terça-feira, 6 de maio de 2014

CONTEMPLAÇÃO

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O ALVOR DA BIOMETRIA

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Ontem, dia 5 de Maio, passaram 109 anos desde que uma impressão digital foi usada num tribunal inglês, servindo de prova bastante para condenar dois bandidos. Em Março desse ano, Thomas e Ann Farrow foram mortos e roubados na sua loja, em Londres. Nessa manhã, Alfred Stratton havia sido visto a rondar a loja. Foi preso, juntamente com seu irmão Albert.
A polícia tinha encontrado uma impressão digital feita com sangue na tampa da caixa arrombada onde os Farrows guardavam o dinheiro. Comparando com as impressões dos irmãos, correspondia ao polegar direito de Alfred. O júri considerou a prova satisfatória e os irmãos foram considerados culpados e enforcados. Estava aberto o precedente, a constituir jurisprudência.
Curiosamente, o registo das impressões digitais havia começado na Índia, para controlo do pagamento de pensões aos indianos reformados.  Os funcionários britânicos não tinham meio de distinguir um indiano de outro e, desse modo, qualquer podia receber uma pensão que não lhe pertencia. A solução foi a de deixarem a impressão digital para a receber. Só mais tarde a Scotland Yard começou a trabalhar nisso, pela mão de Henry Faulds, o pai de tal sistema de identificação em Inglaterra. Pouco depois, o método viria a ser importado pelos Estados Unidos e, mais tarde, praticamente por todo o mundo.
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A POSE

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SOARES TEM AMNÉSIA

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Mário Soares falou. Aliás, fala todo os dias. Segundo Morais Sarmento, referindo-se ao militares de Abril, estes estiveram para as celebrações do 25 de Abril como Mário Soares tem estado no comentário político: fora de prazo. Um prazo que já caducou há muito tempo—a bem dizer, desde a infância do "senador" candidato a inquilino do Panteão Nacional. E que disse Soares?
Burrices, naturalmente. A páginas tantas, esta pérola, segundo os jornais (transcrevo): "Este Governo nunca falou em direitos humanos, como nunca falou com o povo, desde o Presidente da República aos membros do Governo", notou Mário Soares, justificando essa ausência com os governantes atuais "serem vaiados cada vez que saem à rua".
"Não podem sair à rua e nunca se viu uma coisa assim no país".
Soares tem memória curta: esqueceu as vaias e as bandeiras negras que ouviu e viu quando era Primeiro-Ministro e até um murro em Barcelos e uma "chapada" na Marinha Grande. A idade avançada e o amolecimento cerebral estão a turvar-lhe a lembrança.
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segunda-feira, 5 de maio de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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O BEM-AMADO KIM

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Provavelmente planeada, houve uma "fuga" de informação na China sobre os planos do País para a possível queda do regime na Coreia do Norte. Segundo o "Telegraph", a fronteira entre os dois Estados será rigorosamente controlada, os líderes norte-coreanos que surjam serão internados para não poderem desenvolver qualquer actividade a partir da China e estão previstas acções para a eventualidade de intervenções militares estrangeiras, provavelmente da Coreia do Sul e dos Estados Unidos. O documento refere ainda que a China não pode estar exposta a uma guerra, no "pátio das traseiras", de um país que tem armas atómicas.
A fuga não augura nada de bom para o Querido Líder Kim Jong-un, mas também não se perde nada. O pior já aconteceu, que foi o facto de ele ter nascido.
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PASSOS COELHO DISSE UMA VERDADE !

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A respeito da "saída limpa"—antes da próxima "entrada suja"—Passos Coelho disse uma verdade, para variar:

A CRISE PODERIA E DEVERIA TER SIDO EVITADA.

Tal e qual.

E quando se chamam os responsáveis pela crise à responsabilidade?
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OS PEQUENOS VELEIROS

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'CATUSKOTI'

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Um filósofo budista chamado Nagarjuna dizia que a natureza das coisas é não ter natureza. A não natureza seria a sua natureza porque só têm uma natureza que é a não natureza.
O princípio budista chamado catuskotique significa quatro cantos—postula que uma afirmação pode ser verdadeira (e só verdadeira), pode ser falsa (e só falsa), pode ser verdadeira e falsa, e pode não ser nem verdadeira nem falsa.  
Mais ou menos na mesma época, a 5.000 km de distância, Aristóteles formulava o Princípio da Exclusão do Terceiro, que diz ser uma afirmação verdadeira ou falsa, sem outra hipótese, e o Princípio da Não-Contradição que exclui a possibilidade de uma afirmação ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo.
Matérias de chacha que têm consumido muita energia encefálica. Euclides, a este respeito, saiu-se com esta frase: "Esta frase é falsa".  Ganda Euclides! Se a frase é falsa, é verdadeira; se é verdadeira, é falsa—ou seja, a frase é verdadeira e falsa simultaneamente. E esta, hein?!
Mas, para complicar um nadinha mais—não muito, porque não é saudável—recordemos Bertrand Russell, um janota também engraçado, com muito "fósforo".  Russell saiu-se com outra, em 1901: Alguns conjuntos são membros deles próprios. O conjunto de todos os conjuntos, por exemplo, é um conjunto; logo pertence a ele próprio. Mas alguns conjuntos não são membros deles próprios? O conjunto de gatos não é um gato, logo não é membro de si próprio. Mas, e o conjunto de todos os conjuntos que não são membros deles próprios? Se é membro dele próprio, não é. Mas se é, então é. O Princípio da Não-Contradição vai pelo cano. Aplica-se o catuskoti. Ainda bem que Russell nasceu muito depois de Aristóteles!
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ESPANTO !

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QUANTO ESPAÇO OCUPAMOS ?

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Há 7,2 mil milhões de seres humanos no planeta Terra. Imagine que reunia todos  no mesmo local. Impossível—é muita gente e toda junta não cabe em sítio nenhum, dir-me-á! Talvez no Estádio da Luz mas, mesmo assim, será muito difícil. E no Grand Canyon? Até aí é complicado!
Acha? Olhe que não, olhe que não... Veja a insignificância que seríamos juntos, incluindo chineses e tudo, no Grand Canyon. Exactamente! É essa imagem que está aí em cima!

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Há coisas extravagantes! Pessoas que contam o inesperado—por exemplo, 10^80 partículas elementares no universo observável e 1,458x10^227  coisas que podem ser pensadas ou imaginadas (dizem eles). A saliva que produzimos uma vida inteira não chega para encher uma piscina olímpica; e os grãos de areia no nosso planeta são 7,5x10^18!
Por enquanto, suponho, ainda nenhum foi preso, ou internado—andam à solta! Espero que não se tornem agressivos.
Veja aqui o vídeo completo com um janota engraçado a falar disso. E não se assuste quando ele irrompe em cena, de baixo para cima!
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domingo, 4 de maio de 2014

OS GRANDES VELEIROS


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Os clippers regressam a casa
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'NOBODY KNOWS MY SORROW'

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Darwin escreveu—em 1872, no livro "A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais"—que a tristeza se expressa da mesma maneira em todas as culturas. Sendo a tristeza uma emoção tão generalizada, é legítimo admitir que há razões para ter sido poupada pela evolução. O lógico, numa análise superficial, seria ter sido eliminada pela selecção sexual em consequência da provável dificuldade dos tristes acasalarem. Mas não. Estudos antropológicos sugerem mesmo que têm charme!
Como pode um traço negativo, ou aparentemente negativo, constituir factor de atracção, "bem visto" pela selecção natural? Olhando à volta, constatamos que não é caso único. Por exemplo, a cauda do pavão, uma cangalhada imensa agarrada ao corpo, dificultando a mobilidade e tudo que isso envolve em termos de defesa, devia tê-lo liquidado há muito tempo. Ou as complicadas hastes do veado que, em termos de funcionalidade, não se afiguram muito inspiradas.
Para o biólogo israelita Amotz Zahavi, há nesta matéria um problema de custo/benefício. Em termos muito esquemáticos e excessivamente simplificados por falta de espaço, Zahavi defende mais ou menos que o pavão, o veado e o homem triste dizem ao mundo serem tão fortes que os seus genes podem suportar o handicap de arrastar uma cauda medonha, hastes que não lembram ao Diabo e uma personalidade assim sem que isso os afecte.
Há mesmo povos cuja cultura envolve muita tristeza. Embrulhada nos blues, viajou de África para o Novo Mundo, por exemplo; é exaltada na expressão japonesa 物の哀れliteralmente beleza das coisas tristes; e o famoso verso de Vinicius tristeza não tem fim é conhecido em todo o mundo letrado. Aliás, Claude Lévi-Strauss escreveu, em 1955, depois de uma viagem ao Brasil, um livro de sucesso chamado" Tristes Tropiques". Parece que tristeza é o que está a dar mais agora, vejam lá. Os portugueses podem estar satisfeitos por terem os políticos que têm.
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VODAFONE

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VALORES DE ABRIL

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Não há dia em que não se ouça falar—de manhã, à tarde e à noite—dos valores de Abril. E muito bem, como diria o Dr. Soares. Só que ninguém explica o que é essa coisa dos valores de Abril; ou se explica, explica mal, porque há várias teorias.
Depois de fazer a revisão cuidada da matéria, fiquei com dúvidas ainda assim. Eram os valores de Abril o programa do Partido Comunista, que esteve quase a montar o cavalo do poder? A montar o cavalo do poder? Que digo eu? Que montou o cavalo do poder e foi depois apeado no 25 de Novembro. A ser assim, os valores de Abril foram atraiçoados, sim senhora e senhor.
Ou eram os valores de Abril as prisões arbitrárias feitas por populares de extremíssima esquerda apoiados por militares do MFA, verbi gratia Otelo Saraiva de Carvalho, comandante do COPCON? Ou as ocupações selvagens de propriedade privada, feitas por populares de extremíssima esquerda apoiados rebabá? Ou os saneamentos "à Saramago", nos jornais, nos hospitais, nos quarteis e em todo o lado onde havia "fassistas"? Ou rebabá? A ser assim, os valores de Abril foram atraiçoados, sim senhora e senhor.
Ou eram as gestões ruinosas de sucessivos governos constitucionais que, de tombo em tombo, com três declarações de falência em menos de 40 anos (duas pela mão do Dr. Soares), nos meteram neste fundo de saco em que estamos? Se eram, então a corrida em pêlo do Zezito foi uma traição aos valores de Abril, sim senhora e senhor. 
Ou eram uma Justiça de carregar pela boca que deixava fugir os grandes corruptos e punia quem fazia a rifa de um bacalhau, com bilhetes a um euro, para angariar fundos para a festa da santa, devoção da terra? Se eram, então os valores de Abril não estão atraiçoados porque a Justiça continua exactamente nessa situação, imaculadamente igual e rasca.
O Dr. Soares se me conhecesse—felizmente, não conhece—, diria que também sou fascista; na melhor das hipóteses neo-liberal, defensor do capital usurário, ou coisa ainda pior: advogado da austeridade—que mata, como disse muito bem o Papa Francisco, acrescentaria. Não fosse esse o caso, e tivesse eu acesso ao pensamento mais profundo do Senador candidato ao Panteão Nacional, tomaria a liberdade de lhe pedir para me explicar melhor o que é essa coisa dos valores de Abril. Assim de repente, só me ocorrem os almoços de cozido à portuguesa comidos pelo coronel Vasco Lourenço no restaurante da Associação 25 de Abril, mas esses não estão em falta. Nesse aspecto, nem percebo porque o coronel se queixa—tenho a certeza que não os comia no 25 de Abril de 1974 e agora come. Nota-se nas bochecha e não só.
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BLUE ANGELS

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Os Blue Angels, da aviação da Marinha dos Estados Unidos. Palavras? No way!
Clique aqui e veja depois em ecrã completo—muito bonito
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(Com colaboração de J. Castro Brito)
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DECEPÇÃO

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Acho que já vi melhor...
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DE FACA E ALGUIDAR

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AQUI FORAM ARRASADAS E SALGADAS AS CASAS DE JOSÉ MASCARENHAS, EXAUTORADO DAS HONRAS DE DUQUE DE AVEIRO E OUTRAS CONDEMNADO POR SENTENÇA PROFERIDA NA SUPREMA JUNCTA DE INCONFIDÊNCIA EM 12 DE JANEIRO DE 1759. JUSTIÇADO COMO UM DOS CHEFES DO BÁRBARO E EXECRANDO DESACATO QUE NA NOITE DE 3 DE SETEMBRO DE 1758 SE HAVIA COMETIDO CONTRA A REAL E SAGRADA PESSOA DE D. JOSÉ I. NESTE TERRENO INFÂME SE NÃO PODERÁ EDIFICAR EM TEMPO ALGUM.
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O transcrito em cima, é o que se lê na base da coluna construída no Beco do Chão Salgado,  muito perto da loja dos pasteis de Belém, mandada erigir no reinado de D.José I, na sequência de uma série de acontecimentos de faca e alguidar. Pode ler a história no blog de Carlos Neves "Coisas com imagem FOTOGRAFIAS".

Notas
As fotografias aqui publicadas são minhas, diferentes das de Carlos Neves, no blog dele. Não são melhores, mas não são copiadas.
A história não é aconselhável a pessoas impressionáveis.
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sábado, 3 de maio de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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Os clippers
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O BANCO DO JARDIM

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DITOS

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Estar adaptado a uma sociedade profundamente doente não é sinal de saúde.

Jiddu Krishnamurti

FIGURAS DO SOL NASCENTE

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(Lisboa, 01-05-2014)
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PONHA AQUI O SEU DEDINHO

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Já reparou o pouco que se escreve à mão nos dias que correm? Uma assinatura nos raros cheques que se usam; uma rubrica no papel do homem que entrega correio registado; às vezes—raramente—uma nota na agenda e pouco mais. A escrita manual está a transformar-se numa coisa assim como tocar cítara, forjar ferraduras, ou participar em torneios a cavalo.
Antigamente, dizia-se que a escrita de cada um dava informações sobre a personalidade. Agora, na melhor das hipóteses, diz se a pessoa nasceu há mais de 30 anos ou há menos. E estou a falar da escrita em maiúsculas de imprensa porque, se vamos para a chamada escrita cursiva, temos que considerar os últimos 50 anos.
Agora escreve-se nos processadores de texto—pouco!—nos SMS com ortografia "Vodafone", nos emails e no Facebook e equivalentes: mais nada.
Não digo isto com ar de queixinhas, apesar de ser por princípio contra modernices—cristalizei, pronto. Mas li que a caneta a deslizar no papel estimula o cérebro como nenhuma outra coisa; que a imagiologia mostra activação do cérebro em áreas relacionadas com o raciocínio, a linguagem e a memória; que há estimulação das sinapses e da sincronia entre os hemisférios cerebrais esquerdo e direito, rebabá. Contudo, não há nada a fazer. Acabou. Em breve, nem cheques. Um dia destes, vieram a minha casa entregar cápsulas de café e tive de fazer um rabisco com um palito de plástico no ecrã de um aparelho que o funcionário trazia. Na próxima vez, é biométrico: ponho lá o dedo indicador e já está! Não tenho cabeça para isto.
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ÓH ÉGUA !

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Na Quarta-Feira, 30 de Abril, nos arredores de Baltimore, um deslizamento de terra, na sequência de chuva intensa, arrastou vários automóveis e muita lama para um tombo de mais de 25 metros, em cima de uma linha férrea. Veja o vídeo, que é curto, até ao fim e não perca a parte melhor. Ou pior?
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PORTA 6 A

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Já conheceu melhores dias
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PALÁCIO DOS CONDES DA CALHETA

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Traduzindo uma arquitectura residencial, barroca, este palácio foi construído em meados do séc. XVII, provavelmente por iniciativa de D. João Gonçalves da Câmara, 4º conde da Calheta, como residência de veraneio. Adquirido pelo rei D. João V no séc. XVIII, em 1726, o palácio foi objecto de reedificação. Foi palco do processo dos Távoras, acolheu personalidades reais de visita a Portugal, foi residência de vários funcionários aposentados da Casa Real, acolheu o Jardim Colonial em quinta anexa, a partir de 1914, o Museu Agrícola Colonial, a partir de 1916, assim como a secção colonial da Exposição do Mundo português em 1940. Na década de 40 foi objecto de obras de restauro no sentido de devolver ao edifício a sua feição de casa nobre setecentista. Actualmente, aí está instalado o Centro de Documentação e Informação do Instituto de Investigação Científica Tropical.
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SANTO POR DECRETO

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João XXIII e João Paulo II foram canonizados no Domingo. Hoje, Anselmo Borges escreve no DN sobre isso. Fica claro que Anselmo Borges não concorda com canonizações—pelo menos da forma como são feitas. A última frase do seu artigo é esta: Também nisto, estou com a minha irmã, que diz: «Eu ligo pouco a estas coisas. Eu sou como o nosso pai que só rezava ao Nosso Senhor».
Para ser franco, nunca percebi como apareceu esta coisa de dizer, cá em baixo na terra, onde estão as almas dos que morreram. Quem tem fé, verdadeira e inteligente, não acha uma petulância dizer-se ao mundo que é ao Sumo Pontífice—usando palavras de Borges—que compete o direito de "decretar" se o servo de Deus em causa merece ou não ser proposto como exemplo e modelo para a devoção e imitação dos fiéis? O poder de "decretar" ou não "decretar" a qualidade de santo de cada um parece pouco compatível com a filosofia religiosa contida no cristianismo. Posso estar a ver mal mas, depois de ler Borges, não me acho só.
A folhas tantas, Borges escreve esta coisa inesperada para mim: "Foi por Celso Alcaina que soube do número de pessoas envolvidas numa canonização: uns 24 funcionários permanentes na Congregação para as Causas dos Santos, 14 advogados de defesa, 2 promotores da fé, 20 cardeais, 10 relatores, 228 postuladores adscritos, 70 consultores, muitos peritos em diferentes assuntos, vários notários. Pode-se, pois, imaginar as somas de dinheiro que esta parafernália burocrática custa, percebendo-se os perigos de discriminação em que ficam homens e mulheres verdadeiramente santos, pois levaram uma vida heróica, no cumprimento do dever e na entrega aos outros, mas que não têm suporte financeiro, publicitário, político. Pergunto sempre: porque é que não se canoniza o Padre Américo e tantos casais exemplares?" E, logo a seguir, cita o teólogo J. M. Castillo:  Num dos estudos mais fiáveis que se fizeram mostra-se que «de 1938 casos examinados de santos canonizados, 78% pertenceram à classe alta, 17% à classe média e só 5% à classe baixa».  Isto é—oficialmente, digo eu—há mais ricos santos que pobres santos—embora Cristo achasse que "é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus".
A burocratização de qualquer religião é o pior que pode acontecer-lhe. Temos por aí exemplos flagrantes e lamentáveis: a Cientologia, a Igreja Universal do Reino de Deus e por aí fora. Em minha opinião, Cristo não as aprovaria, embora não as "excomungasse", prática fora da sua mensagem. Fico sem saber que diria Cristo sobre 78% de canonizações de ricos, 17% de gente da classe média e só 5% de pobres. Mais: gostava de saber o que pensava Cristo sobre as canonizações!
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SHINZŌ ABE

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O Primeiro-Ministro japonês, quando esta manhã saía da visita aos Jerónimos, no meio de enorme entusiasmo dos seus compatriotas/turistas ali presentes. Muitos—quase todos, se não todos—tiveram de vir a Portugal para ver o Primeiro-Ministro da Terra do Sol Nascente em carne e osso.

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sexta-feira, 2 de maio de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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USS "Ontario"
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PRIMAVERA

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DITOS

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O problema não é manter a saúde. O problema é arranjar uma doença de que se gosta.

Jackie Mason

O RABO

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PALHAÇO RICO

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O vídeo em cima é uma passagem da interpretação do "Requiem Hiroxima" pelo Coro de Jovens de Nova Iorque e, até há pouco tempo, da autoria de um japonês chamado Mamoru Samuragochi, até há pouco tempo surdo, até há pouco tempo conhecido por Beethoven japonês, até há pouco tempo compositor inspirado, até há pouco tempo um professor de música chamado Takashi Niigaki ter surgido na televisão do Japão a informar que Samuragochi não conhecia uma nota musical, não era surdo, mas era um aldrabão e que era ele, Niigaki, o verdadeiro autor da música alegadamente composta por Samuragochi. O há pouco tempo foi o dia 24 de Fevereiro deste ano, durante os Jogos Olímpicos de Inverno, em Sochi.
Complicado? Só um bocadinho. O professor parece que ganhava melhor a vida assim e só interrompeu a marcha do logro porque uma patinadora russa ia actuar com música "de Samuragochi" e ele achava que não podia fazer isso à jovem, Daisuke Takahashi.
Estão a ver bem a lata das pessoas? Parece que ultimamente Niigaki pedia mais dinheiro a  Samuragochi com a ameaça de o denunciar e este contra-atacava com a ameaça de se suicidar se ele fizesse tal.
Não suicidou e desapareceu pela esquerda baixa.
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(Pode ver o vídeo completo, com aparecimento do palhaço no fim, clicando aqui)
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SOBRE A PALETE

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Está a ver aquela coisa tosca de madeira não tratada, habitualmente suja e empilhada nas traseiras dos supermercados, nos passeios junto a obras, no Cais de Alcântara e na garagem do vizinho? É isso mesmo: são as paletes! Uma coisa horrível, não acha? Acha?!!! Olhe que não, olhe que não...
Pegue num conjunto de objectos, sejam ostras, penicilina, adoçante, ratinhos de laboratório, arame de cobre, rebabá, ponha-os numa palete universal et voilà: uma unidade de carga! Uma das maiores descobertas da humanidade para manipulação de cargas, quase como a roda. Exagero?! Não senhor.
Nos Estados Unidos circulam dois mil milhões delas e no mundo nem se sabe: mas o número deve ser de cair para o lado, mesmo sem contar a que tem na cave com um saco de cimento em cima.
E agora que disse serem horríveis, informo-o que são usadas por arquitectos, artistas plásticos e encenadores para fazer arte. Permitem construir linhas paralelas—com espaços vazios e iguais entre elas—e o aspecto rude da madeira em bruto com cores claras e por aí fora dão muito pano para mangas.
Nem se sabe há quanto tempo existem, mas começaram a ser usadas em grande estilo na II Guerra Mundial para abastecer, com tudo que é preciso aos exércitos, oito milhões de soldados americanos—8.000.000! Hoje, o fabrico de paletes pelo Tio Sam consome 12 a 15% de toda a madeira produzida nos Estados Unidos, o maior consumo, a seguir à construção civil. E há, aproximadamente, quarenta mil trabalhadores  no negócio das paletes: colectores de paletes no lixo, recicladores, fabricantes, consultores económicos, académicos de várias áreas, ladrões de paletes e funcionários comerciais e de associações relacionadas com elas.
A clássica palete "branca", de madeira, tem um inimigo: a palete azul, de plástico, de uma empresa australiana. A CHEP—assim se chama essa empresa—não vende paletes: aluga-as! Podem dar três voltas ao mundo e ficarem reduzidas a esterco, mas continuam a ser da CHEP e a CHEP não abdica da propriedade, mesmo que a encontre na sua garagem e o leitor, que a comprou, não saiba que aquela tralha era deles. Se não lhes devolve gratuitamente a palete, vai parar a tribunal. E olhe que eles trabalham também em Portugal—veja no Google.
A guerra entre os dois tipos—"branca" e azul—é uma história de faca e alguidar. Mete de tudo, desde afirmações de que a palete "branca" tem salmonelas, até deixar roubar as azuis, para evitar a despesa do transporte de longe, e depois pedir a devolução nos tribunais, há de tudo. Gente fixe.
Portanto, quando cruzar com uma pilha de paletes, não faça essa cara de desprezo que costuma fazer. Acho mesmo que devia tirar-lhe o chapéu.
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RAY-BAN

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TÃO ESPERTOS QUE ELES ERAM . . .

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A construção das pirâmides do Egipto exigiu o transporte de enormes blocos de pedra e estátuas, ao longo de distâncias muito grandes do deserto. Como conseguiram os egípcios de então a força necessária para tal trabalho, sabendo como é difícil o transporte sobre a areia?
É uma boa pergunta a que físicos da Universidade de Amesterdão parece agora serem capazes de responder. Uma pintura mural no túmulo de Djehutihotep mostra claramente  um jagodes, sobre a parte da frente da espécie de trenó que usavam para o transporte, a deitar água na areia, enquanto o trenó era puxado à força de braços—muitos! (Figura 1). A ideia era dar à areia, constituída por muitos pequenos grãos, a consistência mais favorável ao deslizamento. A água, na quantidade certa, preenche o espaço entre os grãos da areia, cria como que "pontes" entre eles, ou seja, aumenta a sua coesão, e diminui a tendência para o conjunto se deformar (Figura 2). A areia pode ganhar o duplo da rigidez—se a operação for bem feita—e os trenós deslizam muito melhor. E esta, hein?
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quinta-feira, 1 de maio de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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"Wasp" e "Frolic"
(Guerra Naval)
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DITOS



Tenho gostos muito simples. Satisfaço-me sempre com o melhor.

Oscar Wilde

FOTOGRAFAR

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LER

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Ler! Ler o quê? Ler qualquer coisa: o jornal, um romance, um tratado de Anatomia, a cotação da bolsa, rebabá. Qual a melhor forma? Depende. Há opiniões, fruto de pontos de vista diferentes. Há o que diz, referindo-se ao papel das folhas, que naquelas árvores mortas ainda há muita vida, e o que diz: papel é bom é para embrulhar açúcar ou castanhas. Posições respeitáveis, mas não contemplam o que está em causa. A escrita é forma de comunicar, transmitir e armazenar ideias, e a pergunta é: qual o suporte mais eficaz para o conseguir?
Primeiro é preciso ter consciência que ainda convivem gerações nativas da comunicação escrita exclusiva em papel  e gerações nativas da era da electrónica. Naturalmente, o livro é visto de maneira muito diferente por cada uma. Depois, há o lado lúdico. Conheço pessoas que seguramente consideram sacrílego ler o Padre António Vieira num iPad e gente que nem lê o Padre António Vieira. Adicionalmente, entre outras coisas, o suporte em formato digital tem melhorado muito, como o Kindle por exemplo, e objecções antigas ao digital deixaram de ter razão de ser.
Uma das desvantagens da leitura em suporte electrónico parece ser o facto de não se ver a página na totalidade, o que exige a deslocação do texto para baixo ou para cima (scrolling). Distrai e, por vezes o leitor "perde-se". Contudo, no Kindle isso já não acontece. A vantagem são os links, ou seja, a possibilidade de, no meio da leitura, poder ver-se outro texto complementar do primeiro, embora daí resulte que de link em link, o leitor possa ler muito, até demais, e nada daquilo com que começou—despista-se.
Se tem facilidade de ler inglês, e se se interessa por estas coisas, aconselho vivamente a leitura de um artigo intitulado "Why the Smart Reading Device of the Future May Be Paper", publicado no site wired.com. Vale a pena.
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TORNAR A EUROPA NOVAMENTE SELVAGEM

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Portugal entra no plano (Oeste Ibérico)
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CHAPÉUS HÁ MUITOS

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NÃO FAÇAM ONDAS

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Há a anedota do fulano que cai numa fossa, fica com a boca dois centímetros acima do nível superior do caldo fecal e, quando alguns amigos tentam ajudá-lo, só pede que não façam ondas. Em Portugal, muita gente vive o mesmo drama. Pelo menos, foi essa a convicção com que fiquei ao ler o jornal "Público" de hoje, dia do trabalhador. Não vou inventar nada, não vou fazer variações, mudar coisa nenhuma do que li. O que se segue, e o que pode ler num blog de apoio a este, é mero trabalho de copiar e colar. Mas é esclarecedor.
A primeira parte é uma notícia de ontem e aqui ficam dois excertos:

[...] Prisão preventiva. Foi essa a medida de coacção aplicada ontem pelo juiz Carlos Alexandre ao ex director-geral de Infra-estruturas e Equipamentos do Ministério da Administração Interna João Alberto Correia, depois de um interrogatório que durou várias horas e decorreu no Tribunal Central de Instrução Criminal. [...]

[...] Já no início dos anos 2000, o Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do MAI (GEPI), organismo que mais tarde foi transformado na actual DGIE, tinha estado no centro das atenções da IGAI, então dirigida pelo procurador-geral adjunto Rodrigues Maximiano. Uma auditoria concluída em 2002 apontou para a existência no GEPI de numerosas “irregularidades/ilegalidades” na contratação de obras e de serviços diversos.
As conclusões dos auditores da IGAI levaram o então inspector-geral, António Morais, a pedir a sua exoneração, tal como João Alberto Correia fez em Fevereiro. Morais — que em 2007 se tornou conhecido por ter sido o professor de três das cinco disciplinas com que Sócrates concluiu a sua polémica licenciatura na Universidade Independente — tinha sido nomeado director do GEPI por Armando Vara, em 1996. Ao longo dos anos em que esteve em funções, a empresa que, de longe, mais concursos ganhou e adjudicações obteve no GEPI foi a Conegil, uma sociedade entretanto falida e liderado por um amigo de Sócrates.
Contrariamente ao que agora sucedeu, as ilegalidades detectadas pela IGAI em 2002 não conduziram a qualquer investigação judicial. [...]

Não faço comentários, porque seriam redundantes. Que mais é preciso acrescentar ao citado?

A segunda parte é um artigo sobre o Director-Geral agora detido, da autoria de Paulo Pena, que tem quase 600 palavras e começa assim:

João Alberto Correia é arquitecto, maçon, professor e influente nos corredores da política governativa. O seu pai também era. Também ele se chamava João. João Rosado Correia, o pai, que morreu em 2002, foi ministro do Equipamento Social do bloco central sob a liderança de Mário Soares. E também viu o seu nome envolvido num escândalo. A 15 de Agosto de 1987, dois anos após a sua saída do Governo, a sua foto aparecia na primeira página do Expresso: “Ex-ministro trouxe dinheiros de Macau para o PS”. [...]

Pode ler o texto completo aqui.

Depois de tudo lido, visto e respigado, peço ao leitor que não espalhe isto porque é chato. Inclusivamente, porque o senador e pai da democracia de sucesso que nos rege e o seu filho também são personagens da peça. Leia, mas mantenha o maior segredo sobre a matéria que é delicada.
Obrigado e desculpe qualquer coisinha.
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PARA LÁ CAMINHAMOS !

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Ser médico no Século XXI
(Com colaboração do Prof. Poiares Baptista)
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RECORDAR S. LUCAS

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  • Vende tudo o que tens, distribui o dinheiro pelos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me.
  • Não podes seguir dois senhores. Não podes servir a Deus e a riqueza.
  • Bem aventurados os pobres, porque deles é o Reino dos Céus.
Tudo isto está escrito no Evangelho de S. Lucas.
Perguntar-se-á a que título vem a conversa. O título leio-o hoje no "Expresso" online e reza assim: "O Papa e a mansão de luxo do Cardeal Bertone". E diz depois que mesmo ao lado da Casa de Santa Marta, onde Jorge Bergoglio—também Papa Francisco—vive em 70 metros quadrados, Tarcisio Bertone, cardeal e ex-segunda figura da hierarquia católica, vai viver num apartamento de 700 metros quadrados e dois milhões de euros.
Leio depois, também, que Bertone se viu na necessidade de dar explicações públicas  do facto. E que diz Bertone? Diz esta pérola: "O apartamento é espaçoso, como é normal nas residências nos antigos palácios do Vaticano, e foi completamente restaurado à minha custa". Bertone está tranquilo, portanto: gastou muito dinheiro, mas foi tudo à sua custa—Bertone tinha muito dinheiro para gastar em luxos e ninguém tem nada a ver com isso.
Francisco já falou há tempos nessa dos "Príncipes da Igreja" e noutras coisas inaceitáveis. Em Outubro passado, demitiu o cardeal alemão Franz-Peter Tebartz van Elst por este ter feito obras de 31 milhões de euros na sua nova residência paroquial. E se "escava" muito, ficam poucos para contar como foi.
Não me compete ser zelador da fé, nem julgador do comportamento ético de hierarcas católicos. Mas a pergunta é se esses senhores, como Bertone, Tebartz van Elst e outros conhecidos, acreditam de facto na religião em que é suposto acreditarem, e se verdadeiramente estão interessados em salvar as almas dos fieis  no outro mundo, impondo rígidas normas—às vezes cruéis—ou querem apenas salvar-se a eles neste mundo.
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(Comenta de Génova, onde a carta de Bertone foi publicada no semanário católico  "Il Cittadino", D. Paolo Farinella, bibliólogo, pároco no centro histórico e desde sempre empenhado na acção social: «Bertone deve envergonhar-se. É só um homem de poder. Se eu fosse Papa, fá-lo-ia demitir-se já de cardeal. Não se admite, vivemos em contacto com gente que morre de fome, Bertone não se contém, uma vergonha para o Papa que vive em 70 metros quadrados».)
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