quinta-feira, 6 de setembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Wind Surf"
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Imagem do navio de cruzeiro "Wind Surf" a entrar hoje no Porto de Lisboa, cerca das 10H45. O "Wind Surf", com capacidade para mais de 300 passageiros, é  propulsionado por sete velas controladas por computador—2.600 m2 de superfície total—e por dois motores eléctricos (tem quatro geradores diesel). Cinco mastros, 162 m de comprimento, 20 m de boca e 5 m de calado, desloca 14.745 toneladas e atinge a velocidade máxima de 15 nós (a vela da proa não está içada).

UM IATE COM MISTÉRIO

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06-09-2012
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PARECEM BANDOS DE PARDAIS

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06-09-2012
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CCB

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06-09-2012
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PROVOCAÇÕES CIENTÍFICAS

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A ciência procura explicar às pessoas, de forma que todos entendam, coisas que ninguém sabia antes. A poesia é exactamente o contrário.


Paul Dirac





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ISABEL II

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(Colaboração de Francisco Carvalho)
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OLE CHRISTENSEN ROEMER—UM CRÂNIO !

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É impossível andar mais depressa que a luz, e provavelmente desejável, porque o chapéu iria estar sempre a voar.
Woddy Allen

Todos ouvimos falar da velocidade da luzuma coisa espantosa: cerca de 300.000 km por segundo. Tão espantosa que não se conhece nada mais veloz no mundo: é o limite físico da velocidade. Chegados aqui, perguntar-se-á quem, quando e como se chegou à conclusão que a velocidade da luz não era infinitacomo se diziamas sim finita e mensurável.
Por estranho que pareça, foi em 1676 que tal aconteceu: os antigos não eram burros, se excluirmos alguns bitaites de Aristóteles, Ptolomeu, Zeno, o dos paradoxos, e pouco mais! Foi Ole Christensen Roemer, astrónomo dinamarquês, quem fez as contas—não muito precisas, porque não tinha todos os dados necessários correctos, mas andou perto e deixou a porta aberta para as corrigir com novas informações. E foi um ovo de Colombo—investigar precisa sobretudo de cabecinha pensadora, muito mais do que aparelhos finos.
Roemer observando os eclipses dos satélites de Saturno, apercebeu-se que aquilo não batia muito certo: uma vezes desapareciam antes do previsto e outras depois do previsto. Pensou, e bem, que tal se podia dever ao facto da distância entre a Terra e  Saturno ser variável, dependendo das diferença orbitais. Mas se a distância influenciava o tempo que a luz da imagem dos satélites levava a deixar de se ver na Terra, então a velocidade dessa luz não era infinita, ou seja, não chegava à Terra instantaneamente, como se dizia. Claro como água!
Então Roemer, partindo das diferenças nas distâncias entre a Terra e Saturno em vários períodos, e medindo a antecipação ou atraso dos eclipses, tinha as duas grandezas necessárias para calcular a velocidade: distância e tempo. Fez as contas, como Guterres sugeria, e chegou a um valor de cerca de 225.000 km por segundo. Estava incorrecto, pois o valor certo anda perto dos 300.000 Km por segundo, mas a culpa não era de Roemer—era dos astrónomos que tinham feito mal as contas das distâncias entre os dois planetas. Extraordinário! Quanto mais velho fico, mais admiro os antigos: eram espertos!...
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INESPERADO

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Higiene e segurança no trabalho?
06-09-2012
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O PESO DA IDEOLOGIA

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As eleições americanas, como sempre, têm num lado republicanos conservadores, empreendedores esforçados e trabalhadores que fizeram a Américaé preciso reconhecê-lomas são massa bruta, mais ou menosmais mais que menos. Não há muita pachorra para gente que ainda ataca Darwin, defende a Terra plana ou coisas equivalentes, e por aí fora. Dizem dos democratasprovavelmente bemque não sabem o que é arriscar dinheiro para fazer coisas e o que custa pôr de pé um negócio, nem conhecem os sacrifícios exigidos a quem investe, incluindo "o privar-se de ver os jogos da Primeira Liga", para triunfar e viver o sonho americano. Sobre Barak Obama afirmam que pensa estar no centro do universo económico sem nunca ter administrado uma empresa, vendido um automóvel, ou trabalhado num quiosque de limonadas. E acrescentam: é tempo para um presidente com experiência real da economia.
Provavelmente, está tudo certo—Obama levou a dívida americana a níveis quase do Zezito, no melhor estilo socialista, sem que se visse grande resultado daí decorrente. Mas o grande trunfo de Obama ainda está no que repete sempre que pode: Há quatro anos, contei-vos a história da união entre um jovem do Quénia e uma rapariga do Kansas confiantes em que o seu filho podia chegar onde quisesse. Eu sou a prova de que qualquer um pode ser Presidente dos Estados Unidos. Esta é uma tirada retórica—o grande forte de Obama—que diz muito aos americanos embora, em boa verdade, não sirva para nada em termos de economia. Mas é assim que o mundo se governa, ou o governam. A ideologia pesa muito.
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BOTA ITALIANA

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A fotografia foi feita da Estação Espacial Internacional, em 18 de Agosto passado, a 386 km de altitude. Mostra a Europa em perspectiva, a Itália em primeiro plano, em diagonal, com as luzes de Nápoles e Roma bem visíveis—de cima para baixo, perto do centro—e a Sicília, em baixo, à esquerda. Do outro lado, vê-se o Mar Adriático, em cuja costa Ocidental ficam a Eslovénia, Croácia, Montenegro, blá, blá, blá. Catita!
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(Crédito NASA)
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NADA COMO A NOSSA TERRA !

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A linguagem é um nadinha realista, mas é necessária.
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(Colaboração de J. Castro Brito)
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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PAGAR E NÃO BUFAR

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Contribuinte - Gostava de comprar um carro.

Estado - Muito bem. Faça o favor de escolher.

Contribuinte - Já escolhi. Além do preço, tenho que pagar alguma coisa mais?

Estado - Sim. Imposto sobre Automóveis (ISV) e Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)  

Contribuinte - Ah... Só isso.

Estado - ... e uma "coisinha" para o pôr a circular. O selo.

Contribuinte - Ah!...
  
Estado - ... e mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule. O ISP.

Contribuinte - Mas... sem gasolina eu não circulo.

Estado - Eu sei.

Contribuinte - ... Mas eu já pago para circular...

Estado - Claro!...

Contribuinte - Então... vai cobrar-me pelo valor da gasolina?

Estado - Também. Mas isso é o IVA. O ISP é outra coisa diferente.  

[...]
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Este é o início dum longo diálogo entre um automobilista incauto e o Estado, pessoa de bem. Vale a pena ler o resto, AQUI, para ter ideia—só aproximada!—de como somos tosquiados.
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(Colaboração de J Castro Brito)
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OCEANA

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Afinal, é a Lua que anda no navio!
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MARINA 2

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04-09-2012
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JESUS SANCIONADO

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Jesus foi suspenso por 15 dias. Porquê? Porque comentou cabalmente o lance que se vê em baixo e deu golo ao FêQuêPê.
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Há claramente dois jogadores do FêQuêPê fora de jogo, sendo o assinalado com a seta que fez o golo.
Baril!
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SE MAIS MUNDO HOUVERA LÁ CHEGARA

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03-09-2012
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TUDO É RELATIVO

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Se a Terra pudesse parar os movimentos de rotação e translação e um comboio viajasse a 90 km/hora de Sul para Norte, quem estava parado e quem estava a andar? Se respondeu que era o comboio que andava, não respondeu muito bem. Sabe porquê? Porque o movimento é um fenómeno relativo e, no caso proposto, é indiferente dizer que a Terra estava parada e o comboio andava para Norte a 90 km/hora, ou que o comboio estava parado e a Terra andava a 90 km /hora para Sul.  Estúpido? Nem por isso.
Aristóteles teria respondido ser o comboio que andava e Newton diria que qualquer das respostas estava certa. Aristóteles era nhurro e Newton não—grande diferença! Aristóteles acreditava—e quando acreditava numa coisa, era pior que um jumento—que o repouso era uma característica absoluta e normal dos corpos, que só se moviam se sujeitos à acção duma força, sendo esse para ele o caso da Terra, por exemplo. Newton demonstrou que não havia nenhum padrão do repouso e que é indiferente dizer que A se move em relação a B que está parado, ou que B se move em relação a A que está parado. Já paro com esta trapalhada, mas quero ainda fazer pior. Se jogarmos ping-pong dentro da carruagem dum comboio em marcha, temos que considerar os movimentos da bola em relação à carruagem, o movimento da carruagem em relação à Terra, o movimento da Terra em relação ao Sol, à Lua, blá, blá, blá, o movimento da bola em relação à Terra, em relação ao Sol, à Lua, blá, blá, blá, e ainda em relação ao movimento do Dr. Soares, que é muito e rápido—190 km/hora—ao Movimento das Forças Armadas que só parou relativamente, etc.
Estão a pensar que isto são larachas, já percebi. As guerras entre Aristóteles e Newton serão de Alecrim e Manjerona e por aí fora, mas vou explicar porque não são. Imagine que no comboio referido e em movimento relativo, consegue bater com a bola duas vezes exactamente no mesmo ponto da mesa, com intervalo de 3 segundos. Pensa que bateu com a bola no mesmo sítio; mas para quem está fora do comboio a vê-lo jogar através da janela, não bateu porque 3 segundos antes o local da mesa onde abola bateu estava centímetros ou metros atrás, ou à frente. O  mal é que têm os dois razão. (clicar aqui, ou na figura em cima, para ver uma animação)E isto é importante para a ciência porque a falta de padrão absoluto de repouso não permite saber se dois fenómenos que ocorreram no espaço em tempos diferentes, ocorreram no mesmo local. É chato, como diria Pinheiro de Azevedo, e os cientistas não gostam—é a natureza a complicar sem necessidade, pronto!
Com Newton, verificou-se que essa coisa do espaço era relativa e dependente do tempo, o que lhe criou na altura problemas religiosos, especialmente com um bispo filósofo chamado Berkeley. Mal imaginava o bispo que tudo viria a piorar com a observação de gente como Einstein de que, afinal, o tempo também não era completamente independente do espaço. Só faltava esta! Felizmente, os cálculos clássicos com movimentos lentos como os nossos comboios, incluindo o TGV do Zezito, não são muito afectados pelo erro que cometemos. Mas para fenómenos a velocidades próximas da luz, como acontece nos aceleradores de partículas, os cálculos clássicos podem não funcionar—complicado!...
Fim da injecção, Graças a Deus, dirá quem chegou até aqui!...
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04-09-2012

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A VOZ DO ORÁCULO EM LOULÉ

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Hoje senti grande alívio—há muito que não tinha notícias do Dr. Soares e começava a recear que já estivesse empalhado. Mas não!... O Dr. Soares foi fazer uma conferência ao centro de gravidade política do planeta que é Loulé e falou—bem, como sempre, e com ideias originais.
Referindo-se a Tozé Seguro, o Dr. Soares foi categórico: "Nunca o vi dizer uma coisa com tanta clareza como agora". E acrescentou: "Ele disse 'não aceito mais austeridade' e acho que fez muito bem". Também acho, mas quem sou para sequer apoiar o Dr. Soares e o seu pensamento político vindo do espaço interestelar? Sou ninguém, como o romeiro do Frei Luís de Sousa.
De qualquer maneira, atrevo-me a introduzir subtil e impertinente correcção no discurso de Tozé citado pelo "Pai da Democracia", Democracia que, em 38 anos, já levou três vezes o País à falência, uma das quais sob a batuta do Dr. Soares. Tozé terá dito "o PS não está para mais austeridade" e não "não aceito mais austeridade". Há diferença semântica, pois o sujeito é diferente nas duas frases—no tempo de Dr. Soares era indiferente isso, porque os sujeitos coincidiam; mas em tempo da escopeta de carregar pela boca que é Tozé, não é assim. E o Dr. Soares agora está de fora, com lamentável  prejuízo daí decorrente para a nação, e quem está de fora racha lenha—para não criar mais recibos verdes, pagar o subsídio de Natal com Certificados de Aforro, ou singelamente não o pagar, como aconteceu quando foi Primeiro-Ministro.
Mas o Dr. Soares está na posse duma informação importante que ontem revelou: "Os portugueses têm consciência da situação dificílima que estamos a viver". É verdade! Como soube tal coisa, mais difícil de perceber que a situação que precedeu o Big Bang? Posso estar errado, mas suspeito que foi o Zezito, a frequentar altos estudos de Filosofia Política na Cidade-Luz que lhe disse. Só pode ter sido!
E termino, perguntando pertinentemente o que seria de nós sem estas intervenções políticas e públicas do Dr. Soares, infelizmente tão  raras? Quem nos esclarecia?
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terça-feira, 4 de setembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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FLORES

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Preparação para o filme que vem a seguir
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' REPRISE '

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Aristóteles, sobretudo por razões místicas—porque achava só ser possível ter a Terra como centro do universo; e também porque o movimento circular seria o mais perfeito segundo ele—dizia que os planetas e o Sol andavam em volta da Terra em órbitas elegantemente circulares. Aristóteles devia ser bom tipo, mas era de crenças. Dizia, por exemplo, que na Filosofia—na época incluía a Física e a Astronomia—não era necessário comprovar nada experimentalmente, porque se "ia lá" só com a cabecinha pensadora. E era nhurro:  afirmava convictamente que os corpos mais pesados caíam com maior velocidade que os leves e nunca experimentou se isso era verdade; e, afinal, estava a asnear.
Alguns séculos depois, Ptolomeu—que também era um nadinha marado, pois dizia que quando olhava para os movimentos circulares das estrelas, os pés lhe saiam do chão, embora não explicasse para onde iam os pés—apurou a teoria de Aristóteles.  Segundo ele, a Terra estava no centro do Sistema Solar, rodeada de oito esferas imaginárias em cuja superfície navegavam os planetas e o Sol. As órbitas não estavam, portanto, no mesmo plano (ver figura). Eram as bonecas russas de que falámos em baixo a propósito da Física Atómica—a Física e a Filosofia gastam muito bonecas russas, concluo eu.
O que ficava para lá da última esfera, nunca ficou muito claro na conversa de Ptolomeu. Agora chama-se espaço interestelar; naquela altura Ptolomeu entupiu. E porque terá entupido Ptolomeu, um homem tão prá-frentex que até os pés lhe saiam do chão quando olhava para aquilo? Diz-se que quem tem cu tem medo e Ptolomeu tinha um.
A Igreja achava que a teoria de Ptolomeu estava de acordo com as escrituras, com a grande vantagem de deixar esse tal espaço de fora para o Céu e o Inferno. Até à última esfera, Ptolomeu era competente. A partir daí, eram os teólogos que sabiam e ele calava-se.
Chegados aqui, apetece perguntar: o que pensaria Ptolomeu disto? Curiosamente, e não muito surpreendentemente, devia achar bem. Digo isto porque é um comportamento actual este. A História repete-se, segundo consta e parece ser verdade. E esta história de Ptolomeu é um filme que se vê todos os dias numa sala próxima de si. É verdade!
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HÁ LUAS E LUAS

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A Lua-Cheia que eu vi da minha janela no passado dia 31 também  foi vista em Cincinnati.
A minha era mais bonita!

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MARINA

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04-09-2012
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ZENO E KAKU

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Zeno de Elea era grego e filósofo, quatro séculos antes de Cristo nascer. Não o conheci pessoalmente, mas acho que não "batia" muito bem—era especialista em paradoxos! Por exemplo, dizia que uma seta parada está parada porque ocupa o mesmo espaço; mas quando dizemos que vai em movimento, em cada momento, ocupa o mesmo espaço nesse momento. Logo, parece que anda, mas não anda—está parada!  Ou ainda que quando Aquiles corre com uma tartaruga que parte 100 metros à frente, apesar de andar, digamos, dez vezes mais depressa, nunca chega primeiro, porque quando Aquiles correu os primeiros 100 metros, a tartaruga já andou 10; quando andou esses 10, a tartaruga andou 1 e continua à frente, e assim até ao fim—a tartaruga chega à meta à frente, nem que seja por um nanómetro elevado a menos 1.000! Não há pachorra para Zeno. Mas a verdade é que os paradoxos dele têm dado água pela barba aos matemáticos—quando está tudo esclarecido, e explicado onde Zeno baralhava, aparece outro matemático pior que Zeno a contestar. Não interessa.
Serve Zeno para introduzir essa coisa das coisas pequenas, ou melhor, das coisas mais pequenas, ou ainda melhor, das coisas infinitamente pequenas—estou a ficar como o Zeno! A pequena dimensão terá aflorado o encéfalo do homem primitivo pela primeira vez quando se lembrou de afiar o bordo duma pedra, dum ramo, dum osso ou o que quer que fosse, para cortar bifes da caça, ou as goelas do vizinho. Depois, os gregos—sempre eles, como agora—disseram que a matéria era formada por bolinhas, tipo bolas de bilhar, indivisíveis, que é o que significa átomo (a=não, tomo=cortar ou dividir).
Mas há um século, mais ou menos, conseguiu-se extrair electrões do átomoafinal, não era indivisível! E, pouco depois, extraíram-se protões e neutrões do núcleo do átomo—cada vez menos indivisível! Começava a história das bonecas russas.
Vieram depois os aceleradores de partículas, onde protões, a enormes velocidades, são conduzidos a choques frontais e se escaqueiram! E identificaram-se nos cacos partículas mais pequenas, os quarks, os leptões, os bosões, blá, blá, blá.
E agora? Acabou a corrida e a tartaruga chegou depois de Aquiles?
Não acabou! O problema é esse—Aquiles ainda vai atrás da tartaruga! Começa a não haver mais pachorra para os físicos atómicos do que havia para Zeno. O que vem a seguir? A seguir são as cordas!
Cordas? Mas que cordas? Acho a Física Quântica "da corda", mas cordas agora? É verdade, cordas, sim senhora e senhor. Então, os quarks, os leptões, os bosões, blá, blá, blá, serão formados por cordas, filamentos de energia todos iguais, mas que vibram como as cordas da guitarra de maneiras diferentes, e ora tocam o "Fado Alexandrino", a "Casa da Mariquinhas", ou o "Zé Fugiu, Fugiu e Nunca Mais Ninguém  o Viu". Tal e qual. Um quark será formado por dois fados alexandrinos e três casas da mariquinhas, um leptão  por dois zés fugiu, fugiu e quatro yelow submarines e por aí fora.
E depois? Depois, prevejo, aparece um físico atómico ainda aparentado com o Zeno e diz que as cordas, afinal, ainda não são o cu de Judas e cada uma é formada por cuzinhos de Judas mais pequeninos, ou seja, cuzinhos de Judinhas que, por sua vez, blá, blá, blá. Que dizer? Nem sequer sabemos se Aquiles ganhou a corrida!...
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A fotografia é de Michio Kaku, inventor da Teoria das Cordas (não nasceu com as cordas—fui eu que as pus lá).
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A imagem é de Michio kak

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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Caça aos piratas
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WARNING

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ROYAL SOCIETY

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A Royal Society, em Londres, é a mais antiga sociedade científica do mundo. A carta de fundação, que se mostra na fotografia em baixo, tem data de 1660 e assinaturas como as de Newton, Christopher Wren e Robert Boyle.



Presta serviço ao governo de Sua Majestade e ao mundo desde então e mantém actividade contínua de elevada qualidade. Na fotografia em baixo, vemos o actual presidente, Sir Paul Nursegeneticista galardoado com o Prémio Nobel da Medicina em 2001entre os retratos de Newton, à esquerda, e Boyle, à direita.



Tem 1450 fellows, 80 dos quais detentores do Nobel.

TRAMPA CULTURAL

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Projecto do Laboratório on-off da Capital Europeia da Cultura.
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Jorge Sampaio, presidente do Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, há cerca de um mês: 

"Capital Europeia da Cultura é um sinal de esperança".

Por qué no te callas? Mira esa mierda. Que es esto?
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NÃO ESTOU PARA MAIS AUSTERIDADE !

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Tozé Seguro, vulgo escopeta de carregar pela boca, anunciou hoje sem se rir, urbi et orbi literalmente— falava para a urbe e para a troika—que o "PS não está para mais austeridade". Acabou! Pronto!  O PS encheu! Aí está! Estou com o Tozé, pois claro: também não estou para mais austeridade.   
Pinheiro de Azevedo, conhecido pelos jarretas que são daquele tempo como eu por Almirante sem Medo, foi primeiro-Ministro de Portugal de Aquém e Além-Mar porque ainda havia Timor,  e durante o PREC foi sequestrado na Assembleia da República por esses escrupulosos e impolutos democratas que são os comunistas. Em declarações posteriores, à rádio e televisão, afirmou que tinha sido sequestrado, mas que não estava para mais sequestros. E explicava porquê: porque não gosto—dizia. Porque me chateia—acrescentava. Exactamente assim.
Tozé Seguro, Secretário-Geral do partido que governou a Pátria sob a batuta magistral do génio de sua graça Zezito, génio que antes de fugir e nunca mais ninguém o ver assinou o protocolo com a troika que nos impôs inclemente austeridade, não está para mais austeridade, pronto. E porque não está Tozé para tal? Está bom de ver e o Almirante sem Medo já explicou: porque não gosta; porque o chateia.
Tozé acha que o governo devia pedir mais tempo para cumprir a meta do défice, mas acha também que o governo falhou porque não conseguiu cumprir a meta do défice. O raciocínio é de Filosofia Analítica, com base na Física Quântica. Li algures que Tozé é professor na Universidade Lusófona. Não sei se é, mas pode ser porque fica lá a matar. E deve leccionar precisamente Filosofia Analítica e Física Quânticafica provado que é um mestre nas matérias. Ganda Tozé!
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SILHUETAS DA PESCA LÚDICA

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QUEM ÉS, DONDE VENS, PARA ONDE VAIS

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Com algum escândalo de alguns, a Teoria da Selecção Natural de Darwin explica muitas das características do homem actual e seu comportamento. Passámos há muito a fase da perspectiva de que temos nariz para usar óculos, ou cabeça para usar chapéu, como os coelhos tinham rabo branco para os caçadores fazerem a pontaria. Na realidade, a nossa morfologia e fisiologia é como é porque isso se mostrou indispensável à sobrevivência da espécie e os que não eram assim foram eliminados.
No homem, tal como em todos os organismos que se reproduzem, ocorrem variações—ou mutações—no material genético que condicionam modificações das características da forma e do comportamento. Em consequência, surgem indivíduos mais aptos a extrair melhores conclusões sobre o mundo em que vivem—têm por isso melhores condições para sobreviver que os outros e para tornar dominante o seu tipo de genoma. Corresponde isto a um apuramento da espécie embora, dito assim, soe a eugenia de mau gosto—é a vida!
Desta forma se fez o desenvolvimento científico do passado—à custa de seres intelectualmente privilegiados, como Galieu, Newton, Einstein, blá, blá, blá—e se atingiram progressos como a energia nuclear e a revolução electrónica.  Infelizmente, não estamos certos que no futuro aconteça o mesmo, dependendo do uso que se faça de tanto conhecimento e tanta técnica. Contudo, há razões para esperar que a selecção natural do homem também aí intervenha—preferencialmente de forma silenciosa e pacífica—garantindo que o progresso científico e tecnológico nos traga mais consciência de quem somos, de onde viemos e para onde vamos—como o poeta Bocage—elimine os "maus" e nos equipe com confortos e comodidades alinhados com a selecção dos mais aptos.
E o problema não se põe da forma exclusiva e prosaica do desfrutar materialmente do progresso do conhecimento. Em boa verdade, o que mais move o homem moderno—embora não pareça—é o aspecto lúdico do avanço desse conhecimento. Como escreveu Stephen Hawking no livro "Brief History of Time", o nosso grande objectivo é nada menos que a compreensão completa do universo onde vivemos.
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domingo, 2 de setembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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O "Boxer" e o "Enterprise" na peleja
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Deseja o melhor, mas prepara-te para o pior.
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UM NAVIO NA LUA

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Da minha janela, vê-se um navio na Lua—não; não estou com o Síndrome de Charle Bonnett (ver em baixo). Como o trabalho não "aperta", faço montagens fotográficas—e as duas fotos são minhas, para que conste.
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OLIVER SACKS

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Oliver Sacks é um neurologista americano com modesta clínica privada em Nova Iorque que se tornou famoso sobretudo pelos livros publicados, entre os quais "O Homem que Confundiu a Mulher com um Chapéu" e  "Um Antropologista em Marte".  Dedicou grande parte da vida a investigar coisas como a relação da música com o cérebro, a Doença de Parkinson e as alucinações, especialmente o Síndome de Charlles Bonnett—de que fala neste vídeo—caracterizado por alucinações visuais e auditivas em pessoas com deficiência acentuada nesses sentidos e que tem permitido compreender parte da fisiologia cerebral relacionada com a visão e audição, como explica.
É um excelente comunicador, com dicção muito clara, por isso o incluo neste espaço, apesar de saber que há quem não goste de posts em inglês. As minhas desculpas a esses. Mas há ainda outro motivo interessante e de certo modo comovente na apresentação: é que Sacks, ele próprio, cego dum olho e com visão reduzida no outro, tem as alucinações do síndrome de que fala, como confessa no fim, depois de interrogado pelo apresentador.
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CABECINHA PENSADORA

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FIM DO MUNDO

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O mundo acaba um dia. Não exactamente o mundo, mas o nosso mundo que é a Terra. É chato, mas acaba. O problema é para daqui a alguns milhões da anos, mas é um facto garantido. O Sistema Solar, tal como existe, vai mudar ou mesmo finar-se. Há quem diga que esse é motivo suficiente para ser crente e talvez seja—a preocupação com a humanidade de então.
Bertrand Russel dizia desses crentes: Não acreditem; é tudo conversa sem sentido. Ninguém está preocupado com o que vai acontecer daqui a milhões de anos. Mesmo os que se julgam preocupados, estão a enganar-se a eles próprios. Estão preocupados com coisas mais mundanas; ou pode ser mera má digestão de qualquer comida—porque ninguém se importa com o que virá daqui a milhões de anos. Embora seja uma perspectiva sombria a de que a vida vai desaparecer, apesar de tudo, olhando para o que a gente faz, penso ser quase uma consolação.
Russel tinha piada. Esta coisa de milhões de anos, digo eu agora e já disse há dias, não cabe na nossa cabeça. Falar disso é debitar palavras sem sentido. Temos dificuldade em digerir mentalmente as 24 do dia e pomo-nos a falar de milhões de anos—nonsense, diria Russel.
Russel, além de matemático brilhante, cultor inspirado da Filosofia Analítica, e coequiper de grandes personalidades da cultura do século passado, recebeu em 1950 o Prémio Nobel da Literatura—completo, acho.
Tinha um humor subtil mas verrinoso. Em 1927, fez uma conferência na "National Secular Society" de Londres intitulada Why I Am Not a Christian, peça que vale a pena ler porque é um clássico, embora eventualmente não apreciada por crentes convictos. É um clássico da reflexão religiosa e acho que todos deviam ler. Fica aqui o link para o texto. Tem tradução automática, se preferir, mas é muito fraquinha.
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O VOO DO ALBATROZ

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Fiona Joy Hawkins
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PAÍS IMPOLUTO

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Cândida Almeida é Procuradora-Geral Adjunta e Directora do DCIAP. Tem no currículo vários casos de eficácia judiciária que não menciono nem comento. Apenas digo que não lhe confiava nem a investigação do roubo duma galinha choca no meu quintal, se tivesse quintal.  Foi à Universidade de Verão do PSD, versão estival da "Independente" e da "Lusófona", falare falou. Não ouvi o que disse, ou vai dizernão estou interessadomas li que já terá dito: "Portugal não é um País corrupto." 
Se considerarmos a Constituição que pela Graça de Deus nos rege, efectivamente, não está lá plasmado coisa do tipo: Artº 1º—Portugal é uma República empenhada na construção dum País corrupto, blá, blá, blá. Cândida Almeida está certa.
Mas, e o resto? Qual resto? Cândida Almeida não sabe o que é o resto! Nem podia saber: tudo quanto lhe passou pelas mãos dizia respeito a gente honrada, miseravelmente caluniada pela imprensa, opinião pública, e gente rasca que não percebe nada de subtilezas jurídicas, dada a julgamentos sumários na praça pública. Cândida Almeida, jurista de alto quilate, olha para o Artº 2º da referida Constituição que pela Graça de Deus nos rege, e vê lá que vivemos num Estado de direito democrático visando o aprofundamento da democracia participativa—aí está: todos têm direito a participar no banquete do Orçamento do Estado, fica bem claro. Aliás, a magistrada também terá dito: as pessoas, de uma maneira geral, sem saber exactamente o que estão a dizer, falam de corrupção num conceito sociológico, ético-político eventualmente, mas falam de coisas que não são corrupção, falam de coisas afins. É isso mesmo, Excelência—são as coisas afins! Aí é que a porca torce o rabo; nas coisas afins!
Fica Vossa Excelência muito bem vista com as suas palavras, especialmente pelos comensais do orçamento do Estado, que são mais que as mães, pais, avós, tios, primos e afilhados. Particularmente os que usam avental para comer, em vez de guardanapo. São esses que garantirão a ascensão de Vossa Excelência ao alto cargo de Procurador-Geral que lhe cai que nem uma luva. Depois do incansável e Excelentíssimo Pinto Monteiro, cuja embraiagem patina muito,vai ser Vossa Excelência a cereja em cima do bolo dos comilões deste País que não é de corruptos, pois claro. Ah ganda Candidinha!
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"OCEANA"

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Boa imagem para ambiente de trabalho (da autoria do "Je"). Até tem o arco-íris na espuma!
(Clique na fotografia para ver como fica o ambiente de trabalho. Pode colocar os ícones  debaixo da proa. Não precisa pagar-me direitos de autor. You are welcome)
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A GRANDE EUROPA QUE NÃO CHEGA

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Timothy Garton Ash é professor de Estudos Europeus em Oxford e fellow—equivalente, mais ou menos, a professor convidado—na Universidade de Stanford, EUA. Escreve hoje um artigo de mil palavras  no "The New York Times" sobre a Europa, intitulado " Pode a Europa Sobreviver ao Crescimento do Resto?" (Can Europe Survive the Rise of the Rest?), sintético e conciso.
Começa com três perguntas e três respostas: i) Quem ganhou mais medalhas nos Jogos Olímpicos—Europa; ii) Qual a maior economia do mundo—Europa; iii) Onde vai a maioria do mundo passar férias?—Europa. Em muitos aspectos do poder, a União Europeia pertence, com os Estados Unidos e a China, aos três grandes. Mas dizer tal em Pequim, Washington ou outra capital desperta risos.  A "potencial potência"  europeia está doente, diz Ash, cujo nome premonitoriamente significa cinza.
Ash atribui a situação ao desaparecimento das cinco forças que dinamizaram a União. A primeira tem a ver com o apagamento da memória da tragédia da II Guerra, que começou há muitos anos (fez ontem 73) e as última gerações que a viveram já bateram as botas, ou estão em vias de as bater. É a vida!
A segunda é o desaparecimento da União Soviética. Tal aborto não servia para nada—o estilo é meu—mas era cimento entre os países a Oeste, ainda não abençoados com o Sol que iluminava a Terra—Cunhal dixit.
A terceira é o novo comportamento da Alemanha, muitos anos inibida pelas "proezas" da Guerra, em que fez um papelão. Isso e o facto de estar dividida e temer que os outros europeus não quisessem a união—porque tinham medo dela—fazia com que andasse com o rabo entre as pernas e a bater a bola baixinho. Agora está unida, a memória da Guerra apagou-se, ou quase, e está outra vez a transformar-se na "maior" (mau sinal, digo eu)—na Alemanha, a asneira é como a cortiça: vem sempre ao de cima.
A quarta era o tropismo dos antigos países do Pacto de Varsóvia no sentido de  deixarem aquela pessegada e se dirigirem a uma Europa—um pouco romanceada nas sua cabeças—que não veio a corresponder às expectativas.
Finalmente, o facto do grande padrão da qualidade de vida europeia ter sido posto em causa por demagogos megalómanos tipo Zezito—o professor não fala dele porque não o deve conhecer, mas não sabe o que perde—que se endividaram até aos colarinhos e puseram tudo em causa.
Ash pensa que com mais união política e fiscal isto vai lá. A Europa tem a solução no  próprio ventre. A propósito recorda Bismark, quando lhe mostravam o mapa de África e o valor estratégico e económico dum império colonial. Dizia ele: A França está à esquerda, a Rússia à direita e nós estamos no meio—esse é o meu mapa de África. Ash parafraseia: A China,  Rússia e a Índia estão á direita, a América e o Brasil estão à esquerda—esse é o nosso mapa da Europa.

NotaConsegui reduzir o texto de Ash a metade e penso não o ter traído excessivamente. Se o fiz, peço-lhe desculpa. E também pela vulgaridade do estilo que não é, de forma alguma, o de Timothy Garton Ash; ou de Oxford. Nem por sombras! E ainda por usar abusivamente a figura do jornal que está muito boa.
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sábado, 1 de setembro de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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Nau portuguesa
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GRANDE NUVEM DE MAGALHÃES

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A imagem é da galáxia Grande Nuvem de Magalhães, pequena galáxia apesar do nome, muito próxima da Via Láctea—160 mil anos/luz. Nela existe esta nebulosa, a N44, onde está mergulhado o aglomerado de estrelas NGC 19129. As estrelas emitem radiação intensa, expelem material a alta velocidade e evoluem rapidamente, explodindo e formando supernovae. Tais fenómenos violentos, cavam grandes espaços no gás envolvente, o que origina enormes cavidades chamadas super-bolhas, a azul na figura. A vermelho, o gás e a poeira espacial menos quentes.

MONUMENTO AOS COMBATENTES DO ULTRAMAR

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QUANTO LEVA A MORTE ?

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Montaigne disse um dia: a idade diminui-nos de tal modo que quando a morte chega só leva metade, ou um quarto de nós. Montaigne tinha 59 anos quando morreu—era novo. A morte ouviu-o e apressou-se para aproveitar o possível; e ainda  levou muito.
Lévi-Strauss, antropologista e intelectual francês, recordando as palavras de Montaigne, comentava que na idade dele sentia isso, porque existiam em si duas personagens: a real—um holograma actual já fanado—e outra, a que chamava metonímica, a do tempo do vigor intelectual. E que havia um diálogo entre as duas, em que a metonímica planeava, sonhava, tinha ambição, dizia  para continuar, e a real que lhe respondia ser esse o papel dela porque só ela podia ver o todo. Em aparte curioso, digo que a morte se desleixou porque  Lévi-Strauss morreu com 100 anos.
É tudo discutível, até o que não tem discussão. Aparentemente, o tempo—ou idade—tira umas coisas ao cidadão e dá outras. Não tenho, nem ninguém tem, qualquer dúvida sobre isso. O discutível é a avaliação dos ganhos e perdas. É o que entra melhor ou pior do que o que sai? Montaigne achava pior e Lévi-Strauss, aparentemente também. Tenho uma teoria!
Penso, ao contrário de Montaigne e Lévi-Strauss, que não há dois segmentos na vida intelectual: há três—os dois de que falavam, mais o terceiro, de nítida e confrangedora degradação, tão grave que nem temos consciência dela. Nos duas primeiras etapas, provavelmente há quem perca com a idade e quem ganhe com ela—não há regra geral. Na terceira é que a morte fica a perder, porque leva pouca coisa. Acho que sim—muito pouco!
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FOLHAS TANTAS

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BLITZKRIEG

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Às 4 horas e 45 minutos da madrugada do dia 1 de Setembro de 1939, fez há horas 73 anos, o cruzador alemão "Schleswig-Holstein" abriu fogo sobre a guarnição polaca do Westerplatte Fort, na actual Gdansk, protagonizando a primeira operação militar da II Guerra Mundial, que viria durar cerca de 6 anos. Quase simultaneamente, 62 divisões germânicas da Wehrmacht e 1.300 aviões da Luftwaffe iniciaram o ataque à Polónia.
Em 3 de Maio, Hitler tinha ordenado aos generais que preparassem a operação, mas os militares não a consideravam oportuna, dada a necessidade de reforçar a frente Ocidental. O envolvimento a Leste enfraquecia ainda mais as fronteiras de Oeste por onde a França e a Inglaterra poderiam atacar. Mas o Führer acreditava que a Polónia cairia rapidamente no papo, após um ataque relâmpago—blitzkrieg—e que, nem Chamberlain, nem Daladier—primeiros-ministros de Inglaterra e França—se iriam envolver porque eram líderes indecisos, fracos e cagarolas. Queriam tratados de paz, conversa fiada, blá, blá, blá; tudo menos guerra. Era a jogada do rapaz Adolfo.
No mesmo preciso dia, às 8 horas da manhã, a Polónia pediu ajuda militar à Inglaterra e à França, dada a velocidade com que os alemães entravam no seu território, apoiados por vagas demolidoras de bombardeamentos aéreos e pelas divisões blindadas. Nem os aliados ocidentais previram que a eficácia germânica fosse assim—caíram de cu. Ainda esperaram que Adolfo fosse sensível aos seus apelos para se moderar, mas nada! E só no dia 3 de Setembro, às 5 horas, declararam guerra à Alemanha nazi. Estava iniciada a mais sangrenta guerra da humanidade—até hoje...
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