terça-feira, 7 de agosto de 2012

PADRÃO

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Da esquerda para a direita, vêem-se as cabeças do Infante D. Pedro — em primeiro plano — de Fernão Mendes Pinto —  inclinado — de Frei Gonçalo de Carvalho, de Frei Henrique de Carvalho, e de Camões. À direita, a coroa de D. Filipa de Lencastre.
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O " CURIOSITY " A " AMARTAR ! "

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A imagem é uma fotografia feita do "Mars Reconnaissance Orbiter" e mostra o rover "Curiosity" ainda dentro da cápsula protectora e pendurado no paraquedas com que aterrou em Marte, ligeiramente para Leste do local previsto, numa enorme cratera. A faixa em volta do paraquedas, bem como o seu orifício central, são perfeitamente visíveis. Imediatamente a seguir a esta fotografia, a cápsula protectora do rover destacou-se e afastou-se dele. A aterragem ocorreu um minuto depois.
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SILHUETAS DA PESCA LÚDICA

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07-08-2012
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Vera Cruz"
22-07-2012
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O DOENTE IMAGINÁRIO

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No dia 17 de Fevereiro de 1673, Molière interpretava o papel de Argan, o hipocondríaco de "O Doente Imaginário" e, no fim do último acto, foi acometido por um acesso de tosse e caiu prostrado no palco. A assistência aplaudiu, riu e pensou tratar-se de mais um truque da personagem. Molière sofria de tuberculose e morreu poucas horas depois.
Quem nada em certos mares pode ter por baixo um perigoso tubarão capaz de o matar logo ali. Há pessoas que não pensam nisso, mas há quem pense e até nem tome banho por essa precisa razão —  mesmo com pequena probabilidade de ser atacado. E há também quem, irracionalmente,  tome banho nuns dias e noutros não.
Todos temos ideia, mais ou menos detalhada, dos nossos órgãos e como funcionam. E também que é uma coisa complicada tal geringonça, difícil de compreender porque não tem mais avarias — a verdade é que, para minha surpresa, tem poucas. Assim, há o que confia e acha que corre tudo bem e, se não correr, o médico resolve. E há o que não confia em nada, nem nos órgãos, nem nos sistemas, nem nos aparelhos, nem no médico — é o hipocondríaco. Para ele, a notícia da doença do vizinho, da prima, do colega de trabalho, da morte do actor conhecido ou do político com 98 anos, só confirma a qualidade periclitante do organismo humano, em particular, e de todos os seres vivos em geral, incluindo o periquito, o gato, o papagaio e a árvore da borracha que tem no vaso da marquise. É doente, diz-se.
O hipocondríaco nada num mar onde há tubarões e sabe que os tubarões estão lá. E o pior é que estão de facto. Bem vistas as coisas, o hipocondríaco talvez não esteja tão fora da razão como se diz. É doente, sem dúvida, porque sofre. Mas fora da razão não sei. Todos temos de escolher entre Molière e Argan e a escolha é difícil. Muito difícil!
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PRIMUM MOVENS

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De onde veio o universo? Não aponta a existência do universo para a acção duma força criativa? Estas perguntas, postas a um ateu, têm classicamente duas respostas.
A primeira é a de que a admissão da força criativa implica ser capaz de explicar a existência da força e saber o que está antes dela; e antes e antes... Se é eterna e não teve início, porque não se simplifica concedendo a eternidade ao universo? Será Deus o próprio universo?
A segunda resposta tem a ver com a natureza da força criativa — se há força criativa, não há nenhuma razão para que seja um ser semelhante a Deus. Porque tem de ser omnisciente, infinitamente bom e minuciosamente preocupado com os nossos pensamentos íntimos e a nossa vida sexual? Porque deve até ter mente?  
Teístas e ateus esgrimem argumentos inteligentes, sem dúvida. Uma coisa os separa — a fé. Mas esta não é do foro do raciocínio.
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A FOTOGRAFIA QUE GOSTAVA DE TER FEITO

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Ramadão numa escola da Índia
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O ARROZ DA ABUNDÂNCIA

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Pawla Kuczynskiego, polaca, tem 36 anos e é graduada pela Academia de Belas Artes de Poznan. Produz ilustrações de crítica social que lhe valeram já vários prémios. Fica hoje aqui uma das suas obras, que voltarão a este blog futuramente.
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(Esta é uma das reproduções que me foram enviadas por António-Pedro Fonseca)
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A FORÇA DA FRALDA MOLHADA

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O palhaço da direita, com perfil de girafa, é Bashar al-Assad, mais conhecido por "A Besta".
O da esquerda é um cágado chamado Farid Hijab, Primeiro-Ministro da Síria há dois meses, que ontem, ou hoje, deu de frosques para a Jordânia. Não se sabe porquê, as autoridades da Síria anunciaram de imediato a sua demissão. Acho mal — considerando o que fazia, e que as coisas já estavam como estão quando tomou posse, podia continuar no lugar, onde desempenhou um papelão. Só a fralda molhada o impediu de fazer mais — quem tem cu tem medo!

IMAGEM HISTÓRICA

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Esta é a primeira fotografia pelo rover "Curiosity" da NASA em Marte. Feita com lente "olho de peixe" colocada na parte esquerda da rectaguarda do rover voltada directamente para o Sol, a parte superior da imagem está saturada de luz, com linhas que são artefactos daí resultantes. No canto inferior direito, vê-se uma das rodas do veículo assente em chão de cascalho.
Como planeado, as imagens a cores de grande resolução só virão mais tarde, no fim de semana, quando o braço da geringonça, com câmaras de alta resolução, for desdobrado.
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OBSCURANTISMO

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Numa das notícias que esta manhã se encontram nos jornais sobre  a chegada do "Curiosity" da NASA a Marte, lê-se um comentário de antologia. Reza assim, depois de alguns retoques na ortografia:

O cérebro do ser humano está muito avançado se é que é verdade esta notícia. Será que algo não virá em luta? No meu entender, o homem tem um limite de inteligência e, aqui julgo eu, o fim está-se a aproximar. (fim de citação)

Proponho um movimento nacional no sentido de construir um memorial na Praça do Império, onde figure a frase em grande destaque. Naturalmente, depois de identificar o autor para colocar lá o busto de tão inspirado pensador.
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domingo, 5 de agosto de 2012

OA GRANDES VELEIROS

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O veleiro  "MIR", com bandeira da Rússia, desce suavemente o Rio Tejo
(22-07-2012)
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PROFISSÃO: VENDEDOR DE MOEDA

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As moedas em cima são dos Estados Unidos, são de cobre, habitualmente chamadas pennies, e são de um ou mais cêntimos do dólar. Está na moda açambarcá-las. E porquê? Porque com a subida do preço do cobre, uma moeda de 1 cêntimo pode vender-se por 2,5 cêntimos!
Mas cuidado: as boas são de 1982 ou anteriores, porque são 95% cobre. Depois desse ano passaram a ter zinco e com essas o negócio é menos florescente.  Vender toneladas de pennies é trabalho pesado; mas poucos trabalhos remuneram tão bem, se excluirmos o dos políticos.
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ALARVICE GERMÂNICA

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O Ministro das Finanças da Baviera, de sua graça Markus Söder, disse ao pasquim " Bild am Sonntag" que a Grécia "deve sair da casa da mamã". E continuou com outras pérolas, como: "Se um país como a Grécia não consegue pagar as suas dívidas, deve abandonar o euro", ou "Se os gregos conseguirem impor a sua tática de ir atrasando as reformas e os pagamentos dos empréstimos, todo o sistema irá desmoronar-se".
O senhor Markus Söder é, na Baviera, do partido equivalente ao da senhora Merkel e, sobretudo, é um alarve. Não tenho a mínima simpatia pelos gregos actuais — os antigos só conheço dos livros — e até estou de acordo com o senhor Söder. Mas, se fosse ministro de qualquer coisa na Baviera, não dizia tais jericadas.
A União Europeia é uma organização onde os países, incluindo a Alemanha, entraram à procura do melhor para si e se borrifam para os outros, tudo embrulhado em sonante retórica de solidariedade, fraternidade, igualdade, liberdade, colectividade, blá, blá,blá... Já se percebeu há muito. Mas, pelo menos, guardem-se as aparências, como faz a senhora Merkel, que considera tanto os gregos como o rapaz Adolfo Hitler considerava os judeus, mas não o diz a pasquins da parvónia alemã.
O senhor Söder é um patego feito ministro.
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CASA JARDIM

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GUERRAS DE ALECRIM E MANJERONA

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Em 1927, George Lemaître, padre belga e professor da Universidade de Lovaina, admitiu que o universo tivesse origem num "átomo" com energia infinitamente concentrada, fenómeno que viria a ser chamado de Big Bang por Fred Hoyle. Dois anos depois, Edwin Hubble, astrónomo americano, deu consistência à teoria de Lemaître, ao observar a expansão do universo, com as galáxias permanentemente a afastarem-se.
A Igreja rejubilou e Pio XII, em 1921, dizia que a nova teoria da origem  cósmica correspondia ao Fiat lux bíblico, com matéria e luz a surgirem do nada — houve criação, logo havia criador.
Nas hostes do ateísmo, os dentes rangeram, especialmente dos marxistas para quem a eternidade da matéria era indiscutível, de acordo com a teoria do materialismo dialéctico de Lenin. Ouviram-se e escreveram-se palavras de traição e traidores um pouco em todo o lado. Sir Arthur Edington, decano dos astrónomos eructou, urbi et orbi, que a ideia do princípio do universo era repugnante e a teoria do Big Bang o deixava "gelado".
Na realidade,  muita exaltação para nada porque a teoria nem confirmava a visão religiosa, nem infirmava a posição dos ateus — tinha-se apenas esclarecido parte pequena do mistério do universo. Guerras de Alecrim e Manjerona alimentadas por espíritos tacanhos que tinham obrigação de ser um nadinha mais elevados. A paixão cega os mais esclarecidos. Sobretudo os mais esclarecidos, às vezes!  
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AS FUNDAÇÕES QUE AFUNDAM A PÁTRIA

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[...] Se um antigo presidente da República necessita de recorrer ao dinheiro alheio, o indivíduo não devia ter criado uma "fundação", mas um peditório à escala nacional ou um crédito bancário. Se o chefe de um governo regional usa a fundação social lá do sítio para comprar a casa onde o mesmo chefe viveu até aos 30 anos, é lícito supor que uma imobiliária teria maior vocação para o negócio. Se um escritor editado e vendido no mundo inteiro é obrigado a pedir abrigo à Câmara de Lisboa, convinha que os herdeiros do escritor pedissem contas ao contabilista. Se uma empresa de computadores embolsa 454 milhões para produzir uma geringonça inviável no mercado livre, constata-se que os empresários em causa escolheram a profissão errada.
Sobretudo, constata-se que os contribuintes portugueses escolheram o país errado, na medida em que aqui se limitam a fazer jus ao nome e contribuir em prol do que outros decretaram ser o "bem comum". O comum é o bem de uns poucos acabar patrocinado pelos restantes. Nas fundações e em tudo, é assim que Portugal forma elites, que o dicionário define como os melhores de uma sociedade e que por cá não são apenas os que melhor vivem à respectiva custa. Nesta abençoada democracia, cada conceito beneficia de uma interpretação muito própria, "democracia" incluído.
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Alberto Gonçalves in "Diário de Notícias"
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O GRANDE DIA

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Na próxima  madrugada, cerca das 05H30 — hora de Lisboa — o rover "Curiosity" da NASA irá aterrar em Marte, se tudo correr bem. Já aqui falámos sobre a aproximação e a aterragem. O problema maior agora, se isso é problema, são as comunicações. O rover  vai chegar a um local que no momento está do outro lado do planeta e sem vista é igual a sem comunicações (figura superior).
Os engenheiros vão tentar que a nave "Odissey", a orbitar Marte, mude de posição de modo a poder funcionar como estação intermediária de comunicação entre o "Curiosity" e a Terra (figura inferior). A manobra nunca foi realizada e não há garantias de que possa sê-lo agora. Mas, se tal não tiver sucesso, o que é pouco provável, não significa o fracasso da missão — apenas será necessário esperar para saber se tudo correu bem. No pior cenário, esperar três dias por notícias do "Curiosity".
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sábado, 4 de agosto de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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O "EBB Tide" (holandês) em primeiro plano, com o "Dar Mlodziezy" (polaco) por trás e, mais à esquerda, o "Fryderyk Chopin" (também polaco)
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O HÁBITO, O HABITAT E O MONGE

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Leio no jornal "i" que no Parlamento há, pelo menos, 6 deputados filhos de outros deputados. Considerando que há 230 parlamentares em Portugal Continental, com população de 10 milhões de almas, por cada 100 portugueses há 0,0023 deputados. Mas por cada 100 deputados, há no mínimo 2,6 deputados da família — isto é, uma probabilidade quase mil vezes maior!
Sei que a genética manda muito, embora a Constituição da República não faça referência ao genoma. E sei também que o habitat faz o monge, ao contrário do hábito. Mas senhores ilustres políticos, servidores da Nação: mil vezes é muito!...
No tempo do obscurantismo fascista, dizia-se uma coisa mais ou menos assim: Quarenta e tal anos de corporativismo e outros tantos de caixas sindicais, arre porra que é de mais!
Senhores deputados, vejam se têm um nadinha de pudor — mil vezes?, arre porra que é de mais, digo eu agora!
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'WEDDED'

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EXXON VALDEZ

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No dia 23 de Março de 1989, o navio tanque "EXXON VALDEZ", com mais de 200.000 toneladas, encalhou ao largo da costa do Canadá e derramou cerca de 70 milhões de litros de petróleo no mar, causando uma das maiores catástrofes ecológicas do Século XX. Foi há 23 anos.
Depois disso, navegou com seis nomes diferentes, chamando-se actualmente "Oriental Nicety". Mas vai chamar-se por pouco tempo porque deu entrada no estaleiro de Gujarat, na Índia, o maior centro de desmantelamento de navios do País. Dentro em breve, só restará sucata — para fundir e fazer automóveis e máquinas de lavar — além, claro, da memória do acidente trágico.
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A CAUSA DAS COISAS

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Um professor de Filosofia Teológica, citado por Jim Holt, a propósito de uma pergunta sobre a razão de existência do mundo, fez a seguinte afirmação: Deus é tão perfeito que não precisa de existir. 
Em aparte, digo que a frase é exemplo do que penso da Teologia, depois do pouco que tenho lido (confesso) — ciência abstracta, que explica noções abstractas com argumentos abstractos, apoiados em abstracções de outros teólogos, por sua vez baseadas em razões abstractas, com abstracções em cadeia até à abstracção final, qual é a de explicar a razão com essa mesma razão.
Martin Amis, romancista americano, interrogado um dia na televisão sobre quando poderemos explicar cientificamente como apareceu o universo, disse concretamente que estamos, pelo menos,  a cinco Einsteins disso.
Cinco Einsteins parece-me pouco — provavelmente, tende para o infinito tal número. Não creio que alguma vez se perceba a génese do mundo. Se um dia se conseguir ir ao minuto que precedeu o Big Bang, ficam por explicar todas as horas anteriores. E se percebermos essas horas, blá, blá, blá.
O problema para a ciência é que o universo compreende tudo que existe fisicamente. E as explicações científicas têm de envolver causas físicas e as causas físicas são parte do que queremos explicar. Como diria Baptista Bastos na sua forma soberba, procuramos arranjar a explicação em círculo "concêntrico", quase tão "concêntrico" como o das explicações teológicas.
E quando lia o livro de Holt sobre a razão da existência do universo, leitura que me sugeriu esta reflexão, lembrei-me do Biocentrismo de Robert Lanza, já citado neste espaço. Lanza considera que o universo é concebido pela vida — de forma tosca, diríamos que é construção do nosso cérebro, que há um universo para cada cérebro, incluindo os animais, muito diferentes uns dos outros, dependendo da forma como funcionam os sentidos que levam a informação do meio ao sistema nervoso central. A ser assim — universo igual a fenómeno subjectivo —, as coisas complicam-se: mesmo à escala cósmica, não há tempo bastante para gerar Einsteins que cheguem para explicar esta cangalhada onde existimos.
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FOTOPROTECÇÃO COMO DEVE SER!

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Ao contrário das mulheres ocidentais, as chinesas — que começaram a apreciar o prazer de ir à praia — não se querem pigmentar pelo efeito da radiação solar, isso a que vulgarmente se chama bronzear. Consideram que o "bronze" é atributo de trabalhadores rurais, tem pouca "classe", e é próprio de bimbos. Estão completamente certas.

Aliás, já foi assim no Ocidente, antes da revolução industrial que fez os proletários agrícolas, torrados pelo sol do campo, ficarem pálidos dentro das fábricas. Para se demarcarem da palidez proletária, os burgueses começaram a esturrar ao sol. Se soubessem a figura que fazem, nem saiam à rua!
Mas as chinesas são muito mais civilizadas e sensatas e protegem-se — com um nadinha de exagero, mas protegem-se bem. Há tópicos contra o sol de todas as formas e feitios e com os nomes mais apelativos, como "Branca de Neve" ou "Cisne Branco". Mas a última moda são as máscaras para proteger a cabeça,  especialmente a cara, luvas e camisas, tudo fabricado localmente com tecido do mesmo tipo dos fatos de banho.
As praias começam a ter aspecto de filme de ficção científica, mas para os chineses a opinião ocidental vale zero. Espero, com sinceridade, que dentro de pouco tempo possamos ver desfilar na Caparica modelos criativos de máscaras e luvas cheias de charme: o melhor da moda, aliado ao melhor da fotoprotecção!
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4 DE AGOSTO — DIA DE BODA

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"Bodas de Caná", por Zelda Fitzgerald
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(Zelda Fitzgerald — Zelda Sayre antes de casar com Scott Fitzgerald — foi escritora e pintora inspirada. Infelizmente teve uma vida trágica)
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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Bonita vista do Tejo, em 22 de Julho
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PEQUENA NUVEM DE MAGALHÃES

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A Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães são galáxias anãs, satélites da Via Láctea, visíveis a olho nu no Hemisfério Sul.
A imagem que se mostra foi obtida combinando registos do Herschel Space Observatory — europeu — e do Spitzer Space Telescope — da NASA — e é da Pequena Nuvem de Magalhães. À esquerda, estende-se uma faixa de poeira, conhecida como asa da galáxia, e à direita vê-se uma área de formação de estrelas.
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BREMER PINTOR

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Paul Bremer, se bem se recordam, era diplomata  e foi o primeiro administrador americano no Iraque, depois da invasão. Polémico pela forma como acabou com o exército iraquiano, pela responsabilidade nos abusos sobre os prisioneiros de Abu Ghraib, e pelo escândalo do desaparecimento de verbas no valor de centenas de milhões de dólares, vive actualmente na sua casa de férias em Vermont e pinta.
Criou um site na Net onde tem quadros à venda a preços entre 250 e 400 dólares. São principalmente óleos, em minha modesta opinião muito fraquinhos. Vão algumas miniaturas em cima, mas pode ver as obras todas clicando no link do texto.
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PADRÃO

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Fernão de Magalhães, Nicolau Coelho, Gaspar Corte Real
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WHY DOES THE WORLD EXIST?

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Falei ontem do livro de Jim Holt intitulado "Why Does the World Exist?" que está a ser matéria de crítica e discussão na imprensa internacional, sobretudo norte-americana. Ainda não li muito por falta de oportunidade, mas o que li promete. Para dar ideia, transcrevo — em tradução livre e tosca; Holt me desculpará — o início, em que o tema é introduzido: um bom texto, como se pode adivinhar, mesmo com tradução pindérica que nem me atrevo a publicar em itálico.

Fui um ingénuo e rebelde estudante do liceu na Virgínia. Como os estudantes ingénuos e rebeldes às vezes fazem,  comecei a interessar-me pelo existencialismo, filosofia que me parecia boa para a insegurança de adolescente.
Certo dia, fui à biblioteca da universidade local e passei a vista por alguns volumes com aspecto imponente: "O Ser e Nada", de Sartre, e a "Introdução à Metafísica", de Heidegger. Foi nas primeiras páginas do último, com título promissor,  que me vi confrontado pela primeira vez com a pergunta Porque há alguma coisa, em vez de absolutamente nada? Posso ainda recordar o tremendo efeito que teve em mim. Ali estava a última e superior questão, anterior a todas as outras que a humanidade alguma vez pôs. Onde tinha andado até aí toda a minha vida intelectual (reconhecidamente breve)?  
Diz-se que a pergunta é tão profunda que só podia ocorrer a um metafísico, mas tão simples que só uma criança a faria. Era muito novo para ser metafísico. Porque não fiz a pergunta em criança? Olhando para trás, a resposta era óbvia. A curiosidade metafísica natural tinha sido sufocada pela educação religiosa. Desde a mais tenra idade, que me foi dito — pelos meus pais, pelas freiras que me ensinavam na escola primária e pelos frades franciscanos do convento na colina em frente da nossa casa — que Deus criou o mundo e que o criou a partir do nada. Essa era a razão porque o mundo existia. Também a razão porque eu existia. Porque existia o próprio Deus era deixado de forma um pouco vaga. Ao contrário do mundo finito que criou livremente, Deus era eterno. Era também todo-poderoso e detentor da perfeição em grau infinito. Assim, não precisava de nenhuma explicação para a sua existência. Sendo omnipotente deve ter-Se lançado a Si próprio no mundo. Para usar a frase latina, causa sui.
Era a  história que me tinha sido ensinada em criança. Também aquela em que acredita a maioria dos americanos. Para estes crentes, não há tal coisa como o "mistério da existência". Se lhes perguntarem porque existe o universo, dirão que existe porque Deus o fez. E se a pergunta for Porque existe Deus?, a resposta depende do grau de sofisticação teológica que têm.
Podem dizer que Deus se fez a Si próprio, que é a base da Sua existência, ou que a existência faz parte da Sua essência. Podem também dizer que as pessoa que fazem tais perguntas ímpias serão queimadas no Inferno.
Mas, supondo que se pergunta a não crentes porque existem as coisas em vez de nada, a probabilidade maior é de não ter resposta capaz.
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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Alexander von Humboldt"
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(22-07-2012)
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AS FUNDAÇÕES DA NAÇÃO

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No início do ano, 370 importantes e indispensáveis fundações portuguesas foram sujeitas a um censo obrigatório, cujas primeiras conclusões se conheceram hoje. Segundo o porta-voz do Governo, tais instituições fundamentais têm 1.896 administradores. A média, como se pode calcular, é superior a 5, sendo que há um número não conhecido que tem 10 administradores — provavelmente bem remunerados e com mordomias como carro, telefone, água de rosas para se lavarem por baixo e outras coisas indispensáveis ao exercício do mister.  E o número total de colaboradores é de 34.367, ou seja, quase 100 por cada uma.
Sei que a política do pleno emprego é louvável e é preciso implementá-la. E sei que a essa rapaziada da administração das fundações — uma multidão — deve ser garantido o direito ao trabalho  porque a Nação recebe em troca o fruto do seu labor profícuo — muito mais valioso que os magros euros que gasta com eles —  e poupa no subsídio do desemprego. Em boa verdade, nem percebo porque não são 34.367 administradores e 1.896 colaboradores — o resultado seria o mesmo e havia mais gente feliz.
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(A Fundação Mário Soares recebeu 1,33 milhões do Estado e ficou isenta do pagamento de 220 mil euros de impostos ao património)
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FORTE DE S. LOURENÇO DO BUGIO

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O "Funchalense 5" e o Bugio
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A NÃO PERDER

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Jim Holt é um conhecido jornalista do "The New York Times", onde publica crítica de livros e escreve ensaios sobre Filosofia, Matemática e ciência em geral. Personalidade de cultura superior e inteligência brilhante, escreveu recentemente o livro intitulado "Why Does the World Exist?" cuja crítica acabo de ler num texto de Dwight Garner, crítica e título que fazem desejar ter o livro já aqui em cima da mesa.
Holt vai de Sócrates e Platão a Stephen Hawking e Richard Dawkins, e combina a erudição com entrevistas a cosmologistas, teólogos, físicos de partículas, místicos, filósofos e outros. A obsessão de Holt são questões como  saber se o universo e a vida são mais que um pequeno interlúdio entre dois nadas e porque há alguma coisa além do nada. Em estilo Woody Allen, diz sarcasticamente que o universo deve ter sido criado por um ser malévolo, mas só 80% eficaz.
Sobre o Big Bang, acha a ideia pouco digna, coisa a lembrar a garota a sair do bolo na festa de aniversário e considera que o esforço para compreender o mundo é uma das poucas coisas que elevam a vida humana acima da farsa e lhe dá alguns traços de tragédia. A não perder.
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SÍRIA - SÉCULO XXI

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Lei de Lynch: revoltosos fuzilam sumariamente alegados apoiantes da besta Bashar al-Assad
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A VIDA É IRRACIONAL

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O avião espanhol que veio ao Porto recolher um coração para ser transplantado no Hospital de Oviedo, depois de deixar o coração nesta cidade, despenhou-se quando regressava a Santiago de Compostela, morrendo os dois pilotos. Entretanto, o coração já está a funcionar no receptor, um homem de 54 anos.
Salvou-se um de 54 e morreram dois de 37 e 35 anos. A vida tem ironias cruéis!
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(Clique na imagem para ler a notícia)
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PARA SER REI É PRECISO TER QUEDA

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Quando visitava o Estado-Maior, Juan Carlos tropeçou e caiu
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(Clique na imagem para ver o vídeo)
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BICHA DE PIRILAU

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Os navios "Nivaria" (espanhol) e "Funchalense 5" (português) entram alinhados no Canal do Estuário do Tejo, hoje à 09H00
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PRONTIDÃO DEFENSIVA

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Em Londres há compreensível preocupação com a hipótese de acções terroristas durante as Olimpíadas; sobretudo vindas do ar. No aeródromo de Northolt, cerca da capital, está permanentemente um piloto num avião de combate Typhoon, com cinto de segurança, capacete, fato e luvas pressurizadas, pronto a descolar em minutos em caso de alarme. Se chegarem ordens do governo nesse sentido, abaterá qualquer avião, mesmo de passageiros, que não responda a avisos via rádio, sinalização luminosa, ou indicações manuais de pilotos de outros aviões.
Para ameaças de aeronaves a baixa altitude, há helicópteros numa base do exército e a bordo do porta-helicópteros "Ocean", com atiradores especiais (sharp pointers) embarcados, também prontos a descolar 24 horas em cada 24.
O mundo está complicado!
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A PESCA E OS ABDOMINAIS

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Depois da imagem que mostrei há dois dias e da que mostro hoje, concluo por fim que a pesca é, indiscutivelmente, o melhor exercício para o abdómen e seu invólucro —  Cristiano Ronaldo, por exemplo, vai todos os dias à pesca.
(02-08-2012)
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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O navio polaco "Zawisza Czarny", que começou por não ser veleiro, tem agora três mastros e o motor dum submarino  alemão (U-Boat).
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TOURO VALENTE

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(Vídeo recebido de J. Castro Brito)
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FLOR DA ROCHA

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CHUVA

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[Para melhor efeito, aumentar o volume do som]
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(Colaboração de J.Castro Brito)
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A METÁFORA INVERTEBRADA

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Não quero — longe de mim tal ideia! — dizer o que quer que seja de menos abonatório para esse expoente do pensamento português chamado Baptista Bastos. Muito menos, fazer humor. Tão somente, receio que algum leitor perca o conteúdo e a forma das suas crónicas no DN às quartas-feiras. Não que tal seja provável, pois todos o aguardam ansiosamente na semana que as entremeia. Ainda assim, transcrevo aqui curtas passagens do texto hoje dado à estampa. Começa assim:

Um clamor indignado acolheu a frase de Pedro Passos Coelho: "As eleições que se lixem"! [...]
[...] Os chefes políticos de todos os quadrantes, que me parecem cada vez mais equivocados, logo se serviram da frase para glosar os seus efeitos. Não criticaram Passos pela incompetência agressiva, tornada evidente e perturbadora: cercaram-no por ter utilizado uma metáfora invertebrada. [...]

Aí está: "metáfora invertebrada"! Que saída, ela própria outra metáfora! Só comparável a Vieira! Quase tão boa como a do pensamento de Pulido Valente "em círculo concêntrico".
Não quero estragar o prazer dos leitores com a revelação prematura das pérolas da crónica de hoje para não lhes estragar o prazer de a degustar. Ainda assim, não posso deixar de transcrever mais esta passagem:

[...] Passos Coelho tem nas mãos um brinquedo chamado Portugal. Não foi tocado pelos benefícios da imaginação, nem pela graça do talento: é um político medíocre, infenso a escutar os apelos da razão e os impulsos da sensibilidade. [...]

Vêem? Passos é "infenso a escutar" — não que seja surdo, não senhor; não é. O mal dele é ser infenso a escutar. Provavelmente, também escuta em círculo concêntrico, digo eu.
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BORIS JOHNSON É O MAIOR

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Há pouco mais de dois anos, dei notícia aqui dum artigo do humorista britânico Michael Simkins, em que ele seleccionava as oito palavras mais aterradoras da língua inglesa. Não eram propriamente as palavras que eram aterradoras, mas sim a frase formada por essas oito palavras em inglês. E a frase era mais ou menos esta, depois de traduzida: "Queres ver o vídeo das nossas últimas férias?
Na caixa de comentários, os leitores sugeriam outras hipóteses, e uma delas era assim: "O bebé tem o cabelo de Boris Johnson". Como se pode ver na fotografia, a sugestão é mais aterradora que a perspectiva de ver o vídeo das férias.
Johnson, que foi jornalista e deputado conservador, é Presidente da Câmara de Londres desde 2008 e vai para o emprego actual de bicicleta, entre outras coisas exóticas. Ontem, excitado com os Jogos Olímpicos, decidiu fazer a descida que se vê no vídeo em cima. Teve azar porque a cangalhada encravou e ele ficou no ar, "a secar na corda", exposto ao ridículo dos londrinos que adoram as suas extravagâncias.

MESSIER 107

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A imagem foi captada pelo Telescópio Espacial Hubble e corresponde ao grupo de estrelas Messier 107, um dos mais de 150 grupos destes na Via Láctea. Cada grupo tem centenas de milhares de estrelas muito antigas, com idade de milhares de milhões de anos, sendo das formações mais antigas da galáxia. O que se mostra observa-se na Constelação do Serpentário. 
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(Crédito — NASA)
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