscar-lhe no crânio o cérebro de Mirabeau; — coriscos, se o eram, todos para dentro; que do fogo, que lhe faiscava da fronte, não havia que recear combustão em armazém de sulfureto de carbónio.
Os outros não me lembra quem tinham dentro de suas pessoas.
Pelo que me diz respeito, recenseando longa fileira de defuntos históricos, suspeitei ser eu a paragem de dois pedaços transmigrados, um de Falstaff, outro de Sancho, por me sentir rasamente lerdo à beira daquelas pessoas trabalhadas por crudelíssimas almas de torna-viagem. [...]
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[...] Havia ali um que esmurraçava o mármore das mesas, protestando que os tronos seriam aluídos, quando a lava, escandecente no seio da Liberdade, irrompesse, resfolegando para si os monarcas, e revessando para fora, com o novo baptismo de fogo, uns evangelhos novos.
O meu terror foi grande. Encarei naqueles homens exterminadores, e agourei-lhes mentalmente que morreriam justiçados para descanso do género humano, e particularmente dos possuidores de inscrições e outros fundos.
Agora é de saber que todos aqueles regicidas, hoje em dia, vampirizam as veias desangradas do país, pisam alcatifas do paço, e fumam, nos aposentos dos camaristas, charutos da munificência real, pelos quais se lhes vaporaram os fígados de Robespierre, o encéfalo de Mirabeau, e toda a mais peçonha que lhes petrolizava as entranhas, tirante a do estômago, que ainda é corrosiva, como sempre. [...]

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Camilo Castelo Branco in "O Carrasco de Victor Hugo José Alves"
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LAGUNA

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SOARES É "FICHE"

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[...] Manuel Alegre declarou-se candidato à Presidência por decisão própria e sem consultar o PS. O Bloco de Esquerda, logo a seguir, resolveu, pela boca do seu líder, apoiá-lo. Ao contrário do PCP, que, desde logo, deu a entender ter um candidato próprio. O PS ficou silencioso mas, a pouco e pouco, tornou-se claro que uma parte dos seus militantes e dos seus eleitores habituais não apoiavam Alegre. Eu fui um deles. Por razões exclusivamente políticas. [...]
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Isto escreve hoje Mário Soares no Diário de Notícias. Está tudo certo, excepto a frase final.
Soares, nos últimos tempos, afirma insistente e periodicamente que só faz o que está de acordo com a sua consciência. Fica-se sem saber se tal preocupação é só dos últimos tempos mas, olhando para os antecedentes, adivinha-se que sim. É um propósito de redenção, uma promessa de regeneração para o presente e para o futuro; embora de cumprimento duvidoso. Soares sempre foi homem de dizer hoje o que desmente amanhã, e de orientar a prática política por critérios que têm mais a ver com a sua carreira, interesses pessoais, e ódios de estimação, que com consciência exigente.
O repúdio de Alegre, que eu acho óptimo, não tem nada com razões políticas. Tem tudo com ressentimento, inveja, orgulho ferido, talvez ódio. Soares deve fazer um exame de consciência. Mas só depois das eleições presidenciais, porque o seu fel é mel para quem não quer ver um poeta senil de outra galáxia aterrar em Belém.
. Mário Soares
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PRAGA

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