O PORTUGUÊS ACTUAL É DOLICOCÉFALO, ortocéfalo (quase camecéfalo), metriocéfalo (quase acrocéfalo), levemente eurimetópico, de buraco occipital mesossema (quase megassema), leptoprósopo, cameconco ou mesoconco, leptorrínico, fenozígico (quase criptozígico), mesostafilino (quase leptostafilino), ortognata e megalocéfalo. - A. A. M. Correia, "Os Povos Primitivos da Lusitânia", 1924, p. 327
Mr.
Sajid Javid é um muçulmano ilustre no Reino Unido que escreve hoje um artigo no
The Times, a propósito dos últimos
acontecimentos de terror naquele País. A conversa é conhecida: que o Islão é
uma religião de paz e concórdia, que condena a violência, que os radicalizados
são gente anormal e não representativa do Islão, rebabá. Muito bem — já "captámos"
a mensagem há muito tempo, não somos burros e até a entendemos; mas os
radicalizados continuam a matar gente inocente em nome do Islão.
A porra é
essa, com vossa licença e do senhor Sajid Javid, que respeito, não digo muito,
mas alguma coisa.
Religiões
há muitas, do que não vem grande mal ao mundo... excepto no que ao Islamismo
diz respeito. Contam-se pelos dedos os casos de violência movidos por
convicções religiosas em todo o planeta, incluindo paragens recônditas e incivilizadas.
Mas o Islão não pára de matar gente barbaramente em nome do seu Deus generoso e
bom.
Dizem os que, alegadamente, acham mal tal prática que são os "radicalizados"
— termo novo para designar bandidos — que o fazem por enviesada interpretação
dos textos sagrados. E a pergunta é tão somente esta: o problema reside na "interpretação"
ou no "interpretado"? É que não acontece com outras fés e há
passagens nos livros sagrados do Islão que podem dar lugar a tropismos para a
violência. Passagens que saem — simultaneamente — quer da boca do Senhor Sajid
Javid, quer da boca dos energúmenos que
matam selvaticamente homens, mulheres e crianças inocentes. Qualquer coisa
está a falhar no Islamismo — é mais que evidente!
PS — O referido no texto aplica-se, igualmente, às Cruzadas dos católicos do antigamente. Mas essas acabaram. Já não há cruzados (Trump não tem estatuto para tal); mas radicalizados, há cada vez mais.
A mais velha ave conhecida
tem novo filho. Wisdom (Sabedoria), uma albatroz, volta todos os anos ao Midway Atoll National Wildlife Refuge,
no Hawai, para nidificar. Está "marcada" pelos cientistas desde 1956, com cinco anos de idade pelo menos, pelo que deve
ter hoje cerca de 65. Terá criado 40 filhos. Os albatrozes acasalam para a vida, mas
ela já ficou viúva várias vezes. O actual "marido" é Akeakamai que
tomou conta do último ovo durante mais de duas semanas enquanto ela procurava
comida. O novo filho chama-se Kūkini, que significa mensageiro em havaiano.
Desde 1956, já voou mais de 3 milhões de milhas, o que dava para ir e vir seis
vezes à Lua.
Um cubo
virtual, com 2 mil milhões de anos-luz de aresta, foi cheio com 10 mil milhões
de partículas também virtuais, cuja evolução foi computadorizada segundo as
leis da Cosmologia. A distribuição inicial da matéria era a correspondente ao
período de 397.000 anos depois do início do Universo. Assistimos à formação das galáxias e buracos
negros e toda essa cangalhada. Em 28 dias, ao ritmo de 200 mil milhões de cálculos
por segundo, 20 milhões de galáxias tinham sido formadas dentro do cubo. Estas
galáxias, a amarelo, e a matéria negra em volta delas, a azul ou púrpura,
formam um tecido muito semelhante aos dados recentes dos mais sofisticados
meios de observação cósmica. Um espanto — baril...
Os "buracos negros" astronómicos — acrescento o adjectivo porque não estou a falar da Autoridade Tributária e Aduaneira — nem sequer são buracos, como o nome insinua. São massas enormes de matéria compacta, tão enormes e compacta que a sua gravidade atrai fortemente tudo que se aproxima deles sendo incorporado na massa bruta pré-existente. O nome vem do facto de que até a luz — mesmo sem massa — ser atraída e não mais sair de lá, o que os torna invisíveis. Em boa verdade, era melhor chamarem-lhes buracos invisíveis para não fazer confusão, mas não interessa isso agora para o discurso que preparei.
Portanto, estrela ou estrelinha, planeta ou planetinha, cometa ou cometinha que se aproxime dele, já era — como o Sporting, tal e qual!
Mas, por vezes, dá-se o fenómeno de dois buracos negros se aproximarem perigosamente e só de falar nisso já mete medo, quanto mais quando isso acontece — porque acontece. Ainda na Quinta-Feira, há dois dias, chegaram à Terra sinais — já falo deles — de que dois buracos negros, com massas 19 e 31 vezes superior à do Sol e à distância de 3 mil milhões da anos-luz da Terra, se fundiram. Foi um espalhafato astronómico! Eu estava no ginásio e suspeito que até a passadeira estremeceu por causa disso — mas não tenho a certeza, nem isso interessa. O que interessa vem a seguir.
Como se sabe, Einstein — estou sempre a falar dele e até chateia — dizia que o espaço era curvo e a gravidade era devida às curvaturas; e que essas curvaturas podiam propagar-se como as ondas na Praia da Caparica.
E porque falo nisto? Porque uns intelectuais, astrónomos do País de Trump (custa a acreditar) inventaram uma geringonça capaz de transformar essas ondas gravitacionais em som. Não será propriamente o "Leva-me ao Fado", da Ana Moura, mas é som, prontes. E não quer o leitor saber que ouviram as ondas gravitacionais resultantes da fusão daqueles dois buracos, que deviam chamar-se invisíveis, mas se chamam negros. A 3 mil milhões da anos-luz! É obra!...
As ondas gravitacionais e os buracos negros — que deviam chamar-se outra coisa, porque nem são buracos, nem negros — estão "na moda" entre os astrónomos.
Curiosamente, e em aparte, direi que a Ciência também tem modas. E muitas... Os médicos que o digam. A primeira grande moda médica que "me tocou" foi o stress. Foi há cerca de 150 anos e vestia a roupagem de "Síndrome de Adaptação Geral — uma seca, diria Eça.
David
Brooks é o colonista do New York Times que citei recentemente, a propósito da
eleição de Trump — dizia Brooks: "Quando um
tosco e imprudente como Trump chega a Presidente concorrendo com as elites da
Nação, é sinal de que o problema são as elites". Pois Brooks escreveu ontem outra crónica sobre
o "paquiderme" em que faz um retrato perfeito do fenómeno, retrato
que todos fazemos subconscientemente quando o alarve abre a boca mas temos
dificuldade em "revelar". Não vou transcrever o texto todo porque nem
é preciso — uma pequena parte diz tudo.
Começa por citar dois colaboradores de Trump que escreveram
algures o seguinte, sobre a sua recente saída: O Presidente embarcou na primeira
viagem ao estrangeiro com a noção clara de que o mundo não é uma comunidade
global, mas uma arena onde as nações, actores não-governamentais e homens de
negócios competem e lutam por vantagens.
Tal "arrincanço", segundo Brooks, é a súmula perfeita do
conteúdo do crânio do Presidente — a vida é tão só uma luta competitiva pelo
ganho e todas as iniciativas cooperantes das comunidades não passam de disfarces
hipócritas de egoísmos subterrâneos e trapaceiros.
Tal explica porque Trump e seus serventuários suspeitam de
qualquer cooperação global, como a NATO e os acordos comerciais; e porque há
tanta atracção por líderes como Putin, os Príncipes Sauditas e outros homens
fortes pouco recomendáveis que compartilham a visão de que a vida é uma batalha
claramente egoísta por dinheiro e poder. Tal e qual! Nem Eça diria melhor!
E eu acrescentaria, se pudesse meter-me na conversa da gente "grande":
E isso de ser honesto e não fazer vigarices é só um problema decorrente da
existência de polícia. Não fora esta, uma vigarice aqui, um crime ali, um roubo
acolá, não teriam a mais pequena importância, se praticados em nome da
prosperidade dos espertos.
E pelo Donaldo Trampas não vai nada? TUUUDOOOOO!....
Churchill
foi uma personagem que sempre fascinou muitas almas por ser um homem cheio de
qualidades, incluindo ironicamente algumas fraquezas próprias de quem é humano
e que reconhecia com à vontade, mesmo divertimento.
Em
Setembro de 1896, embarcou para a Índia como oficial de Cavalaria num regimento
de Hussardos estacionado em Bangalore. O trabalho não "apertava" pelo
que Winston estava no activo sete meses por ano, gozando cinco meses de folga.
E o que chamo activo consistia nalguns exercícios de treino e muitos jogos de
polo.
Em
tal cenário, que considerava "estúpido, desinteressante e embrutecedor",
decidiu dedicar-se ao estudo da história do Parlamento Britânico e manter-se
informado sobre a política europeia, de modo a estar preparado quando iniciasse
a carreira política.
Em
boa verdade, tinha entrado no Exército
como meio de atingir um fim. Era ambicioso e usava a tropa para dar brilho à reputação, de modo a iniciar a
carreira política quando regressasse a Inglaterra, invocando feitos de bravura
e coragem.
Um
dia escreveu à mãe: "Ambiciono mais a reputação de coragem que qualquer
outra coisa no mundo. Um jovem deve admirar os ideais de um jovem". E,
como jornalista que também era, não se coibia
de destacar os próprios feitos na imprensa britânica, o que lhe valia a
antipatia dos camaradas militares, entre os quais não era popular por isso.
Nos
fins de 1897, conseguiu transferência para a Malakand Field Force, no Noroeste da Índia. Aí, um dia, viu-se debaixo de fogo inimigo e, com risco da
própria vida, a transportar nos braços um soldado ferido que salvou. Posteriormente,
viria a contar o feito escrevendo: "Não tive medo. Não acredito que os
Deuses tenham criado um ser forte como eu para um fim tão prosaico."
Esta é de "rebenta canelas". Por estas e outras parecidas é que admiro o
homem.
Acordamos graças a um relógio
despertador e entramos no dia regulado pelo tempo — o encontro, a visita, a conferência, o almoço, estão
todos previstos para uma hora própria.
Coordenamos a nossa actividade com a dos outros porque todos concordamos, implicitamente,
seguir um sistema único de medir o tempo, baseado no inexorável nascer do dia e
cair da noite. Com o curso da evolução,
o homem desenvolveu um relógio biológico regulado por este ritmo alternado de
luz e sombra. Tal relógio, situado no
hipotálamo do cérebro, governa o que chamamos tempo somático ou corporal. Mas há
outro tipo de tempo simultâneo. O "tempo mental" que tem a ver com a forma como experimentamos
a passagem do tempo e organizamos a cronologia. A despeito do regular tic-tac do relógio, a duração pode ser rápida ou lenta, longa ou curta. E esta variabilidade pode ocorrer em
diferentes escalas, de décadas, estações, semanas, e horas, até ao mais breve
intervalo da música, — a duração duma nota ou o
período de silêncio entre duas notas. Também colocamos acontecimentos no tempo,
decidindo quando ocorrem, por que ordem e em que escala, seja de uma vida ou de
alguns segundos. Como a mente se relaciona com o relógio biológico do tempo
corporal, não sabemos. Também não é claro se o tempo mental depende dum único
centro de registo, ou se as nossas experiências de duração e ordenação no tempo
assentam primariamente, mesmo exclusivamente, num processamento da informação.
Se a última alternativa se verificar certa, o tempo mental deve ser
condicionado pela atenção que damos aos acontecimentos e pelas emoções que temos quando ocorrem. Devem ser também
influenciadas pelo modo como registamos os eventos e as inferências que
fazemos quando os percebemos e recordamos.
António Damásio:
"Remembering When", in "A
Question of Time, The Ultimate Paradox", American Scientific, 2012.
Falávamos há dois dias do tempo, da natureza do tempo e do que é, ou se julga ser; de Santo Agostinho que só sabia o que era tempo se não lho perguntassem; e de outras larachas sem importância. Hoje tenho pensado na influência que o tempo tem na sociedade, ou seja, do seu papel no ponto de vista sociológico, e nas "culturas" do tempo, se assim posso exprimir a forma como ele é considerado nas diferentes partes do mundo — para dar um exemplo, fenómenos como o facto de uma hora ser um piscar de olhos em Timor e dez minutos uma eternidade na Suíça.
O tempo é elástico numas terras e curto e rígido noutras. Na realidade, tal depende da forma como é usado. E, embora haja diferenças de atitude mental no que ao tempo respeita, há aspectos consensuais, alguns bem estranhos. Estudos feitos em todo o mundo por instituições credenciadas mostram, por exemplo, que a aceitação do fenómeno de um "poderoso" fazer esperar um cidadão com menor status, é universal — o tempo não será o mesmo para cada um deles, embora muitas vezes seja mais importante, de facto, para o segundo que para o primeiro.
Em muitos locais do mundo vêem-se relógios e calendários de todo o planeta, o que não significa que toda a gente leia aquela informação do mesmo modo — o trajecto é o mesmo, mas o "tambor" que marca o ritmo da marcha dos diferentes povos toca de forma diferente, já insinuava Shakespeare. Há quem se sinta de tal forma pressionado pelo "tambor", que só pensa em slow food, antípoda desse ícone da vida moderna nas sociedades industriais que é o fast food.
Num estudo feito em 31 países e publicado em 1997, com o título Geography of Time, as populações são classificadas segundo três critérios: a) rapidez da marcha dos peões nos passeios das ruas; b) tempo necessário para comprar um selo; c) grau de exactidão dos relógios públicos. Com base nestes dados, chegou o autor às seguintes conclusões: 1) países mais rápidos, por ordem decrescente — Suíça, Irlanda, Alemanha, Japão e Itália; países mais lentos, por ordem crescente — Síria, El Salvador, Brasil, Indonésia e México. Os Estados Unidos ficam a meio da tabela, no 16º lugar. De Portugal não tem informação, mas recomendo vivamente a observação do castiço que aparece no vídeo incluído no fim deste post a falar do livro. Não diz grande coisa com proveito, mas é engraçado (tem legendas possíveis em inglês).
Algumas culturas, como os aborígenes australianos, não distinguem o passado, o presente e o futuro e, segundo Ziauddin Sardar, escritor muçulmano britânico, no Islão, o tempo é uma tapeçaria que inclui o passado, o presente e o futuro, em que passado é o presente e o futuro foi apagado. Complicado!
A palavra de ordem de Trump "America
First" é desde ontem diferente — "America Alone". O
paquiderme da loja de cerâmica critica,
e bem, as mordomias dadas à China no Acordo de Paris; mas não percebe que o
afastamento americano do Acordo só beneficia os chineses. Se, com a América dentro, tem sido o que se vê, com a América
fora vai ser pior.
Na realidade, os tratados e acordos internacionais não valem pelo que
está escrito no papel, mas pela viabilidade de impor o cumprimento do que lá esta
escrito; e o abandono da América aumenta a margem de manobra para os infractores.
Trump está convencido, e é movido por isso, que vai poupar uns cobres e aumentar a receita, o que
é verdade. Mas tal poupança vai colocá-lo na situação de enfrentar uma concorrência
industrial chinesa maior e, adicionalmente, ilegítima, ilegal, traiçoeira, ou
como queiram chamar-lhe, em relação à qual perdeu a voz. Tal tipo de concorrência combate-se de dentro e não de
fora e Trump pôs-se fora. Como dizia ontem, é uma questão de ponto de vista. E o ponto de vista de
Trump é o fundo do penico.
Não simpatizo com Trump, considero-o uma calamidade que aconteceu na América, acho que vai acabar politicamente mal e espero que seja só ele e o mais rapidamente possível. Mas gente como Trump só ganha eleições quando os oponentes são também muito maus, o que é o caso. Nesta matéria do aquecimento global, dos combustíveis fósseis e das energias alternativas, há aspectos pouco claros, uns, e mal explicados, outros; e custa ouvir Trump falar de alguns deles e ter de lhe reconhecer razão, como acontece com o tratamento dado à China e à Índia no Acordo de Paris.
Na Estação Espacial Internacional habita um francês, de seu nome Thomas Pesquet, que, segundo
suponho, vai regressar hoje à Terra — literalmente. Mr. Pesquet
gosta de fotografia e "encheu o papo" nos seis meses na Estação
Espacial. A publicada aqui em cima foi feita sobre a Polónia e, além de
Varsóvia em baixo, vê-se a França e... mais para cima... a Bélgica! Compare-se
esta Bélgica com o resto da Europa visível na fotografia.
A Bélgica, além
de manter as luzes da iluminação pública ligadas toda a noite, tem essa
iluminação nas povoações e também em quase todas
as estradas. O resultado está à vista — quem pode... pode!
O professor Stephen Hawking é um cientista que muito prezo e cujos textos me têm ensinado muito — o que é basófia pois, se tivessem ensinado tal, eu saberia muito — e que sempre considerei um nadinha mais sensato que o Professor Marcelo. Hoje, esta consideração foi abalada quando li uma declaração que lhe é atribuída. Segundo um newspaper, o Professor Hawking terá dito que o homem tem 100 anos para se estabelecer noutro planeta. Não é ir a outro planeta — é instalar-se noutro planeta, com armas e bagagens! O bilhete é só de ida e não de ida-e-volta.
E porque as fífias normalmente têm eco, o empresário Elon Musk (Paypal, SpaceX e Tesla Motors) propôe-setransportarum milhão de pessoas para Marte até meados deste Século.
Portanto, tudo aponta para que os novos colonizadores irão emigrar para Marte, uma vez que a Lua, pelo visto, não está na moda e compreende-se porquê: é que lá, a noite dura meio mês e o dia outro tanto. Todos os fenómenos biológicos humanos com ritmo circadiano teriam de evoluir para ritmo circameiomesano. E, em Marte, embora a coisa não fosse tão longa, também não era brilhante — digamos, ritmo circaquasemeiomesano. Não dá!...
E, depois, quem gostaria ter de estar sempre em casa, precisar de vestir o fato espacial espacial para dar uma volta ao quarteirão e não ter sequer uma árvore para levar o cão à rua fazer uma mijadinha? Uma seca!
Não! O Professor Hawking, mais o Musk, talvez o Professor Marcelo, que vão para lá. Eu fico em S. Domingos de Benfica.
.
. . Vídeo de Marte feito com imagens reais enviadas pela sonda Curiosity. ...