Em 1933, quando Hitler subiu ao poder, Einstein estava na América onde declarou que não voltava para a Alemanha. A sua casa foi saqueada, a conta bancária confiscada e um jornal anunciou em grande título: "Boas notícias—Einstein não volta". Face à ameaça nazi, Einstein abandonou a militância pacifista e, receando que os alemães construíssem a bomba atómica, propôs aos Estados Unidos que a desenvolvessem. Mas ainda antes de ser detonada a primeira, já falava do perigo da guerra atómica e propunha o controlo internacional do armamento nuclear.
Durante toda a vida, os seus esforços em defesa da paz não
lhe trouxeram amigos. Contudo, a defesa do Sionismo levou os israelitas a
oferecerem-lhe a presidência do Estado de Israel, em 1952. Recusou, alegando
falta de preparação política. Na realidade, a razão era outra, expressa numa
frase raramente ligada ao facto: "Para mim, as equações são mais
importantes que a política, porque a política é para o presente a as equações são
para a eternidade".
Lembrei-me disto ao ler a crónica de Henrique Monteiro
parcialmente transcrita no post das 22H00, em baixo. Diz assim:
[...] O pessoal político português quer discutir o agora.
E o agora é fascinante: O Passos cai? O Gaspar é remodelado? O Menezes ganhará
o Porto? Qual será o avanço de Costa em Lisboa? Viseu ficará para o PSD? E o
PCP reconquista Beja? Portas dará um murro na mesa (ou noutro lugar qualquer)?
Como se vê, se estas questões forem devidamente
respondidas, Portugal volta a crescer e o problema do desemprego resolve-se.
Discutir o pós-troika é que não lembra, porque falta ainda um ano. [...]
Tal e qual. Só que neste caso, o que fica para a
eternidade é a indigência nacional, agora que não há especiarias e sedas do Oriente,
não há ouro do Brasil, Colónias em África, e os subsídios da União Europeia secaram.
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