sexta-feira, 7 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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UMA IMAGEM PARA HOJE

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DE GARGALHADA




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O PS do Costa é de gargalhada. Os outdoors dos desempregados, dizem os jornais, foram feitos sem autorização das pessoas que lá figuram e a conversa é falsa.
Os figurantes ameaçam processar o PS que já terá assumido o logro ao pedir-lhes desculpa. Não esqueçamos que o director da campanha do PS é Ascenso Simões, o tal da "ausência de uma visão global das ferramentas intrínsecas para a liderança nas ideias com comandamento no terreno". Óh égua!...
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CRUZEIRO

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A LÓGICA E OS PARADOXOS

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Há momentos em que, na ausência de outra opção, podemos ocupar o espírito reflectindo. É um bom exercício mental que ajuda a manter a performance encefálica.
Reflectir sobre quê?—perguntará o leitor impaciente. Há montanhas de temas para pensar. Por exemplo, aqui ficam quatro sugestões que já dão para umas horas. Pegue numa de cada vez e vai ver o pano para mangas que cada uma dá. Aí vão:

  1. Há dois tipos de pessoas no mundo: as que acreditam que só há dois tipos de pessoas no mundo e as outras. 
  2. Observe-se moderação em todas as coisas, incluindo na moderação. 
  3. Esta afirmação é falsa. 
  4. Todas as generalizações são falsas, incluindo esta. 
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SAVEL

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O MARRETA

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António Costa, "O Desejado", depois de dar uma corrida inaceitável a Seguro por este ter ganho as eleições europeias "por poucochinho", subiu ao palco do PS pela mão da "Ordem da Jarreteira", sediada no premonitoriamente chamado Largo do Rato.
Costa, "O Desejado", foi o cabouco onde era suposto nascerem os alicerces de uma estrondosa vitória eleitoral em 2015, enterrando a tropa que nos rege sob os auspícios do bando de malfeitores que dá pelo nome de troika.
As coisas, porém, afiguram-se mais difíceis do que parecia à primeira vista. Eleitor português não prima pela argúcia, mas também não é cego e já percebeu ao que leva a conversa dos socialistas—mais tarde, ou mais cedo, temos os troikanos de volta. O socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros, dizia a Thatcher. O problema é que o dinheiro dos outros agora não acaba, mas sai muito caro—os gregos que o digam—e os portugueses não querem experimentar mais: já lhes chega o que provaram.
Tudo visto e respigado, Costa não descola nas sondagens e os apaniguados de Seguro começam a apresentar a factura. António Galamba, membro do Secretariado Nacional no tempo do Tozé e agora excluído da lista de candidatos a deputados, não hesita ao atirar: "Para quem se apresentou como valor seguro para conquistar uma maioria absoluta para o PS, quase com um estalar de dedos, está tudo a ser feito para a obtenção de um resultado no sentido oposto”. Outro dirigente do mesmo tempo acrescenta: “Surreal, tanto disparate junto. Vai sendo tempo de erradicar a incompetência e a falta de visão política”.
Costa, diga-se em abono da verdade, não enganou ninguém. A única falta que se lhe aponta é ter falado pouco até ser entronizado no PS. Depois, naturalmente, abriu a boca porque tinha de ser e só saiu água chilra, incapaz de dessedentar o menos sequioso. Se tudo lhe correr bem, arrisca-se a não perder por muitos. É difícil, mas Costa é capaz disso.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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UMA IMAGEM PARA HOJE

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NÃO DÃO UMA PARA A CAIXA

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Desempregada há 5 anos? Então, a desgraça começou com o Zezito!
Na campanha do Costa, cada cavadela, cada minhoca.
Não admira: o director da campanha é Ascenso Simões, autor de tiradas como esta:

[...] António José Seguro assumiu, em si, três características que não vinham confirmando os fundamentos do PS. Elas eram, a origem decorosa de uma classe média rural; a construção de uma carreira política sustentada, unicamente, na endogamia partidária; e a ausência de uma visão global das ferramentas intrínsecas para a liderança nas ideias com comandamento no terreno. [...]

Que esperavam dele? Difícil, mas é pior que o Nóvoa!
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UMA VISTA QUINHENTISTA

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SER OU NÃO SER ANTI-

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António Coutinho é presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e foi director do Instituto Gulbenkian de Ciência (1998-2012). No último número do jornal online "Observador", escreve um artigo sobre transgénicos que vale a pena ler. Procurando não atraiçoar o seu pensamento, transcrevo a seguir alguns trechos da referida peça que me parecem suficientes para resumir a posição de Coutinho. (O artigo pode ser lido na íntegra aqui)

[...] A invenção da agricultura há uns 10.000 anos foi dos passos mais críticos na história da humanidade, permitindo entre muitas outras coisas, a sedentarização, a emergência das cidades e da cultura, da filosofia e da ciência.[...]

[...] Se as primeiras espécies cultivadas parece terem resultado de “acidentes genéticos” naturais, ao longo destes milénios os agricultores têm vindo a proceder paciente e sistematicamente, ao “melhoramento” das espécies cultivadas ou domesticadas, seleccionando plantas mais resistentes a pragas e variações climáticas, que produzem mais e melhores frutos, sementes ou raízes, ou seleccionando animais mais inclinados a co-habitar com o homem, que produzem mais carne, gordura ou leite. [...]

[...] De resultados por vezes inesperados, o processo de melhoramento genético das variedades domesticadas foi, sobretudo, um trabalho paciente e lentíssimo, pois muitas gerações são habitualmente necessárias para “melhorar” uma qualquer característica do animal ou planta seleccionados. [...]

[...] Nos últimos 20 ou 30 anos, com o progresso da genética molecular e da fisiologia, tornou-se possível proceder ao melhoramento de espécies de maneira totalmente controlada e racional, com resultados quase imediatos.
Por vezes, os dois tipos de interesses conjugam-se: a resistência de plantas transgénicas a várias pragas e parasitas permite limitar ou eliminar a utilização de pesticidas tóxicos, é “amiga do ambiente” e diminui grandemente os custos de produção. [...]

[...] Em resumo, hoje fazemos melhor, mais controladamente e, sobretudo, muito mais depressa o que sempre fizemos na História. Donde a minha enorme surpresa ao assistir à resistência de alguns ambientalistas contra os alimentos “transgénicos”. Lobby muito poderoso e vocal, promotor frequente de arruaças, o “movimento anti-transgénico” é fruto de uma total irracionalidade. [...]

[...] Não é verdade que os alimentos “transgénicos” fazem mal à saúde: não há qualquer demonstração, nem mesmo qualquer resultado experimental ou epidemiológico que sequer o indique (as raras “declarações” iniciais do contrário foram, entretanto, sistematicamente desmentidas por observações mais rigorosas e sérias). [...]

[...] Ou seja, sabemos fazer agora em poucos meses o que levava muitas gerações a conseguir, usando o mesmo mecanismo genético. [...]

É claro para muita gente esclarecida—digo eu—que as campanhas anti-transgénicos são fundamentalmente inspiradas por motivos políticos da esquerda. Na realidade, o que se combate são as empresas produtoras de transgénicos e não estes propriamente ditos. Aceitamos que algumas dessas empresas não são organizações éticas de excelência; mas isso não significa que a ideia, o método, o princípio e a produção dos transgénicos não represente um enorme avanço da agricultura, capaz ajudar no combate à fome e a doenças endémicas no mundo mais pobre, como pode acontecer com o arroz dourado na prevenção da cegueira e de doenças infecto-contagiosas. Em minha opinião, e como escreve António Coutinho, o movimento anti-transgénico é fruto de uma total irracionalidade. Ou talvez não, se encarado como arma anti-capitalismo.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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UMA IMAGEM PARA HOJE

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ARTE RUPESTRE

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OS EMPLASTROS !

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Ascenso Simões é um cidadão de que em tempos falei, fascinado com o seu verbo quando escrevia sobre António José Seguro. Rezava assim: 

[...] António José Seguro assumiu, em si, três características que não vinham confirmando os fundamentos do PS. Elas eram, a origem decorosa de uma classe média rural; a construção de uma carreira política sustentada, unicamente, na endogamia partidária; e a ausência de uma visão global das ferramentas intrínsecas para a liderança nas ideias com comandamento no terreno. [...]

Melhor que isto só tinha lido em Vieira. Mas não era esta a primeira vez que Ascenso me deslumbrava. Já antes, sobre o facto de Cavaquinho não ter dado uma comenda ao Zezito, tinha eructado uma opinião que me levou aescrever o seguinte:

[...] Um tal de Ascenso Simões, dos homens mais conhecidos na rua dele, se não mesmo o mais conhecido, escreveu uma carta a Cavaco Silva. E que diz Ascenso? Ascenso chama a atenção do Presidente para o grave erro in procedendo de não incluir o Zezito na lista dos contemplados com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
Mas Ascenso vai mais longe e informa o Presidente que muitos portugueses começam a questionar-se sobre as razões para que o Zezito seja excluído da lista de condecorados. Por isso, a notícia faz capa nos jornais. É, na realidade uma grande injustiça, digo eu—nas ruas não se fala de outra coisa.
Segundo o epistológrafo em apreço, terá sido a "necessidade de aceitar a implicação exterior em decisões que só ao país deveriam dizer respeito", quando era Primeiro-Ministro do Reino, que leva Cavaco à "negação de um gesto simples de condecoração". 
Ascenso, embora brilhante, é prolixo e receio que algum leitor não acompanhe o seu argumentário, lesto como gazela. O que Ascenso quer dizer mesmo é que o Zezito só nos arruinou a todos—a ele não!—e deixou Portugal humilhado e às ordens da troika. Apenas isso. E como foi só isso, não há razão para Cavaco não ter o gesto singelo de lhe pendurar ao pescoço, não a corda que merecia, mas um penduricalho que poucos portugueses ainda não têm. [...]

Pois Ascenso é hoje director da campanha eleitoral de António Costa, o que acho óptimo e é bem feito—Costa tem o que merece. Interrogado, nessa qualidade, pelo jornal "Diário Económico" sobre se o caso do Zezito vai prejudicar a campanha de Costa, respondeu lapidarmente, como nos habituou, e disse: 

[...] As questões relativas ao engenheiro Sócrates têm dois níveis. Tem o nosso nível individual, de sofrimento enquanto amigos de Sócrates e de quem fez um caminho com ele. E podia ter uma ligação com a vida política, mas sentimos que não tem. Na nossa pré-campanha essas questões não têm sido relevantes. Olhando para o passado fazemos projecção para o futuro. Como não tem existido essa implicação, acreditamos que não vai existir. A única coisa que espero pessoalmente é que esse assunto se resolva rápido. A sociedade portuguesa já faz uma separação consistente. [...]

A prolixidade de Ascenso mais uma vez exige esforço para captar a mensagem. O que o tribuno quer dizer é que os portugueses se estão a cagar para Sócrates—da mesma maneira que o fazem para Costa—e que isso não afecta em nada as suas intenções de voto porque também se cagam para o PS, para a coligação e para os resíduos partidários marginais, incluindo os sociais-fascistas e os Syrizas cá do sítio.
Mas o melhor ainda estava para vir. Perguntado sobre as diferenças entre o Zezito e Costa, Ascenso opinou assim: 

[...] São duas personalidades com grande dimensão política e capacidade de movimentar as massas como poucos. Talvez só Mário Soares e Sá Carneiro tivessem essa capacidade de atracção. Sócrates bastante mais irritadiço no fazer; Costa mais próximo e com maior capacidade de ouvir. Mas ambos igualmente determinados no objectivo central: sustentar um programa e fazer com que seja entendido, para que o resultado seja positivo. [...]

Dois gigantes só comparáveis ao Emplastro, digo eu!
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AMARELO

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O LEÃO CECIL E O ASNO MUGABE

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Andar pelo mundo a matar leões parece-me uma actividade estapafúrdia e imbecil, tanto no Zimbabué como no parque natural de Montesinho. Acontece que o Zimbabué, de onde era natural o pobre Cecil, é (além de um mercado muito lucrativo para a captura e matança de animais selvagens, com o apoio do governo) uma ditadura devastadora, violenta e criminosa, comandada pelo célebre nazi de Harare, Robert Mugabe, que desde a década de 80 tenta desesperadamente—com resultados notáveis, como se sabe—construir uma sociedade socialista. O resultado foi a destruição da agricultura e da economia, a superlotação das prisões, a miséria de milhões de africanos e a perseguição (além de Cecil) de todos os opositores. Apesar do rol dos seus assassínios, ninguém até agora pediu a extradição de Mugabe, o nazi corrupto de Harare. 

Francisco José Viegas in "Correio da Manhã"
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terça-feira, 4 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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UMA IMAGEM PARA HOJE

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ÂNCORA TIPO ALMIRANTADO

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SOMA E SEGUE

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É uma data de gatunos, é uma data de ladrões e é uma data de chupistas!
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ÁGUA VIVA

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NA PRÁTICA A TEORIA É OUTRA

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[...] Em Portugal, o PS de António Costa também aposta claramente numa viragem à esquerda. É assim que pretende aumentar a despesa pública, regressar ao congelamento das rendas, e insiste em Sampaio da Nóvoa para Belém. Essa estratégia já tinha sido seguida por Jorge Sampaio, com resultados calamitosos. Sempre que o PS ganhou eleições, fosse com Soares, fosse com Guterres ou Sócrates, adoptou um discurso moderado, que metia “o socialismo na gaveta”, como uma vez referiu Mário Soares. Mas António Costa sonha voltar a abrir essa gaveta. Mesmo que os eleitores simpatizassem com esse projecto, do que muito se duvida, é provável que a seguir a Europa o chamasse à realidade.

Luís Menezes Leitão in jornal "i"
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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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UMA IMAGEM PARA HOJE

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AZUL CELESTE

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JOGOS DE ÁGUA

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PLANO B

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António Costa em discurso directo:

[...] as nossas propostas são muito claras e temos esses compromissos com base em contas feitas. Não haverá novos cortes de pensões, haverá eliminação da sobretaxa de IRS, haverá reposição dos cortes nos apoios sociais, mas deixará também de haver a continuação da redução do IRC, existirá o novo imposto sucessório, uma taxa sobre empresas que abusam da precariedade. As medidas foram avaliadas, testadas e permitem-nos assumir compromissos. Só prometo o que sei que posso cumprir. Está medido ano a ano o impacto destas medidas, quer na evolução do défice quer da dívida, demonstrando que no final deste exercício conseguimos adoptar estas medidas e cumprir as duas metas. E este é o plano A, o que conseguiremos executar mesmo que nada mude na Europa [...].

"O Dolicocéfalo" em discurso directo:

O plano B, mesmo que nada mude na Europa—ou mesmo que tudo mude na Europa (tanto faz)—é declarar falência ao fim de três anos e chamar novamente a troika porque disso sabe o PS. A tradição já vem do tempo do Marocas, bem como o know-how do apelo à solidariedade da União Europeia, cada vez mais aberta ao diálogo com os calões do Sul.
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MUSEU BERARDO

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AINDA HÁ CRUZADOS

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Já falámos em tempos do arroz dourado, alimento geneticamente modificado de modo a que os grãos tenham beta-caroteno, precursor da vitamina A. É sabido que o arroz é base da alimentação de milhares de milhões de pessoas na África e na Ásia e que ocorrem milhões de casos de cegueira e morte por doenças infecto-contagiosoas nesses continentes por falta daquela vitamina. A cruzada contra os alimentos modificados geneticamente tem-se batido com unhas e dentes contra o arroz dourado sem que lhe pesem na consciência as vítimas duma alimentação carente em vitamina A. O princípio é mais importante que as vítimas neste caso.
Falo nisto porque recentemente uma importante revista de nutrição americana—American Journal of Clinical Nutrition—recusou a publicação de um artigo de autores chineses onde se documenta que o arroz dourado tem a mesma eficácia que o beta-caroteno na prevenção da cegueira e de doenças transmissíveis.
E porque foi recusado o artigo? Porque foi mal conduzido? Não foi. Porque contém conclusões não comprovadas cientificamente? Não contém. Então porquê? Porque foi realizado sem observar as normas americanas para a realização deste tipo de estudos, nomeadamente sem registar correctamente o consentimento dos pais das crianças envolvidas, embora eles o tenham dado.
Se isto não constitui manobra burocrática de mau gosto, e sobretudo de má fé, vou ali e já venho. O que é preciso é barrar o arroz dourado de qualquer forma, nem que seja à porrada. Para gente primária assim, abrir a porta ao dito arroz é o perigo. Nunca se sabe o que vem a seguir—talvez favas capazes de lhes dar filhos com quatro patas. Não me admirava.  
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domingo, 2 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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PENSAMENTO PARA HOJE

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O INFANTE DE SAGRES

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[...] No ambicioso espírito do infante, cabiam as duas empresas: conquistar o império marroquino, ou pelo menos o seu litoral, para garantir o monopólio do comércio do Sudão; e ao mesmo tempo conquistar às trevas as ilhas desse mar desconhecido, seguindo também o longo das costas ocidentais para as visitar e explorar. Tenaz e até duro de carácter, D. Henrique sacrifica tudo aos progressos da sua empresa: nem o dobram as lágrimas do irmão infeliz sacrificado em Tanger, nem as súplicas do outro irmão, o nobre D. Pedro, talvez por sua culpa morto em Alfarrobeira. Às conquistas da África imola os dois príncipes; às navegações os seus ócios, as rendas da Ordem de Cristo, e as vidas obscuras dos muitos que morreram ao longo das costas, ou na vasta amplidão dos mares terríveis. Dominado por um grande pensamento, é desumano, como quase todos os grandes-homens; mas, no limitado número dos nossos nomes célebres, o de D. Henrique está ao lado do primeiro Afonso e de João II. Um fundou o reino, outro fundou o império efémero do Oriente: entre ambos, D. Henrique foi o herói pertinaz e duro, a cuja força Portugal deveu a honra de preceder as nações da Europa na obra do reconhecimento e vassalagem de todo o globo.

Oliveira Martins in "História de Portugal"
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JARDIM DA CELESTE

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A INDIGNAÇÃO É GERAL

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Um dentista americano matou um leão no Zimbabué. O animal tinha nome: chamava-se Cecil. O dentista também tem: chama-se Palmer. Jornais, televisões, rádios e redes sociais enchem-se de indignação. Se Palmer é caçado, provavelmente será linchado, eventualmente decapitado, quiçá capado. Milhares de milhões de cidadãos terráqueos estarão com problemas para adormecer a pensar em Cecil. Até aqui, adormeciam bem, não obstante todos os anos serem legalmente abatidos 250 leões em África para figurarem como troféus de caça em casas de todo o mundo.
Por ano, 600 mil crianças são vítimas de tráfico humano no mundo; em Chicago, desde Janeiro, já foram baleadas 1560 pessoas este ano; há problemas graves de abastecimento de água em cidades dos Estados Unidos, mas ninguém está indignado. O problema é o leão Cecil.
Há pachorra? NÃO HÁ!!!
Haja ao menos um bocado de senso e noção da dimensão dos problemas.
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LISBOA 2015

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FALANDO DE MELÕES

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Abro o jornal e deparo-me com a imagem e o título reproduzidos em cima. Fico surpreendido, não pela mensagem, mas por ver alguém—especialmente o próprio—a procurar transmiti-la. Costa é um dos maiores melões da História Lusitana.
Até ao derrube de Seguro, Costa era um melão fechado, mais precisamente, um melão com a boca fechada. Depois abriu a boca e só saiu água chilra—ideias, nem pevide.
Costa foi um dos mais perfeitos bluffs do Portugal contemporâneo e a pergunta é como conseguiu tal proeza? 
Com muitos anos de vida política, geriu com mestria o silêncio, a insinuação da ideia, a frase inacabada, o sorriso irónico, a pose de esclarecido. Genial, mas não chega.
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sábado, 1 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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PENSAMENTO PARA HOJE

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CLARO E ESCURO

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1 MINUTO DE MÚSICA

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CARAVELA

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E VÃO TRÊS

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Hoje não tive um dia muito propício para verter prosa neste espaço, mas ao abrir as notícias na Net recebi uma informação que me deixou descansado e por isso aqui estou a fazer prova de vida. Diz o jornal "SOL" que o "histórico do PS", "membro do Conselho de Estado", "ex-candidato a Presidente da República" e vate inspirado, às vezes também conhecido por "Dr. Manuel Alegre", apoia a candidatura da Dr.ª Maria de Belém à Presidência da República. Não podia ser de outra forma: Belém a Belém.
A situação relacionada com a eleição presidencial complica-se cada vez mais no PS—infelizmente, não é só essa. Segundo o jornal, o Dr. Soares, com o seu proverbial senso, começou por se entusiasmar com a candidatura de Carvalho da Silva. Mas, inesperadamente, apaixonou-se pela retórica pífia de Sampaio da Nóvoa e Carvalho da Silva viu o tapete fugir-lhe debaixo dos pés—nada para preocupar muito o Dr. Soares que passou a vida a fazer coisas dessas a amigos e inimigos.
Entretanto, o incomparável Costa, factótum  da ordem da jarreteira da ética republicana, apressou-se a lançar um foguete face à candidatura de Nóvoa. Mas logo lhe foram à mão porque nem todos estão jarretas no PS. Assim, as coisas estão num impasse e Costa nem quer que lhe falem em eleições presidenciais.
Agora o vate Alegre, também ele dotado de clarividência e senso comparáveis aos do Dr. Soares, vem dizer que se Maria de Belém avançar pode contar com o apoio dele—mais nada!
Ou seja, passo a passo, já há três potenciais candidatos do PS, fora os ameaços. Considerando que o Zezito já não deve estar preso na data de apresentação das candidaturas, parece-me—assim de repente—que era boa ideia começar a pensar em fazer dele candidato oficial do PS. O Dr. Soares, com o seu proverbial senso, aprovará seguramente. E o Nóvoa?—perguntarão. O Nóvoa! Quem é o Nóvoa?!—perguntará o Dr. Soares.
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