-Luís Menezes Leitão escreve hoje no “jornal “I” uma crónica cujo título copiei para este post: “Agarrem-me senão eu demito-me”. É uma peça cheia de humor que vale a pena ler na íntegra e de que transcreve a seguir a parte final (com a devida vénia).
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[...] Muitos podem achar que António Costa fez com esta atitude uma jogada política brilhante e que encurralou o PSD e o CDS, cujo alinhamento com a extrema-esquerda era dificilmente compreensível para o seu eleitorado. E, na verdade, já vieram Assunção Cristas e Rui Rio, atentos, veneradores e obrigados perante António Costa, proclamar humildemente que, afinal, irão reprovar o diploma que tão irresponsavelmente permitiram que fosse aprovado. Não devem ter percebido que com este recuo perderam qualquer hipótese de sucesso nas eleições europeias e legislativas, tendo causado um dano mortal aos seus partidos. Na verdade, alguma vez, com anteriores lideranças, o PSD e o CDS recuaram perante uma ameaça de demissão do líder do PS?
Só que um verdadeiro líder político não faz jogadas com o Governo do seu país. António Costa, no entanto, não tem feito outra coisa. Assumiu o Governo com base numa geringonça que desde o início esteve presa por arames e tentou convencer o país de que as vacas voavam e o seu governo era sólido. Mas para conservar esse governo teve sempre de fazer cedências constantes aos partidos da extrema-esquerda, que já sabia seriam fatais ao mínimo arrefecimento da economia. Agora, a economia está a arrefecer, a geringonça desconjuntou-se, as vacas voadoras caíram com estrondo no pântano da realidade e António Costa ameaça com a sua demissão para forçar o PSD e o CDS a apoiá-lo, uma vez que já não pode prosseguir na senda das reversões. Nada que não se esperasse desde o primeiro dia. O que não se esperava era esta rendição do PSD e do CDS a António Costa. Na verdade, a derrota política é normal em democracia. A rendição é que é absolutamente vergonhosa.
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