O progresso da Medicina, resultante do advento de novos medicamentos, melhores esquemas terapêuticos, e técnicas de diagnóstico e cirurgia inovadoras, é uma bênção para todos os que o podem usufruir. A diálise permite manter o doente insuficiente renal vivo enquanto espera pelo transplante; articulações da anca e joelho, destruídas por doenças degenerativas, são substituídas por próteses; e doenças viscerais são diagnosticadas por sofisticados exames de imagiologia, sem necessidade de recorrer a técnicas cruentas e invasivas. Mas, infelizmente, tudo isso custa muito dinheiro. Nos Estados Unidos, na última década, mais de metade do agravamento da despesa em cuidados de saúde resultou da introdução de novas técnicas de diagnóstico e terapêutica. Tal cria uma situação de atrito entre população e médicos, por um lado, ao exigirem o melhor para a assistência ao
s doentes, e os responsáveis pelo financiamento dos cuidados de saúde, por outro.
s doentes, e os responsáveis pelo financiamento dos cuidados de saúde, por outro. É indiscutível que os modelos assistenciais modernos foram concebidos numa fase em que o problema não se punha com a premência actual, e hoje as instituições sociais, os seguros, os governos, ou quem quer que seja a suportar os custos, não tem dinheiro para pagar a factura da assistência médica tal como ela é feita.
Em minha opinião, há muito gasto inútil, desnecessário, e sem benefício para ninguém, incluindo o doente. Fazem-se exames para diagnóstico completamente inúteis e redundantes, procede-se a intervenções desproporcionadas para situações clínicas simples, e exagera-se na medicação e no tipo de medicamentos, usados sem critério de custo económico/benefício, e até de custo clínico/benefício. É o novo-riquismo da clínica.
O problema é grave porque vai acabar mal no dia em que os burocratas encostarem os pés à parede e disserem basta. Virá o dia para o doente mimado de agora ser tratado como a cavalgadura, que quando fractura um membro é abatida – com uma marretada na cabeça, como vi fazer a uma muar que puxava obuses de Artilharia.
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