Mário Soares deu um abraço
público a Isaltino Morais—para a fotografia. Depois chamou injustiçado a
Isaltino e perguntou: "Quando há pessoas que roubam milhões e estão
soltas, como é que ele foi preso sem razão nenhuma?"
Republicano, laico e
agnóstico, Soares pertence a uma classe nova, a aristocrata da república. Antes
do 5 de Outubro, tínhamos a aristocracia monárquica. Era má, mas contida. Agora
temos a aristocracia da república, insaciável, nova-rica e parola.
Considerando-se intocável, mais que a anterior, escandaliza-se quando um dos
seus é molestado pela Justiça, seja da cor partidária ou não. Estado de direito
sim, mas não se meta tal estado com Varas, Isaltinos, Marias de Lurdes, até com
Ricardo Salgado que o Dr. Soares também considera estupidamente importunado.
Soares está em adiantado
estado de putrefacção mental e dir-se-á que deve ser ignorado. Não podemos.
Soares é a ponta de lança do que José Manuel Fernandes chama a incomodidade com a Justiça a funcionar—quando
o juiz se aproxima de mais, é preciso metê-lo na ordem e colocá-lo à distância regulamentar. Ora essa!...
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