sábado, 4 de dezembro de 2010

AFUNDADORES DA NAÇÃO

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Tenham cuidado com os pequenos custos, uma pequena fenda afunda grandes barcos.

Teixeira dos Santos
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EU NÃO ME CALO

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Manuel Alegre, candidato e político cultor do tipo “eu não me calo”, na segunda qualidade disse hoje nos Açores que o actual Presidente da República fez uma "apreciação técnico-jurídica" da medida compensatória, mas cometeu um lapso quando "considerou o corte de vencimentos como um imposto, que não é". Coragem e “eunãomecalarismo” é isto, para que se saiba!

Interrogado pelos jornalistas sobre a remuneração compensatória inventada pelo correligionário Carlos César, Manuel Alegre não se quis pronunciar. Meter o rabo entre as pernas e o “eunãomecalarismo” na gaveta é isto, para que se saiba.

Quem ainda tinha dúvidas sobre a capacidade de executar o Orçamento de 2011, as excepções às medidas para diminuir a despesa, que proliferam como cogumelos desde a sua aprovação, com a invenção de César à cabeça, fica definitivamente esclarecido. E ainda a procissão não saiu do adro. Esperemos mais uns dias,  e logo se assistirá ao desfile das arbitrariedades, dos compadrios, do nepotismo e da corrupção, até chegar o FMI.  Alegre “Eu Não Me Calo” terá então de fazer escrupulosa selecção, separando o trigo do joio; isto é, gerir o “eunãomecalarismo” de acordo com a suas superiores conveniências que serão as superiores conveniências da Pátria.
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REGRESSO DO MERCADO

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 Do livro "Portugal", por Agnes M. Goodall, já citado neste blog
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WIKILEAKS NÓMADA

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Esta é a Home Page da Wikileaks que tem sido perseguida e proibida pelos governos de vários países (percebe-se bem porquê) e objecto de boicote pela PayPal - a organização vive de donativos, muitos dos quais chegavam através deste gigante bancário americano. O URL da página reproduzida é www.wikileaks.nl. É possível que amanhã já seja outro.
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METÁFORA EUROPESSIMISTA

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A Eurozona é um grupo de 16 alpinistas escalando uma montanha com mau tempo, todos unidos por cordas. Um dos alpinistas – Grécia – já escorregou e está pendurado sobre o precipício. Os outros 15 conseguem segurar a Grécia, embora não seja fácil. Mas há outros em perigo e a Irlanda já está suspensa também, enquanto Portugal começa a escorregar. Logo a seguir, vem a Espanha e, um pouco mais longe, a Bélgica. Se os 3 acabam por cair, ficam 11 países a segurar 5, o que em Maio era considerado o pior, mas pouco provável cenário; e exigirá um esforço aos que se aguentam eventualmente impossível. Sobretudo para a Itália.
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O TIGRE CHINÊS

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Linfen, província de Shanxi, em Fevereiro de 2007. Considerada pelo Banco Mundial a cidade mais poluída do mundo
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Huhan, província de Hubei, em Dezembro de 2009
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Bando de gansos selvagens voa sobre o LagoTai, em Wuxi, província de Jiansu, em Fevereiro de 2005. Wuxi é das terras com mais rápido crescimento na China e o lago está hoje em estado inenarrável
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O CIRCO

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Palhaço rico e vários palhaços pobres
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OUTONO

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Poiares Baptista
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LEAKS DA WIKILEAKS

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José Gonzalez, procurador que investigou a Mafia russa em Espanha, disse a funcionários superiores americanos que não conseguia distinguir as actividades do governo russo das dos grupos de crime organizado.
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Berlusconi admira o estilo machista, decidido e autoritário da governação de Putin, que o PM italiano pensa ser também o seu. Por outro lado, parece que Putin se empenhou grandemente em conquistar a confiança de Belusconi.

Contactos com o Partido Democrático do centro-esquerda, da oposição, e com o próprio partido de Berlusconi, levantam suspeitas de uma ligação mais complicada. Acredita-se que Berlusconi e os seus compinchas estão a aproveitar pessoal e generosamente de muitos dos acordos sobre energia entre a Rússia e a Itália. O embaixador da Geórgia em Roma disse-nos acreditar que Putin prometeu a Berlusconi uma percentagem dos lucros de pipelines instalados pela Gazprom em associação com a ENI.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

DA COR DO LJNHO

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Campo nevado da Suíça atravessado por um cavaleiro solitário
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ASSIM SE AFUNDOU A PÁTRIA

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O Presidente do Governo Regional dos Açores é socialista e, consequentemente, espertinho. Como o Orçamento para 2011 manda cortar 5% em média global nos vencimentos acima de 1.500 euros, inventou uma “remuneração compensatória”, a ser atribuída a quem ganha entre 1.500 e 2.000 euros, de forma a anular o efeito da determinação orçamental. E diz convictamente que ninguém tem nada com isso porque não vai custar nada ao resto do País – será um problema de gestão dos fundos atribuídos à Região Autónoma.


Esta é de cabo de esquadra. Se este senhor pode continuar a pagar mais que o resto de Portugal, é porque está a receber fundos a mais. Ou julgará a Excelência que os outros são parvos. Fazendo o que se propunha fazer, é porque está receber em excesso. Sendo assim, é urgente que o governo central lhe corte, de imediato, a verba que se preparava para gastar em demagogia.

Deram demasiada importância a estes governantes das ilhas, está bem de ver. Agora aturem-nos.
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GRAÇAS A DEUS!

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Portugal, graças a Deus, não foi escolhido para local de realização do Campeonato do Mundo de Futebol em 2018. E porque digo isto (graças a Deus)? Porque um evento que pode dar lucros fabulosos, em Portugal iria dar lucros fabulosos a uns tantos não identificados pela Justiça (é sempre assim), e o prejuízo daí resultante seria pago pelo erário público, ou seja, por mim e todos os outros infelizes contribuintes deste jardim, candidato ao Mundial.

Para 2018, foi escolhida a Rússia que, como reconheceu o seu primeiro Vice-Primeiro Ministro, Igor Shuvalov, não tem infra-estruturas capazes, embora declarando que ultrapassarão todas as dificuldades; ou seja, vai haver muita gente a encher-se de dinheiro, tal como em Portugal, mas será lá longe (graças a Deus).

O Campeonato de 2020 vai para o Qatar, mas aí os que se vão encher de dinheiro já estão cheios de dinheiro, mesmo sem Campeonato (tanto faz, graças a Deus). Como o clima é muito quente, os estádios vão ter ar condicionado. São quatro mil milhões de dólares para melhorar três já feitos e construir mais nove, numa área compacta (o espaço não é muito), com ligação subterrânea entre eles; tudo pelo módico preço de cinquenta mil milhões de dólares. Depois do Campeonato, o Qatar planeia desmontar os estádios, assim como quem desmonta uma tenda, e oferecê-los a países pobres – mais nada!... Assim é que é.

Quanto ao Senhor Blatter, alguns dirigentes da FIFA pensam que anda a fazer-se ao Prémio Nobel da Paz, distribuindo campeonatos por locais exóticos; embora acrescentem que as probabilidades de tal acontecer só existem na cabeça do Senhor. Levará, talvez, um Prémio Nobel da Trapalhice - bem merecido.
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(Em cima à esquerda, o estádio a ser construído em A-Kohr, no Qatar, com capacidade para 45.000 espectadores.)
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SHOCKING...

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O CAVALO ERRADO



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ESCUTEIRO


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SÃO TODOS UMA TERNURA!

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TASSIGNY D' ORIOLA

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Sombras
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FESTA RIJA EM AMESTERDÃO


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(Clique na imagem para ver em ecrã completo)
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CABEÇAS CHEIAS DE LETRAS

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O homem do Século XIX, o Europeu, porque só ele é essencialmente do Século XIX (diz Fradique numa carta a Carlos Mayer), vive dentro duma pálida e morna infecção de banalidade, causada pelos quarenta mil volumes que todos os anos, suando e gemendo, a Inglaterra, a França e a Alemanha depositam às esquinas, e em que interminavelmente e monotonamente reproduzem, com um ou outro arrebique sobreposto, as quatro ideias e as quatro impressões legadas pela Antiguidade e pela Renascença. O Estado por meio das suas escolas canaliza esta infecção. A isto, oh Carolus, se chama educar! A criança, desde a sua primeira «Selecta de Leitura» ainda mal soletrada, começa a absorver esta camada do Lugar-Comum - camada que depois todos os dias, através da vida, o Jornal, a Revista, o Folheto, o Livro lhe vão atochando no espírito até lho empastarem todo em banalidade, e lho tornarem tão inútil para a produção como um solo cuja fertilidade nativa morreu sob a areia e pedregulho de que foi barbaramente alastrado. Para que um Europeu lograsse ainda hoje ter algumas ideias novas, de viçosa originalidade, seria necessário que se internasse no Deserto ou nos Pampas; e aí esperasse pacientemente que os sopros vivos da Natureza, batendo-lhe a Inteligência e dela pouco a pouco varrendo os detritos de vinte séculos de Literatura, lhe refizessem uma virgindade.
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Eça de Queirós ("A Correspondência de Fradique Mendes")
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FOTOS DA ACTUALIDADE

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Rabis levantam um menorah, em frente da Porta de Brandenburgo, ontem em Berlim, marcando o início do Festival das Luzes Judeu, ou Hannukah.
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FOTOS DA ACTUALIDADE

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Bandeiras vermelhas enchem de lixo o chão das ruas de Atenas, Terça-Feira, depois de cerca de mil estudantes terem tentado furar o cordão da polícia em demonstração contra as medidas de austeridade. Como as propinas não subiram, por enquanto, arranja-se outro motivo.
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FOTOS DA ACTUALIDADE

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A “Enron”, até há pouco a sétima maior empresa dos Estados Unidos, envolvida recentemente em enorme escândalo financeiro, pediu hoje, 2 de Dezembro, a falência. Na fotografia, Ken Lay, à direita, CEO da companhia.
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UMA CARTA PARA GARCIA

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Falei, no post aqui em baixo, de entregar a carta a Garcia, coisa que todos fazemos habitualmente fora do contexto, porque entregar a carta a Garcia passou a usar-se como se fosse a simples entrega de uma carta. Mas entregar a carta a Garcia é coisa mais complicada, com conteúdo filosófico e sociológico. Nuno Crato, brilhante professor de Matemática, homem de cultura singular, divulgador científico inspirado, escreveu há mais de sete anos uma das suas crónicas no jornal “Expresso” sobre a Carta a Garcia, com maiúscula, porque não é uma carta qualquer. Com a devida vénia, e porque conheço bem o Professor Nuno Crato, transcrevo a seguir a referida crónica. Sei que ele gosta que o conhecimento seja divulgado.

Uma Carta a Garcia

(Expresso: 13-09-2003)
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O leitor João Arzileiro Carvalho, de Lisboa, escreveu-me há alguns meses a perguntar: «Como surgiu a expressão ‘Levar uma carta a Garcia’?» Só agora respondo, pois demorei muito tempo a reencontrar um livro que tinha lido há anos e que se intitula, precisamente, Uma Carta para Garcia.

Trata-se apenas de um folheto, escrito em 1899 pelo jornalista e escritor norteamericano Elbert Hubbard (1856-1915) e editado em português pela «Seara Nova», em 1963. O seu autor é relativamente desconhecido entre nós, mas a Amazon lista 43 obras suas ainda à venda e muitas outras esgotadas. O Google encontra 36 mil sítios da Internet com referências a esse autor.

Uma Carta para Garcia («A Message to Garcia») foi o maior êxito literário de Hubbard. Imprimiu mais de 40 milhões de exemplares e foi traduzido em dezenas de idiomas. Contava apenas uma história de profissionalismo, mas fazia-o tão bem que inspirou muitas gerações de leitores. O episódio é simples e vale a pena relembrá-lo.

«Quando rebentou a guerra entre Espanha e os Estados Unidos», começa Hubbard referindo-se à guerra de 1898, «era necessário entrar rapidamente em comunicação com o chefe dos insurrectos cubanos. O general Garcia encontrava-se nas montanhas agrestes de Cuba - ninguém sabia onde. Nem o correio nem o telégrafo o poderiam alcançar. O Presidente dos Estados Unidos tinha de assegurar, com a maior urgência, a sua cooperação».

Nessa altura, o Presidente McKinley encarregou um jovem militar chamado Rowan de entregar uma carta ao general. Quatro dias depois, Rowan «desembarcou, de noite, num pequeno barco, na costa de Cuba e internou-se no mato. Ao cabo de três semanas saiu pelo outro lado da ilha, depois de ter atravessado a pé um país hostil e de ter entregue a carta a Garcia».

A história desta viagem é certamente interessante, mas Hubbard diz que não é relatá-la que pretende. «O que desejo sublinhar é isto: o Presidente Mac Kinley deu uma carta a Rowan para a entregar a Garcia. Rowan pegou na carta e não perguntou: ‘Onde é que ele se encontra?’»

«Ora aí está um homem cuja figura devia ser esculpida em bronze», diz Hubbard. E explica, por contraste: «Experimente o leitor: está sentado no seu escritório e tem seis empregados à sua disposição. Chame qualquer deles e diga-lhe: ‘Faça o favor de consultar uma enciclopédia e escrever uma nota breve sobre a vida de Correggio’ (...) Julga que ele irá, sem demora, cumprir a tarefa? (nunca).

Olhará para o leitor com olhos desanimados e fará uma série de perguntas: Quem foi Correggio? Que enciclopédia hei-de usar? Onde está a enciclopédia? Não foi para isto que me empregaram! Não quererá dizer Bismark? Por que não é o Carlos que o escreve? Já morreu? Há pressa? Não será melhor que lhe traga o livro para ver? Para que quer a nota?»

Estes curtos extractos são o suficiente para perceber a tese do livrinho de
Hubbard e para tornar clara a origem e o significado da expressão «levar a carta a Garcia». Mas vale a pena ler o texto original, o que se pode hoje fazer «online», nomeadamente em hermstrom.tripod.com/garcia.html.

Quem se interesse pela cultura científica achará graça à primeira frase do texto de Hubbard: «Um homem destaca-se no horizonte da minha memória como Marte no periélio...» Passadas duas semanas sobre o extraordinário brilho do planeta na sua oposição de periélio, a coincidência é mais que curiosa. Até para ler um panfleto jornalístico, velho de mais de 100 anos, é útil perceber um pouco de astronomia.

Nuno Crato
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Nota - O site indicado pelo Professor Nuno Crato está desactivado actualmente. Pode ler o texto original da "Carta" clicando aqui.
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UMA CARTA A GARCIA - VÍDEO

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A história da "Carta para Garcia", contada neste vídeo, é do autor da Carta, Elbert Hubbard. Pode ler o texto clicando aqui.
O impressionante é terem sido impressos mais de 40 milhões de cópias em todo o mundo.
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IRLANDA - SETE MILHÕES DE PRAGAS

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Dublin, ontem à tarde
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Um mal nunca vem só, diz-se e diz-se bem. Pelo menos os irlandeses acham. Com condições meteorológicas Árcticas, a Irlanda está sem transportes públicos; sem distribuição para entrega de mercadorias; com o comércio sem clientes; a indústria parada por falta dos operários, sem condições para chegarem às fábricas; o mesmo para os serviços; as escolas fechadas; as urgências hospitalares em pletora com fracturas por quedas e situações de hipotermia e infecções respiratórias; os bancos de sangue sem ele (os bancos propriamente ditos há muito que estão também vazios...); os aeroportos fechados, os ferries parados; os correios impedidos de levar a carta a Garcia; e as companhias de electricidade sem poder fornecer energia em muitos locais por danos causados na rede pelos relâmpagos. O serviço das estradas gasta 3 a 4 mil toneladas de sal por dia na tentativa de as manter utilizáveis.

Se metade da força de trabalho chegar ao emprego meia hora mais tarde por causa do tempo, isso corresponde à perda de 49.300 dias de trabalho, correspondente a um prejuízo de 7 milhões de euros. Não há dúvida que os deuses, às vezes, mandam coisas terríveis a um país. O Egipto teve dez pragas - das águas em sangue, rãs, piolhos, moscas, doenças dos animais, sarna, saraiva com fogo, gafanhotos, trevas e morte dos primogénitos - e acho que nunca mais se endireitou. Nenhuma destas calamidades, contudo, se compara com o que a Irlanda está a passar: a Irlanda não sofre dez pragas; está a sofrer 7 milhões de pragas – até agora - e ameaça nunca mais se endireitar também. E não estou a referir o FMI porque essa praga não é quantificável, prontes.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A GRAÇA DE QUEM TEM GRAÇA

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YOUTUBE SYMPHONY ORCHESTRA

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ARTE DA CAVALARIA

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Estampa nº 49, Pag. 316, do livro "Luz da Liberal e Nobre Arte da Cavalaria", de Manuel Carlos de Andrade (1790)
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PASSEIO NA PRAIA

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A TRADIÇÃO AINDA É O QUE ERA

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O livro cuja capa é reproduzida em cima, da autoria de Agnes M. Goodall, foi publicado em 1909 em Londres e é uma monografia sobre o nosso País. Tem gravuras a cor, algumas das quais bonitas, cujo autor não consegui perceber quem era. A que se vê em baixo é uma delas, com o título "Uma quinta isolada".
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Bela cor e inspirada perspectiva
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Hei-de publicar mais gravuras do livro, mas agora trago-o aqui para mostrar uma passagem a páginas 20. Diz assim, sobre Lisboa: As pessoas que se vêem nas ruas são predominantemente pequenas e escuras e, a julgar pelo modo como permanecem a conversar, algumas vezes durante horas, não parecem ter muito que fazer. Caminhando pelas principais ruas da cidade em qualquer tarde, vêem-se pequenos grupos de homens encostados às paredes, ou no passeio, de braço dado, impedindo a passagem das outras pessoas e conversando animadamente (fim de citação). Baixa produtividade era um facto em 1909 e foi zelosamente conservada até hoje como ex-líbris da Nação. Ah ganda português!...
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GLOBALIZAÇÃO OU MANOBRAS CONCERTADAS?

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Confrontos no centro de Roma entre a polícia e estudantes em protesto contra as novas propinas: o mundo está cada vez mais igual. Globalização das reacções? - depois da Inglaterra, a Itália. A seguir, será outro país europeu; talvez Portugal. Berlusconi acha que os verdadeiros estudantes estavam em casa e talvez tenha razão.
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FUNDAÇÃO CIDADE DE GUIMARÃES

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Cristina Azevedo
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Fundação Cidade de Guimarães, gestora da “Capital Europeia da Cultura de 2012”, da responsabilidade da Câmara Municipal de Guimarães. Encargos com remunerações:

- Cristina Azevedo - Presidente do Conselho de Administração

14.300 € (2 860 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 500 € por reunião

- Carla Morais - Administradora Executiva

12.500 € (2 500 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião

- João B. Serra - Administrador Executivo

12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião

- Manuel Alves Monteiro - Vogal Executivo

2.000 € mensais + 300 € por reunião

Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se destacam Jorge Sampaio, Diogo Freitas do Amaral, Adriano Moreira e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 €.

Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano, em salários. Como a Fundação vai manter-se em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros !

Administradores de uma fundação municipal ganham mais do que o PR e o PM. Esta obscenidade acontece numa região, como a do Vale do Ave, onde o desemprego ronda os 15 %.
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ARTE ABSTRACTA

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Não precisa representar nada a pintura para ser uma beleza. Este é um conceito mais que conhecido e continua a ser objecto de reserva à arte abstracta. O problema resulta dos oportunistas sem génio e dos cabotinos que os bajulam por razões variadas.
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PRIMEIRO DE DEZEMBRO

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Na perspectiva histórica de um País com perto de 900 anos, o penoso caminhar numa crise comparável à vivida nos tempos da I República cujo centenário este ano faustosamente se comemorou, permite-nos retirar diversas conclusões.

Comecemos pela circunstância de a República, fundada pela força que derrubou um Regime Democrático, nunca, até aos nossos dias, haver sido legitimada pelo voto popular.

Significativo é, também, o facto de o regime republicano, nas suas várias expressões, não ter tido capacidade para resolver nenhum dos problemas de que acusava a Monarquia e o facto de que as Democracias mais desenvolvidas e estáveis da Europa serem Monarquias.

As nossas três Repúblicas do séc. XX nasceram de três golpes militares após os quais os governantes se lançaram a reorganizar a sociedade, com os resultados que agora estão à vista. [...]

[...] Com efeito, a expectativa inicial do projecto europeu que a generalidade dos membros abraçou e que se assumiu, na sua origem, como um projecto de cooperação entre Estados - com os mais ricos a ajudarem os mais pobres - corre o risco de passar, rapidamente, de miragem a tragédia, com os mais fortes a ditarem regras e a impor sanções aos mais vulneráveis. [...]

[...] Havendo tantas necessidades de apoio às populações seria desejável dinamizar as antigas tradições de voluntariado, recorrendo também aos serviços dos beneficiários de subsídios do Estado, como condição para receberem esses subsídios. Receber subsídios sem dar a sua contribuição para a sociedade equivale a receber esmolas, o que não é bom. [...]

[...] Deixo para os especialistas apontarem os factores da crise que nos fustiga, fazerem os diagnósticos acertados, apontarem as vias de solução. Mas não posso deixar de dizer que é urgente arrepiarmos o caminho que nos trouxe à gravíssima crise económica e financeira que atravessamos, como venho denunciando desde há anos. [...]

Estes são excertos da mensagem de D. Duarte de Bragança no dia da comemoração da independência de Portugal (pode ler e mensagen na íntegra, clicando aqui).

Curiosamente, as cerimónias comemorativas da restauração da independência de Portugal são bem mais modestas que os ritos de regozijo pela implantação da República em 5 de Outubro; talvez porque a Maçonaria, musa inspiradora republicana desde 1910, acha essa coisa da independência uma baforada monárquica. A infelicidade é que todos os ainda vivos nasceram, cresceram e envelheceram sob a influência dessa instituição mais ou menos sinistra, e apesar dela. E, sendo como o monóxido de carbono, que mata sem se ver, sentir, ou palpar, vivemos com ela como vivemos com a traça, mas devíamos tomar mais cuidado.
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ANONIMATO

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Aqui está uma pintura figurativa muito bonita, mas não porque representa bem uma mulher elegante. Antes pelo enquadramento feliz no fundo neutro, pelas cores do cabelo, do vestido e da pele, e pelo gesto, muito bem conseguido.
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