domingo, 7 de dezembro de 2014

CAPUCHINHO VERMELHO

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A QUEDA DUM ANJO

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Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda sucumbiu ao pecado da luxúria. Zezito foi fulminado pela avareza.
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[...] Não vale a pena perder tempo com a violência do manifesto do eng.º Sócrates, anteontem publicado no Diário de Notícias. Toda a gente que ele ataca não abriu a boca. Os políticos não comentaram, os jornalistas não comentaram, os professores de Direito não comentaram e “as pessoas decentes” com certeza que não leram aquela diatribe de autopiedade e fúria. Ainda por cima, Sócrates não percebeu que para fabricar uma polémica precisava de quem se dispusesse a discutir com ele. Não basta que ele se torça de raiva ou que insulte este mundo e o outro, se não tiver resposta; e ele já anda pelas páginas “mortas” dos jornais. Claro que o “animal feroz” não se calará. Mas não me cheira que o país se rale com isso, nem que o PS se ache no dever de o carregar por muito mais tempo.

Vasco Pulido Valente in "Público"
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VASQUINHO BRIDGE

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O MUNDO É PEQUENO !

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Em Maio de 1945, o jovem soldado canadiano George Emmerson, a prestar serviço em Enschede, na Holanda, encontrou um homem a morrer de fome, acabado de sair de um campo de trabalho nazi. Emmerson cozinhou uma refeição de batatas e carne e deu-lhe duas barras de chocolate que seus pais haviam enviado. Fiquei sem saber se morreu ou não, conta Emmerson.
Quase 70 anos mais tarde, foi a uma loja de mobílias em Ontario e, falando com a dona, quando esta soube que ele era veterano da guerra, disse-lhe que o seu pai era holandês, havia estado preso num campo nazi, quase tinha morrido de fome e tinha sido salvo por um soldado canadiano. Por sua vez, Emmerson contou-lhe a sua história de Enschede. Quando chegou à parte das barras de chocolate, a mulher disse-lhe assombrada: Mas esse era o meu pai!
O homem tinha salvo o holandês Henk Metselaar que emigrou para o Canadá por causa daquele soldado. Metselaar está agora internado por sofrer de Doença de Alzheimer e não se consegue perceber se se lembra de Emmerson, que o visitou e lhe ofereceu duas barras de chocolate.
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FEZ ANOS O PAVÃO 'BON VIVANT'

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sábado, 6 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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"Phoceen of Marseille"

ESP635

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'CLIPS' ALENTEJANOS

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(Qualquer semelhança com pessoa conhecida é pura coincidência. O protagonista é desconhecido)
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OS OLHOS DO GATO

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PERDOAI-LHE PORQUE JÁ NÃO SABE O QUE DIZ ( ALGUMA VEZ SOUBE ?)

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[...] Em 26 de Novembro de 2014, à saída da prisão de Évora, onde foi visitar o amigo José Sócrates, o ex-governante e ex-presidente da República e actual Conselheiro de Estado invectivou magistrados, inspectores da Judiciária e da Autoridade Tributária, quantos, ao longo de um ano, cooperaram nos fundamentos processuais (até ao momento, 800 páginas de provas indiciárias), que persuadiram um juiz de Instrução Criminal a ditar prisão preventiva para um ex-primeiro-ministro.
Mas ontem, Mário Soares, um ex-primeiro-ministro absolveu José Sócrates, outro ex-primeiro-ministro e condenou liminarmente a Justiça. O primeiro foi declarado inocente sem esperar pelo julgamento e a segunda considerada uma tropelia, uma vergonha, uma infâmia, uma bandalheira, coisa de uns tipos, de malandros. Pensaria Mário Soares, em 1983, que um belo dia, em 2014, poderia ser vítima da sua alteração do Código Penal? [...]

Este é um excerto de um texto escrito por César Príncipe, intitulado "Os Amigos de Mário Soares", que vale a pena ler na íntegra. Pode fazê-lo aqui.

(Com colaboração de Pedro Masson)
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ÓH LUA QUE VAIS TÃO ALTA

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Hoje, 6 de Dezembro de 2014, há Lua-Cheia e ocorre o Lunistício Norte, sendo este o dia em que o satélite sobe mais acima do equador celeste (ver figura e ler aqui). Num dia assim foi composta essa quadra sem par:

Óh Lua que vais tão alta
Redonda como um tamanco
Óh Maria traz cá a escada
Que não chego lá co banco

Na Rua Mariano Pina, em Lisboa, era este o aspecto da Senhora, às 20 horas e 44 minutos—reza assim na máquina fotográfica.
Deus a abençoe! (à Lua, não a máquina)
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LÊ OS MEUS LÁBIOS

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A eloquência da mãe do Zezito
Ignore a banda sonora
(Com colaboração de F. Menezes Brandão)
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ARMADA INVENCÍVEL

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MÃE NATUREZA

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Tenho posição moderadamente céptica em relação às causas do chamado "aquecimento global" e às suas putativas consequências; mas, indiscutivelmente, a combustão de combustíveis fósseis não é das práticas mais salutares para a biosfera—Homo sapiens incluído—especialmente a do carvão. Na China, por exemplo, morrem anualmente 250.000 pessoas vítimas da inalação de gases gerados pela queima das "pedras negras que ardem como lenha", para usar a descrição de Marco Polo.
Os chineses, neste momento os maiores consumidores de carvão do mundo, com 3,6 mil milhões de toneladas queimadas por ano—mais que todos os outros países juntos—são as principais vítimas, se excluirmos hipotéticas consequências indirectas do aquecimento a nível planetário. Tal consumo tem vindo a crescer nos últimos anos e mais rapidamente nos mais recentes. É por isso uma surpresa o anúncio agora feito de que a China  vai diminuir drasticamente a combustão do carvão e substituí-la pelas chamadas fontes de energias alternativas e por centrais nucleares. E, mais surpreendente ainda, o facto de já estar a diminuir mais que o planeado.
Face a este fenómeno, ocorre perguntar se a humanidade é tão suicida como parece e se diz. Quando surge uma denúncia de ameaça, em regra parece ficar tudo na mesma, como se de surdos se tratasse. Mas em devido tempo começa a mudança, quase sempre inesperada. O instinto de sobrevivência comanda a vida. Neste caso a razão nem será o receio do aquecimento do planeta a mudar os planos da China—antes os problemas sanitários locais; isto é, a natureza se encarrega sempre de arranjar maneira convincente de mostrar ao homem que está a asneirar e tem de mudar. E, nesse aspecto, mostra-se muito mais eficaz que milhares de militantes do Greenpeace, que o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), que Al Gore e outras inefáveis figuras do género. A natureza nos fez, a natureza nos protege.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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RIBEIRA DAS NAUS

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Doca (quase) Seca
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É TEMPO DE SUBIR A ESCADA

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Já em tempos escrevi que o progresso científico—especialmente, mas não só—se faz aos solavancos; talvez melhor dito, em escada. Há períodos com enormes avanços, como aconteceu com o uso do vapor, e outros em que se vive da exploração desses avanços, sem que realmente se descubram coisas novas com dimensão para virar páginas na evolução social. Em boa verdade, o fenómeno parece útil pois permite o aproveitamento prático até à exaustão dos fenómenos a que chamarei de "eureca!", sem que sejam relegados para o esquecimento com grandes descobertas contínuas. Há um tempo para deglutir e um tempo para digerir. Fleming descobriu a penicilina—o sobressalto—e depois vieram todos os outros antibióticos. Os exemplos são à dezenas, se não centenas, mas fico por este para encurtar caminho.
Falo nisto porque vivemos em época de descobertas científicas quase diárias, aparentemente originais e espectaculares, o que se afigura em contradição com o referido. Ouvem-se notícias de nova esperança no tratamento do cancro, de grandes feitos no espaço, de aviões a voar a velocidades imprevistas, do uso de células estaminais em terapêutica, da manipulação do ADN e por aí fora.
Na realidade, não sei se é assim. Opinam alguns filósofos da ciência que estamos neste momento a viver do passado, no plano horizontal do degrau da escada do conhecimento. Os planos verticais dos degraus de tal escada terão sido subidos até há cerca de 40 anos atrás, concretamente entre 1945 e 1971. Falo da "pílula", da electrónica, dos computadores, da Internet, da energia nuclear, da televisão, dos antibióticos, dos comboios de alta velocidade, da exploração do espaço, com colocação de homens na Lua e o envio de sondas a Marte, da erradicação da varíola, dos automóveis fiáveis e baratos, da descoberta da estrutura do ADN e rebabá, tudo num espaço inferior ao de uma geração humana.
Hoje há coisas extraordinárias, mas apenas melhoramentos de tecnologias antigas. O telefone atingiu sofisticação enorme, por exemplo, mas nada comparável com a capacidade de atravessar o Atlântico em 8 horas ou de erradicar a varíola. A era dourada, como é conhecido o período a seguir à II Guerra, empalideceu. Porquê?
De acordo com o economista francês Thomas Piketty, vivemos numa época em que o dinheiro atrai dinheiro, mais que em qualquer outra da História. E quando a riqueza se acumula espectacularmente sem necessidade de fazer nada, não há investimento genuíno em inovação. O resultado está à vista: andamos a amolar tesouras e navalhas no mesmo degrau há anos, sem capacidade de dar o passo para subir ao degrau superior.

TERREIRO DO PAÇO E CÉU DE LISBOA

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ESBANJAMENTO

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Leio no jornal que um psicografólogo analisou a escrita das cartas do epistoleiro do costume e anunciou ao mundo que o epistoleiro "está em pânico". E mais disse: que o espistoleiro "é uma pessoa em quem não se pode confiar" e "não é autêntico e transparente".
Fiquei mais que parvo com a revelação. Fui ver. A neve não caía do azul cinzento do céu, branca e leve, branca e fria, mas o Google diz-me que o psicografólogo é certificado pelo Instituto Canadiano de Caracterologia e—aqui entra o erternocleidomastoideo—tem estudos em andragogia, que não sei o que é, mas deve ser complicado.
Imagino que a opinião do andragogiólogo e psicografólogo deve ter custado mais caro que um parecer jurídico do professor Martelo. Para quê?—pergunto eu. Para quê?!!! Para ficarmos a saber que não se pode confiar no epistoleiro do costume e que neste momento não lhe cabe um feijão no cu? Por favor!... Para isso consulte-se uma cigana, a Vaca Cornélia, ou o Penedo da Saudade, que fica muito mais barato e dá a mesma coisa. Aliás, com excepção do Dr. Soares—que vai ter um estátua em bronze, refira-se em aparte—toda a gente sabe responder o mesmo a essa consulta.
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QUIOSQUE


IDEIA JUSTA MAS MAL CONCRETIZADA

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O Dr. Soares vai ter uma estátua em bronze em Lisboa, provavelmente em lugar nobre. Por enquanto, só tem o protótipo impresso em 3D, em dimensão menor que a real. Para a concretizar em bronze no tamanho exigido, receia-se que não haja fundição com capacidade para tanto. É que tudo que fique abaixo do Colosso de Rodes não chega—quem era Hélio, comparado com o Dr. Soares? Sim! Quem era?
Por outro lado, Hélio tinha o pé canhoto num lado do canal de acesso ao Porto de Rodes e o direito no outro, de modo que todos que ali chegavam tinham de passar por baixo, ou seja, entre pernas. Isso não se afigura difícil porque se colocará o pé canhoto do Dr. Soares na Trafaria e o direito em Algés, eventualmente com o quiosque de cobrança das taxinhas do Dr. Costa no Farol do Bugio. O problema é que vejo no protótipo que o Dr. Soares figurará sentado numa poltrona com a perna cruzada—assim não dá! Por onde passam os cruise ships e os airliners chegados à capital do ex-Império que o Dr. Soares dissolveu com a sageza universalmente reconhecida? Sim, porque a altura do monumento deve ser suficiente para fazer a aproximação ao aeroporto entre pernas.
Sugiro, do fundo da minha ignorância e humildade, que se reveja o projecto. Uma figura como o Dr. Soares não pode ficar para a posteridade sentado numa poltrona; até porque, com o passar dos séculos, isso lhe vai fazer mal à próstata e ao hemorroidal. Ponha-se o homem de pé e meta-se-lhe numa mão a figura de Athena, deusa da sabedoria, e na outra um menu do Tavares Rico. Fica muito melhor esteticamente e é coisa mais digna.
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ANNO DOMINI 2014

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O novo pároco de Canelas abandona a Igreja com protecção policial para não levar uma carga de porrada dos "fiéis devotos". 


Uma "fiel" apupa o padre com o terço na mão.
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SEM COMENTÁRIOS
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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"Vanadis"
(Fragata norueguesa)
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CORVO MARINHO

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A MEMÓRIA DESDE OS TEMPOS IMEMORIAIS

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Não nos lembramos do que aconteceu. O que nos lembramos é que passa a ser o que aconteceu.
John Green

É pena que a memória só funcione para trás.
LewisCarroll

Não há nada mais admirável na política que uma memória fraca.
John Kenneth Galbraith

Era um daqueles dias perfeitos de Outono inglês que ocorrem mais frequentemente na memória que na realidade.
P.D. James

Nada fixa melhor uma coisa na memória que querer esquecê-la.
Michel de Montaigne

Só podemos lembrar com pormenor e precisamente coisas que, realmente, nunca aconteceram.
Eric Hoffer
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TERREIRO DO PAÇO

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RIGOROSAMENTE A NÃO PERDER

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Filmé à TEDxParis le 6 octobre 2012 à l'Olympia. 
Chirurgien et urologue de formation, Laurent Alexandre est également diplômé de Science Po, d'HEC et de l'ENA. Hyperactif et pionnier d'internet, ce coureur de marathon est le co-fondateur, dans les années 90, de Doctissimo.fr. Auteur en 2011 d'un essai intitulé « La mort de la mort », il s'intéresse aujourd'hui aux bouleversements que va connaître l'humanité conjointement aux progrès de la science en biotechnologie.

Pode ver com legendas em português, clicando no 4º ícone a contar da direita da barra de tarefas
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(Com colaboração de Pedro Masson)
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D. JOSÉ

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QUE SE DESENRASQUE

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Recentemente, António José Saraiva escreveu no "SOL":

Há quatro anos, era José Sócrates ainda primeiro-ministro, escrevi uma crónica onde lhe chamei «o Vale e Azevedo da política».
Porquê?
Conhecia pessoalmente os dois, falei com eles em várias ocasiões, e percebi que tinham uma característica em comum: não distinguiam entre a verdade e a mentira. 
Diziam verdades e mentiras exactamente com a mesma cara e a mesma convicção.
Não se podia afirmar que ‘mentiam’, pela simples razão de que os seus códigos mentais eram outros. 
Um dia, num almoço a dois no Pabe, Sócrates disse-me que tinha decidido abandonar a política e ia fazer um mestrado em Londres.
Confidenciou-mo de coração aparentemente aberto, dizendo-me que a política era uma actividade madrasta, que todos saíam de lá mal (Guterres tinha-se demitido pouco tempo antes), pelo que decidira seguir outra vida.
Quando cheguei ao jornal, comuniquei isto à jornalista que acompanhava o PS, para fazer uma notícia.
Perante a minha surpresa, ela respondeu-me: «Isso é falso. Sócrates está neste momento a fazer contactos para concorrer à liderança do PS».

Hoje leio no "Público":

Quando o meu avô morreu, a minha mãe herdou uma fortuna, muitos prédios, andares, que ainda hoje ela não sabe o que fazer com eles.” Foi assim que José Sócrates falou pela primeira vez, em Outubro do ano passado, numa entrevista ao "Expresso", sobre a suposta fortuna da mãe. Na verdade, nesse dia, a senhora já praticamente nada tinha, além do modesto rés-do-chão em que vive em Cascais, de uma arrecadação em Setúbal e de uma terça parte de uma casa na sua aldeia natal, em Trás-os-Montes.

Em resumo, o homem—"epistoleiro do costume"—é um aldrabão compulsivo. Conheço pessoas assim. Uma delas foi meu colega no liceu—esquece-se, inclusivamente, do que disse na véspera e diz o contrário no dia seguinte. Não o faz por mal; é doença que não prejudica ninguém porque as mentiras são inofensivas e ridículas na maior parte das vezes.
O problema é grave quando a tara se manifesta no comportamento e envolve compromissos sociais, negócios, política, e por aí fora. Habitualmente desagua na cadeia, como aconteceu com Vale e Azevedo e acontecerá, provavelmente, com o Zezito. Não tenho nenhum ódio contra o homem. Mas sempre me irritou a sua performance, suspeita de trampolinice e banha de cobra. E não lhe perdoo ter levado o País à ruína, provavelmente para se governar. A Justiça dirá o que acha. Mas é minha convicção que vai ser difícil haver um happy end para tal jagodes.  
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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UM BANCO E UM JARDIM

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Havia um banco e um jardim
Que era puro jasmim

(Vinicius)
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O EPISTOLEIRO DO COSTUME

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Tínhamos as "Cartas de Soror Mariana", as "Cartas de Inglaterra", do Eça, e as Epístolas dos Apóstolos. Agora temos as "Cartas do Epistoleiro do Costume". A literatura epistolar vai em crescendo. Com um débito assim, não tarda há mais epístolas de Évora que dos Apóstolos. Ah ganda Zezito!...
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ENTRADA DO JARDIM ORIENTAL

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Jardim Botânico Tropical
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O MURMÚRIO DO GLACIAR

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O planeta Saturno emite ondas de rádio—não são discursos do Passos Coelho, nem música do Quim Barreiros—e já foram captados sons do espaço interestelar pela sonda Voyager. Agora ficamos a saber que os glaciares murmuram. Não é bem murmurar; é uma "música" parecida com os estalos das fogueiras.
Uma equipa da Universidade da Califórnia foi ao Glaciar de Gorner (Gornergletscher), na Suíça, introduziu receptores no gelo, um dos quais a 120 metros de profundidade, e registou os sons, durante 21 horas. Depois fez um vídeo que publicou no YouTube, comprimindo o tempo do registo. O efeito é engraçado—soa como as lareiras.
Os investigadores atribuem os ruídos à deslocação das massas glaciares produzida por variações na geometria das fendas, consequência do movimento da água. 
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ESTUFA DO CHÁ

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Jardim Botânico Tropical

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(Já foi assim, no tempo do colonialismo)
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A EVOLUÇÃO POR SELECÇÃO NATURAL ( DARWIN )

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[...] A possibilidade de renovação, nos partidos e nos Governos, é uma das maiores virtudes da democracia. António Costa, que vai ser provavelmente o próximo primeiro-ministro, recebeu, sem ter feito nada por isso, uma importante ajuda com o “caso Sócrates”. Assim ele perceba que esse caso deve ter consequências internas, de modo a aumentar a credibilidade do PS (Mário Soares lamentavelmente não percebeu). [...]

[...] Passos Coelho subiu ao poder porque já ninguém acreditava em Sócrates. Não foi tanto mérito seu, mas mais demérito do seu predecessor. Costa não deveria subir ao poder apenas porque já ninguém acredita em Passos Coelho. [...]

Carlos Fiolhais in "Público"
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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INTERMEZZO

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UM JARDIM TROPICAL A 38⁰ DE LATITUDE NORTE

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MENTIRAS


Circula por aí um email anunciando que em Dezembro deste ano, de 16 a 22, o mundo ficará às escuras devido a uma tempestade no Sol que vai encher o espaço de poeira e detritos capazes de interceptar 90% da luz. Alegadamente, a informação é proveniente do presidente da NASA.
Tenho sido interrogado por algumas boas almas para saber se é verdade—pessoas que ainda não avaliaram a minha ignorância em matéria de Astronomia. Procurei informar-me no site da NASA, mas foi inútil (zero). Hoje tive a resposta no site "EarthSky" que, generosamente, me manda diariamente um mail com informações. É como segue.
Em primeiro lugar, ninguém consegue prever as tempestades solares com esta antecedência. Na melhor das hipóteses, os astrónomos suspeitam que possam ocorrer em cima do acontecimento e enganam-se frequentemente. O pai do super-homem, Jor-El, parece que previu a explosão do planeta Krypton, mas Jor-El já morreu.
Passando por cima disso, nunca ocorreu essa coisa do espaço cheio de lixo capaz de tapar a luz na sequência de alguma tempestade solar. Há, isso sim, emissão de radiações que podem interferir com as comunicações electrónicas, com o trânsito da corrente eléctrica nas redes de distribuição, com os aparelhos de navegação, como o GPS e rebabá.
O boato começou num site chamado "Hutzlers.com" que diz de si próprio: Huzlers.com is a combination of real shocking news and satirical entertainment to keep its visitors in a state of disbelief, ou seja, "Huzlers.com é uma combinação de notícias reais chocantes e entretinimento satírico para manter os leitores em estado de descrença". "Huzlers. com" é uma anedota, digo eu.
Há outro mail que circula cronicamente no primeiro semestre de cada ano a anunciar que Mercúrio irá ser visível do tamanho das Lua Cheia. Óh égua!...
Em baixo, incluo o recorte do Facebook da NASA, de 30 de Outubro, a desmentir essa do lixo daqui a duas semanas.
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CHAPÉUS HÁ MUITOS

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PROBLEMAS DE FILTRO

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James Watson, para quem não se lembra, foi o homem que—juntamente com Francis Crick—descodificou a dupla hélice do ADN, em 1953. Em 1963, receberam os dois o Prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia, juntamente com o colega e biologista molecular Maurice Wilkins.
Watson era, e é, assim como o Dr. Soares, no que respeita ao filtro da verborreia—tem o filtro roto. Em 2007, debitou o comentário incendiário de que estava desiludido com as políticas de apoio a África porque se baseavam no pressuposto que a inteligência dos negros é igual à dos brancos, apesar de todos os dados indicarem que não. E acrescentava: "Há quem pense que todos os seres humanos nascem igualmente inteligentes, mas quem lida com empregados negros sabe que isso não é verdade".
Tais considerações foram um escândalo. Watson teve de se demitir de chanceler do Cold Spring Harbor Laboratory, deixou de fazer conferências remuneradas, nunca mais participou em congressos e viu-se condenado pelos pares.
Agora atravessa dificuldades financeiras, eufemismo para dizer que está arruinado. Para viver, vai vender a medalha do Prémio Nobel. O leilão será na Quinta-Feira e a Christie's calcula que valerá entre 2,5 e 3,5 milhões de dólares.  A medalha de Crick, que morreu em 2004, foi vendida no ano passado por 2,3 milhões.
Moralidade da história: Watson perdeu uma boa oportunidade de estar calado. Nem sempre o Homo sapiens pode dizer o que pensa. É o problema do filtro, de que fala o professor Martelo.
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UM BANCO ÁRABE

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

OS GRANDES VELEIROS

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O LEITOR TEM OPINIÃO SOBRE O CASO JOSÉ SÓCRATES? NÃO TENHA

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O leitor tem opinião sobre o caso José Sócrates? Não tenha. Isso configura um delito de julgamento na praça pública. A não ser que ache que José Sócrates está a ser vítima de justicialismo. Nesse caso, tem licença de porte de opinião. Para não haver dúvidas, aqui vai uma cartilha com o que é admissível pensar:

a) Avaliar a hipótese de José Sócrates ser culpado? Não se pode.
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Assim começa o artigo de José Diogo Quintela publicado no "Público. Leia o texto na íntegra aqui.

(Com colaboração de F. Menezes Brandão)
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INTERMEZZO

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Cantores e Orquestra Barroca da Universidade do Texas
Gloria
(Vivaldi)
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AZUL E VERDE

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A ILUSÃO DO PROGRESSO CIENTÍFICO

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O texto que transcrevo em baixo é colaboração de Paul Saffo, professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, no site da EDGE Foundation. É uma página muito bem escrita, num estilo brilhante. Pode ler o original aqui. (É o 21º texto a partir de cima)
Chama a atenção para um ponto de vista curioso, com a imagem da bolha do saber e da superfície de contacto desta com a ignorância. Não estarei totalmente de acordo com o seu pessimismo, mas é uma bela peça. Vai a encarnado escuro porque não tenho o atrevimento para pôr a tradução feita por mim em itálico.

A natureza e as leis da natureza estavam escondidas na noite;
Deus disse "Faça-se Newton" e tudo foi luz.

Alexander Pope

O avanço das descobertas científicas tem o desconhecido como rota. Não há muito tempo, a Criação tinha ocorrido há 8 mil anos e o Céu estava poucos milhares de milhas acima das nossas cabeças. Agora a Terra tem 4,5 mil milhões de anos e o universo observável estende-se por 92 mil milhões de anos/luz. Pegue-se em qualquer outro campo da ciência e a história é sempre esta, com novas descobertas a chegar quase diariamente. Como Pope, maravilhámo-nos como a natureza escondida é revelada pela luz científica.
O crescente corpo do conhecimento evoca o conceito de noosfera de Teilhard de Chardin, a cada vez maior esfera da compreensão e do pensamento humano. No nosso optimismo, tal esfera é como uma bolha de luz em expansão na escuridão da ignorância.
O optimismo leva-nos a focarmo-nos no conteúdo da esfera, embora a superfície seja mais importante, por ser onde o nosso saber acaba e o mistério começa. À medida que o saber aumenta, o contacto com o desconhecido aumenta também. O resultado é que não cresce meramente o saber (volume da esfera), expande-se  também o contacto com mistérios previamente inimagináveis. Um século atrás, os astrónomos interrogavam-se se a nossa galáxia constituía todo o universo; agora, dizem-nos que vivemos provavelmente num arquipélago de universos.
O establishment da ciência justifica a sua existência com a ideia de que oferece respostas e ultimamente soluções. Mas em privado, cada cientista sabe que o que a ciência faz é mostrar a profundidade da nossa ignorância. A crescente esfera do conhecimento científico não é a luz que faz desaparecer a noite de Pope, mas apenas uma pequena fogueira num enorme campo escuro de mistério. Vender descobertas ajuda a ganhar e assegurar propriedade, mas tempo virá em que as descobertas deixarão de ser o último objectivo do progresso científico. Meçamos o progresso, não pelo que se descobre, mas antes pela crescente lista de mistérios que nos lembram quão pouco realmente sabemos.
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LANTERNA

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INCONTINÊNCIA LOGORREICA

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Leio no "Diário de Notícias" que o professor Martelo criticou Mário Soares pela sua performance á saída da prisão de Évora. Não percebo porquê—afinal, o "senador"  disse as coisas de morrinhanha habituais, para gáudio dos que o admiram tanto ou mais que eu—só burrices.
Martelo refere em especial os ataques ao juiz Carlos Alexandre e a afirmação: "Isto não tem nada a ver com os socialistas, tem a ver com os malandros que estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar".
Segundo o professor, Soares disse coisas que um ex-Presidente da República não pode dizer. Claro que sim. Aliás, é o que faz todos os dias, de manhã, à tarde e à noite quando não está calado.
Martelo atribui o referido ao facto de Soares estar "naquela fase da vida em que diz tudo o que quer sem filtros". A situação "sem filtros", também chamada incontinente, é normal na sua idade. Outras incontinências carecem de fralda; esta carece de uma rolha—mas isso compete à família. Em todo o caso, é útil porque nos dá a imagem do que o cidadão Mário Soares sempre foi. A única diferença agora é que o filtro rompeu e deixa sair o lixo em débito torrencial.
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GERADORA GIGANTE

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Uma das maiores geradoras solares de electricidade do mundo está em construção nos Estados Unidos, em San Luis. Terá mais de 8 milhões de módulos, cobrirá a área de quase 20 Km2 e produzirá energia para abastecer 180.000 lares. É obra!...
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