quarta-feira, 28 de junho de 2017

PIERRE BONNARD

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SACUDIR A ÁGUA DO CAPOTE

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Quando leio e vejo a descrição, os comentários, as explicações, as justificações, as desculpas e toda a cangalhada escrita, falada, filmada e gravada sobre o incêndio de Pedrógão Grande, lembro-me do título dum livro do físico e divulgador científico americano chamado Andrew Thomas, título que em inglês é Hidden in Plain Sight, traduzível por "Escondido na Completa Visibilidade" ou, melhor ainda, "Escondido na Total Evidência"; ou seja, coisa difícil de perceber por ser excessivamente fácil percebê-la.
Já Einstein tinha dito que qualquer tonto inteligente pode fazer as coisas maiores e mais complicadas do que elas são na realidade; para seguir o caminho inverso, é que é preciso ter génio. E Albert Szent-Györgyi, Prémio Nobel da Química, achava que a descoberta científica consiste em ver o que todos vêem, mas pensar o que ninguém pensou.
Pedrógão Grande, salvo o devido respeito pelas vítimas da incompetência e de outras coisas mais que não vou agora esmiuçar, é a situação inversa do Hidden in Plain Sight — é a tentativa de esconder o que é evidente. Já todos percebemos que ocorreu ali uma tragédia, fruto de confusão totalmente desorganizada, sem rei nem roque, com graves falhas técnicas — funcionais e materiais — no combate ao fogo e no socorro às vítimas. Em bom português, chama-se ao comportamento do Primeiro-Ministro, e outros membros do Governo, fazer fumo para sacudir a água do capote. E tenho a certeza que nem uma pinga dela lá vai ficar — para a semana os capotes estarão todos enxutos. Talvez a Ministra leve uma corrida em pelo e é um pau.

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FRITILLARIA IMPERIALIS L.

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Página 16 do livro The Florist, de Robert Sayer, publicado em 1760. A imagem sem cor da "Coroa Imperial" (Fritillaria imperialis L.) é uma das 60 flores contidas na obra para os possuidores colorirem a seu gosto — no tempo em que não havia telenovelas, blogs, nem o Facebook!
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AINDA NÃO ERA O DIA

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FOGO DE ARTIFÍCIO

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Os pirilampos piscam e, na maior parte dos casos, piscam em grupo, qual programa de fogo de artifício. Não se sabe quem "dirige o espectáculo", mas admite-se que haja um maestro. Neste vídeo vê-se um conjunto "pirotécnico" controlado por lâmpadas LED. Não prova nada, mas é engraçado.
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E AGORA?!!!

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Estamos em Portugal, ou onde estamos?...
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A COISA ESTÁ A FICAR... AZUL...CELESTE !!!

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terça-feira, 27 de junho de 2017

GUSTAVE COURBET

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ARTIGO DE OPINIÃO

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O SIRESP tem os profissionais certos no departamento errado. Tem estupendos advogados a redigir contratos, mas tem péssimos técnicos, que nem conseguiriam sintonizar a TSF dentro das instalações da TSF.
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José Diogo Quintela in "Correio da Manhã"
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OS GRANDES VELEIROS

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Étoile du Roi

Veleiro de bandeira francesa construído em 1997, tem 33 metros de comprimento e desenho a imitar um navio de guerra do tempo de Nelson (inspirado no HMS Blandford, 1741).
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(Imagem do Marine Traffic Blog)
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O REPÓRTER DA CIDADE

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THE SHAME

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May não tem vergonha na cara. Num dia de rara inspiração, convocou eleições gerais para aumentar o poder na Câmara dos Comuns e perdeu a maioria. Ficou com o "pé no ar" e em desequilíbrio.
Mas May não é pessoa para largar o poder com facilidade. Mastigou a situação e chegou a acordo com um partidozinho da Irlanda do Norte. Se os deputados do DUP lhe derem os votos sempre que deles precise para não "ir c'o saco", May paga mil milhões de libras à Irlanda. Isto é, os contribuintes ingleses é que vão pagar a permanência da Primeira-Ministra, mesmo que sejam de outro partido. Seria como se nós todos tivéssemos de pagar aos açoreanos, ou aos madeirenses, para eles votarem sempre, na Assembleia da República, de modo a segurar o partido de Costa no Governo.
A habilidade de May tem sabor a Nicolás Maduro, ou a Erdogan; e aproxima-se, ameaçadoramente, de Kim Jong-un!
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UM PORTA-AVIÕES NA CIDADE

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EM ITÁLICO

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[...] Em Portugal, o que existe é (, pelo contrário,) uma cultura de irresponsabilidade política pelo que, mesmo perante um acontecimento de enorme gravidade, os políticos protegem-se mutuamente, evitando o apuramento das responsabilidades.
Foi assim que, quando o Presidente da República apareceu no incêndio de Pedrógão Grande, onde morreram 64 pessoas, proclamou bem alto, antes de qualquer inquérito ou averiguação, que ninguém era responsável: “O que se fez foi o máximo que se poderia ter feito.” Uma semana depois, já aparece a dizer que é necessário “apurar tudo, mas mesmo tudo o que houver a apurar”, mas apenas “no plano técnico e institucional”. Isto porque, no plano político, já é claro que ninguém será responsabilizado.
O primeiro-ministro agradece a ajuda presidencial, alinhando precisamente pelo mesmo diapasão. Reconhece que “seria mais cómodo o sacrifício de uma colega do governo”, mas mantém a sua confiança política na ministra da Administração Interna, afastando qualquer responsabilização. Quando se pensa que se trata do mesmo primeiro-ministro que retirou a confiança política ao ministro da Cultura por este ter prometido umas terapêuticas bofetadas a dois críticos, pergunta-se quais são os critérios pelos quais este governo se gere em matéria de responsabilidade política.
Mas o que tem sido espantoso é a forma como alguma imprensa tem colaborado com o governo na montagem de uma cortina de fumo, a ver se consegue esconder a verdadeira dimensão dos danos causados pelos fogos. É assim que uma jornalista é massacrada nas redes sociais por fazer um directo junto a um corpo, como se os mortos devessem ser escondidos. É assim que a imprensa noticia as perguntas que o primeiro-ministro anda a fazer aos serviços, em vez que (de?) lhe pedir uma resposta cabal e urgente sobre o assunto. E, quando aparece um jornalista a escrever num jornal espanhol sob pseudónimo, a avisar que a carreira política do primeiro-ministro pode estar em causa – o que seria óbvio em qualquer outro país –, procura-se imediatamente matar o mensageiro, atacando o jornal e questionando-o sobre a identidade do jornalista em causa. A ponto de o próprio jornal vir dizer que nunca viu nada semelhante em 22 anos da sua secção internacional, nem quando escreve sobre a Venezuela e a Turquia. 
É espantoso que ninguém em Portugal se aperceba da figura que o nosso país está a fazer a nível internacional, com esta exibição da sua incapacidade de responsabilizar os seus governantes. [...]

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Luís Menezes Leitão in "Jornal i"
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SEM VERGONHA NA CARA

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A política é uma actividade porca, suja e mesquinha que vive de atitudes rascas e golpes baixos? Não é! Os políticos é que são porcos, sujos e mesquinhos que vivem de atitudes rascas e golpes baixos. Uma coisa é a roupagem que vestem quando aparecem em público a falar do povo, do País, dos mais desfavorecidos, dos direitos dos cidadãos, da democracia, da ética republicana e outros chavões e mais um par de botas; outra é a intimidade partidária feita de luta pelo poder, pela visibilidade, pela imagem de dedicação e desinteresse, e por impudícia, sofreguidão por benesses, honrarias e popularidade, pelo "leitinho" do poder, em suma.
Não enganam ninguém porque o povão sabe que eles são assim, eles sabem que o povão sabe e o povão sabe que eles sabem mas não se importam, desde que a populaça se mantenha mansa.
Ser político é isto. Tanto faz chamar-se Joaquim, José, Fernando, ou Ezequiel — uma tropa que temos de aturar porque quem não é como eles afasta-se. Hoje, uma carreira na política faz-se às cotoveladas e a golpes de sacanice. Casos como Ramalho Eanes, por exemplo, são a excepção que confirma a regra — o resto é quase tudo trampa.
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Nota: O desabafo é explicado pelas críticas a que se assiste depois de Passos Coelho ter assumido e pedido desculpa por um erro político. Críticas dos que, provavelmente, por incúria e incompetência, são responsáveis por uma tragédia sem precedentes em Portugal.

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VICTOR MARAIS MIKTON

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ESPERTO MAS NÃO TANTO

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Imagem obtida com sobreposição de fotografias colhidas de 20 em 20 minutos, durante 20 horas, duma colónia do fungo Aspergillus fumigatus a crescer numa placa com meio de cultura.
O A. fumigatus desenvolve um biofilme que o protege dos medicamentos e do sistema imunitário de defesa do hóspedeiro parasitado. Esperto, mas não tanto: o Homo sapiens conseguiu criar maneira — usando material do próprio biofilme que o protege — para anular a defesa.
Agora, enquanto engendra outra "manha", vai levando no coco.

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

CARL SPITZWEG

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 Caçador de Domingo
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HONG KONG

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VENDE-SE

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FONTE TREVI

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A Câmara Municipal de Roma proibiu a prática de sentar, tomar banho, lavar roupa, dar banho a animais e atirar para a água objectos que não sejam moedas, nas fontes de Roma, especialmente na Fonte Trevi.
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NÃO HÁ BELA SEM SENÃO

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Marta é uma cadela mastim napolitano, com cerca de 55 quilos de peso, que venceu na passada Sexta-Feira, na Califórnia, o Prémio de "Cão mais Feio do Mundo". A dona, Jessica Burkard, gostou porque a adora e considera que não há cão mais bonito — especialmente os olhos vermelhos, quase tão "caídos" como as bochechas, e pele um número acima. 
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QueSST

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Ilustração do que virá a ser o Quiet Supersonic Transport, ou QueSST, um avião de passageiros supersónico da NASA, por enquanto chamado só X-plane. Será confortável e não terá esse problema do sonic boom, associado com o voo supersónico que hoje existe. Ganda máquina!
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ENCÉFALO MAL PASSADO


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.António Costa terá dito hoje, ou ontem, ou amanhã — tanto faz! — o seguinte (transcrevo): Fernando Medina é o único verdadeiro candidato a presidente da Câmara de Lisboa, que vencerá as eleições "por mérito próprio", porque teve a coragem de ultrapassar a herança recebida.
Grande tirada, não fosse uma burrice — nem é preciso explicar porquê. Mas, porque pode haver um socialista português que não perceba, fenómeno frequente, sempre direi que os futuros candidatos serão todos "verdadeiros candidatos". Não tenho conhecimento que a lei preveja a figura de candidato virtual.
Mas isso é o menos mau na inspirada declaração de Costa. O pior mesmo é a admissão de vitórias sem ser por mérito próprio; ou seja, vitórias de candidatos rascas, eventualmente por batota nas urnas, manipulação eleitoral suja, conspiração desleal contra oponentes, mentiras e por aí fora. Da conversa de Costa pode concluir-se que tal fenómeno ocorre em Portugal, caso contrário não seria necessária a referência à qualidade da possível vitória de Medina. Ele lá sabe porque fala nisso.
Caricata, por fim, é a referência à "coragem de ultrapassar a herança recebida". Ficamos sem saber se a "ultrapassagem" foi de burrices herdadas de Costa, o que não o abona muito e por isso não deve ter sido; ou se foi ir além do génio de Costa, que em matéria de basófia ainda o abona menos.
Costa começa a tresler! O "calor" de Pedrógão Grande assou-lhe o encéfalo. Está mal passado, mas está assado.

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HOJE É DIA DE SORTE PARA "O DOLICOCÉFALO"

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Saiu-lhe uma Cap i Cua !
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O REPÓRTER DA CIDADE

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A HISTÓRIA REPETE-SE — SEMPRE !

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[...] Infelizmente para nós a solução governativa que permitiu a António Costa ser primeiro-ministro desmontar-se-á porque um dia os portugueses serão confrontados de novo com um outro desastre. Já foi assim com José Sócrates e receio que venha a ser assim com António Costa. São os desastres, o imprevisível, o que vem de fora da cidadela mediática de Lisboa, que fazem os governos socialistas chegar ao fim.
Por muito que nos custe quem pôs fim à carreira de Sócrates não foi a capacidade da oposição para desmontar a sua demagogia mas sim a Justiça pois nem esse momento em que teve de fazer o pedido de ajuda externa foi suficiente para mostrar a mentira em que se baseavam as suas políticas, que aliás voltaram agora para gáudio dos seus antigos promotores. Estes últimos, devidamente desembaraçados do seu anterior patrono (é aliás vergonhoso o espectáculo dessa gente que agora faz de conta que não conhece Sócrates de parte alguma), voltaram ao poder com Costa e já começam a esvoaçar em torno de Fernando Medina que para efeito da sagração mediática já recebeu o cognome que Sócrates arvorava nos seus belos tempos: menino de ouro.
A diabolização de quem a contesta – agora é austeridade já foram o neoliberalismo, o fascismo, a reacção, o capitalismo, o imperialismo – tem bastado à esquerda não apenas para ganhar as eleições mas, não menos importante, para questionar a legitimidade de qualquer um que mesmo tendo mais votos não tenha o seu aval. Donde a catástrofe, resulte ela de um incêndio ou de um factor externo, como os mercados, que não se conseguem controlar com a verborreia do costume, se ter tornado naquilo que os socialistas realmente temem. Quanto ao resto têm tudo sob controlo. Tudo, mas mesmo tudo, senhor Presidente
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Helena Matos in "Observador"
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*É preciso “apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar” (Marcelo Rebelo de Sousa)

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domingo, 25 de junho de 2017

CÂNDIDO PORTINARI

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A MORTE SEGUNDO VOLTAIRE

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Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino.

Voltaire
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MÃOS DE MESTRE

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Até o gato está admirado!
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O MAR SALGADO

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JURO !...

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A estatística fala por si. O problema é que a estatística diz respeito ao Presidente da mais poderosa nação do único planeta onde, que se saiba, existe gente — Donald Trump, o matarruano.
Nos primeiros 40 dias da sua presidência, Trump disse uma mentira por dia. O ritmo só abrandou em Março.
Desde então, disse 74 mentiras em 113 dias. Na maior parte dos dias em que não aldrabou, não publicou nada no Twitter, ou esteve em férias em Mar-a-Lago, na Flórida, ou andou a jogar golf.
Nalguns casos, Trump não manteve a mesma versão das aldrabices, que iam variando com a passagem dos dias, como aconteceu com algumas acusações à China de manipulação da moeda.
Perto de 60% dos americanos acham que Trump não é honesto. O mais preocupante, contudo, é que quando tomou posse, já 53% achavam isso — mas foi eleito!
Churchill tinha razão quando dizia 
o que dizia da democracia. É a vida... juro!
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A AVE MAIS RÁPIDA DO MUNDO

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Veja o Falcão Peregrino — existe em Portugal — em voo picado, a 320 km/hora, e em voo rasante na floresta, com uma câmara de vídeo no dorso!
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O REPÓRTER DA CIDADE

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PREVIDENTE, EFICAZ E RESPONSÁVEL ?

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SER POLÍCIA

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Um polícia, no Minesota, manda parar um carro porque tem os stops avariados. Depois de avisar o condutor, pede-lhe a licença de condução e o documento do seguro. O condutor avisa-o de que tem uma arma e inclina-se para procurar o documento do seguro (?) — a arma (?). O polícia diz-lhe para parar, ele continua a procurar e é baleado mortalmente. E agora? Em terra de pistoleiros é assim!
O polícia, antes de mandar parar o carro, tinha avisado colegas pelo rádio que havia visto um suspeito de roubo  procurado  naquele carro. Foi absolvido por um tribunal com júri.
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UMA HISTÓRIA AOS QUADRADINHOS

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sábado, 24 de junho de 2017

EGON SCHIELE

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NAVEGAÇÃO À VISTA

Leio na Net, citando Marcelo Rebelo de Sousa, o seguinte: Após ter começado por pedir união e solidariedade no momento da tragédia em Pedrógão Grande, onde um incêndio descontrolado e de grandes dimensões levou à morte de 64 pessoas, agora é preciso apurar tudo o que se passou, “mesmo tudo”, “no plano técnico” e “no institucional”.
Portanto, há o "tudo" e há o "mesmo tudo", que não são exactamente a mesma coisa. Ou seja, o "mesmo tudo" contém mais que o "tudo". Talvez o leitor ache a diferença subtil, mas existe, e o que interessa neste apuramento é o "mesmo tudo".
Não sei explicar bem porquê, mas a conversa de Marcelo sugere-me a navegação à vista. Os marinheiros dos descobrimentos percorriam rotas desconhecidas, muitas vezes sem cartas e com pouquíssimos instrumentos de navegação, e as referências que os guiavam eram as estrelas e as terras litorais, ou seja, a vista da costa (não do Costa!). O objectivo era chegar o mais longe possível, ficar a "conhecer o caminho" e manter a capacidade de regressar.
Deste ponto de vista, Marcelo é um "navegador". Não procura novos mundos para dar ao Mundo, mas procura popularidade, afectos, louvaminhas, bajulice, incenso e adulação. Não vive sem isso. Está atento e é venerador à — e da — opinião pública e deve babar-se ao pequeno almoço quando lê os jornais com fotografias suas a abraçar e beijar velhas de bigode e carrapito.
Sempre disponível e inspirado para dizer o que cai melhor na ocasião, e atento à reacção para o acto seguinte, qual é sempre outra "boca" que pode ser nova ou a correcção da anterior, como faziam os marinheiros de quinhentos ao avistar um cabo ou uma ilha em rota de colisão. Dá uma no cravo e outra na ferradura, em navegação à vista e amanhã logo se vê.
Marcelo não deve usar ceroulas de malha, como o "Dantas" de Almada Negreiros; mas é um habilidoso como ele. E mais, digo eu: Marcelo é um impostor. PIM!

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O ATALHO

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AS ÁRVORES MORREM DE PÉ

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Este plátano, além do que está à vista na fotografia e é banal em Lisboa, já danificou seriamente a tubagem do esgoto do prédio que tem em frente, em busca de água, e tapa as suas janelas; mas continua lá — as árvores morrem de pé!...
Um pinheiro manso inofensivo, plantado há 35 anos pela minha mulher, não muito longe deste plátano facínora, foi sumariamente abatido há poucos meses. Nem todas as árvores morrem de pé — algumas morrem, estupidamente, a golpes de serra mecânica!
E pelo Medina não vai nada?!
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"DEEPTIME" FUTURO ? JAMÉ !

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Earth is a machine ceaselessly repeating a cycle of erosion, deposition, and uplift.

James Hutton
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O Universo terá começado há perto de 14 mil milhões de anos, com o Big-Bang. O planeta Terra  "nasceu" há 4,5 mil milhões de anos, mais coisa, menos coisa. A vida não demorou muito a aparecer, logo que as condições ambientais se tornaram favoráveis, talvez há cerca de 3,8 mil milhões. É tudo muito antigo!
As moléculas de que somos formados agora — cada um de nós, incluindo o incauto leitor desta prosa — já passaram por número incontável de seres, animados e inanimados, possivelmente a orelha de algum dinossauro, um meteorito, uma lagartixa, um tomate, um grão da areia do Guincho, uma gota de água do Oceano Índico, o rabo de um leão! Quem sabe? A Natureza "trabalha" maioritariamente com as mesmas moléculas há muitos séculos e nenhum de nós tem moléculas privativas: usamos as mesmas que a pedra da calçada, o eucalipto, ou o burro (alguns abusam destas). Em suma, biologicamente, somos um arranjo provisório e instável de "tijolos" naturais que "respondem" por "molécula".
Os anglo-saxónicos chamam ao tempo que ficou para trás, desde os primórdios do Universo, deeptime, neologismo que significa pouco em português. Tempo fundo, ou profundo, não nos diz muito; isto é, não diz o termo, embora a ideia sim. Conceitos como o de 4,5 mil milhões de anos, ou 3,8 mil milhões, é coisa para cair de cauda. Curiosamente, a expressão deeptime, para anglo-saxónicos inclusive, é usada para o passado. E o futuro? Não há deeptime futuro? Talvez haja — TALVEZ!!! Mas...
Porquê este TALVEZ maiúsculo, itálico e com 3 pontos de exclamação? Porque o futuro a Deus pertence, diz-se, significando isso saber-se nicles batatóides sobre ele. De seguro, sabe-se, ou julga saber-se, que daqui a 4 mil milhões de anos a dilatação do Sol vai fazer ferver a água na Terra e não vale a pena entrar em mais pormenores dantescos sobre o antes e depois disso. Adicionalmente, falar do Homo erectus, por exemplo, e da triunfal caminhada posterior até maravilhas como o Professor Marcelo "Esteves", ou o inefável Jerónimo de Sousa, é actividade psicologicamente remuneradora; mas falar de António Costa, ou Passos Coelho, assados na brasa faz pesadelos à noite e é melhor esquecer.
Felizmente, é da natureza humana ter uma atitude irracional quanto ao futuro, muito bem caracterizada por uma expressão que aprendi na tropa qual é a de "descontração e estupidez natural".
Em relação ao futuro do Universo, o Homo sapiens assume a posição de "descontração e estupidez natural"; e muito bem. Em 1900, Lorde Kelvin, um dos mais famosos físicos da História, já perto do fim, dizia que a investigação no seu campo estava praticamente acabada — via apenas uma ou outra área para esclarecer. Poucos anos passados, Einstein, com a Teoria da Relatividade, revolucionava toda a Física, deixando muitas das teorias de Kelvin na prateleira.
O futuro é uma espiga, mais nada. Não é coisa para nele investir ideias e figuras poéticas, como deeptime, cuja gestação custa muito "fósforo" e verve. Qual deeptime, qual carapuça? A bem dizer, futuro é uma grande porra, com vossa licença; mais nada. Deeptime? Era o que faltava...

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