domingo, 25 de junho de 2017

CÂNDIDO PORTINARI

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A MORTE SEGUNDO VOLTAIRE

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Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino.

Voltaire
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MÃOS DE MESTRE

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Até o gato está admirado!
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O MAR SALGADO

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JURO !...

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A estatística fala por si. O problema é que a estatística diz respeito ao Presidente da mais poderosa nação do único planeta onde, que se saiba, existe gente — Donald Trump, o matarruano.
Nos primeiros 40 dias da sua presidência, Trump disse uma mentira por dia. O ritmo só abrandou em Março.
Desde então, disse 74 mentiras em 113 dias. Na maior parte dos dias em que não aldrabou, não publicou nada no Twitter, ou esteve em férias em Mar-a-Lago, na Flórida, ou andou a jogar golf.
Nalguns casos, Trump não manteve a mesma versão das aldrabices, que iam variando com a passagem dos dias, como aconteceu com algumas acusações à China de manipulação da moeda.
Perto de 60% dos americanos acham que Trump não é honesto. O mais preocupante, contudo, é que quando tomou posse, já 53% achavam isso — mas foi eleito!
Churchill tinha razão quando dizia 
o que dizia da democracia. É a vida... juro!
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A AVE MAIS RÁPIDA DO MUNDO

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Veja o Falcão Peregrino — existe em Portugal — em voo picado, a 320 km/hora, e em voo rasante na floresta, com uma câmara de vídeo no dorso!
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O REPÓRTER DA CIDADE

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PREVIDENTE, EFICAZ E RESPONSÁVEL ?

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SER POLÍCIA

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Um polícia, no Minesota, manda parar um carro porque tem os stops avariados. Depois de avisar o condutor, pede-lhe a licença de condução e o documento do seguro. O condutor avisa-o de que tem uma arma e inclina-se para procurar o documento do seguro (?) — a arma (?). O polícia diz-lhe para parar, ele continua a procurar e é baleado mortalmente. E agora? Em terra de pistoleiros é assim!
O polícia, antes de mandar parar o carro, tinha avisado colegas pelo rádio que havia visto um suspeito de roubo — procurado — naquele carro. Foi absolvido por um tribunal com júri.
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UMA HISTÓRIA AOS QUADRADINHOS

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sábado, 24 de junho de 2017

EGON SCHIELE

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NAVEGAÇÃO À VISTA

Leio na Net, citando Marcelo Rebelo de Sousa, o seguinte: Após ter começado por pedir união e solidariedade no momento da tragédia em Pedrógão Grande, onde um incêndio descontrolado e de grandes dimensões levou à morte de 64 pessoas, agora é preciso apurar tudo o que se passou, “mesmo tudo”, “no plano técnico” e “no institucional”.
Portanto, há o "tudo" e há o "mesmo tudo", que não são exactamente a mesma coisa. Ou seja, o "mesmo tudo" contém mais que o "tudo". Talvez o leitor ache a diferença subtil, mas existe, e o que interessa neste apuramento é o "mesmo tudo".
Não sei explicar bem porquê, mas a conversa de Marcelo sugere-me a navegação à vista. Os marinheiros dos descobrimentos percorriam rotas desconhecidas, muitas vezes sem cartas e com pouquíssimos instrumentos de navegação, e as referências que os guiavam eram as estrelas e as terras litorais, ou seja, a vista da costa (não do Costa!). O objectivo era chegar o mais longe possível, ficar a "conhecer o caminho" e manter a capacidade de regressar.
Deste ponto de vista, Marcelo é um "navegador". Não procura novos mundos para dar ao Mundo, mas procura popularidade, afectos, louvaminhas, bajulice, incenso e adulação. Não vive sem isso. Está atento e é venerador à — e da — opinião pública e deve babar-se ao pequeno almoço quando lê os jornais com fotografias suas a abraçar e beijar velhas de bigode e carrapito.
Sempre disponível e inspirado para dizer o que cai melhor na ocasião, e atento à reacção para o acto seguinte, qual é sempre outra "boca" que pode ser nova ou a correcção da anterior, como faziam os marinheiros de quinhentos ao avistar um cabo ou uma ilha em rota de colisão. Dá uma no cravo e outra na ferradura, em navegação à vista e amanhã logo se vê.
Marcelo não deve usar ceroulas de malha, como o "Dantas" de Almada Negreiros; mas é um habilidoso como ele. E mais, digo eu: Marcelo é um impostor. PIM!

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O ATALHO

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AS ÁRVORES MORREM DE PÉ

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Este plátano, além do que está à vista na fotografia e é banal em Lisboa, já danificou seriamente a tubagem do esgoto do prédio que tem em frente, em busca de água, e tapa as suas janelas; mas continua lá — as árvores morrem de pé!...
Um pinheiro manso inofensivo, plantado há 35 anos pela minha mulher, não muito longe deste plátano facínora, foi sumariamente abatido há poucos meses. Nem todas as árvores morrem de pé — algumas morrem, estupidamente, a golpes de serra mecânica!
E pelo Medina não vai nada?!
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"DEEPTIME" FUTURO ? JAMÉ !

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Earth is a machine ceaselessly repeating a cycle of erosion, deposition, and uplift.

James Hutton
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O Universo terá começado há perto de 14 mil milhões de anos, com o Big-Bang. O planeta Terra  "nasceu" há 4,5 mil milhões de anos, mais coisa, menos coisa. A vida não demorou muito a aparecer, logo que as condições ambientais se tornaram favoráveis, talvez há cerca de 3,8 mil milhões. É tudo muito antigo!
As moléculas de que somos formados agora — cada um de nós, incluindo o incauto leitor desta prosa — já passaram por número incontável de seres, animados e inanimados, possivelmente a orelha de algum dinossauro, um meteorito, uma lagartixa, um tomate, um grão da areia do Guincho, uma gota de água do Oceano Índico, o rabo de um leão! Quem sabe? A Natureza "trabalha" maioritariamente com as mesmas moléculas há muitos séculos e nenhum de nós tem moléculas privativas: usamos as mesmas que a pedra da calçada, o eucalipto, ou o burro (alguns abusam destas). Em suma, biologicamente, somos um arranjo provisório e instável de "tijolos" naturais que "respondem" por "molécula".
Os anglo-saxónicos chamam ao tempo que ficou para trás, desde os primórdios do Universo, deeptime, neologismo que significa pouco em português. Tempo fundo, ou profundo, não nos diz muito; isto é, não diz o termo, embora a ideia sim. Conceitos como o de 4,5 mil milhões de anos, ou 3,8 mil milhões, é coisa para cair de cauda. Curiosamente, a expressão deeptime, para anglo-saxónicos inclusive, é usada para o passado. E o futuro? Não há deeptime futuro? Talvez haja — TALVEZ!!! Mas...
Porquê este TALVEZ maiúsculo, itálico e com 3 pontos de exclamação? Porque o futuro a Deus pertence, diz-se, significando isso saber-se nicles batatóides sobre ele. De seguro, sabe-se, ou julga saber-se, que daqui a 4 mil milhões de anos a dilatação do Sol vai fazer ferver a água na Terra e não vale a pena entrar em mais pormenores dantescos sobre o antes e depois disso. Adicionalmente, falar do Homo erectus, por exemplo, e da triunfal caminhada posterior até maravilhas como o Professor Marcelo "Esteves", ou o inefável Jerónimo de Sousa, é actividade psicologicamente remuneradora; mas falar de António Costa, ou Passos Coelho, assados na brasa faz pesadelos à noite e é melhor esquecer.
Felizmente, é da natureza humana ter uma atitude irracional quanto ao futuro, muito bem caracterizada por uma expressão que aprendi na tropa qual é a de "descontração e estupidez natural".
Em relação ao futuro do Universo, o Homo sapiens assume a posição de "descontração e estupidez natural"; e muito bem. Em 1900, Lorde Kelvin, um dos mais famosos físicos da História, já perto do fim, dizia que a investigação no seu campo estava praticamente acabada — via apenas uma ou outra área para esclarecer. Poucos anos passados, Einstein, com a Teoria da Relatividade, revolucionava toda a Física, deixando muitas das teorias de Kelvin na prateleira.
O futuro é uma espiga, mais nada. Não é coisa para nele investir ideias e figuras poéticas, como deeptime, cuja gestação custa muito "fósforo" e verve. Qual deeptime, qual carapuça? A bem dizer, futuro é uma grande porra, com vossa licença; mais nada. Deeptime? Era o que faltava...

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

GEORGES BRAQUE

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PORTUGAL ASSASSINADO

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[...] Na quarta-feira, o exacto dia em que a nomenclatura do regime compareceu pesarosa ao funeral de um bombeiro, o Presidente da República declarou que a “unidade nacional” perante a tragédia “mostra bem como somos uma nação antiga e uma nação muito forte”. À superfície, tais palavras são apenas um deprimente vazio. Sucede tratar-se do exacto PR que, entre abraços sortidos, ocupou os minutos iniciais que os noticiários dedicaram ao incêndio para garantir que fora feito tudo o que se podia fazer. Pelo meio, o país tomou conhecimento de dezenas de mortos e da radical desorientação ou impotência das autoridades. E o país viu-se atacado por uma operação, talvez inédita, de manipulação informativa liderada pelo governo e patrocinada por boa parte dos “media”. O país que quis perceber percebeu que a “nação muito forte” é uma coisinha débil, e que a “unidade nacional” é uma estratégia repugnante para, em nome das vítimas, socorrer os suspeitos. Note-se que não acuso ninguém. Não é preciso: os esforços para suprimir culpas são a sua maior admissão.
A “incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia”, berrava o BE em 2015, face a 28 mil hectares queimados e, suponho, morto nenhum. Agora, a actriz Catarina Martins implora no Twitter: “Que venha a chuva. Bom dia”. A brandura é partilhada pelo PCP, o qual, salvo por um patético “pedido de esclarecimento”, refugiou-se no luto. “Luto”, aqui, é código para “ganhar tempo”. Não surpreende a cumplicidade dos partidos comunistas no arranjo. Não surpreendem os esforços do PS na elaboração do arranjo. Não surpreende o aval do PR ao arranjo, visto que já só os ceguinhos não vêem a verdadeira função do prof. Marcelo. E não surpreende a ajuda das televisões e dos jornais à eficácia do arranjo.
[...]

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Alberto Gonçalves in "Observador"
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IT´S AMAZING !

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O BIPARTIDARISMO DEU O QUE TINHA A DAR

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As últimas eleições na Grã-Bretanha não deram vitória absoluta a ninguém, nem aos conservadores que tiveram mais alguns votos. Na realidade, os ingleses disseram simplesmente que os actuais conservadores e trabalhistas não prestam e ponto final.
O bipartidarismo é uma tradição fortíssima na Inglaterra e naquela terra nada é fácil mudar — desde a monarquia até ao bife mal passado. Mas a tradição política não pode continuar assim — um novo partido é preciso urgentemente. E se ele aparecer e tiver à frente pessoas credíveis — a milhas de May, Boris Johnson, Corbyn e companhia ilimitada — vai ter pernas para andar. Neste momento, grande parte dos súbditos de Sua Majestade votam com a mão no nariz e os olhos fechados.

Inesperadamente, na imprensa inglesa começam a aparecer peças a falar com algum entusiasmo da França, quase a insinuar que o jovem Macron era do que a Inglaterra precisava. Para quem conhece os beefs, isto constitui um fenómeno do Entroncamento, se ainda alguém se lembram de tais fenómenos. Mas está escrito — preto no branco — num artigo de Philip Collins, publicado hoje no The Times, com o título, límpido como água de rocha, Now is the moment to launch a new party.
A grimpa britânica começa a baixar a bola. Não há nada como "realmente" e o pior ainda está para vir, com as negociações do Brexit. Além de não se vislumbrar gente capaz para enfrentar figurões como Juncker ou Shäuble, os britânicos partem para a maratona já com a língua de fora.

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O REPÓRTER DA CIDADE — NÃO ATAS NEM DESATAS

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