sábado, 14 de fevereiro de 2015

À VELA

.
.
Lisboa, 14-02-2015
..

GANHAR NA SECRETARIA

.



Segundo os jornais, Paula Lourenço é advogada e defende dois presos investigados na "Operação Marquês". Ainda de acordo com as mesmas fontes, terá usado a revista da Ordem dos Advogados para falar do processo, num texto com o esdrúxulo nome de "Vamos a Supor" (sic), publicado depois duma página a negro onde se lê Je ne suis pas Charlie, je suis avocat, declaração que não se entende por alma de quem é feita no contexto em análise. Mas tal não interessa agora, pois cada um escreve o que quer e como quer, sobretudo como sabe, e a mais não é obrigado—conseguiu atrair a atenção dos media, se era esse o objectivo.
E que diz Paula Lourenço? Diz que não há razão para investigar a actividade dos seus constituintes? Que eles não participaram em qualquer acto suspeito de aldrabice? Que há indícios de estarem a ser perseguidos por razões estranhas ao processo? Se diz, os jornais não referem isso. O que diz a advogada é que o Ministério Público "agiu sem mandado de detenção" e "com violência"; que "as próprias mulheres dos arguidos foram interrogadas sem qualquer fundamento legal durante várias horas"; que as buscas que continuaram na casa de um dos putativos detidos foram complementadas com "interrogatório" de várias horas ao seu cônjuge"; talvez que um dos magistrados, ou dos polícias, tenha pisado o rabo ao gato; que o oficial de diligências arrotou na cozinha dos arguidos e sabe-se lá que mais terão feito os trastes e eu desconheço por não ter acesso directo ao texto da Dr.ª Paula Lourenço.
A Dr.ª Paula Lourenço devia ter percebido já que os seus clientes estão mergulhados até aos colarinhos em suspeitas graves e é aí que deve  concentrar-se. Se quer mudar a opinião pública, como parece querer fazer com este escrito, é nisso que tem de empenhar-se e não em factos processuais que dizem muito pouco ao povão. Pode conseguir até uma vitória na secretaria e admito que a consiga. Mas olhe que, desse modo, os homens agora detidos saem da cadeia, mas saem bastante emporcalhados. Admito não ser coisa preocupante na circunstância mas, nesse caso, ficamos todos esclarecidos.
.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
.
"Skylge"
.

PENSAMENTO PARA HOJE

.
.

1 MINUTO DE MÚSICA

.
.

QUE GRANDE BANQUETE !

.
.
Olhos e barriga: uma garça come uma carpa enorme
.

ESTICAR A CORDA

.

Luís Amado é um homem informado e ponderado, cuja opinião nos merece atenção—vale mais que 200 dirigentes socialistas em concepção colectiva simultânea e nunca percebi como aceitou ser ministro num Governo presidido pelo Zezito. Mas isso são apartes. O que queria dizer é que ontem Amado escreveu na revista "Visão" o seguinte: a Grécia caminha para um desastre social e político que pode acabar, na melhor das hipóteses, num referendo sobre a permanência no euro ou, na pior das hipóteses, num golpe militar.
Eu diria que pode resultar nas duas coisas.
Todos conhecem os antecedentes da Grécia e, segundo leio, os actuais militares não se distinguem muito dos de 1967. Sei não ser fácil, no contexto europeu actual, instalar uma cangalhada semelhante à "ditadura dos coronéis" de então, mas tal depende do grau de abandalhamento a que a situação política chegar. E se os actuais dirigentes syrízicos não têm um nadinha de senso, os gregos podem vir a conhecer dias difíceis.
Aldous Huxley escreveu que a maior lição da História talvez seja a de que ninguém aprendeu as lições da História. Nunca, suspeito.
Depois da desgraça vêm os lamentos, os queixumes, o fado em dó menor. Sei que é bonito e de macho esticar a corda até ela partir; mas tem custos. A porra é essa.
.

INFANTE DE SAGRES

.
.
Lisboa, 12-02-2015
.

EXCERTOS ESCOLHIDOS

.

[...] Em contrapartida, o couro preto não engana ninguém e não há ninguém que não conheça a sua ilustre linhagem: os comissários do Exército Vermelho, os generais do Führer, os super-homens da SS. O couro preto e o pormenor moderno da fralda de fora indicam agressivamente o macho Alfa, a sua virilidade e a sua vontade de domínio. Características que, se não comovem a sra. Merkel, intimidam os burocratas da economia e arrasam as feministas de serviço. A velha Europa precisava desta metamorfose da revolução.

Vasco Pulido Valente in "Público"
.

LISBOA

 .
.
Lisboa, 07-02-2015
.

HISTÓRIA DE UM PINGO DE SOLDA

.

Um canalizador foi com o ajudante consertar um cano na cozinha da marquesa (a história é velha mas agora faz falta). Em dado momento, deixou cair um pingo de solda a ferver num olho do ajudante que estava a segurar o escadote em baixo e que reclamou, naturalmente. No dia seguinte a marquesa disse ao patrão que nunca mais os queria ver porque eram uns ordinarões. Interrogados pelo patrão, o ajudante contou a história do pingo de solda, acrescentando que apenas teria dito ao companheiro: Ó António, tem cuidado porque já deixaste cair um pingo de solda no meu olho! 
Zezito admite que telefonou ao Vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, a interceder pelos negócios do Grupo Lena, ligado ao seu generoso amigo Santos Silva, "a quem devia atenção". Mas acrescenta que o fez "com gosto" e "por mera simpatia".
Hoje lê-se na imprensa que, como Manuel Vicente estava de partida para Nova-Iorque, Zezito e Santos Silva compraram bilhetes à pressa para irem encontrar-se com ele no consulado de Angola naquela cidade.
Zezito já não era Primeiro-Ministro, é verdade, embora o caso tresande a tráfico de influências. Mas se interrogarem Zezito sobre a matéria, provavelmente vai explicar que só disse ao amigo: Ó Carlos, tem cuidado porque já deixaste cair um pingo de solda no meu olho!
.

DA MINHA JANELA VEJO O CARNAVAL

.
.
Lisboa, 13-02-2015
.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
.

PENSAMENTO PARA HOJE

.
.

SEM PROCURAÇÃO

.

Louçã diz que Portugal tem pela primeira vez um governo que nos representa na Europa—o grego. Por mim, passo: dispenso a representação. Digo isto porque, depois de ter estado na Grécia algumas vezes, desejo sinceramente nunca ser representado por gregos.
A Grécia já teve gente ilustre—é verdade—mas tudo muda e, parafraseando Lavoisier, na natureza nada se perde, nem nada se cria, tudo se transforma: no caso, naquilo que se vê na helénica nação.
Sei que a Lusitânia também teve armas e barões assinalados que entre gente remota edificaram novo reino que tanto sublimaram, mas a nós aplica-se igualmente o Princípio de Lavoisier e, mal por mal, antes assim que pior.
Não sou xenófobo e todos são meus irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo, gregos incluídos. Mas Cristo também disse "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Neste caso o César chama-se Tsipras, desejo-lhe as maiores venturas, mas não lhe passo procurações notariais. Que passe bem é o que desejo.
.

AO PRINCÍPIO ERA A PEDRA LASCADA


.
(Com colaboração de Pedro Masson)
.

NAVIO FANTASMA

.
.

BALADA DA INQUIETAÇÂO

O Syrisa foi eleito democraticamente, ipso facto, tem razão—quem sou eu para contestar tal critério? Não contesto. Embora...
Embora me recorde que Hitler chegou ao poder de forma democrática. E também a coligação chefiada por Passos Coelho—que o "democrata" Soares não se cansa de pedir para o Presidente escorraçar—chegou ao poder de acordo com as regras constitucionais. Churchill dizia que a democracia é a pior forma de governo, se... Não dizia que conferia automaticamente lucidez, senso, razão, justeza, rebabá. Ponto.
O Syrisa tem total legitimidade para governar a Grécia. Inerentemente, tem total legitimidade para defender a Grécia dos gatunos plutocratas que a sangram—os mesmo gatunos plutocratas que roubam e sangram Portugal. Por isso, devemos esperar que o Syrisa consiga dar a volta ao texto; desde que tal se traduza em benefício também para nós e não em benefício para gregos e prejuízo para portugueses.
"Ser grego" do ponto de vista exclusivamente "clubista" é mau; muito mau. Deve apoiar-se a Grécia e as suas justa pretensões, mas racionalmente e sem perder de vista o nosso interesse.  Qualquer benesse dada a Tsipras deve ser dada a Passos Coelho e é isso que se lhe exige.
Vem isto a propósito da carta de trinta e tal patetas do costume, entre os quais se contam Bagão Félix—a atravessar uma fase maníaca—e Freitas do Amaral—delfim de Marcelo Caetano e ex-procurador na Câmara Corporativa do "fassismo"—que, se tivesse vergonha, estava calado, carta dirigida a Passos Coelho. E o que diz tal carta? O mais estranho é que não diz nada; e cada entrevista com cada subscritor não acrescenta nada à carta. Ou antes, acrescenta botas que não dão com as perdigotas.
Porque se mantém esta gente em estado de permanente efervescência? A agitação de Soares compreendo porque está senil e com medo que se esqueçam dele. Mas estes patetas, Senhor, porque lhes dais tanta inquietação? Porque padecem assim?  Uma infinita tristeza, uma funda turbação entra em mim, fica em mim presa.
.

FOTOGRAFIA DO DIA

.

A FRASE DOS SÉCULOS

.
[Sócrates foi] "o melhor primeiro-ministro desde o Marquês de Pombal, dr. Salazar incluído".

João Araújo, advogado do Zezito
.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
.

PENSAMENTO PARA HOJE

.

1 MINUTO DE MÚSICA

.
.

REVOLUÇÃO BOLIVARIANA

.
.
Não tarda têm de levar o penico para comprar papel higiénico!.
.

CASCAIS

.
.

HOTEL ALBATROZ

.
.

UM STRADIVARIUS A TAPAR BURACOS !

.
O "Expresso" desta semana inclui a história da amizade do Zezito com o generoso amigo Santos Silva e, a respeito do trabalho do primeiro na Câmara da Covilhã, diz assim em dado passo:

[...] “O Zé entrava às nove da manhã e saía às cinco da tarde, como qualquer funcionário público, mas a verdade é que passava os dias ao telefone”, recorda Carlos Lança, de 56 anos, técnico na autarquia naquela época. “Pouco trabalhava.”
Com um bacharelato de quatro anos em Engenharia Civil tirado no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, José Sócrates consegue um emprego no Estado com a ajuda do pai, Fernando Pinto de Sousa, um conhecido arquiteto da Covilhã, mas o entusiasmo com o ofício é pouco ou nenhum. O emprego parece ser meramente instrumental. Dá-lhe um salário. “A função dele consistia em acompanhar a brigada do asfalto, que se ocupava em tapar buracos nas estradas”, lembra um antigo dirigente autárquico que prefere não se identificar. “Era muito faltoso, e a sua postura fez com que nunca tivesse sido promovido durante os anos em que esteve na Câmara.” [...]

Aí está! Mas quem se lembraria de pedir ao Zezito para tapar buracos? A sua vocação, desde petiz, sempre foi a de abrir buracos. Nisso é o maior especialista da Via Láctea e arredores. Está na cara que o Município não tinha departamento de recursos humanos, para utilizar cada um de acordo com a sua serventia; e agora vem dizer que ele era faltoso, que passava a vida a telefonar, rebabá. Mesmo depois—e é isso que irrita—das provas dadas ao leme da Nação, com mão firme no timão, em rota certeira para o buraco negro Troika, maior que o do cluster de galáxias RX J1532.9 3021, continua a dizer que não tapava buracos na Câmara da Covilhã! Pois que esperavam? Provavelmente, eram capazes de pôr Stradivarius a construir pipas de vinho do Cartaxo! Há cada um!...
.

PRAIA DA RAINHA

.
.
(Vista para o lado do Hotel Albatroz)
.

OLHA O PASSARINHO

.
Em 2013, Tsipras esteve em Zagreb num encontro político que tem o sugestivo nome de "Festival Subversivo". Até aqui, tudo bem—ainda não aconteceu nada.
Mas Tsipras falou! E que disse? Tsipras disse que "A questão do euro funcionaria como uma bomba atómica se o Governo [grego] estivesse disposto a ter coragem nas suas negociações a nível europeu, tentando obter o melhor para o seu povo". Mas logo depois também informou os presentes que "uma saída da Grécia do euro não era do interesse de um governo de esquerda radical". E acrescentava: "uma saída do euro criaria uma situação difícil na qual a desvalorização da nossa moeda concederia a quem tivesse euros o poder de comprar fosse o que fosse".  Ou seja, a "bomba atómica" era na época para usar apenas como arma de negociação. E agora? Já é arma de combate? Ou continua a ser só farolada?
Mas a maior ternura foi quando Tsipras declarou urbi et orbi: "A Venezuela de Chávez é o brilhante exemplo de um país que combina o crescimento económico com uma redução das desigualdades sociais". E mais disse: "A Venezuela continua a ser um modelo para nós, como para a esquerda de todo o mundo".
Anda bem que avisa. Será que o passarinho que Chávez usa para comunicar com Maduro também fala com Tsipras? 
.

FLOR

.
.

UM RECADO PARA ALEIXO TRIPAS

.
.
O Governo português está a renegociar a dívida pública com um dos credores oficiais, o FMI, ao ponto de conseguir poupar cerca de 200 milhões de euros em juros, através de mecanismos de mercado e sem chantagens sobre os credores.
Afinal, há alternativa ao caminho de confronto do novo governo grego.

António Costa in "Diário Económico"
.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
.

PENSAMENTO PARA HOJE

.
.

1 MINUTO DE MÚSICA

.
.

É O BAÇO UM ÓRGÃO MELANCÓLICO ?

.
A cabeça tem dias. Uns melhores, outros piores. Faz parte da natureza da massa encefálica ser assim. Há dias, como dizia Eça, de spleen e dias de agitação quase maníaca; e o humor varia entre o spleen e a mania com o calendário. Hoje é dia de António Vieira para mim. Não sei explicar porquê, mas apetece-me ler Vieira. Sem querer pregar uma seca aos leitores que têm paciência bastante para ler o que lavro, recomendo-lhes que leiam o excerto seguinte do Sermão da Sexagésima, de 1655. É bom.


[...] O sermão há de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: "Exiit qui seminat seminare semen". Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há de ter uma só matéria, e não muitas matérias. Se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre o trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? Uma mata brava, uma confusão verde. Eis aqui o que acontece aos sermões deste género. Como semeiam tanta vanedade, não podem colher coisa certa. Quem semeia misturas, mal pode colher trigo. Se uma nou fizesse um bordo para o Norte, outro para o Sul, outro para Leste, outro para Oeste, como poderia fazer viagem? Por isso nos púlpitos se trabalha tanto e se navega tão pouco. Um assunto vai para um vento, outro assunto vai para outro vento; que se há de colher senão vento? O Baptista convertia muitos em Judeia; mas quantas matérias tomava? [...]
.

NÃO É GAGO NÃO SENHOR !

.

O Ministro da Reconstrução, Ambiente e Energia da Grécia, Panagiotis Lafazanis, deixou esta Terça-Feira no Parlamento um aviso à União Europeia. Disse Lafazanis (a tradução deve ter sido feita por um amola tesouras e navalhas, mas ainda se entende): 

"O memorando e a troika terminaram. A eleição do programa do Syriza não será cortado em pedaços. A Grécia não é um protectorado. Os maiores protagonistas da União Europeia pensam que nos podem chantagear, mas eles têm que saber com quem se estão a meter".

É bonito falar assim! Fica-se enlevado e interrogamo-nos porque ainda ninguém—português, espanhol, irlandês, ou italiano—falou do mesmo jeito. Deve ter sido falta de lembrança, suspeito.
Marginalmente, refiro um facto que me admira: é os protagonistas da União Europeia não saberem com quem se estão a meter. Digo isto porque eu, modesto editor dum blog de terceira apanha, sei. A Grécia, tal como Portugal, é um País falido por falta de cabeça, o que, nos casos referidos, não é moléstia episódica como as bexigas ou o sarampo, mas crónica e recidivante, qual caspa ou lepra. Nós tivemos um Zezito. Os gregos tiveram vários. Mas seja um, ou sejam vários, vai tudo dar à mesma merda.
E pelo Lafazanis que não usa gravata mas tem um relógio Rolex® não vai nada?
Tudo!...
.

VER AS ESTRELAS E CARA ALEGRE

.
No centro desta imagem, feita pelo telescópio Hubble, está um grupo de galáxias chamado SDSS J1038+4849 formando uma cara bolachuda e sorridente. Há duas galáxias redondas que parecem olhos e um botão branco, o nariz. A boca e o contorno são arcos de luz desviados e deformados pelo efeito de lente da gravidade da estrutura galáctica, com enorme massa (lensing effect). Catita!
.

PORTUGAL

.
.

TSIPRAS E OS SANGRADORES DA EUROPA

.

Não sei quem é Paulo Barradas, a não ser que escreve no "Expresso", onde se diz ser gestor. Hoje, disserta sobre as personalidades que desde há dias apascentam a Pátria Helénica, o que pode ser resumido em três transcrições:

i) O marketing tão comentado das suas vestes informais teve mais sucesso até agora do que os contactos europeus dos últimos 15 dias. O que não é nada bom sinal para os gregos.

ii) Tsipras tem duas opções para sair do imbróglio em que as suas promessas o meteram: a drástica e a levemente catastrófica.
A opção drástica é convencer os restantes contribuintes europeus a suportar o modo de vida grego anterior à crise financeira, bastante melhor que o actual. Mesmo que isso signifique uma ainda maior redução da qualidade de vida dos restantes contribuintes europeus. Esta opção passaria por um perdão total ou parcial da dívida da Grécia, como prometido ao povo grego, por parte dos restantes contribuintes europeus, que representam cerca de 80% dos credores.
Esta opção é drástica pelo custo que representa para os contribuintes europeus e pela forma como é "imposta" pelo governo grego: se os europeus quiserem que a Grécia fique no Euro têm que perdoar a dívida.
A isto chama-se solidariedade ao estilo grego.

iii) A opção levemente catastrófica é a saída da Grécia do Euro. Se Tsipras não conseguir cumprir o que prometeu, terá que considerar a saída da Grécia do Euro, dada a impossibilidade de se vergar aos restantes contribuintes europeus seus credores.
Apesar dos esforços do governo grego em apregoar a catástrofe que seria para a Europa a sua saída do Euro,  ameaçando com a sua aproximação à Rússia  e com o fim do Euro como um castelo de cartas, os actuais líderes europeus não se deixam intimidar porque consideram este cenário ainda mais catastrófico para os gregos.
Instintos suicidas à parte, ninguém acredita que a Grécia escolha esta via sacra para sair da crise, mas a maioria dos líderes europeus está disposta a pagar para ver.

Suspeito que a cruzada tsipreira vai acabar em estrondoso flop, o que a verificar-se é mau para muitos europeus—portugueses incluídos. Merkel e a plutocracia imoral da Europa andam a precisar duma ensaboadela bem dada—é verdade. Mas falo de  ensaboadela bem dada e não de folclore popularucho, consubstanciado em política de fralda de fora. Claramente, os actuais líderes da Grécia não têm estatura política—ou de qualquer outra natureza—para enfrentar os figurões que sangram os povos deste mundo; e, quando forem reduzidos à sua real insignificância, vão deixar tais vampiros mais fortes. Já todos vimos no que dão as revoluções bolivarianas e pessegadas similares: a cada vez maior margem de manobra dos sangradores internacionais.
.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
.
"Joseph Conrad"
.

PENSAMENTO PARA HOJE

.
.

1 MINUTO DE MÚSICA

.
.

É A VIDA !

.

Extremófilos, o que significa literalmente "amantes de ambientes com condições extremas", são seres que vivem em ambientes que consideramos de grande hostilidade biológica. Por exemplo, o micro-organismo Geogemma barossii sobrevive a temperaturas de 120 graus Celsius, enquanto outros micróbios continuam com actividade metabólica normal nas camadas geladas da Sibéria, a 20 graus negativos. A bactéria Deinococcus radiodurans  mantém-se viável após exposição a doses de radiação mil vezes superiores à dose letal para o homem e o micróbio Ferroplasma acidarmanus pode suportar meios com pH tão baixo como 0.
Na realidade, a designação de extremófilos é tipicamente humanocêntrica porque, do ponto de vista microbiocêntrico, nós também somos extremófilos. Porquê?!!!... Porque, por exemplo, eles não sobrevivem numa suite climatizada do Hotel Ritz e preferem o gelo da Sibéria, a vizinhança dum vulcão, ou um habitat com intensa radiação ionizante.
Cada um é como é; e a variedade de comportamentos bioquímicos tão diversos reflecte milhares de milhões de anos de  adaptação e diferenciação—de evolução em última análise. É curioso como, em quase tudo em que se pega e diz respeito à vida, vamos sempre parar a Darwin.
Quando hoje se fala de alienígenas, ou da existência de vida extraterrestre, estamos quase sempre agarrados a um conceito de vida limitado. Quando pasmamos com o que vemos no nosso planeta, fica claro que não estamos preparados para eventuais formas de vida mais exóticas ainda que os chamados extremófilos.
O primeiro facto embaraçoso quando nos metemos em conjecturas extra-terrestres é que, em boa verdade, não sabemos muito bem o que é vida. Aristóteles dizia que era uma coisa que cresce, se nutre e reproduz. Não está muito mal. Afinal, depois dele não adiantámos muito. Schrödinger que era físico, meteu-se numa embrulhada de termodinâmica e entropia e ficamos todos como antes. Para simplificar, há quem resuma a resposta à capacidade de reprodução. É simples, acerta quase sempre, mas tem lacunas. Caricaturando, pode dizer-se que as mulas não se reproduzem porque são estéreis e são seres vivos. E o fogo reproduz-se e não vive. Ou vive?—já não sei!
Procurar vida alienígena, afinal, não é simples. Não é não senhor. Pela singela razão de que não sabemos do que andamos à procura. Já viram? Óh égua!...
.

POMPEIA

.
.
Este é um fragmento da animação realizada pelo Museu de Melbourne que procura mostrar como Pompeia foi soterrada em 48 horas pela erupção do Vesúvio, no Anno Domini 79. Pode ver o vídeo completo clicando aqui.
Em baixo, a cratera do vulcão fotografada por mim em 2006.
.

(Com colaboração de Francisco Carvalho)
.

LUAR

.
.
O luar é a luz do Sol que está dormindo.
(Mário Quintana)
.

KEEP CALM

.
Lê-se nos jornais que o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Grécia vai visitar a Rússia em vésperas do primeiro Conselho Europeu de Tsipras. A coisa tem sabor a ameaça: se a Europa não se comove connosco, voltámo-nos para os russos.
Não era mal pensado, não se desse o caso da Rússia caminhar também para a falência a passo acelerado, com a economia e as finanças em adiantado estado de putrefacção. O Ministro grego corre sério risco de regressar a Atenas apenas com um pedido de ajuda de Vladimir Putin.
A ideia dos gregos, a quem eu desejo o maior sucesso na luta contra a austeridade luterano-punitiva da Senhora Merkel, só seria mais peregrina se fossem pedir auxílio à Venezuela e à Revolução Bolivariana do saudoso Chávez.
Na triste realidade da actual conjuntura política e económica, o único País capaz de ajudar alguém é a América e a América não está para aturar Tsipras. Fica-se por algumas palavras simpáticas e de circunstância de Obama porque não tem de lhe pagar as dívidas. Nem a ele, nem a Portugal. Palavras bonitas, que tanto excitaram o Dr. Soares, saem baratas e fazem toilette. Infelizmente, só isso.
. 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
.

PENSAMENTO PARA HOJE

.
.

1 MINUTO DE MÚSICA

.
.

PROTECTOR DO OCEANO

.
.
Lisboa, 08-02-2015
.

HEÚREKA ! . . .

.

A Ministra da Justiça que  há dois dias eu dizia ser escopeta de pederneira de carregar pela boca, enganou-me bem: afinal, a senhora é canhangulo,  também chamado esperapoco, a tender para a clava ou porrete, igual ao Dr. Soares. Como se lê na imagem em cima do "Observador", a tutelar da pasta da justiça—com minúscula (o jornal lá sabe porquê)—acha que as drogas leves podem ser negócio rentável para o Estado. Segundo leio nos comentários da notícia, parece que Portugal já produz droga para a exportação, à semelhança do que faz o Afeganistão e outros países avançados com o ópio. Sendo assim, porque estamos a atravessar grave crise económico-financeira e temos de lançar mão a todos os recursos para equilibrar o Orçamento do Estado, a ideia afigura-se catita.
É claro que há aspectos a afinar, o que exige trabalho de casa. Por exemplo, qual o IVA a cobrar neste caso: 6%, ou menos? Considerando que o cidadão normal para injectar um medicamento tem de pagar 0,5 € por cada seringa e o toxicodependente não paga nada pela mesma seringa para se drogar, acho 6% de IVA excessivo nas drogas leves—devia ser zero para sermos coerentes, circunstância em que a rentabilidade referida por Sua Excelência seria inferior ao estimado. É claro que há sempre uma solução feliz nestes casos: isenta-se o drogado do IVA e aumenta-se o imposto nos medicamentos, por exemplo, para a hipertensão, para o Parkinsonismo, para a epilepsia e coisas semelhantes porque ninguém autorizou as pessoas a sofrerem de tais enfermidades e quem não tem dinheiro não tem vícios—toma!
Naturalmente, como a droga leve vai ser de venda livre, não necessitando de prescrição, a indústria farmacêutica terá de apresentar o produto aos seus clientes de forma directa—porque haverá várias marcas e concorrência necessariamente. Tal implica a admissão de delegados de informação médica especializados no ramo—de preferência também toxicodependentes porque não há nada como a experiência—o que se afigura maneira excelente de criar postos de trabalho e combater o flagelo do desemprego.
Finalmente, o País adquire um know-how que pode depois exportar para a República Centro-Africana, para o Botswana, para o Burundi, para o Zimbabué e, quem sabe, para o Estado Islâmico.
Ganda Paula!...
.

UM COMBOIO CANADIANO

.
.

HERÓIS DO MAR

.
.
Lisboa, 08-02-2015
.

O MONOGLOTISMO CIENTÍFICO

.


A  ciência, como toda actividade intelectual, usa a comunicação oral e escrita para se difundir, confrontar ideias, formular problemas, apresentar soluções, para pensar até—na realidade, também usamos inconscientemente a linguagem para raciocinar. Ao longo dos séculos, as línguas dominantes na ciência têm variado muito. Do grego, latim e árabe, passou-se ao italiano, francês, alemão, inglês, russo e outras. Uma Babel complicada que obrigava o pessoal da ciência a conhecer tais línguas se queria manter-se informado sobre o que se escrevia e dizia no mundo. Embora houvesse quase sempre uma língua dominante, tal não se revelava suficiente. Em 1869, por exemplo, Mendeleev quase perdeu o crédito de autoria da tabela periódica por ter publicado o trabalho em russo e não em alemão.
Especialmente por razões históricas e sociológicas, o inglês começou a ser muito usado na ciência há cerca de um século. De tal modo que, em 1980, cerca  de 80% das publicações científicas eram feitas em inglês e actualmente tal percentagem anda pelos 99%. De supetão, a ciência, tornou-se "monoglota", completamente anglófona. A que se deve tal fenómeno?
Naturalmente, ao facto de o inglês ser a língua da América, do Canadá, do Reino Unido, da Austrália e de numerosos outros países, ex-colónias da Inglaterra. Afinal o fenómeno não é exclusivo da ciência, acontecendo o mesmo no comércio, na indústria, na política, no turismo, etc. Mostra-me a experiência que em qualquer país do mundo, quando abordo um cidadão indígena, a reacção dele é sempre tentar explicar-se em inglês, sem saber de que terra sou—é um instinto novo do homem moderno, sem dúvida. Nalguns navios de cruzeiro, já tenho falado inglês com brasileiros, e até portugueses, antes de percebermos que falamos os dois como Camões, embora não tão bem.
Falo disto porque li hoje um artigo na "AEON Magazine" online, escrito por um senhor chamado Michael Gordin, historiador de ciência contemporânea da Universidade de Princeton e autor dum livro a publicar em breve, chamado "Scientific Babel".
Gordin considera apenas razões históricas para explicar o fenómeno do "monoglotismo" científico actual. Debaixo da minha esmagadora ignorância, suspeito que  a História, a Sociologia, a Economia e coisas assim não explicam o fenómeno completamente. Opino que é necessário considerar a funcionalidade da língua, ou seja, a eficiência. Não é por acaso que o ensino se faz em numerosos centros de vários países—Portugal incluído—em inglês. Dir-me-ão que isso é consequência do conhecimento universal do inglês. Será, mas não só. Quem tem experiência de estudar matéria científica escrita em inglês, percebe o que digo. De tal modo que, mesmo quando falando português, há tendência para usar termos ingleses, como stress, life-saving, sunscreen, airborne dermatitis, rebabá.  O inglês é a língua que permite introduzir mais ideias em menos palavras, penso. Daí o seu sucesso no ensino, na comunicação científica e no raciocínio. Não estarei cá para ver, mas prevejo que daqui a 50 anos será usado em quase todo o mundo avançado como língua paralela à língua nativa.
.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
...

1 MINUTO DE MÚSICA

.
.