domingo, 26 de março de 2017

A ARTE DE FALAR

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Já hoje falei de Marco Neves e para dizer bem. Não conheço Marco Neves e ouvi falar dele hoje, pela primeira vez. Gostei de um texto seu no site SAPO. Com curiosidade, fui espreitar o blog que edita, "Certas Palavras", e também gostei, embora ainda não tenha lido muito. Em boa verdade, só li um post, "As Dez Línguas de Portugal" porque me despertou curiosidade o título. Vale a pena ler a quem se interessa pela língua, qualquer que ela seja.
A linguagem falada e escrita foi uma das maiores, e das primeiras, descobertas do Homo sapiens. Velho como sou, depois de ter visto coisas como a ida e volta do homem à Lua, entre outros feitos equivalentes, acho que continuo a ficar mais maravilhado com a linguagem que com a descoberta do bosão de Higgs, ou da relatividade tempo/espaço. Prosas como as de Eça, Ramalho, ou Camilo, são o clímax da actividade pensante só ao alcance de escolhidos. Com muita dedicação, esforço, vontade e inteligência, qualquer homem ou mulher, se tiver condições materiais, pode fazer descobertas científicas brilhantes. Mas escrever como Oscar Wilde, Shakespeare, Churchill ou Camões, não vai lá só com transpiração. É preciso ter um dom especial porque a ferramenta — no caso a língua — não é qualquer um que a maneja com a destreza dos "iluminados". Por isso me deleito com a escrita. E nesse aspecto, acho que sou parecido com Marco Neves — à minha escala, naturalmente!!!... Marco Neves é um amante "de caixão à cova" da língua portuguesa.

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Quando se está em condições de julgar por qual discurso determinado homem pode ser persuadido e quando se pode, ao ver um indivíduo, penetrá-lo e dizer a si mesmo: Eis o homem, eis o carácter que me ensinaram outrora; está aqui diante de mim, e é necessário aplicar-lhe discursos de tal espécie para persuadi-lo de tal coisa; quando se dominam todos esses meios, quando se sabe, ademais, discernir as ocasiões para falar ou para calar, para ser conciso, comovente, veemente, e se é o caso ou não de recorrer a determinada espécie de discurso aprendido na escola, então ter-se-á alcançado a perfeição da arte; não antes. 

Platão, in 'Fedro' 
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PUF-PAF OU POP-POP

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Provavelmente, já ninguém sabe, ou se lembra, o que é um Puf-Paf, também chamado Pop-Pop. O Puf-Paf era, e ainda deve ser, um barquinho brinquedo de propulsão a vapor, com um motor muito simples e engenhoso.
Era pouco maior que uma caixa de óculos, ou equivalente, e tinha uma caldeira pequena ligada a um tubo de escape que terminava na ré, abaixo da linha de água. Tal caldeira tinha fundo metálico muito fino, flexível e côncavo, fazendo saliência para dentro — onde, naturalmente era convexo — senhor de La Palice dixit.
Depois de abastecer a geringonça* propulsora com água, esta era aquecida com uma pequena vela acesa colocada por baixo. À medida que a água ia aquecendo e fazendo vapor, o fundo convexo por dentro era empurrado para baixo, ao mesmo tempo que a água no tubo de escape era ejectada pela ré do barco, movendo-o para a frente — era quase um motor a jacto, muito antes destes serem usados nos aviões militares.
Com a saída do vapor, a pressão no interior da caldeira baixava a níveis inferiores à pressão atmosférica e à pressão da água que rodeava o barquinho, tornando-se negativa. Então, ao mesmo tempo que o fundo da caldeira voltava à sua posição inicial — côncava para baixo e convexa para cima — também entrava água fria pelo tubo de escape, água que voltava a ser aquecida, a fazer vapor, a empurrar o fundo da caldeira para baixo a ejectar vapor pelo escape, blá, blá, blá (ver figura à esquerda).
Quando o fundo metálico saltava para baixo, fazia um audível  "puf", ou "pop"; e quando voltava à posição normal, fazia "paf", ou "pop". Daí que o brinquedo fosse conhecido por Puf-Paf, ou Pop-Pop.
O aspecto dos Puf-Paf da minha juventude já era mais moderno que o aspecto do cacilheiro que se vê na fotografia. Aliás, só aparece hoje aqui n' "O Dolicicéfalo" porque a fotografia tem a história de ter sido feita sentado à mesa do almoço, a mastigar uma iguaria e através do vidro da janela. 
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* Nunca a palavra "geringonça" teve tanto uso — é obrigatória nova entrada na próxima edição do Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa: talvez "tautócrono imiscível". Como o Presidente, Artur Anselmo, foi meu colega no liceu e faz o favor de ser meu amigo, vou mandar-lhe um lembrete.
Mas já que estamos a falar de geringonça, lembro que a palavra tem história muito antiga — já vem duma ópera de António José da Silva, o judeu, como se conta no vídeo a seguir. As palavras são como as cerejas. Começámos com o Puf-Paf e já vamos em António José da Silva. Veja que tem graça.


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FOTOGRAFIA DO DIA

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Cabo de amarração
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A bordo de uma embarcação só existem duas cordas: a do badalo do sino de bordo e a corda do cronómetro — agora já nem esta na maioria dos casos! O resto são cabos, qualquer que seja a bitola ou o material de que são feitos.
Basicamente existem 3 tipos de cabos — os de fibras vegetais (linho, pita, cairo, cânhamo, sisal, algodão, manila), os compostos por fios metálicos (arame zincado ou aço inoxidável) e os de fibras sintéticas (nylon, perlon, dacron, kevlar, spectron, etc.) mais usados na marinha de recreio. Os de fibras vegetais não são tão fortes como os de fibras sintéticas e decompõem-se quando molhados. As fibras sintéticas por sua vez deterioram-se com os raios ultra-violetas do sol, mas a sua variedade e resistência faz com que sejam as mais preferidas na marinha de recreio. Os cabos em aço, por não serem tão flexíveis, não são usados senão no aparelho fixo.
Nós, voltas, falcaças, mãos, costuras, botões, pontos, pinhas, gachetas e cochins, são trabalhos com cabos da arte de marinheiro. Os nós são usados quando se pretende unir um cabo a outro, ligar os chicotes do mesmo cabo ou fixar um cabo a qualquer objecto.
O aparecimento de nós iguais em partes diferentes do globo permite concluir que alguns deles foram descobertos isoladamente. Julga-se que já eram usados na pré-história pelos homens das cavernas. O nó mais antigo que se conhece foi descoberto em 1923 numa turfeira na Finlândia e cientificamente datado de 7.200 AC! Também se sabe que os antigos gregos, egípcios e romanos usavam nós com alguma complexidade nas construções de edifícios, pontes e fortificações pelo que não é lícito julgar que apenas os marinheiros são detentores desta arte. No que respeita ao seu uso na marinha existem registos escritos pelo menos desde o séc.XVII, mas desenhos e figuras mostram que o seu uso é muito anterior a este período. 
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O CANTO DO CIRNE — "in memoriam"

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Já houve um blog assim chamado. Um dia, feneceu — que a terra lhe seja leve.
Não sei porquê, hoje lembrei-me dele e resolvi deixar-lhe uma homenagem pelos serviços prestados à Nação. Se fosse vivo, seria condecorado por Marcelo com a Grã Cruz da "Ordem da Jarreteira" — seguramente! 
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"Canto do Cisne Negro", de Villa-Lobos, numa realização Dolicocéfala
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O MUNDO NÃO ESTÁ LOUCO

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Quando ouvimos falar de ataques terroristas como os de Londres, muitos dizem: “O mundo está louco.” E continuam a repetir essa ideia quando ouvem notícias de homicídios como o de Barcelos e outras loucuras que nos aparecem em todos os telejornais a todas as horas.
A verdade é que o mundo não está louco. O mundo é louco. Pensar que já houve um tempo em que o mundo era menos louco será ingenuidade, a mesma ingenuidade que leva muitos a crer que o terrorismo é invenção recente — o que é recente é a capacidade de os terroristas, com um carro assassino ou um vídeo cruel, aterrorizarem o mundo inteiro em poucos minutos. Mas o acto em si, essa necessidade de ferir, matar, horrorizar em nome dum qualquer valor muito alto — isso não é novo. [...]
Assim escreve hoje Marco Neves na página "sapo.pt" (ler aqui ). Ao contrário do que se diz, ainda há muita gente que pensa e sabe escrever. O problema é que está "diluída" num mar de banalidade politicamente correcta para que já não há pachorra  NENHUMA  ZERO !

sábado, 25 de março de 2017

PABLO PICASSO

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TRUMP TAL E QUAL

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ZEZITO FAROLEIRO CÓSMICO

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(Clique na imagem para ver um pulsar real)
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Uma estrela de neutrões é o fruto da morte de uma estrela de média dimensão por esgotamento do combustível interior que é o hidrogénio. Já tenho falado nisso e continuo gosto de mastigar conversa, como Jerónimo de Sousa com a política "patriótica e de esquerda".
As estrelas maiores, quando isso acontece, originam buracos negros, com força gravítica quase tão grande como o Benfica. As menos volumosas originam estrelas de neutrões, também com enorme gravidade por terem muita massa (não euros, nem dólares), mas menos que os referidos buracos. De qualquer maneira, a pressão da força gravítica no interior da estrela é tão grande que até os átomos são esmagados! Os electrões — com carga eléctrica negativa — que gravitam em volta do núcleo atómico são "empurrados para o interior deste, onde se fundem com os protões — com carga eléctrica positiva — formando neutrões. Daí o nome destas estrelas, praticamente uma amálgama de neutrões.
Para complicar, por razões que não vou explicar porque tenho medo de "meter água", os fenómenos descritos imprimem às estrelas de neutrões um movimento de rotação mais rápido que um pião — a respeito disto, ficamos por aqui.
Mas, adicionalmente, também por razões complicadas, as estrelas de neutrões emitem feixes de radiação, que saem dos "polos", chamemos-lhes assim (só espero que nenhum astrofísico leia o que estou a escrever!). Esses feixes podem ser "visíveis", se não pelos olhos humanos, por aparelhos. E se são paralelos ao eixo da Terra, tudo bem. Se não são paralelos, só são visíveis intermitentemente, como a luz de um farol. Tal e qual! Por isso chamam-lhes "pulsares". Ponto e fim do xarope.
E porque me lembrei disto? porque vi o Zezito, numa fotografia, iluminado por uma estrela de neutrões, quiçá, por um pulsar — é uma fotografia e não dá para ver se a luz é permanente ou intermitente. Se fosse na TV, ou num filme do YouTube, dava.
Acho que vou mandar o clichê para a NASA para eles analisarem. É que, se é uma estrela de neutrões, ou um pulsar, o Ministério Público tem de ter isso em conta — o homem até corpos celestes manipula!... 
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FESTA NA CATEDRAL DO FUTEBOL

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E PELO JERÓNIMO NÂO VAI NADA ?

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No decorrer de uma reunião qualquer de comunistas, o inefável Jerónimo, a 40 graus de Latitude Norte — e faço a precisão da latitude porque já houve um "Jerónimo a 60 Graus de Latitude Norte", personagem de romance de refinada graça, embora não tão engraçado como o Jerónimo de que vou falar, escrito pelo humorista  Maurice Bedel —, o inefável Jerónimo dizia eu, na cidade de 
Aveiro, mais precisamente a 40 graus, 7 minutos e 0 segundos de Latitude Norte, leu um papel, provavelmente escrito por um camarada assessor, papel que dizia, em resumo: "As comemorações dos 60 anos do Tratado de Roma, assinalados hoje por toda a Europa, são acompanhadas por uma onda de mistificação e de propaganda ideológica que tem como objectivo dar vida a um processo de integração capitalista que está esgotado. Tal e qual!!!... Há, portanto, uma onda de mistificação, maior que as do Canhão da Nazaré, para  fazer respiração boca-a-boca ao processo de integração capitalista que está esgotado e moribundo.
Preocupante como é a situação, cabe a cada um reflectir sobre as saídas possíveis do imbróglio "integração capitalista", Jerónimo dixit.
E por mais voltas que se dê — não na tumba, mas sobre o colchão — em noites de insónia que decorrem do esgotamento do processo de integração capitalista, vai-se sempre cair no processo de integração socialista. Mas, atenção (!):não estamos a falar de qualquer socialismo; estamos sim a falar no socialismo científico de Karl Marx e Friedrich Engels que tão deliciosos frutos deu na defunta URSS, na falecida e inumada China, na paradisíaca Coreia do Norte — sobre a qual Bernardino Soares tem dúvidas se é uma democracia —, na Cuba "Fidelista", e na mais que próspera Venezuela do Socialismo Bolivariano.
E pelo Jerónimo de Pirescoxe não vai nada? Tudo!..... 
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BRITISH AND PROUD OF IT !

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A União Europeia tem muito para contar: bom e mau — nada é perfeito na bola chamada Terra. Há o "problema" da livre circulação, com a entrada de lixo humano interessado no crime, na marginalidade, no parasitismo social, na doutrinação radical, no terror, rebabá; há a asfixia imposta pelas potências industriais do Norte sobre as débeis economias agrícolas do Sul; há também, e é preciso dizê-lo, a inércia das cigarras mediterrânicas que convivem mal com as "formigas" setentrionais; há incompatibilidades culturais, em suma, que levam séculos a esbater-se e sei lá que mais — e é muito ainda. Mas nem tudo é mau e a tendência é a de as coisas melhorarem gradual e progressivamente: pelo menos muitos assim crêem.
A Inglaterra, ilha territorial e "ilha" histórica, política, social, económica, religiosa, psicológica, industrial, meteorológica, e por aí fora, que ainda circula pela esquerda e considera que o resto do mundo anda na contramão, a Inglaterra, dizia eu, acha que não. A Inglaterra, e peço desculpa pela brutalidade, está a cagar-se para a União Europeia, para os europeus, para os "bárbaros" do Sul, e, em boa verdade, para o resto do mundo que, juntamente com eles, faz o mundo propriamente dito. A Inglaterra, em resumo, acha que deu demasiada "confiança" ao planeta ao cometer essa insensatez de entrar para a União Europeia, clube que aceita sócios como a Grécia, Espanha, Portugal e mais uns tantos pés descalços, e quer sair. Por mim, podem ir para o Diabo que os carregue.
Vem a conversa a propósito de um discurso feito no Parlamento Europeu por um deputado espanhol que se pode ver e ouvir em baixo. Não digo mais nada porque está lá tudo. E agradeço ao colega e amigo Francisco Menezes Brandão que me enviou o vídeo — um abraço para ti.
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Quem fala assim,... não sabe o que é ser British and proud of it!
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FOTOGRAFIA DO DIA

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Os meus vizinhos em Lisboa
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sexta-feira, 24 de março de 2017

EDUARDO GAGEIRO

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A legenda diz assim: Miguel Torga. 1985 "Em casa de um médico seu amigo, de meias, é invulgar. Não me quis dar um autógrafo num livro dele"
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PONTO DE VISTA

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VENUS

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A fotografia em cima foi feita na Índia, por Abhinav Singhai, em 15 de Março (p.p.). Não é a Lua que se vê, mas sim  Venus.
O planeta passa entre nós e o Sol cada 584 dias, ou seja, 1,6 anos. A sua metade iluminada, ou "dia", está agora quase toda voltada para o lado oposto ao nosso, como se percebe na fotografia feita por cima do  Secretariat–Building, de Nova Deli.
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DIJSSELBLOEM, VITAL MOREIRA E O SENHOR MESSIAS

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Vital Moreira, que não faz o meu género e por isso sou insuspeito no que vou dizer, escreve no "SOL" o seguinte: “Quanto ao seu conteúdo, a polémica mensagem de Dijsselbloem não traz nada de novo e é incontroversa”. Até aqui, acho que Vital Moreira está a falar bem.
E acrescenta a seguir: [...] “a devida solidariedade financeira da União Europeia em relação aos Estados-membros em dificuldades orçamentais implica responsabilidade financeira dos beneficiários e não se pode gastar irresponsavelmente à conta do endividamento público e depois ir pedir solidariedade aos contribuintes dos outros países”. Continuo a abanar as orelhas em sinal de aprovação.
E mais à frente: “a metáfora por ele utilizada não podia ser mais despropositada, para além do mau gosto. Estúpida, por isso”. Continuo a abanar as orelhas, embora seja aqui que não concordo totalmente com Moreira.  
A metáfora utilizada por Dijsselbloem — e agora sou eu que digo — pior que estúpida, é ingénua e aí é que está o mal.  Dijsselbloem, se queria falar do que falou, devia chamar os bois pelos nomes e não vir com essa ingenuidade provinciana dos "copos e mulheres de má fama" (a má fama subentendo eu).
Dijsselbloem podia falar nas despesas sumptuárias do Estado Português, por exemplo, nas mordomias dos políticos sem excepção de nenhum partido, mesmo daqueles que passam a vida a apedrejar a maioria dos compatriotas; da realização de obras de fachada como meio de promoção política — veja-se o que se passa nesta época pré-eleitoral por todos os concelhos e freguesias —; da realização de obras para cobrar comissões ou luvas; da concessão de benesses despropositadas a torto e a direito — sobretudo a torto — pelas mesmas razões; da administração ruinosa da Fazenda Pública, com recurso irracional ao crédito, gerando uma dívida que ninguém sabe como será paga; da corrupção que todos os dias faz cabeçalhos nos media, seja de políticos, seja de administradores de empresas públicas e privadas; da pouca vergonha que é o nepotismo diariamente noticiado; e rebabá, rebabá, rebabá — fico por aqui porque não é preciso gastar mais bits.
Dijsselbloem não deve ser mau tipo, mas é um parolo. Oriundo duma família puritana holandesa, é mais provinciano que o Senhor Messias de Quadrazais — mas muito mais!... — rima e é verdade. O Senhor Messias tinha o Sétimo Ano de Praia.
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O HOMEM SOFRE...

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...PARA TER PIADA E FAZ-NOS SOFRER PORQUE NÃO TEM PIADA NENHUMA!
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OS NOSSOS IRMÃOS PORCOS

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Julian Savulescu é professor de Ética em Oxford. Recentemente, publicou um ensaio que dá para pensar duas vezes antes de adormecer. Tem o título "Should a human-pig chimera be treated as a person?". Começo por explicar o que é a human-pig chimera de Savulescu, antes de falar das suas consequências éticas.
Como sabe, a mula — e o macho — é um animal que resulta do cruzamento do burro com a égua. Tem património genético, que determina as suas características morfológicas e funcionais, parcialmente do burro e parcialmente da égua. É híbrido, ou uma "quimera asno-cavalar", ou "asno-equina" — não sei bem como dizer. Agora suponha que é possível — e logo se falará se é possível ou não — criar uma "quimera humano-porcina"!
Nos Estados Unidos estão a fazer-se tais "quimeras" — é verdade!...
Pega-se numa célula da pele de um homem ou mulher, tira-se-lhe o genoma do núcleo, edita-se (já explico o que é editar neste caso), vai-se ao ovo instalado na barriga duma porca grávida, e mete-se lá o genoma humano editado. É editado porque se fazem alterações de modo a que esse genoma "só" vai comandar a formação de um órgão, seja rim, pâncreas, fígado, rebabá, por uma técnica chamada CRISPR, que não interessa agora esmiuçar.
Então, no fim da gravidez, nasce um/a porquinho/a muito lindo/a, em tudo igual à sua mãezinha porquinha, mas com rins de homem (ou mulher, isso não interessa agora). Os rins são alimentados por artérias e sangue "porcalhão", fazem chichi "porcalhão", mas são como se fossem do/a dador/a, humano/a do genoma. Se este precisar de rins novos, é como substituir a roda do automóvel — não há rejeição porque, em boa verdade, aqueles rins são dele/a e estão no porco ou na porca como a roda sobressalente está na mala do seu carro.
Neste momento, o leitor é capaz de achar isto formidável, quase tão formidável como acharia um receptor dos rins porcinos. Mas espere lá: e a porca? Sim, a porca!... Aquela porca dadora de rim que podia ter o seu genoma (cruzes canhoto) e é metade porca e metade homem ou mulher. Mata-se? Não pode matar uma porca que é quase humana; e mais(!), quase parente — irmã, ou filha, já nem sei porque me perdi no meio desta trapalhada.
Valham-me todos os santos — que mais irá nos acontecer?
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GERINGONÇAS GENUÍNAS

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.Por trás de modesta montra, em Peekskil, Nova Iorque, a " Early Electrics" é simultaneamente loja e museu de instrumentos médicos e aparelhos científicos obsoletos. Organizada por  Steve Erenberg ao longo de 30 anos, a visita à colecção constitui uma deslumbrante viagem pela ciência médica antiga, com prometedores protótipos e o que Erenberg chama  aparelhos de charlatanice, permitindo um olhar sobre moléstias frequentes e seus remédios (muitas vezes "banha de cobra") no passado recente. 
Erenberg aprecia a colecção,  mais pela qualidade estética que pela importância histórica, deleitando-se com o design das  geringonças, muitas das quais foram fabricadas à mão antes da era da produção em massa. 
Esta é a tradução do texto que apresenta o vídeo (com legendas. acrescente-se). Muito bonito — e Steve Erenberg é um homem "simpatiquérrimo", digo eu.
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PONTO DE VISTA

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