sábado, 22 de agosto de 2015

O CRÉDITO ESTÁ DE VOLTA

.

Diz o "Diário de Notícias":

Em Julho, a confiança dos consumidores subiu para valores de Abril de 2002 e, do lado das empresas, o clima económico repete números de 2008. É essa confiança que está a fazer avançar um dos itens mais importantes para a movimentação da economia: o consumo privado. Só há um potencial problema: é que sem redução de impostos, sem redução da sobretaxa de IRS, e com 20% dos trabalhadores a receberem o salário mínimo (505 euros), esta confiança está a activar um motor antigo—o crédito.

Aqui é que a porca torce o rabo. Não tenho nada contra o crédito, devo esclarecer. Acho bem comprar um computador médio a crédito para uma família, especialmente com crianças, um receptor de TV, um telemóvel banal, até uma casa em certos casos. O que acho mal é, por exemplo, que a venda de automóveis no primeiro semestre deste ano tenha crescido 30%, quando a média na União Europeia foi de 8,2%—todos sabemos que na maior parte destes casos há recurso ao crédito. E quem diz automóveis diz outros bens caros e de baixa necessidade. Neste aspecto, suspeito que o português é candidato ao pódio do campeonato da falta de senso.
.

BOM DESEMPENHO E BOA FOTOGRAFIA

.
.
O português Fernando Pimenta conquistou este sábado a medalha de bronze na prova de K1 1.000 metros dos Mundiais de canoagem, em Milão, qualificando-se também para os Jogos Olímpicos Rio 2016.
O facto merece menção porque é a primeira vaga de canoagem portuguesa para aquela competição e figura neste espaço também pela qualidade da fotografia que ilustra a notícia no "Correio da Manhã".
..

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
.

PENSAMENTO PARA HOJE

.
.

OURO NEGRO

.


O petróleo desempenha o papel conhecido na vida actual, talvez só comparável ao carvão. Pois passam hoje 156 anos sobre o dia em que foi perfurado o primeiro poço de petróleo no mundo. Foi na Pensilvânia e o industrial responsável chamava-se Edwin Drake, conhecido por "Coronel" Drake, embora nunca tenha sido coronel, sargento ou cabo.
As fotografias são do "Coronel", das suas barbas imponentes e do poço—uma bela cangalhada—vendo-se Drake em primeiro plano à direita.
.

GUINCHO

.
.

VINGANÇA

.

[...] Sócrates vai tentar colar-se ao máximo às eleições legislativas para tentar prejudicar o PS e António Costa, que o deixaram sozinho em Évora. A repetida acusação de que está sob investigação “para condicionar as próximas eleições e impedir a vitória do PS” serve exactamente para condicionar as próximas eleições e impedir a vitória do PS. Sócrates quer vingança e a morte eleitoral de Costa. Comparados com esta bomba de destruição maciça, para Costa os seguristas só podem ser bons rapazes.

Isto escreve hoje Ana Sá Lopes no jornal "i". A tese da jornalista não pode estar mais correcta: a pior coisa que pode acontecer a Sócrates é o seu caso cair no esquecimento e na banalidade. Só o PS o pode evitar, mas Costa foge de se envolver. A conversa de Costa, de "à justiça o que é da Justiça e à política o que é da política", é para "pôr o rabo de fora". Foi só uma vez a Évora, o mais discretamente que pôde, só fala no caso quando pressionado pelos jornalistas e debita sempre o mesmo chavão.
Naturalmente, Sócrates não perdoa uma coisa assim e procura pressioná-lo/amolá-lo. Não digo que seja uma arma de destruição maciça, como lhe chama Ana Sá Lopes, mas vai fazer-lhe mossa.
.

BENZ 600S

.
.
"Benz" 600 S (HB-89-95), fabricado em 1966. Oito cilindros em V com 
6.332 cm3 e 190 km/h de velocidade máxima. 2.712 kg de peso, 7/8 lugares.
.

A DIPLOMATA

.
.
In jornal "i"
.

NÃO ACREDITO !

.
Na visita que fez a Viana do Castelo durante as Festas da Senhora da Agonia, António Costa anunciou que se for Primeiro-Ministro quer mais três ministros. A informação no "Diário de Notícias" não foi ilustrada de forma muito feliz. 
..

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.

RIGOR É O QUE TEM FALTADO

.
Zezito prometeu criar 150.000 empregos mas enganou-se na conta. Agora, a equipa de Costa é mais precisa: compromete-se a criar 207.000,00. A vírgula que incluo é para perceber o grau de certeza no número.
Podiam ser cerca de 200.000, mais de 200.000, perto de 200.000, mas não são. Também não são 203.000, ou 205.000, ou 208.000, ou 204.012, ou até 206.050,70. São precisamente 207.000.
Se o leitor estava à espera que fossem 200.001 e contava com esse 1 para si, enganou-se: a coisa chega aos 200.000 e pára.
Não há nada como governar e falar com rigor; e a gente ouve António Costa e fica encantada com a perspectiva de ter as duas coisas.
.

DESALENTO

.

O PIOR É O RISO

.

Leio nas notícias que Alexis Tsipras explicou ao início da noite, numa declaração transmitida pelas televisões, a decisão de avançar para eleições antecipadas. Na declaração, o governante mostrou-se orgulhoso do trabalho alcançado desde que foi eleito e realçou as medidas impostas pelos credores que o seu executivo conseguiu evitar. Tanto quanto sei, não explicou as medidas que o executivo não evitou, nem as que foram piores que o soneto.
Apesar de tudo, Tsipras, no meio da conversa sem ponta por onde pegar dos radicais, não é dos piores. Não fora o riso inexplicável em situações do maior aperto, o homem portou-se com senso. Percebeu que na prática a teoria é outra e que a política é a arte do possível. E também que a conversa de bar de faculdade, como lhe chama Rui Ramos, é frouxa para lidar com os trastes do grande capital. Tsipras é simpático, mas tenrinho de mais para eles.  
.

ERRATA



. 
.

VARANDAS

.
.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.

CONHECE ESTE HOMEM ?

.

O seu nome é usado milhares de vezes por dia e, na maioria dos casos, as pessoas não sabem quem foi. Eventualmente, nem sabem que é o apelido de um homem.
Era engenheiro, nasceu na Escócia em 1736 e introduziu grandes melhoramentos no desempenho da máquina a vapor, provavelmente o engenho mais importante da Revolução Industrial. Chamava-se James Watt e, em sua homenagem, a unidade de potência no Sistema Internacional de Medidas recebeu o nome de Watt.
A potência duma máquina corresponde ao trabalho ou energia, (medidos em Joules) produzidos por segundo. Um Watt é a potência de uma máquina ou fonte de energia que produz um Joule por segundo (1W = 1J/S).
Aparece aqui porque faz hoje 196 anos que morreu. Um dos homens que mais influenciaram a evolução do Homo sapiens.
.

1 MINUTO DE MÚSICA

.
.

CUIDADO COM AS CARTEIRAS

.

Acho que já uma vez citei Dorothy Parker e vou citá-la novamente porque me lembrei dela ao ler um artigo de Eduardo Oliveira e Silva sobre os bancos (pode ler aqui). Dizia Dorothy: Se queres saber o que Deus pensa do dinheiro, olha para as pessoas a quem Ele o deu.
Os bancos não são pessoas, eu sei. Mas são instituições geridas por gente do mesmo grupo taxonómico de Lineu a quem Deus deu o dinheiro. Neste momento na Lusa Pátria, os bancos organizados em matilha andam à caça porque a "fome" perfila-se no horizonte. E se a matilha tem regras na forma de actuar, não tem respeito pela caça que esfola viva.
Diz Oliveira e Silva às tantas:

[...] Como as coisas estão mal; como os juros estão baixos; como os investimentos falham; como os “overnights” deixam de render; como os “break even” previstos para as empresas que financiam falham; como o engodo dos “swap” já deu depois de descoberta a manigância; como o capital garantido já não convence; como os milhares de despedimentos feitos no sector não chegam; como de lucro virtual passam a prejuízos bem reais, os bancos atacaram as ovelhas depositárias como os lobos fazem, ou seja em matilha e pela calada da noite. Públicos ou privados a técnica é igual e visa os depositantes, sacando-lhes comissões e rasgando regalias contratadas. [...]

É mesmo assim. Quando menos se espera, lá vem debitada no extracto a comissão, a taxa, a taxinha e mais um par de botas. Feita a reclamação, aparece o papel com o aviso em letra minúscula que ninguém leu. Uma cambada à rédea solta.
.

A REPRISE

.

.

DUPLA LUA-CHEIA !

.
Já falei em tempos sobre isto, mas o fenómeno é tão anormal que merece nova referência: há 12 (doze!) anos que, a partir de Julho, circula em emails e no Facebook uma notícia segundo a qual, em Agosto, Marte estará tão perto da Terra que será observado do tamanho da Lua-Cheia. Por vezes, as mensagens vêm ilustradas com fotografias como a que aqui se reproduz. É clássica também a seguinte conversa: Veja Marte do tamanho da Lua-Cheia—Espectacular!—Acontecimento único numa vida! As pesquisas no Google sobre a notícia batem recordes todos os anos.
Primeiro, Marte nem é visível em Julho de 2015 e só começa a aparecer em 27 de Agosto, mas muito longe da Lua-Cheia. E não está em posição de maior proximidade da Terra, nem de maior brilho. Para se perceber a dimensão da aldrabice, recorde-se que quando Marte surge no céu próximo da Lua, o seu diâmetro equivale a 1/140 desta.
Dir-se-á que a Net está cheia de coisas assim, mas não está. Há de facto muita mentira, invenção, calúnia, asneira e por aí fora, mas habitualmente essas coisas passam como o vento e têm quase sempre uma intenção fácil de detectar. Esta é pura desinformação sem objectivo à vista mas com uma persistência de espantar. Há gente para tudo, até para repetir mentiras mil vezes desmentidas.
.
(Falo nisto outra vez porque recebi há poucos dias o tal email enviado por um amigo)
.

PÉROLAS DE ALVALADE

.


.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.

UMA IMAGEM PARA HOJE

.
.

TRANSITIVA E PRONOMINALMENTE

.
Maria de Belém confirmou ontem que se candidatará à Presidência da República. Hoje leio no jornal que António Costa, interrogado sobre a matéria, terá respondido: "O que nos empolga neste momento são as legislativas e é um bom sinal contar com Maria de Belém". Ficamos a saber que Costa anda empolgado com as legislativas, mas de repente não se vê de que empolgamento se trata.
Consultados os dicionários, a matéria não é fácil porque empolgar pode ser verbo transitivo, que não vem ao caso, e verbo transitivo pronominal, que vem ao caso, pois significa entusiasmar. Então, Costa anda entusiasmado—transitiva e pronominalmente—com as legislativas! 
Quem diria?
Ainda por cima, agora que as coisas pareciam não poder correr pior para as legislativas, vem Belém entalar Costa transitivamente, entre ela—salvo seja—e Nóvoa que ele estima e cuja retórica tanto admira.
. 

AGUARELA

.
.

CONSUMIR OS CONSUMIDORES

.
[...] A necessidade de introduzir metas quantificadas para o défice e a dívida tem alimentado polémicas, mas é a forma de defender os portugueses de eventuais excessos governativos. Paulo Trigo Pereira, economista candidato nas listas do PS, defende a introdução de limites ao défice e à dívida. O PS considera que introduzir tais limites é "um disparate". O programa eleitoral da coligação PSD/CDS deixa cair a questão do défice mas propõe um limite constitucional à dívida. Cabe aos portugueses decidir se vão exigir mais rigor aos governantes ou se admitem que, no futuro, todos possamos voltar a ser chamados a pagar dívidas que os políticos, sejam eles quais forem, venham a contrair em nome do país. [...]


Isto escreve Francisco Ferreira da Silva no "Económico". Todo o lusitano que ainda tem carteira e um bocado de senso, já percebeu que em matéria de défice e dívida os políticos não são de confiança. Se não lhes metem um freio na boca, acontece o que já aconteceu três vezes pela mão dos socialistas.
Consumo, dizem os economistas, cria crescimento económico, o que se percebe. Mas num país que ainda só respira por uma palhinha com a ponta fora da crise, já se lêem notícias preocupantes sobre o aumento da compra de casas a crédito; e, segundo o "Económico", as vendas de carros dispararam mais de 30% no primeiro semestre de 2015, muito acima da média da União Europeia (8,2%). Isto é: a massa é a mesma, seja dos governantes, seja dos governados.
Conheci um fulano que não tinha cartões de débito, nem de crédito. De manhã saía de casa com quantia certa em numerário e não gastava mais. Era um gastador compulsivo com método dissuasor assumido.
Os portugueses têm de escrever vinte vezes na Constituição que quem gastar mais do que pode, seja governante ou governado, vai de cana e nunca mais ninguém lhe fia nada—nem o FMI, nem o senhor Mário do lugar da esquina. 
. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

UMA IMAGEM PARA HOJE

.
.

OS GRANDES VELEIRO

.
.

PORTA SEM NÚMERO

.
.
Linhares da Beira
.
(Com colaboração de Pedro Masson)
.

NÃO AGITAR POR FAVOR

.

Constatei hoje que haverá já 16 personalidades perfiladas para se candidatarem à Presidência da República, se contarmos os confessos e os ainda envergonhados e excluirmos os que andam a ver no que param as modas. É muita gente!
Um dos confessos é o senhor Henrique Neto, pessoa que considero e é talvez dos melhores em campo neste momento.
Uma das envergonhadas, ou das que andam a ver no que param as modas, é Maria de Belém. A respeito dela, Henrique Neto diz hoje no jornal "Observador" que entrou calada e saiu silenciosa em toda a sua vida política. E acrescenta: Nos seis anos de José Sócrates não abriu a boca.
Considera Neto que a situação do país é muito difícil e Maria de Belém não faz ideia nenhuma de como é que os problemas financeiros e económicos se podem resolver. E para a arrasar remata: "É boa pessoa, mas o país está cansado de boas pessoas". Esta é o que podemos chamar a estocada final. De todas que Neto disse, foi a mais maldosa.
Mas deste lugar modesto, uma coisa digo a Henrique Neto: Maria de Belém é provavelmente a candidata capaz de reunir mais votos da esquerda e da direita, é considerada honesta—vulgo, não rouba—é mulher, e é uma opção para quem não sabe em quem votar. Maria de Belém pode ganhar as eleições, não porque fez isto ou aquilo, ou porque disse patati ou patatá, mas porque nunca disse nem fez nada e vai continuar a dizer e a fazer o mesmo. Depois do que se tem visto, é o melhor para Portugal: quanto mais o agitam, mais turvo fica.
.
Nota: Cerca de duas horas depois de publicar este post, li que Maria de Belém terá declarado ser candidata nas próximas eleições presidenciais. O texto mantém-se com esta correcção.
.

CHEIRA A NAFTALINA EM LISBOA

.
.

domingo, 16 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.
.

UMA IMAGEM PARA HOJE

.
.

SONDAGENS

.

Já todos percebemos que as sondagens, pelo menos em Portugal e para efeito de previsão de resultados eleitorais, são pífias. Diria até que são mais que pífias—são uma desgraça. Não vou particularizar, mas há partidos habitualmente "favorecidos" nas previsões e outros "prejudicados", o que torna legítima a pergunta se a isenção é completa na sua realização.
Podíamos dizer que asneiradas nas sondagens não interessam porque o que vale é o resultado eleitoral, mas isso não é verdade—as sondagens condicionam votos.
Hoje li num jornal que a margem de erro da sondagem varia com a dimensão da amostra, o que já todos sabíamos. Mas acrescenta o artigo que essa dimensão é contratualizada entre quem encomenda o estudo e quem o faz, o que eu não sabia e, provavelmente, muita gente não saberá também. Quanto mais pequena é a amostra mais barato o estudo e mais rasca o resultado.
Acho uma prática inaceitável com sabor a ciência a metro. As sondagens usam métodos estatísticos científicos e, sendo assim, presume-se que a amostra deve ter requisitos bem definidos capazes de evitar erros grosseiros. Mas em face do que li hoje e do que tenho visto, sondagem é—ou pode ser— papel de embrulho: papel costaneira ou melhorzinho, dependendo de como o cliente abre os cordões à bolsa.
Estou a ver o secretário-geral dum partido a falar com Rui Oliveira e Costa, da Eurosondagem: Ó Rui, faz-me aí uma sondagem baratucha para ver se a podemos usar na nossa campanha eleitoral.

Muito tosco é o que me parece.
.

JUDITH BABCOCK

.
...

O AMIGO DA ONÇA

.

O Governo actual, em vias de chegar ao fim do mandato para que foi eleito— em muitos casos por engano como foi o meu—e de que Alberto Gonçalves, citado em baixo, diz que "foge à verdade, se orgulha de pouco, esquece o que não fez e é um remédio sem esperança", enerva a oposição mesmo assim.
Com inclementes medidas sociais, económicas, fiscais e outras que tais, poupando escandalosamente os "mais favorecidos", iniciou o resgate desta Nação onde a terra se acaba e o mar começa do tenebroso buraco para onde os socialistas a atiraram "socraticamente" e se preparam para atirar outra vez, se tudo correr como previsto.
Todo o mandato do Governo foi um calvário bem-vindo para a oposição, especialmente a cor de rosa. Depois de quatro anos assim, ganhar as eleições era canja. Por razões que a razão desconhece, na ponta final que se vive, surgiu uma tímida luzinha ao fundo do túnel—os juros agacharam-se, a economia soltou um débil vagido, o desemprego esboçou um passinho às arrecuas, rebabá. Tal não estava nas previsões dos mais optimistas, ou pessimistas, conforme o ponto de vista.
Aquilo que se afigurava um passeio triunfal para António Costa, ao som de trombetas e cantos celestiais, começa a complicar-se. O fascínio de tal perspectiva, levou-o à facada nas costas de Tozé. Agora—sabe-se lá—estará arrependido da sacanice. Mas agora é tarde.
.

CITANDO

.
[...] Onde a coligação foge à verdade, o PS mente por vocação. Onde a coligação se orgulha de pouco, o PS não se envergonha de nada. Onde a coligação se esquece do que não fez, o PS quer que nos esqueçamos do que fez. Onde a coligação é um remendo sem esperança, o PS é a calamidade garantida. Em Outubro, os portugueses que ainda ligam a estas coisas e não acreditam nos delírios do PCP, das diversas agremiações "trotskistas" ou do "movimento" do sr. Marinho e Pinto rumarão às urnas decididos a escolher o mal menor. É triste? Não: é a pura democracia, que no seu melhor não é lugar de convicções ou entusiasmos, mas de resignação. A realidade é sempre mais melancólica do que o sonho. E, no fim de contas, menos perigosa. [...]

Alberto Gonçalves in "Diário de Notícias"
.

O MENSAGEIRO

.
.

sábado, 15 de agosto de 2015

OS GRANDES VELEIROS

.

UMA IMAGEM PARA HOJE

.
.

MUSEU DE MARINHA

.

FANTASIAS HISTÓRICAS

.

É comum ouvir-se que na defesa dos castelos medievais, quando as coisas começavam a complicar-se, os cercados lançavam azeite a ferver sobre os assaltantes que escalavam as muralhas. É uma boa imagem para transmitir a situação de aflição dos sitiados. Nalgumas paragens não havia azeite e as tradições resolvem o problema falando apenas em óleo. Tem a ideia pés e cabeça, ou não passa de laracha inventada por um historiador já com uns copos a mais?
Parece que a segunda hipótese é a mais verosímil. Os óleos alimentares, incluindo o azeite, eram bens escassos, por um lado, e não faltavam coisas tremendas—mais abundantes e baratas—a que lançar mão para combater as invasões. Desde logo água a ferver, se estamos a falar de materiais ebulientes—levar com uma panela de água a ferver na cabeça, ou com uma frigideira pronta a fritar batatas não fazia muita diferença para o inimigo e aos castelões saía muito mais barato, mesmo descontando as batatas.
Nem era preciso recorrer a tanta tecnologia. Os defensores atiravam com calhaus enormes na cabeça dos atacantes, às vezes as próprias pedras da muralha, e para melhor, aqueciam terra em água a ferver que se agarrava à roupa dos assaltantes. A cal viva também dava jeito porque em contacto com os olhos os deixava cegos.
Tecnologicamente muito bom era o fogo grego—mistura de resina, breu e mais umas coisas—que se agarrava a roupa e era quase impossível extinguir. E também os recipientes com enxofre a arder pendurados fora das muralhas e de cujo fumo os atacantes fugiam como Diabo da Cruz.
A sofisticação bélica já vem de longe. Ainda não havia mísseis de cruzeiro, mas a do azeite a ferver já era tosca de mais no tempo dos ataques medievais. É aldrabice.
.