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sexta-feira, 29 de junho de 2012
O MUNDO ÀS ESCURAS
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No Século XXI, ano 2012 DC, 1,4 mil milhões de pessoas vivem sem acesso à electricidade, ou seja, às escuras, em estado de completa pobreza energética, o que impede o progresso na saúde, educação, agricultura e, praticamente, todos os aspectos do desenvolvimento civilizacional.
Peter Dicampo, fotógrafo freelencer e voluntário em actividades de cooperação internacional para o desenvolvimento, depois de trabalhar no Gana, usando a sua capacidade de tratamento da imagem, lançou o projecto "LifeWithout Lights" a fim de sensibilizar o mundo para situações inaceitáveis que ocorrem naquele País, bem como no Nepal, Afeganistão e por aí fora. São dele as fotografias reproduzidas em cima, feitas no Nepal e Gana.
Enquanto o mundo rico trava guerras e desenha novas fronteiras artificiais para servir os interesses da exploração dos combustíveis fósseis, um quarto da humanidade tem dificuldade em acender um candeeiro de petróleo.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
OS GRANDES VELEIROS
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Na manhã de 20 de Outubro de 1798, a fragata
"Immortalité" foi interceptada pelo HMS "Fisgard". Seguiu-se
duríssima batalha, com danos enormes em ambos os navios. A
"Immortalité" perdeu o seu corajoso comandante e o primeiro-tenente,
sendo capturada. Viria a ser incorporada na "Royal Navy", onde serviu
com o mesmo nome até 1806.
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SER OU NÃO SER CRUZADO DO AMBIENTE
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Há cerca de 250 milhões de anos, a vida quase se extinguiu na Terra. A mais grave crise biológica do planeta, desencadeada por acentuado aquecimento global, chuvas ácidas e anoxia (falta de oxigénio) e acidificação dos oceanos, dizimou 90% dos seres existentes. Os 10% sobreviventes atravessaram gravíssimas crises, com altos e baixos das condições hostis do ambiente que duraram 10 milhões de anos. Chamo a atenção para o número: 10 milhões de anos com a vida em elevado risco de extinção! Perto de 250 milhões de anos antes de aparecerem os antepassados do homem (os primeiros hominídeos terão nascido há 2 milhões).
Notícias deste tipo deviam fazer-nos pensar na precaridade do Homo sapiens. Como temos uma visão tacanha do mundo, decorrente da fugacidade da nossa vida, estamo-nos nas tintas para o problema.
Há cerca de 250 milhões de anos, a vida quase se extinguiu na Terra. A mais grave crise biológica do planeta, desencadeada por acentuado aquecimento global, chuvas ácidas e anoxia (falta de oxigénio) e acidificação dos oceanos, dizimou 90% dos seres existentes. Os 10% sobreviventes atravessaram gravíssimas crises, com altos e baixos das condições hostis do ambiente que duraram 10 milhões de anos. Chamo a atenção para o número: 10 milhões de anos com a vida em elevado risco de extinção! Perto de 250 milhões de anos antes de aparecerem os antepassados do homem (os primeiros hominídeos terão nascido há 2 milhões).
Notícias deste tipo deviam fazer-nos pensar na precaridade do Homo sapiens. Como temos uma visão tacanha do mundo, decorrente da fugacidade da nossa vida, estamo-nos nas tintas para o problema.
Talvez estejamos certos; não sei. Não faz o meu género
embarcar em cruzadas ambientais porque não é líquido que a conversa ecológica politicamente
correcta não seja exagerada, interessada, pouco fundamentada, ou simplesmente chic. Mas temos de estar atentos - se
recapitularmos a matéria, reparem no que provocou a extinção referida:
aquecimento, chuvas ácidas e acidificação dos oceanos. Não lhes lembra isto
nada?
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ANTÓNIO ABREU
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António Abreu, tal como figura no "Padrão dos Descobrimentos".
Abreu, natural da Madeira, terá sido comandante da primeira expedição portuguesa a chegar a Timor, em 1512.
Passados 455 anos, cheguei eu.
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EX/CITAÇÕES
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Falava ontem de citações a respeito de Arquimedes e da
finalidade dos fenómenos naturais, ou da provável ausência dela. Pode ter
ficado a ideia que não gosto de citações, mas não: sou um admirador militante
de citações por vários motivos.
Primeiro, porque representam muitas vezes pontos de vista
originais e inteligentes sobre factos comuns. Depois, porque são quase sempre
sínteses bem conseguidas. Finalmente, porque a forma é frequentemente excelente - flashes literários de primeira água.
Quando se diz que "Ajuda internacional é um
empréstimo dos pobres dos países ricos aos ricos dos países pobres", está lá
tudo. E que "Revolução é uma opinião apoiada em baionetas", ou que "Leva
muito tempo a tornarmo-nos jovens", também.
Mas o que mais se aprecia é a forma. Por exemplo, Yo soy yo y mi circunstancia, escreveu
Ortega y Gasset. O brilho está na forma e isso explica as ene vezes que a frase
foi e continua a ser reproduzida em todas as línguas.
No fundo, o pensamento não traz nada de novo nem é assim
tão profundo. Diz apenas que somos o
fruto do património genético, expresso no temperamento, e da experiência
da vida. Mas duas coisas são geniais na expressão: a síntese perfeita e o
estilo literário superior.
Dizer que somos o que a natureza fez de nós na forma de "eu
sou eu", e chamar à experiência "minha circunstância" é de mestre: brilho de supernova.
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CAMINHANDO SOBRE A ÁGUA
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Há um vídeo no YouTube que explica como é feito o truque. Tenho dúvidas que seja como ali se diz e, nestes casos, o melhor é manter o mistério. Faça o leitor uma pesquisa e diga-nos qualquer coisa sobre a matéria. Num comentário, um internauta diz que Jesus Cristo tem conta no YouTube.
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(O link para o vídeo foi-me enviado pelo colega Arnaldo Valente)
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quarta-feira, 27 de junho de 2012
OS GRANDES VELEIROS
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HMB "Endeavor"
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O HMB "Endeavor" é uma réplica do navio do Capitãp Cook, construída na Austrália e propriedade do Australian National Maritime Museum.
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A FINALIDADE DA NATUREZA
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Arquimedes de Siracusa terá dito um dia que a natureza
não faz nada inutilmente. Tenho dúvidas
sobre o que isto quer dizer. Talvez que
no mundo tudo ocorre segundo uma ordem pré-estabelecida. Não estou muito certo
que Arquimedes tenha dito tal coisa mas, em caso afirmativo, duvido que tivesse condições para o fazer. Com o devido respeito pela personagem, acho que é uma
boutade.
Efectivamente, os acontecimentos do nosso mundo - iniciado há cerca de 15 mil milhões de anos - ocorrem segundo leis universais e, tanto quanto o homem sabe, imutáveis desde o princípio. Tais leis permitem compreender boa parte dos fenómenos naturais e perceber porque eles se sucedem do modo como o fazem. Em muitos casos, quando ocorrem, sabemos porque ocorreram e prevemos grosseiramente o que se seguirá.
Efectivamente, os acontecimentos do nosso mundo - iniciado há cerca de 15 mil milhões de anos - ocorrem segundo leis universais e, tanto quanto o homem sabe, imutáveis desde o princípio. Tais leis permitem compreender boa parte dos fenómenos naturais e perceber porque eles se sucedem do modo como o fazem. Em muitos casos, quando ocorrem, sabemos porque ocorreram e prevemos grosseiramente o que se seguirá.
Mas nada nos diz que tal encadeamento tem uma finalidade.
A única afirmação possível é a de que ocorrem porque ocorrem, no melhor estilo
do senhor La Palice. Afirmar que não são
inúteis pressupõe um fim e Arquimedes, se não são outros a pôr palavras na sua
boca, absteve-se de explicar. Aliás, nunca o poderia fazer porque não sabia.
Teria palpites, talvez.
Às vezes dá jeito meter uma citação na conversa - em especial de gente ilustre, se possível da
antiguidade - e esta, alegadamente de Arquimedes, de quando em quando ressuscita. Mas, em boa
verdade é um bitaite.
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A MULHER DE CÉSAR
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O repugnante Ricardo Rodrigues, deputado do PS, vice-presidente da respectiva bancada no Parlamento e mais umas quantas pessegadas que não interessam, foi julgado por ter assumido, durante uma entrevista à comunicação social, atitude ridiculamente inaceitável quando confrontado com perguntas sobre o possível envolvimento em casos de pedofilia nos Açores. Ricardo Rodrigues foi condenado, mas não se demitiu do lugar de deputado e de todas as inerências dessa condição, como faria pessoa com alguma dignidade: apenas pediu suspensão dos cargos que exerce na direcção do grupo parlamentar do PS, provavelmente por imposição do partido que não o pode excluir da Assembleia da República contra sua vontade.
O homem não pode perder o lugar de deputado porque não sabe o que o espera depois e não sai pelo seu pé. Entretanto, vai recorrer da sentença que o condenou e iniciar o longo processo que na Justiça portuguesa conduz em linha recta à prescrição dos crimes, a duvidosa absolvição por um juiz inspirado na Lei das Doze Tábuas, ou até a coisa nenhuma, além do esquecimento de toda a trampa.
O repugnante Ricardo Rodrigues, deputado do PS, vice-presidente da respectiva bancada no Parlamento e mais umas quantas pessegadas que não interessam, foi julgado por ter assumido, durante uma entrevista à comunicação social, atitude ridiculamente inaceitável quando confrontado com perguntas sobre o possível envolvimento em casos de pedofilia nos Açores. Ricardo Rodrigues foi condenado, mas não se demitiu do lugar de deputado e de todas as inerências dessa condição, como faria pessoa com alguma dignidade: apenas pediu suspensão dos cargos que exerce na direcção do grupo parlamentar do PS, provavelmente por imposição do partido que não o pode excluir da Assembleia da República contra sua vontade.
O homem não pode perder o lugar de deputado porque não sabe o que o espera depois e não sai pelo seu pé. Entretanto, vai recorrer da sentença que o condenou e iniciar o longo processo que na Justiça portuguesa conduz em linha recta à prescrição dos crimes, a duvidosa absolvição por um juiz inspirado na Lei das Doze Tábuas, ou até a coisa nenhuma, além do esquecimento de toda a trampa.
Em Portugal abundam os casos de figuras em lugares
públicos de relevo sobre quem caem suspeitas de comportamentos ilícitos graves
e vivem na maior das impunidades; ou de
personagens envolvidas em processos com
trânsito em julgado que não atam nem desatam e acabam em águas de bacalhau, ou são
mesmo encerrados por terem fossilizado.
A opinião pública está esclarecida sobre tudo e, ao
contrário do que dizem uns tantos líricos profetas da ética republicana, não faz juízos precipitados
e infundados. O povo conhece-os de ginjeira, usa até de inexplicável tolerância
com eles e atura-os, mesmo sabendo que são uns trafulhas. E sabe também que o
provado em tribunal e a realidade são coisas bem diferentes. Antes não bastava
à mulher de César ser séria. Agora não precisa sequer de ser séria quanto mais parecê-lo: basta ser absolvida por um tribunal
português.
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terça-feira, 26 de junho de 2012
LER PARA APRENDER
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A marquesa de Alegros ficara viúva aos quarenta e três anos, e passava a maior parte do ano retirada na sua quinta de Carcavelos. Era uma pessoa passiva, de bondade indolente, com capela em casa, um respeito devoto pelos padres de S. Luís, sempre preocupada dos interesses da Igreja. As suas duas filhas, educadas no receio do céu e nas preocupações da Moda, eram beatas e faziam o chique falando com igual fervor da humildade cristã e do último figurino de Bruxelas. Um jornalista de então dissera delas: - Pensam todos os dias na toalete com que hão-de entrar no Paraíso.
A marquesa de Alegros ficara viúva aos quarenta e três anos, e passava a maior parte do ano retirada na sua quinta de Carcavelos. Era uma pessoa passiva, de bondade indolente, com capela em casa, um respeito devoto pelos padres de S. Luís, sempre preocupada dos interesses da Igreja. As suas duas filhas, educadas no receio do céu e nas preocupações da Moda, eram beatas e faziam o chique falando com igual fervor da humildade cristã e do último figurino de Bruxelas. Um jornalista de então dissera delas: - Pensam todos os dias na toalete com que hão-de entrar no Paraíso.
No isolamento de Carcavelos, naquela quinta de alamedas
aristocráticas onde os pavões gritavam, as duas meninas enfastiavam-se. A
Religião, a Caridade eram então ocupações avidamente aproveitadas: cosiam
vestidos para os pobres da freguesia, bordavam frontais para os altares da
igreja. De Maio a Outubro estavam inteiramente absorvidas pelo trabalho de
salvar a sua alma; liam os livros beatos e doces; como não tinham S. Carlos, as
visitas, a Aline, recebiam os padres e cochichavam sobre a virtude dos santos.
Deus era o seu luxo de Verão. [...]
Eça de Queirós
In
"O Crime do Padre Amaro"
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NUVENS NOCTILUCENTES
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A fotografia que se vê em cima foi feita pelos
astronautas da Estação Espacial Internacional no passado dia 13, Dia de Santo
António. Vêm-se as chamadas nuvens mesosféricas polares, neste caso sobre o Polo Norte. São nuvens que resultam da congelação da água
a altitudes de 76 a 85 km e são visíveis no principio da noite, quando o Sol
deixa de iluminar a Terra mas ainda as ilumina, dada a sua altitude muito
elevada. Porque são visíveis à noite, são também chamadas nuvens
noctilucentes.
Na fotografia correspondem às faixas luminosas
transversais na parte superior do Céu. A luz que emitem ilumina também as
camadas inferiores da atmosfera, aqui visível até à estratosfera, que começa a
cerca de 10 km de altitude e está
representada pelas linhas de fraca visibilidade, cor vermelha ou laranja, junto
do horizonte.
Estas nuvens são às vezes visíveis nesta época do ano a partir
de aviões comerciais a voar naquelas latitudes, na parte inferior da estratosfera.
(Crédito das imagens -
NASA)
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