domingo, 26 de agosto de 2012

FUTEBOL DE PRIMEIRA

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(Colaboração de J Castro Brito)
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VOX POPULI

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Tozé Seguro disse hoje que a intenção de concessionar a televisão "serve alguns interesses, mas não serve o País”. Francisco Louçã diz que o Governo se prepara para subsidiar lucros garantidos de uma empresa privada com o dinheiro dos portugueses. O Zé dos Azóis diz blá, blá, blá.
Não é verdade o que dizem? Até prova em contrário, é verdade, sim senhor.
Então qual é o problema? O problema é gente como o Tozé, o Francisco Anacleto e o Zé dos Anzóis terem razão. Um governo que se põe em posição de ouvir isto da boca de quem o diz, é um governo de cócoras.
Mas pode um governo tutelado politicamente por gente como Miguel Relvas estar noutra posição? Não pode.
Relvas concentra tudo que de mau tem a política: carreirismo ― que começa nas “jotas” ―  improviso facilitista, vulgo golpismo, defesa camuflada e indevida de interesses, e ausência de pudor social.   
Gente como Relvas vive numa trincheira que a põe ao abrigo da justiça institucional, da justiça das massas amotinadas, também chamada justiça social, eventualmente da justiça divina. Pelo menos, é o que pensa e comporta-se em conformidade. Normalmente acaba mal. Mas  esse mal só vem depois do que fizeram. Infelizmente.
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AGUARELA

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AS DUAS CULTURAS

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Richard Feynman, físico americano notável, fez parte da equipa que criou a primeira bomba atómica e foi galardoado com o Prémio Nobel da Física em 1965 pelo trabalho sobre a electrodinâmica quântica. A introdução serve para notar que não era uma personalidade qualquer.
Em 1997,Feynman escreveu um livro intitulado “Surely You’re Joking, Mr. Feynman”, em que conta coisas engraçadíssimas da sua vida, bastante pitoresca. A páginas tantas, falando das experiências que fazia no seu quarto de criança, diz ― sem qualquer reserva ― esta coisa que não precisava de dizer: sempre me interessei muito pela ciência e muito pouco, ou nada, pelo que chamam humanidades, ou cultura humanista.
Noutro livro, cujo título não recordo, falando de filósofos, diz mais ou menos: “os filósofos estão sempre por aí, prontos a fazer comentários estúpidos” ― tal e qual! E, em inglês, pronunciava philozawfigal, em vez de philosophical.
É interessante isto porque os grandes avanços da Filosofia moderna devem-se em grande parte à actividade intelectual de físicos quânticos, como Weinberg, Whitehead, Bertrand Russel, blá, blá, blá. Mas Feynman não tinha fé na Filosofia, pronto.
Noutro local, conta a história dum artista que um belo dia lhe disse, pegando numa flor: vocês, físicos, não se apercebem da beleza das coisas, como esta flor. E comenta Feynman, com desprezo: aquele insignificante, que nem pálida ideia tinha de como é constituída uma flor, a importunar-me com insolências.
Esta é uma matéria com discussão de longa data, a da ciência versus humanidades. Já nos referimos aqui várias vezes à questão das “duas culturas” levantada por CP Snow e, embora a agudeza da questão talvez não seja hoje tão grande, ainda existem algumas barreiras.
A culpa, provavelmente, é de ambos os lados. Primeiro, pelo desconhecimento mútuo, como diz Snow. Mas também porque há figuras destas  culturas, especialmente das humanidades, para quem não há pachorra. E aqui volto a chamar a atenção para o texto de João Pinharanda na apresentação das “obras” de Marta Wengorovius, e também para as "obras" elas próprias. Assim, não dá.
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sábado, 25 de agosto de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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MORREU NEIL ARMSTRONG

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Morreu o primeiro homem a caminhar na Lua, provavelmente o maior feito tecnológico da humanidade até hoje.
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MELODIA PARA UM BEIJO

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CAIXA DE PANDORA

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Shakespeare escreveu que o mundo é um palco onde os homens e mulheres são simples actores. Soa a boutade emergindo de um palpite ― todos desempenhariam um papel na peça de que não são autores. Mais ou menos como marionetas comandadas à distância por fios.
No tempo de Shakespeare, as neurocências nem sequer tinham chegado à pedra lascada e a asneira era livre; não significando isto que o autor estivesse a asnear ― mas falava sem fundamento científico e o que dizia soava a “boca”. No mínimo, afirmava implicitamente que o livre arbítrio era discutível, e talvez nem existisse.
Entretanto vieram as neurociências, com capacidade de documentar com imagens a actividade mental, o que revolucionou muita coisa, ou pelo menos pôs em causa conceitos da Psicologia clássica. John Dylan Haynes e Benjamin Libet, entre outros, demonstraram com imagiologia que a actividade cerebral precede o comportamento, o que não é surpresa; mas também que essa actividade precede a decisão consciente sobre um comportamento, como escolher um de dois botões duma maquineta qualquer em que os estudados tinham de carregar, precedendo a actividade bioquímica a decisão consciente 7 a 10 segundos, o que é muito tempo numa situação destas.
Serve isto para soprar na chama acesa pelos que dizem que o comportamento humano é mera tradução de processos bioquímicos a que o homem ― e a mulher ― dificilmente escapam. Isto é, o livre arbítrio depende ― se não completamente, pelo menos em parte ― da genética.
É claro que a decisão consciente dependerá muito mais da informação e de valores culturais e éticos quando é complexa. Para situações simples, poderá não depender nada. De qualquer maneira, é uma caixa de Pandora a matéria. As implicações religiosas são grandes e as da Psicologia Forense enormes. Basta recordar os dois pareceres contraditórios recentes sobre a imputabilidade de Breivik, na Noruega.
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QUANDO OS SINOS NÃO DOBRAM

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LAGARTO, LAGARTO

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Johan Cruyff dava sempre uma palmada na barriga do seu guarda-redes antes dos jogos. Serena Williams bate a bola  no campo cinco vezes antes do primeiro serviço. Tiger Woods usa invariavelmente camisolas vermelhas no último dia dos torneios. Muita gente não passa por baixo de escadas, ou não entra com o pé esquerdo numa casa pela primeira vez. Jennifer Aniston dá um pontapé na parte exterior dos aviões antes de embarcar. Há quem nunca ponha as folhas do chá na água antes de esta ferver. O que é isto?
Superstições diz o leitor sem qualquer hesitação. É a crença em coisas sobrenaturais que podem influir nos fenómenos. Coisas de quem tem consciência.
Claro?
De forma alguma — bastante escuro até. Vou contar uma coisa interessante. O psicólogo B. F. Skinner, antes e durante as conferências, faz a demonstração que passo a descrever. Coloca pombos em gaiolas individuais, gaiolas que têm um comedouro automático a dar comida de 15 em 15 segundos e depois cobre as gaiolas. Quando chega ao fim, descobre-as e mostra o comportamento dos pombos. Um, por exemplo, dá três voltas sobre si mesmo, no sentido dos ponteiros do relógio, antes de ir buscar a comida que sai do comedouro. Outro bate com a cabeça no canto superior esquerdo da caixa, o terceiro blá, blá, blá.
Porquê isto? Acontece que os pombos não sabem nada de comedouros automáticos e, quando aquela geringonça começou a dar comida, um estava a rodar como o relógio, o outro estava a dar cabeçadas, blá, blá, blá. E a verdade é que, sempre que faziam o ritual, vinha comida. São os pombos supersticiosos? Não me parece!
Então, e o homem? O homem — tal como a mulher — é um artolas igual aos pombos: aí está! Repete actos que associa a êxitos passados, ou evita actos ligados a insucessos, seja isso feito por experiência própria, ou por lhe ter sido inoculado no encéfalo por tradição cultural de meia-tigela. E o raciocínio é sempre o mesmo: mal não faz!
Em situações de grande pressão psicológica, como é o desporto de alta competição, as coisas ainda são mais complicadas — não se pode esquecer nada, mesmo sendo uma bimbalhada. É o just in case, ou  "para o caso ". Restos do Antropithecus.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Vera Cruz"
22-07-2012
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THIS IS EINSTEIN


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'DOPING'

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Desde 1998, mais de um terço dos ciclistas classificados nos 10 primeiros lugares da Volta à França estiveram envolvidos em problemas relacionados com doping. O desporto profissional e as verbas nele envolvidas tornam inevitável o fenómeno, com o envolvimento de médicos, laboratórios e dos próprios estados — uma vergonha e um nojo!
Veja em cima a cara dos janotas em causa, que deviam figurar nos ecrãs gigantes de todos os recintos desportivos.

(Ver melhor a cara e os nomes dos aldrabões, clicando na imagem para ampliar)Since 1998, more than a third of the top finishers of the Tour de France have admitted to using performance-enhancing drugs at some point in their careers or have been officially linked to doping. The grid below shows the original top-10 placements in each of the past 15 years. Riders pictured have either tested positive, admitted to doping or been sanctioned by an official cycling or antidoping agency. Cyclists whose sanctions were later overturned are not included.Related Article »Since 1998, more than a third of the top finishers of the Tour de France have admitted to using performance-enhancing drugs at some point in their careers or have been officially linked to doping. The grid below shows the original top-10 placements in each of the past 15 years. Riders pictured have either tested positive, admitted to doping or been sanctioned by an official cycling or antidoping agency. Cyclists whose sanctions were later overturned are not included.Related Article »Since 1998, more than a third of the top finishers of the Tour de France have admitted to using performance-enhancing drugs at some point in their careers or have been officially linked to doping. The grid below shows the original top-10 placements in each of the past 15 years. Riders pictured have either tested positive, admitted to doping or been sanctioned by an official cycling or antidoping agency. Cyclists whose sanctions were later overturned are not included.Related Article »
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PERGUNTA ANTIGA

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RESUMINDO E CONCLUINDO...

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... foi assim a tragédia do Vesúvio e de Pompeia (ver mais abaixo).
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(Esta guia subia a pé, todos os dias, até ao cimo do Monte Vesúvio — vai viver até aos 100 anos, no mínimo)
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MUNDO VIRTUAL

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Estou sentado junto a uma mesa rectangular de madeira castanha, com papéis em cima. Bato com os dedos no tampo e ouço o som típico da madeira. A pergunta é: se outra pessoa chegar à sala, olhar e bater na mesa, apercebe-se do mesmo que eu? A resposta é não.
Isto é, aquilo que  vejo naqueles móveis é diferente para essa alma e, ironicamente, também para mim noutras circunstâncias — por exemplo, se me levantar e colocar do outro lado da sala, o brilho da mesa é diferente e até a cor muda. E, se estiver num topo, esse lado é maior que o oposto e vice-versa. E, se observar o tampo com um microscópio, a mesa não é lisa como parecia, mas bastante irregular, cheia de sulcos e buracos.  Está boa esta! Afinal, como é a mesa? Em boa verdade, ninguém sabe.
A conversa pode parecer de loucos, mas é o resumo duma pequena parte do livro de Bertrand Russel "The Problems of Philosophy". A ciência explica isto tudo com as leis da reflexão da luz, da perspectiva, da ampliação dos objectos, mas não diz o que na realidade é a realidade.  Não diz porque não sabe, nem ninguém sabe — então há filósofos, no caso filósofos científicos como Russel era.
Escreveu ele: Há algum conhecimento no mundo tão certo que nenhum homem inteligente possa duvidar dele? A resposta parece fácil, mas não é — não há verdades indiscutíveis, a não ser, ironicamente,  a verdade de que tudo é discutível. Russel morreu em 1970, muito antes de  Robert  Lanza aparecer com a Teoria do Biocentrismo, em 2007. Lanza não parece ter dúvidas: objectivamente, não há essa coisa chamada realidade — o que existe é uma multidão de realidades subjectivas que habitam nos encéfalos dos seres vivos e com que aprendemos a viver e chegámos a acordo, apesar da minha realidade ser diferente da tua e a tua da deles.  O que chamamos vermelho pode ser uma percepção diferente para cada um, mas convencionámos que a percepção  a que chamas vermelho e que nem sei como é, também eu chamo vermelho, apesar de poder ser diferente.
Estendendo a massa até ao limite, podemos chegar ao ponto de dizer que tudo é virtual, ou seja, o mundo só existe na nossa consciência. É engraçada a ideia, mas só aconselhável a quem não tiver nada para fazer — caso contrário, podem começar a surgir problemas  no trabalho com os chefes, pouco sensíveis a esta especulações: uns artolas!
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VESÚVIO E POMPEIA

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  26-09-2005  O Vesúvio dorme


26-09-2005  Vista do cimo do Monte Vesúvio 
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Hoje, 24 de Agosto, faz 1933 anos que o vulcão Vesúvio, situado na Baía de Nápoles que se vê ao fundo na fotografia, supostamente extinto, entrou em erupção e encheu o espaço com cinza que soterrou duas cidades — Pompeii e Herculaneum. Enterradas vivas, abandonadas até 1748, mas não destruídas. Começaram naquele ano as escavações que encontraram quase intactos edifícios construídos para durar poucas décadas, de conserva em pó de vulcão que não chegou a compactar.
O Monte Vesúvio é um calvário para subir a pé — única forma de lá chegar — trepando em solo de pó movediço debaixo dum sol de grelhar os miolos. Mas quando se chega ao topo, é-se recompensado porque se vê um enorme "buraco negro" e mais nada — baril!
Nos dias claros e "limpos" avista-se Pompeia ao longe. Nos outros, nem isso. Recomendo vivamente aos meus inimigos que não deixem de lá ir.
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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Que frota!
22-07-2012
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BRAD MEHLDAU

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COM SOL DE FEIÇÃO NÃO HÁ MÁ NAVEGAÇÃO

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22-07-2012
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