quarta-feira, 23 de maio de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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Um bonito desenho
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PONTOS E VÍRGULAS

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Ben Yagod é professor de inglês na Universidade de Delaware e escreve regularmente no “The New York Times” sobre gramática. Naturalmente, a gramática do inglês é diferente do português mas um dos temas que aborda frequentemente é o da pontuação, matéria que será quase igual na maioria das línguas. A grande dificuldade na pontuação – parece - é saber quando usar a vírgula e também o ponto final.
Como há normas que se aplicam claramente também ao português, quando estiver de feição, colocarei aqui passagens curtas de Ben Yagod.
Por exemplo, no número de hoje cita um erro que diz ser comum nos seus alunos. A frase é:

Fui ver o filme, “Midnight in Paris” com a minha amiga, Jessie.

Comenta Yagod:
Vírgula depois de filme, vírgula depois de amiga; às vezes até depois de Paris.  Nenhuma está correcta – a menos que “Midnight in Paris” seja o único filme do mundo e Jessica a única amiga do autor. Se não são, a pontuação deve ser:

Fui ver o filme “Midnight in Paris” com a minha amiga Jessie. Sem vírgulas, digo eu.

E Yagod dá depois um exemplo de frase parecida em que as vírgulas são necessárias:

Fui ver o último filme de Woody Allen, “Midnight in Paris”, com a minha mais velha amiga, Jessie.

Neste caso são necessárias as vírgulas depois de filme porque é o único filme novo de Allen, e depois de amiga porque só Jessie é a mais velha amiga do autor.
Está bem explicado. Tem lógica.
Voltarei às vírgulas brevemente porque também tenho dificuldades – todos têm!
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JERÓNIMOS

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VALORES QUASE IMOBILIÁRIOS

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Das coisas mais desconcertantes da humanidade é a existência do sentimento que lhe diz o que é bom e o que é mau, eticamente certo ou errado, do agrado ou desagrado de Deus para os crentes, e que condiciona todo o comportamento. Nenhuma outra criatura, além do homem, está sujeita a tal influência nos seus actos. São os valores, diz-se; valores que levam a matar e até a morrer heroicamente, não para proteger o próximo, mas uma ideia, um estilo de vida, uma doutrina social, uma religião.
A convicção de alguns é que tal sentimento é sempre de origem religiosa, seja a religião revelada, ou resulte da sedimentação de tradições culturais. Até nos que se dizem ateus seria a raiz religiosa a determinante dos valores.
É provável que não seja assim e os valores constituam um fenómeno puramente biológico, extremamente importante quando não são respeitados, tal como o alimento ganha transcendente importância quando é negado, frequentemente com dimensão não proporcional ao mal que daí resulta. Em qualquer dos casos, pode haver condicionamento pela memória histórica de situações em que o desrespeito pelos valores levaram a situações de insuportável desconforto social e comprometimento da sobrevivência. A observância das normas decorrentes dos valores, seria assim um acto de adaptação ao meio, em que  sobrevivem os mais aptos, ou seja, os que respeitam normas sociais correctas.
Filosoficamente, é matéria complicada, susceptível de muita controvérsia, com campo de manobra para concepções conflituantes, religiosas, biológicas, sociológicas e por aí fora. Bom tema para tratar à hora da digestão, sem dúvida!
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CLIP #76

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ALÔ ALÔ MARCIANO

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A sonda da NASA “Opportunity” anda há meses a explorar o planeta Marte. Entre outras coisas, tira fotografias e envia-as para a Terra. A imagem que vemos em cima resulta da combinação de registos com sensibilidade para vários tipos de radiação e foi feita em Março deste ano, entre as 4H30 e as 5H00, tempo de Marte. Além da sombra da própria sonda projectada no planeta, vê-se na parte superior da figura a cratera “Endeavor”, provocada pelo impacto de um enorme corpo, eventualmente um asteróide: tem 22 quilómetros de diâmetro e 300 metros de profundidade. A cor da cratera foi retocada pela NASA para ficar mais bonita!
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UMA HISTÓRIA AOS QUADRADÕES

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terça-feira, 22 de maio de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Alfred"
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O navio"Alfred", de bandeira americana, construído em 1806 e com 260 toneladas, a zarpar do porto de Marselha, numa aguarela de Nicolas Cammillieri
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JERÓNIMOS

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BORRADAS DE BORRO

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Falávamos ontem das tonturas que o telescópio de Galileu fazia ao seu colega de cátedra na Universidade de Pádua Cesare Cremonini, dos argumentos de autoridade, e de todo esse obscurantismo científico, muito nítido  para quem o olha retrospectivamente  no dia 22 de Maio de 2012, mas natural e louvado no tempo de Cremonini. Ser submisso e respeitador dos grandes nomes do saber era virtude científica superior, por maior que fosse a burrisse do grande nome.
A este propósito, encontrei um trecho de Girolamo Borrio, também conhecido por Borro, professor de Filosofia na Universidade de Pisa quando Galileu era ali aluno, autor da inesperada obra “Diálogo do Fluxo e Refluxo das Marés” (Dialogo del flusso e reflusso del mare), verdadeira pérola repleta de enternecedora estupidez, que reza assim:

Falo aos meus ouvintes da forma seguinte: reparem, isto é ensinado por Aristóteles, aquilo é a opinião de Platão; assim fala Galeno, e assim Hipócrates. Quem me ouve reconhece: as palavras de Borrio são de completa confiança porque nem uma delas é dele; pelo contrário, as mais ilustres mentes falam pela sua boca. Se tenho pensamentos que não encontro nas suas obras, desembaraço-me de tais pensamentos de imediato por serem suspeitos; ou ponho-os de lado até ficarem velhos e morrerem antes de ver a luz do dia.

Que besta, digo eu. Ah ganda Borrio!
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CICLISMO NO FEMININO SINGULAR

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(Colaboração de J. Castro Brito)
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Só para benfiquistas

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.(Colaboração secreta de Fernando Pena de Sousa)
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CARTAS CELESTES

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Rosário Rebello de Andrade é pintora, com formação na Ar.Co., em Lisboa, e no Departamento de Cerâmica da Universidade de Massachussets. Foi bolseira da Gulbenkian e vive e trabalha entre Portugal e Alemanha. Tem, neste momento, uma exposição no Museu da Electricidade, em Lisboa: “Cartas Celestes: Cruzamentos, Largos, Bifurcações”.
A ideia é pintar quadros inspirados  em imagens de cidades do mundo, vistas provavelmente de satélites, à noite, dando-lhes o aspecto de espaço sideral. É a Terra vista do espaço e semelhante ao espaço.
No catálogo, é tudo embrulhado em retórica sem sentido, como o trecho que a seguir se transcreve: 

Estas imagens são um futuro possível das cidades. Um dia, um astrónomo do futuro numa civilização distante poderá ver projectada no espelho do seu telescópio a imagem velha das nossas cidades, já mortas, sem luz, e verá uma imagem invertida que se assemelhará a estas. Quando ele vir essa imagem, as cidades, essas, terão desaparecido há muito.

Passando por cima do estilo, direi que, se o astrónomo referido vir as cidades já mortas semelhantes às da exposição, elas não estarão sem luz, mas, ao contrário, serão apenas luz, como pode ver-se em baixo. O texto não é escrito pela pintora, mas provavelmente por um amigo de palavra vazia. E cabotino.
Terminada a má língua, passemos à substância. A ideia das obras é feliz, original e fascinante, sobretudo para um apaixonado pela Astronomia. Mas nem toda a boa ideia dá arte boa. O resultado estético prático neste caso é abaixo do mediano, muito inferior, seguramente, às imagens que inspiraram a pintora e às fotografias actuais e reais do espaço feitas pelos grandes telescópios da NASA e da Spacial European Agency.
Seguem mais duas fotografias dos quadros, feitas hoje.
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A JUNTA

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Bem mais inspirada que a Carta Celeste!
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segunda-feira, 21 de maio de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Großherzogin Elisabeth"
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O “Großherzogin Elisabeth” foi construído em 1909 e teve vários nomes e funções: “San Antonio” (1909–1947); “Ariadne” (1973–1982); “Großherzogin Elisabeth” (1982–presente). Actualmente, é navio de treino na Alemanha. Tem 63,7 m de comprimento, 8,23 m de boca, 2,7 m de calado e 1.010 m2 de velas.

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A VIDA DE UM GRANDE IATE

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Abluções matinais
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O PAUZINHO NA ENGRENAGEM

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Empirismo é a forma suprema de aquisição do conhecimento. O termo é muitas vezes usado como sinónimo de forma não sofisticada de aprendizagem, mas é, na realidade, a base da investigação científica. O investigador aprende com a experiência, não com o que diz ou escreve a autoridade “oficial”. Disso ficámos fartos e estamos curados. Darwin que o diga. Galileu também.
O lema da "Royal Society of London", a principal instituição científica inglesa, é Nullius in Verba, que significa não tomes a palavra pela verdade, referindo-se naturalmente à verdade científica. É preciso basear o conhecimento em provas materiais e não em doutrina teórica, muitas vezes contaminada por viés político, religioso, filosófico, étnico, ou outro de semelhante teor.
No tempo de Galileu, a doutrina oficial era o aristotélico geocentrismo, com a Terra no centro do universo e todos os astros, perfeitamente redondos e lisos, a circular em rigorosas órbitas circulares à sua volta. Galileu construiu um telescópio rudimentar e viu montanhas na Lua, manchas no Sol (sunspots), fases em Vénus, satélites em Júpiter e anéis em Saturno. Correu para o seu colega na Universidade de Pádua, Cesare Cremonini, para lhe mostrar. Cremonini nem quis espreitar: recusou-se a olhar pelo telescópio de Galileu, alegando ter a certeza que Aristóteles estava certo; e também que espreitar pelo tubo lhe fazia tonturas!
Outros colegas de Galileu diziam que aquele tubo só era fidedigno para coisas na Terra. No espaço, dava informações erradas. Um professor do "Collegio Romano" insinuava que Galileu havia posto os quatro satélites de Júpiter dentro do telescópio. E os professores de Florença acreditavam que não havia nada mais para descobrir na natureza - estava tudo nos livros, segundo eles.
Estamos a falar de homens de ciência, não de autoridades religiosas com um viés que a gente compreende. Mas eram homens de ciência do Século XVI e isso os desculpará. Contudo,  hoje, Senhor, hoje, porque continuamos a cultivar o obscurantismo do argumento de autoridade? Porque há ainda tanta gente que se recusa a espreitar pelo telescópio de Galileu, porque tem medo, acha que está tudo explicado, ou fica com tonturas?
O medo das tonturas do telescópio é o pauzinho na engrenagem do progresso intelectual. Sem tirar, nem pôr!
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JERÓNIMOS

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WANTED

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Em 1950, um repórter perguntou ao FBI dos Estados Unidos quem eram os piores facínoras do País que andavam a monte. O departamento de investigação criminal deu-lhe uma lista de dez bandidos e a publicação da sua identidade mostrou-se útil para encontrar alguns. Desde então, o FBI mantém uma lista pública permanentemente actualizada dos dez mais 
procurados - sem ordem especial. Dos 495 constantes de todas as listas, 465 viriam a ser encontrados e presos, 153 dos quais graças à ajuda do público. O método revelou-se eficaz. 
Nas listas dos últimos anos figurou um cromo notável, de seu nome bin Laden. Por razões sobejamente conhecidas, já não está lá: foi substituído naquele pódio da malandrice por um jovem de 30 anos, Eric Justin Toth, ex-professor primário, acusado de produzir pornografia infantil (na imagem em cima).
Mas não é qualquer um que ascende à lista dos eleitos – é preciso ter currículo. Pelo menos um mandato de captura federal por ser considerado ameaça real à  sociedade, e ser suficientemente mau para a captura valer um prémio, no mínimo, de 100.000 dólares.
Vale a pena! Para o caso de se querer habilitar, aqui ficam os nomes dos outros nove: Jason Derek Brown, Joe Luis Saenz, Glen Stewart Godwin, Robert William Fisher, Semion Mogilevich, Eduardo Ravelo, Alexis Flores, Victor Manuel Gerena e James "Whitey" Bulger.
Todos bons rapazes.
Boa sorte.
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FALIDO E MAL PAGO

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As Sete Obras de Misericórdia segundo Caravaggio
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Sete são as Obras de Misericórdia. Se estão escalonadas por critério de importância, a mais obrigatória é a de dar de comer a quem tem fome, sendo a de enterrar os mortos a última. Tem lógica a ordenação: primeiro os vivos e só depois os finados. Sendo assim, logo a seguir a matar a fome, vem a obrigação de matar a sede a quem a tem. À sede é dada grande importância, como se vê, nos livros sagrados - é a segunda.
Porque falo nisto? Porque acabo de ler que o senhor Luís Marmelete, proprietário do snack-bar “O Pirata”, na Ilha de Faro, só pratica a segunda Obra de Misericórdia a troco de 50 cêntimos, e apenas com direito a um copo de água da companhia, também conhecida por “água del cano”.
Diz o senhor Marmelete que, se começa a cumprir escrupulosamente o segundo preceito do Cristianismo em matéria de Misericórdia, ultrapassa o escalão da factura da água e não pode porque as coisas estão mal. Quem tem sede que vá beber na cova da mão no chafariz público e não na torneira do senhor Marmelete; mesmo que tome lá o café, ou coma uma bifana - quem não tem dinheiro não tem vícios!
Luís Marmelete é um génio! O tipo de cránio biblicamente condenado ao insucesso. O género de empresário que acaba falido e mal pago. De certeza.
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