segunda-feira, 18 de outubro de 2010

JUIZES JULGADOS E CONDENADOS



Já referi em tempos que não concordo com a existência de sindicatos de magistrados por razões óbvias e então explicadas. Concordo ainda menos com responsáveis por tais sindicatos, nessa qualidade, no uso de discursos próprios de sindicatos de estivadores. Mas chegámos ao estado do Estado conhecido e tudo fica bem e é admissível, em especial quando os órgãos do poder são de meia-tigela, como é o caso vertente.
Então, o Presidente da Associação Sindical dos Magistrados Portugueses falou sobre a proposta de Orçamento para 2011 e lançou algumas pérolas de literária elegância. Por exemplo:
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Estamos a pagar a factura de ter incomodado, nas investigações e no trabalho jurisdicional que fazemos, os 'boys' do Partido Socialista. Estamos a pagar a factura do processo 'Face Oculta' e de outros processos anteriores.
Existem 450 mil cidadãos, entre os quais os juízes, que são vítimas de um roubo. Esta redução de vencimentos não é um imposto, não é uma expropriação, não é uma nacionalização, nem é um empréstimo. É um confisco arbitrário que só os reis faziam.
Com este orçamento, os juízes serão os únicos cujo rendimento é reduzido em 18 por cento. Nem os políticos incompetentes que nos conduziram a este estado de coisas vêem tanta redução. Eles só têm uma redução de 15 por cento e, quando acabarem a sua incompetência, irão certamente ser colocados em bons cargos, como aconteceu com os seus antecessores.
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Acho perfeito! Só duas objecções ponho:
- Os reis dignos desse nome não faziam roubos assim: os que os faziam eram acanalhados como o executivo que nos rege e chamavam-se déspotas.
- Os actuais governantes não vão ter bons cargos: os futuros ex-governantes vão ter óptimos cargos  – assim é que é. Se entretanto o povão não se amotinar...
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