sexta-feira, 24 de julho de 2015
TERRA NOVA
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O sonho dos visionários da Astronomia é, desde longa data,
encontrar outra Terra. A NASA tem uma missão—a "Kepler"—destinada a
encontrar planetas em zonas habitáveis, ou seja, a distâncias de estrelas que
permitam a existência de água no estado líquido (nem gelo, nem vapor), condição
sine qua non para a vida.
Ontem, dia 23, os cientistas da missão "Kepler"
anunciaram ter sido encontrado um planeta a 1.400 anos/luz, na Constelação do
Cisne, a que foi dado o nome de Kepler-452b, que tem diâmetro 60% maior que a
Terra e se encontra em órbita—em zona habitável—à volta duma estrela parecida com o
nosso Sol embora, um pouco mais velha.
A temperatura do planeta deve ser igual à da Terra, mas a
superfície é mais brilhante.
Mesmo que seja habitado por gente inteligente, ainda que
mais inspirada que o Nóvoa, provavelmente nunca qualquer terráqueo terá
contacto pessoal com um kepleriano-452b porque, na melhor das hipóteses leva
1.400 anos a lá chegar, ou a cá chegar.
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A EDUCAÇÃO E O MACACO NU
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Costumava preocupar-me com o que as pessoas pensavam de
mim quando entrava numa sala. Agora penso no que penso das pessoas que estão
nessas salas.
Anbu Cheeralan
O citado representa duas maneiras opostas de ver o mundo
no planeta do macaco nu. A primeira é dependente da evolução condicionada pela
educação no sentido lato. A segunda é mais genuína, mais natural, mais normal, para
chamar os bois pelos nomes—mais própria de gente dita malcriada, tipo Belinha
Moreira, Nandinha Câncio e Catarina Martins.
Podemos considerar a educação um factor condicionante da
evolução biológica do Homo sapiens?
São as pessoas educadas mais aptas para enfrentar a hostilidade do meio e
sobreviverem no longo prazo?
A crença geral é de que não são. Contudo, a
percentagem das que só pensam no que pensam das pessoas que estão nas salas onde
entram é relativamente pequena—felizmente—e, em consequência, muitos milhares
de anos não as converteram em maioria.
Portanto, a extinção espreita as Belinhas Moreiras, as Nandinhas
Câncio, as Catarinas Martins. Mas não há crise—para nosso gáudio e bem delas ainda
vão durar muito tempo.
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quinta-feira, 23 de julho de 2015
INFORMAÇÃO INÚTIL
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"O Dolicocéfalo" informa em primeira mão que as faces nacionais das moedas de 1 e 2 euros vão mudar na Alemanha. O Bundestag já aprovou o projecto que entrará em vigor de imediato. Se tem moedas com a águia imperial, tem de as trocar até amanhã, antes do fecho dos bancos do Jardim da Estrela.
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RIO A EX-PROTO-CANDIDATO
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O leitor, por um inesperado acaso, sabe dizer-me se Rui Rio será candidato a Presidente da República? Faço a pergunta, não porque me interesse muito a questão—nem muito nem pouco, acrescento—mas para saber quando deixo de a ver na primeira página de todos os jornais, todos os dias.
O leitor, por um inesperado acaso, sabe dizer-me se Rui Rio será candidato a Presidente da República? Faço a pergunta, não porque me interesse muito a questão—nem muito nem pouco, acrescento—mas para saber quando deixo de a ver na primeira página de todos os jornais, todos os dias.
Claro que Rio será candidato se o professor Martelo não for;
porque se for, leva uma banhada para contar aos netos, digna de figurar na pedra
de armas dos Rios. O ex-autarca do Porto (o fino agora é ser ex-qualquer-coisa)
está impedido por isso de responder aos jornalistas que o interrogam. Poderia
dizer-lhes para perguntarem a Martelo, mas ficava mal.
Como não sou parte interessada e me parece igual que o
Presidente seja Rio, Martelo, Belém, ou Jerónimo (Nóvoa não!), a bem da saúde
mental de 10 milhões de parolandeses, apelo aos media para perguntarem ao
Martelo a fim de que Rio saiba com o que conta e nós deixemos de ver diariamente
aquele cabelinho à malandro a enrolar no pescoço na primeira página de tudo
quanto é jornal.
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A CULPA É DO PORTAS
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Cavaco Silva anunciou ontem a data das eleições para o Parlamento, num discurso inesperadamente feliz em que chamou a atenção para a vantagem de maiorias claras e funcionais, inclusivamente com coligações, como acontece por essa Europa fora. O PS não gostou.
Primeiro—pasme-se—porque considerou que Cavaco Silva estava a duvidar da capacidade do PS atingir a maioria absoluta, coisa impensável segundo o Largo do Rato, premonitoriamente assim chamado.
Hoje, esse crânio que dá por António Costa, sobre a matéria aliviou-se como segue: "Tenho hoje a certeza absoluta que o PS terá uma determinação ainda maior do que nunca de vencer com uma maioria absoluta. E também tenho a certeza absoluta que os portugueses que anseiam não só a mudança de Governo, como também uma mudança de políticas, votarão massivamente no PS para que tenha uma maioria que impeça o Presidente da República de não deixar formar o executivo que será escolhido pelos portugueses".
Costa é mais para certezas e maiorias absolutas porque as relativas tiram-lhe o sono. Imagine-se o que será se nem relativas forem do que não anda muito longe!
Cavaco é chato ao vir agora com aquela conversa. É uma matéria que anda a tornar difícil a Costa o pegar no sono. Não acredito que seja praga rogada por Tozé, ou feitiço encomendado por ele a alguma bruxa. Não é homem para isso e Costa não merece—sempre se portou com lisura, observando com zelo os preceitos da ética republicana.
Para mim, tenho que são coisas do sacana do Portas. O Portas é o escárnio da consciência. Se o Portas é português, eu quero ser espanhol. O Portas é a vergonha da intelectualidade portuguesa. O Portas é a meta da decadência mental. E ainda há quem não core quando diz admirar o Portas. E ainda há quem lhe estenda a mão. E quem lhe lave a roupa. Morra o Portas, morra. PIM!
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quarta-feira, 22 de julho de 2015
QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ !
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1. Em mais uma das suas
tiradas demagógicas, o conspícuo ex-ministro das finanças grego veio declarar
que, se o governo Syriza tivesse tido êxito na sua estratégia, a Grécia teria
dado uma lição a outros países da zona euro como Portugal, Espanha, etc.
O problema é que a estratégia política do Syriza era desde o início uma receita para o desastre, como se provou nas últimas semanas, e falhou porque até agora nenhum país descobriu como viver indefinidamente à custa do défice e do endividamento, ou seja, à custa alheia, especialmente quanto à demagogia política se soma a incompetência económica.
O Governo Syriza paralisou as reformas que começavam a dar frutos e reverteu algumas delas. A economia entrou de novo em recessão. O investimento estrangeiro fugiu, as receitas públicas retrocederam e as contas reentraram em défice. Milhares de milhões de euros fugiram dos bancos; entrou-se em emergência financeira com controlo de capitais e limitação de levantamentos. E, por último, a Grécia falhou um pagamento do FMI, o que nunca tinha sucedido com um país europeu.
Com isto tudo as necessidades de financiamento e de assistência financeira externa do país aumentaram substancialmente.
Há seis meses, o Syriza prometia o fim da austeridade e a bem-aventurança económica. Agora, mais pobre, a Grécia é obrigada a pedir um terceiro resgate, ficando "intervencionada" por mais três anos e sujeita a mais austeridade orçamental.
Sim, com o Syriza a Grécia acabou por dar uma lição edificante aos demais países da zona euro. Mas a lição é justamente o contrário da pretendida, ou seja, a de que a na moeda única há regras a cumprir e que não se pode ter mais orçamento do que a economia permite.
2. Além dos enormes custos económicos e financeiros, a desastrada aventura Syriza também teve pesados custos políticos para a Grécia.
Um deles foi o descrédito da democracia. Poucos dias depois de rotundo "não" no referendo precipitadamente convocado, o Governo grego já estava a propor aos credores condições idênticas às rejeitadas, acabando por negociar um acordo ainda mais duro. O "não" do referendo foi transformado rapidamente num "sim", sem que o governo tivesse sentido necessidade de se demitir ou ao menos de renovar a sua legitimidade parlamentar. Na democracia à Syriza brinca-se aos referendos e com os cidadãos como simples instrumento de manipulação política.
Mas o preço maior é a perda de confiança e de credibilidade externa da Grécia, que vai demorar muito tempo a recuperar.
Só a irresponsabilidade política e a falta de seriedade negocial do governo Syriza é que podem justificar que os credores tenham exigido a aprovação prévia de legislação em Atenas para só depois fechar o acordo, bem como a constituição de um fundo independente de ativos de privatizações para, entre outras coisas, recapitalizar os bancos gregos. Nenhum outro país sujeito a assistência financeira teve de se submeter a estas comprometedoras garantias preventivas.
Esta é a segunda lição a tirar da Grécia: o esquerdismo político paga-se muito caro. Na oposição o radicalismo de esquerda só pode ser um protesto ruidoso; no governo pode ser um pesadelo.
No passado dia 15, Vital
Moreira escreveu no Económico" o texto que se transcreve em baixo, com o
título "Duas Lições". Para quem, como eu, o conhece há muitos anos, é
caso para dizer como o Peça: E esta, hein?
O problema é que a estratégia política do Syriza era desde o início uma receita para o desastre, como se provou nas últimas semanas, e falhou porque até agora nenhum país descobriu como viver indefinidamente à custa do défice e do endividamento, ou seja, à custa alheia, especialmente quanto à demagogia política se soma a incompetência económica.
O Governo Syriza paralisou as reformas que começavam a dar frutos e reverteu algumas delas. A economia entrou de novo em recessão. O investimento estrangeiro fugiu, as receitas públicas retrocederam e as contas reentraram em défice. Milhares de milhões de euros fugiram dos bancos; entrou-se em emergência financeira com controlo de capitais e limitação de levantamentos. E, por último, a Grécia falhou um pagamento do FMI, o que nunca tinha sucedido com um país europeu.
Com isto tudo as necessidades de financiamento e de assistência financeira externa do país aumentaram substancialmente.
Há seis meses, o Syriza prometia o fim da austeridade e a bem-aventurança económica. Agora, mais pobre, a Grécia é obrigada a pedir um terceiro resgate, ficando "intervencionada" por mais três anos e sujeita a mais austeridade orçamental.
Sim, com o Syriza a Grécia acabou por dar uma lição edificante aos demais países da zona euro. Mas a lição é justamente o contrário da pretendida, ou seja, a de que a na moeda única há regras a cumprir e que não se pode ter mais orçamento do que a economia permite.
2. Além dos enormes custos económicos e financeiros, a desastrada aventura Syriza também teve pesados custos políticos para a Grécia.
Um deles foi o descrédito da democracia. Poucos dias depois de rotundo "não" no referendo precipitadamente convocado, o Governo grego já estava a propor aos credores condições idênticas às rejeitadas, acabando por negociar um acordo ainda mais duro. O "não" do referendo foi transformado rapidamente num "sim", sem que o governo tivesse sentido necessidade de se demitir ou ao menos de renovar a sua legitimidade parlamentar. Na democracia à Syriza brinca-se aos referendos e com os cidadãos como simples instrumento de manipulação política.
Mas o preço maior é a perda de confiança e de credibilidade externa da Grécia, que vai demorar muito tempo a recuperar.
Só a irresponsabilidade política e a falta de seriedade negocial do governo Syriza é que podem justificar que os credores tenham exigido a aprovação prévia de legislação em Atenas para só depois fechar o acordo, bem como a constituição de um fundo independente de ativos de privatizações para, entre outras coisas, recapitalizar os bancos gregos. Nenhum outro país sujeito a assistência financeira teve de se submeter a estas comprometedoras garantias preventivas.
Esta é a segunda lição a tirar da Grécia: o esquerdismo político paga-se muito caro. Na oposição o radicalismo de esquerda só pode ser um protesto ruidoso; no governo pode ser um pesadelo.
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(Com colaboração de J. Castro Brito)
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O QUE ACONTECEU E PODERIA NÃO TER ACONTECIDO
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Numa conferência de difíceis 50 minutos, o líder do PS
disse ontem que é preciso combater o estrangulamento da procura interna, aumentar
o rendimento disponível das famílias e possibilitar condições de investimento;
mas..., mas... que um Governo do seu partido não repetirá receitas aplicadas no
passado por outros executivos do PS—leia-se do Zezito, em que acabou tudo
falido e preso, recordo a quem já se esqueceu.
Mas Costa gosta de deixar as coisas claras como água de
rocha e acrescentou um pouco da luz do seu encéfalo à nossa penumbra e
interrogou-nos: Se não tivesse havido a crise internacional de 2008, a
trajectória em que Portugal estava teria continuidade ou não? Segundo o seu
encéfalo, a pergunta poderá ter interesse para historiadores, mas não para nós,
miseráveis pagadores de impostos.
E Costa acrescentou: o que interessa, bem no fundo, é o
que efectivamente aconteceu e não aquilo que poderia não ter acontecido se a
crise internacional não tivesse ocorrido. E uma coisa é certa: o tempo não
volta para trás e, portanto, não estamos nem voltaremos a estar nas condições
de 2007, nem são repetíveis as virtudes ou a vicissitudes que ocorreram em 2007.
É preciso fazer diferente, disse Costa.
Uma cabeça assim não pode ficar espartilhada num gabinete
da Presidência do Conselho de Ministros de Portugal. Um crânio com esta dimensão
não cabe lá. Um encéfalo destes precisa de espaço. Sobretudo merece um meio
nutriente rico bastante para o alimentar. Sugiro que Costa passe a viver num
tina de bacalhau cozido com todos. No mínimo.
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terça-feira, 21 de julho de 2015
O FAKIS É O MAIOR
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Varoufakis é um caso perdido de falta de noção da
realidade. Basta ter observado a sua insolente arrogância nos contactos que fez
quando era Ministro das Finanças para o perceber. Mas agora meteu a mão na
consciência e reconhece ter cometido erros nas negociações do resgate da
Grécia. Não muitos—só alguns—e pequeninos. E, de modo nenhum, todos.
Para Varoufakis, os responsáveis do fiasco grego foram os
credores, "mais focados em humilhar a Grécia do que em receber o dinheiro
emprestado ao País". Aqui, Varoufakis está a ser modesto: os credores, bem
no fundo, o que queriam era humilhar Varoufakis, não a Grécia. Schäuble, por
exemplo, nem pegava no sono enquanto não humilhasse o helénico Hércules, capaz
de roubar o cinto de ouro da rainha Hipólita, ou de limpar em um só dia o
curral do rei Augeasos. Schäuble e outros biltres só tinham sossego se Varoufakis
tirasse o cachecol Burberry antes do Verão e metesse a fralda da camisa dentro das calças.
Mas Varoufakis paira acima dessas coisas e caga nisso.
Varoufakis pediu a demissão e fez um papelão—melhor que Tsipras.
E pelo Syriza não vai nada?
TUDO !!!...
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