domingo, 22 de agosto de 2010

FERNÃO LOPES



O nosso célebre crítico Francisco Dias, o homem, talvez, de mais apurado engenho que Portugal tem tido para avaliar os méritos de escritores, diz que Fernão Lopes fora o primeiro, na moderna Europa, que dignamente escrevera a história: com razão o diz, e poderia acrescentar que poucos homens têm “nascido” historiadores como Fernão Lopes. Se em tempos mais modernos e mais civilizados houvera vivido e escrito, não teríamos por certo que invejar às outras nações nenhum dos seus historiadores. Além do primor com que trabalhou sempre por apurar os sucessos políticos, Lopes adivinhou os princípios da moderna história: a “vida” dos tempos de que escreveu transmitiu-a à posteridade, e não, como outros fizeram, somente um esqueleto de sucessos políticos e de nomes célebres. Nas crónicas de Fernão Lopes não há só história: há poesia e drama: há a idade média com sua fé, seu entusiasmo, seu amor de glória. Nisto se parece com o quase contemporâneo cronista francês Froissart; mas em todos esses dotes lhe leva conhecida vantagem. Com isto, e com chamar a Fernão Lopes o Homero da grande epopeia das glórias portuguesas, teremos feito a tão illustre varão o mais cabal elogio.
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Alexandre Herculano in "Opúsculos"
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