.
sábado, 10 de junho de 2017
Ó SANCHES, VAI CONTAR ESSA A OUTRO
.
Dizem os periódicos que a EDP ganhou, pelo menos, 46,6 milhões de euros a mais com a prestação de serviços que os consumidores pagam na factura da luz e que esse valor continua por devolver. Entretanto, o Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, garante que “esta questão é para levar até às últimas consequências“, notando que a devolução do valor terá repercussões nos preços a pagar pelos consumidores.
Ó Sanches, dá-me outra música que dessa estou já farto — chama-se "Vira o Disco e Toca o Mesmo". Mexia, Catroga, Manso Neto e Cª vão ficar todos bem de saúde, impunes e com haveres robustos, a tratar dos netinhos queridos; e o Governo, seja A ou B, abotoa-se com as rendas em apreço.
E nós, consumidores, paganinis enganados e esfolados? Nós apanhamos com outra renda para as "despesas de expediente". A mim não enganas tu — quando nasceste já eu cá andava há muito.
Dizem os periódicos que a EDP ganhou, pelo menos, 46,6 milhões de euros a mais com a prestação de serviços que os consumidores pagam na factura da luz e que esse valor continua por devolver. Entretanto, o Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, garante que “esta questão é para levar até às últimas consequências“, notando que a devolução do valor terá repercussões nos preços a pagar pelos consumidores.
Ó Sanches, dá-me outra música que dessa estou já farto — chama-se "Vira o Disco e Toca o Mesmo". Mexia, Catroga, Manso Neto e Cª vão ficar todos bem de saúde, impunes e com haveres robustos, a tratar dos netinhos queridos; e o Governo, seja A ou B, abotoa-se com as rendas em apreço.
E nós, consumidores, paganinis enganados e esfolados? Nós apanhamos com outra renda para as "despesas de expediente". A mim não enganas tu — quando nasceste já eu cá andava há muito.
.
EU ESPERO TUDO
.
.
Há pessoas de quem não se espera nada. E há aquelas de quem se espera tudo. O prof. Marcelo pertence às duas categorias. Em passeio nos Açores, o homem resolveu explicar o segredo da nossa felicidade, ele próprio: “Quando iniciei o meu mandato, achava que o país estava carecido de afecto e que era uma prioridade esse afecto. As pessoas estavam pessimistas, estavam cépticas, estavam crispadas. (…) o país estava perdido, corria tudo mal”. Então, como um anjo, surgiu o Salvador, ainda mais reluzente que o Sobral.
.
Há pessoas de quem não se espera nada. E há aquelas de quem se espera tudo. O prof. Marcelo pertence às duas categorias. Em passeio nos Açores, o homem resolveu explicar o segredo da nossa felicidade, ele próprio: “Quando iniciei o meu mandato, achava que o país estava carecido de afecto e que era uma prioridade esse afecto. As pessoas estavam pessimistas, estavam cépticas, estavam crispadas. (…) o país estava perdido, corria tudo mal”. Então, como um anjo, surgiu o Salvador, ainda mais reluzente que o Sobral.
Com franqueza, já desisti de tentar perceber se o prof. Marcelo diz estas coisas a sério ou se se diverte a gozar com pategos. A verdade é que os pategos existem, e aparentemente não apenas entre os “populares” que se acotovelam nas ruas para uma “selfie” com o equivalente indígena da Princesa do Povo. Nas redacções jornalísticas (crescentemente uma força de expressão) e no comentário, também parece haver gente que toma à letra as afirmações do Senhor Presidente. Não falo dos que utilizam aquela retórica vazia em benefício da propaganda governamental. Falo dos que se mostram realmente convencidos de que os “afectos”, leia-se a conversa fiada, o sentimento de cordel e um populismo que envergonharia alguns estadistas do Terceiro Mundo são capazes de influenciar o rumo de uma nação ou, modestamente, o quotidiano de um único dos seus cidadãos. Há, a julgar pelas evidências, indivíduos que votam, conduzem, procriam e determinam o alinhamento de um “telejornal” a acreditar que o facto de o chefe de Estado desfilar a sorrir numa feira de tremoços em Melgaço influencia o poder de compra de um solicitador do Cacém.
Trata-se de um exemplo acabado do pensamento mágico, por azar um eufemismo de atraso de vida. À semelhança dos primitivos que dançavam para espevitar a colheita de cevada, muitos portugueses modernos supõem que o pão decorre do circo. Não decorre, e o pior não é não o saberem agora, mas não o terem aprendido antes e não virem a compreendê-lo depois. [...]
Trata-se de um exemplo acabado do pensamento mágico, por azar um eufemismo de atraso de vida. À semelhança dos primitivos que dançavam para espevitar a colheita de cevada, muitos portugueses modernos supõem que o pão decorre do circo. Não decorre, e o pior não é não o saberem agora, mas não o terem aprendido antes e não virem a compreendê-lo depois. [...]
.
Alberto Gonçalves in Observador
.
.
UMA JERICADA QUASE REAL
.
..
Colin Powell, o general americano que foi político Republicano, costumava falar do que chamava Pottery Barn rules. Pottery Barn é uma cadeia comercial de utensílios de cozinha que aconselha os clientes, entre outras coisas, a não se esquecerem de comprar o que partiram desde a última visita, ou seja, a repor a "existência" no trem da cozinha.
Powell falava nisso porque considerava fundamental "tratar das feridas" antes de voltar ao combate; e quem o refere hoje é o The Times, no Leading Article, com o título Power Shortage.
Os conservadores do Reino Unido ainda não "partiram" o sistema democrático britânico mas, com arrogância e incompetência, vão fazendo dele uma mascarada, diz o jornal. Têm pela frente as negociações do Brexit — coisa complicadíssima para um tempo curtíssimo de dois anos — e, ainda com a loiça quase toda partida por Cameron, continuam a parti-la, desta vez com a jericada das eleições que ninguém encomendou a May e ela convocou depois de uma inspiradora noite, provavelmente mal dormida. Difícil fazer pior.
Os súbditos de Her Majesty aguardam ansiosamente que Ms May vá rapidamente a uma loja do Pottery Barn. Contudo, não será fácil agora repor a "existência" dos Tories — é que bens, como génio e inspiração, que abundavam no tempo de Churchill e seus sucessores — alguns... —, estão actualmente esgotados nos armazéns do Pottery Barn no Reino de
Her Royal Highness Queen Elizabeth II.....
.
..
Colin Powell, o general americano que foi político Republicano, costumava falar do que chamava Pottery Barn rules. Pottery Barn é uma cadeia comercial de utensílios de cozinha que aconselha os clientes, entre outras coisas, a não se esquecerem de comprar o que partiram desde a última visita, ou seja, a repor a "existência" no trem da cozinha.
Powell falava nisso porque considerava fundamental "tratar das feridas" antes de voltar ao combate; e quem o refere hoje é o The Times, no Leading Article, com o título Power Shortage.
Os conservadores do Reino Unido ainda não "partiram" o sistema democrático britânico mas, com arrogância e incompetência, vão fazendo dele uma mascarada, diz o jornal. Têm pela frente as negociações do Brexit — coisa complicadíssima para um tempo curtíssimo de dois anos — e, ainda com a loiça quase toda partida por Cameron, continuam a parti-la, desta vez com a jericada das eleições que ninguém encomendou a May e ela convocou depois de uma inspiradora noite, provavelmente mal dormida. Difícil fazer pior.
Os súbditos de Her Majesty aguardam ansiosamente que Ms May vá rapidamente a uma loja do Pottery Barn. Contudo, não será fácil agora repor a "existência" dos Tories — é que bens, como génio e inspiração, que abundavam no tempo de Churchill e seus sucessores — alguns... —, estão actualmente esgotados nos armazéns do Pottery Barn no Reino de
Her Royal Highness Queen Elizabeth II.....
.
"MARKETING" DE PRIMEIRA ÁGUA
,
.
Imagem usada na actual campanha de marketing do Wall Street Journal.
A isto chama-se inspiração
.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
SATURNO TAL E QUAL
.
Imagem
de Saturno — o planeta dourado — e seus anéis "vistos" de cima pela sonda
Cassini, em 10 de Outubro de 2013. As
cores são naturais, ou seja, como seriam vistas pelos olhos humanos se lá
estivessem naquele dia e àquela hora.
.
NÃO ACREDITO !
.
...
Consta que Marcelo, em operação plástica recente, fez uma bolsa marsupial para meter as pilhas.
Não acredito!...
..
A VIDA LEVANTA VOO
..
..
Keenan Wyrobek é um "engenhocas" que fabrica drones para salvar vidas. No Ruanda, usa os drones da Zipline, nome
da sua empresa, para enviar sangue para locais remotos.
.
UM PEDESTRE AQUÁTICO
.
.
Que coisa mais patusca: um peixe, habitante da costa de
Bali, na Indonésia, que usa as barbatanas ventrais para caminhar e procurar a paparoca — parece o Charlot.
.
NEOLOGISMO SEMÂNTICO
.
To trump significa jogar um trunfo, ou "cortar" com um trunfo nos jogos de cartas; e
também, coloquialmente, tocar a trombeta, no sentido de apregoar grandes feitos
ou planos, ou seja, "mandar faroladas". Até aqui, já sabíamos. Mas, há meses,
começou a ter outro significado.
Robert Richardson, economista ambiental na Michigan State University, escreve hoje num tweet: Today, I was "Trumped". I have had the pleasure of serving on
the EPA Board of Scientific Counselors, and my appointment was terminated
today.
Como
a língua inglesa impõe vocábulos às non-english
speaking countries, precisamos de aportuguesar a nova acepção do verbo. Eu
proponho desde já o neologismo "atrumpelar" — eu atrumpelo, tu
atrumpelas, ele atrumpela e por aí fora. Fica catita.
.
BITAITE DO DIA
.
The consolation for Mr Cameron is
only that Mrs May has
now
overtaken him as the most
effective author of chaos.
Philip
Collins in The Times
.
quinta-feira, 8 de junho de 2017
QUANDO A FOME APERTA
-.
.
Em Marrocos, a fominha da cabras leva-as às alturas: empoleiradas nas argânias como pássaros, enchem a barriguinha com os frutos. Chegam a estar mais de uma dúzia na mesma árvore.
.
"HOMO TRUMPIENS"
.
Os mais antigos fósseis do Homo
sapiens conhecidos até agora têm 200.000 anos. Foram encontrados na África
Oriental, nomeadamente na Etiópia, e julga-se — ou julgava-se —
que aí tinha nascido esta espécie que gera filhos como Trump. Contudo, investigações
recentes em Marrocos encontraram fósseis do que parecem ser exemplares do Homo
sapiens com cerca de 300.000 anos. São esqueletos muito semelhantes aos nossos.
Tal achado levanta várias
questões, umas mais importantes que outras, naturalmente. Desde logo, a da
origem do Homo sapiens que nós somos. Diz-se que o homem moderno nasceu em
África, afirmação provavelmente correcta, e que tal terá ocorrido na parte Leste do
continente, migrando depois para o resto do planeta. A verdade é que estes
fósseis de Marrocos parece indicarem a presença de antepassados nossos naquela
região, antes dos cidadãos cujos fósseis foram descobertos na Etiópia e outros locais
da África oriental.
Há algumas diferenças — pequenas — nos esqueletos agora
encontrados, mas coisa de pouca monta. Em face disso, é legítimo perguntar: só
houve uma espécie (o Homo sapiens)
nossa antecessora? Ou seja, não terá
havido várias , por aqui e por ali, que se extinguiram — umas — ou que se cruzaram —
outras —
ou que evoluíram de forma diferente, rebabá, dando origem à trapalhada de gente
que há hoje, ainda com traços no genoma de espécies extintas, como o homem de
Neanderthal? Provavelmente, a evolução do homem não terá sido tão linear como
se imagina e, ao contrário do que se diz, biologicamente, não seremos tão iguais
como se pensa. E digo isto sem nenhum juízo de valor sobre a qualidade das
várias apresentações actuais do Homo sapiens, incluindo Trump.
.
SEM MASSA-ENERGIA NEGRA E SEM ESPINHAS
.
Algumas coisas que precisa de recordar antes
de ir ao Estádio da Luz ver um jogo do Benfica.
O Universo começou num ponto cuja dimensão "cabia"
dentro de uma esfera de raio zero. Tal ponto tinha a máxima densidade de
energia, temperatura, pressão e curvatura do espaço no mínimo volume, como
está bom de ver.
O Universo em apreço, que é o nosso — ninguém sabe se há mais —, tem 13,72 x 10 ^ 9 (dez elevado a 9) anos , ou seja 13,72
x 1.000.000.000 anos.
O raio do Universo — salvo seja — é de 10 ^ 34 metros, ou seja, 10.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000
metros.
Existem três dimensões evidentes — talvez mais desconhecidas
por nós — além do tempo que também pode ter mais que uma dimensão.
O Universo é todo igual, ou homogéneo. Se há
diferenças, são como as dos políticos que, aparentemente, são todos iguais.
As três dimensões são equivalentes, de modo
que as leis da Física aplicam-se do
mesmo modo a qualquer delas. Tanto faz o
Benfica jogar de Sul para Norte, como de Leste para Oeste — ganha sempre.
O Universo e o Espaço não rodam: a rotação
permitiria viajar para o passado através das dimensões espaço-tempo.
A massa universal é de 2x10^56 gramas: 2x100.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000
gramas.
Há dois tipos de matéria: a visível e a "negra".
Esta é constituída por partículas subatómicas
desconhecidas que não interagem com a radiação electromagnética e representa
25% da massa-energia universal. A matéria visível é 0,4% dessa massa-energia.
Também há dois tipos de energia: a negra — 70% da massa-energia total — e a cinética, fracção irrelevante: a radiação
electromagnética representa apenas 0,9% da massa-energia total.
Agora imprima isto e leve no bolso quando for
ver os jogos do Benfica. Terá a noção clara do que está "em jogo", literalmente, no
que respeita a massa-energia universal, quando o Jonas mete um golaço. Ali não há massa-energia negra; é tudo visível.
.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
A HISTÓRIA BEM CONTADA
[...] Os que uma vez embarcaram abaixo de Serpa, onde as
cataratas põem ponto à navegação, Guadiana em fora até ao Algarve, terão
sentido ao chegar à foz a impressão de quem entra, de um sertão, em um jardim: de quem deixa uma gruta escura por uma planície
luminosa. Breve é a extensão do Algarve, desde Vila Real até Lagos, abrigado
pela ponta do cabo de S. Vicente; mas esse trajecto sombrio do Guadiana divide
duas regiões caracteristicamente acentuadas. O algarvio é um andaluz. Ao contrário
do alentejano, tudo o interessa, de tudo fala, agita-se em permanência, com uma
vivacidade quase infantil. No Algarve não há o silêncio e a impassibilidade: há
o movimento constante, o falar, o cantar de uma população como a dos gregos das
ilhas, ora embarcados nos seus navios costeiros, ora ocupados nos seus campos,
que são jardins. Se a planície e os longos horizontes das montanhas dão ao
espírito a placidez solene, também o arrulhar constante da onda, sobre a qual,
debruçado como um eirado, está o Algarve, põe no pensamento uma agitação
permanente, meio-tonta, mas encantadora. Ao calor de um sol já africano,
durante o estio, e no seio de uma constante Primavera, durante o Inverno, o
algarvio desconhece a aspereza da vida: nem os frios o obrigam à indústria para
se vestir, nem a fome ao duro trabalho da enxada para comer. Enquanto voga
sobre o mar, mercadejando, pescando, contrabandeando, crescem-lhe no campo a
figueira, a amendoeira, a laranjeira, cuja seiva o sol se encarrega de
transformar todos os anos em frutos. A alfarrobeira nas encostas da sua serra,
a palma pelos valados, pedem apenas que lhes colham os frutos e os ramos; e o
mercador, no seu barco, ao longo da costa, espera as cargas, para as trocar por
dinheiro. [...]
.
Oliveira Martins in
"História de Portugal"
.
EXCERTOS ESCOLHIDOS
.
[...] Já o senhorio, tal como outrora o dono do café e o empresário de
vão de escada, representam na sua pequena dimensão e falta de contacto com a
máquina estatal, aquilo que um marxista não pode de modo algum tolerar: que não
se conte com o Estado. Regulamentar e complicar até que só sobrem as grandes
empresas municipais e privadas é o que lhes surge como natural. E é isso que
farão. [...]
Helena Matos in
"Observador"
.
"RETRATOS DE PEDRA"
.
.
Anna Rubincam faz retratos
de pedra. Trabalha semanas para acabar cada um. Há riscos. Mas Anna diz que não
se vê a fazer outra coisa.
.
UNDULATUS ASPERATUS
.
O "caçador de tormentas" Mike
Olbinski dedica-se a fazer imagens de tempestades (profissões há muitas, como os
chapéus). Há cinco dias, 2 de Junho, filmou estas nuvens — tecnicamente chamadas Undulatus Asperatus — no Dakota Sul, durante o pôr do Sol, imagens que diz não
poder deixar em "banho-maria" no disco do computador e compartilha connosco
no digg.com.
COM VISTA PARA... O PLANETA TERRA
.
.
O astronauta Jack Fischer enviou esta imagem da Estação Espacial
Internacional com a seguinte legenda: Nunca tive um gabinete com vistas, mas
admito que estou a gostar... a lot!.
terça-feira, 6 de junho de 2017
COINCIDÊNCIAS
.
.
(Com colaboração de António-Pedro Fonseca)
.
Curiosamente, depois de publicar o post aqui em baixo, abri um email e encontrei a imagem que se vê em cima — mais oportuna que isto, não podia ser!
.
JÁ CHOVE EM MARTE ?
.
Sabe dizer-me se está a chover em Marte? Sim,
em Marte... Não sabe, mas eu sei e vou dizer-lhe: neste momento, 23 horas
aproximadamente, não chove em Marte, garanto; e já não chove lá há muitos anos —
mas já choveu em tempos.
Marte tem 4,5 mil milhões de anos e quando
se formou tinha atmosfera com pressão muito alta.
Também tinha água, mas a
elevada pressão não permitia que se formassem gotas de água e, por isso, não
chovia; só havia nevoeiro. Depois a pressão foi diminuindo e passou a haver chuva
com gotas volumosas, de tal maneira que provocou crateras e vales, como na Terra
— estão lá à vista dos astrónomos e dos leitores d'O Dolicocéfalo, na imagem em cima. Entretanto, a água diminuiu, ou desapareceu, e acabou-se a chuva. Agora,
no Sistema Solar, só chove (metano) em Titã, satélite de Saturno, e água na Terra — às vezes picaretas.
.
PAPAGAIOS
.
Recentemente, um grupo de investigadores decidiu "pegar" em 100 trabalhos publicados em três revistas de
referência de Psicologia e tentou reproduzir os resultados descritos nessas publicações.
Mais de metade do publicado não era reproduzível!
Porquê?
Com muita probabilidade, não se tratava de fraude, antes
incompetência ou uso de critérios de avaliação incorrectos. Os trabalhos
científicos publicados na maioria das revistas são objecto, previamente à
publicação, do que se chama peer review,
o mesmo que revisão por pares, habitualmente qualificados. O problema é que os
pares não tentam reproduzir os ensaios feitos e limitam-se a fazer a apreciação
global do trabalho, partindo do princípio que os resultados registados estão
acima de qualquer suspeita; e algumas vezes — muitas? —não estão. Há algum modo
de evitar isto? Há, mas na prática não há. O método científico não é perfeito,
porque nada humano o é, embora o tempo, em regra, ponha as coisas no seu lugar.
Serve esta conversa para dizer uma coisa importante e um tanto inesperada: a
História da Ciência tem parido enormes "abortos". Vou dar um exemplo.
O Prémio Nobel da Química Linus Pauling um dia "mandou a
boca" de que a vitamina C, em doses enormes, fazia a profilaxia das "constipações"
e até da gripe. Nunca se havia feito nenhum estudo sério sobre isso, mas
Pauling era Prémio Nobel e, portanto, devia saber do que falava — infelizmente,
não sabia.
A conversa de Pauling tinha sido vendida pelo seu "médico"
Irwin Stone, que nem médico era: tinha
dois "diplomas honorários" duma
escola por correspondência não certifitada, um curso de "Medicina"
Quiropática e tomava 3 gramas de vitamina C por dia. Chegados aqui,
perguntar-se-á quantas toneladas de vitamina C foram inutilmente tomadas em todo o mundo com a conversa dele?
Mas a história do "Dr.Stone, cujo
nome deve estar em consonância com a dureza da sua cabeça, é apenas um ícone do
fenómeno da ingenuidade humana. Quantos papagaios nos aparecem todos os dias na
televisão a papaguear stonices? E
quantos nos bombardeiam com teorias tiradas de estudos do tipo dos 100 de que
falava no início desta prosa? Muitos... Mais que as mães... Seja
sobre futebol, política, economia, História Universal, história da fuga dos
chatos para o Egipto, citações filosóficas de Jorge Jesus, ou sobre a Teoria
das Cordas da Física Atómica.
.
EM NOME DE DEUS
.
A respeito do artigo de Sajid Javid, que ontem aqui citei, com a
ladainha de que o Islamismo não é uma religião de violência, de ódio, rebabá, Melanie
Phillips responde hoje no mesmo jornal —The
Times — "completamente à letra". E passo a citar algumas
passagens do seu artigo. No segundo parágrafo, começa assim:
[...] Estes
terroristas não são demónios. Não são cobardes patológicos. Não são nihilistas,
ou casos psiquiátricos, ou lobos solitários. São devotos islâmicos fanáticos e
em êxtase que travam uma guerra religiosa contra nós.[...]
[...] A Senhora May referiu-se ontem, e bem, a terrorismo Islâmico.
Contudo, também disse que era uma "perversão" do Islão. Como pode ser
uma "perversão" quando tem raízes em textos religiosos e doutrina
teológica validada pelas maiores e poderosas autoridades [...]
[...] No seu artigo no The
Times, ontem, o secretário das comunidades Sajid Javid disse que não
bastava aos muçulmanos condenarem o terrorismo; devem interrogar-se sobre ele e
sobre o seus desafios.
Contudo, também diz que os executantes não são verdadeiros
muçulmanos e que os atacantes não têm nada a ver com o Islão. Então, se não têm
nada a ver com o Islão, porque é necessário interrogarem-se sobre eles?
O Sheikh Mohammad Tawhidi, clérigo Shia na Austrália que faz
campanha contra o extremismo diz: "As escrituras são, exactamente, o que
leva esta gente a decapitar os infiéis. Os nossos livros ensinam a decapitação
das pessoas." [...]
[...] O terrorismo jihadista, contudo, não está a tentar
dividir-nos, destruir os nossos valores, ou paralisar as eleições. Está a
tentar matar-nos e conquistar-nos. A
pergunta é: quantos têm de morrer antes que isso aconteça?
Infelizmente, e em nome do politicamente correcto, há pouca gente a falar assim. Uma coisa é ser politicamente correcto, outra é ser estúpido— mas há casos em que se verifica a acumulação das duas condições.
....
segunda-feira, 5 de junho de 2017
AS CIRCUMPOLARES
.
A maioria das estrelas, tal como o Sol, "nascem" e "põem-se". Mas acima de determinadas latitudes, as estrelas circumpolares permanecem no horizonte visual 24 horas por dia — por exemplo, as estrelas da Ursa Maior a latitudes superiores a 41 graus/Norte.
Se fotografadas com tempos de exposição prolongados, "desenham" trajectos curvos no firmamento com muito bom efeito, como se vê na imagem em cima.
.
A maioria das estrelas, tal como o Sol, "nascem" e "põem-se". Mas acima de determinadas latitudes, as estrelas circumpolares permanecem no horizonte visual 24 horas por dia — por exemplo, as estrelas da Ursa Maior a latitudes superiores a 41 graus/Norte.
Se fotografadas com tempos de exposição prolongados, "desenham" trajectos curvos no firmamento com muito bom efeito, como se vê na imagem em cima.
.
.
Animação que mostra a Ursa Maior a rodar em volta da Estrela Polar
.
Publicado (sem permissão) a partir do site EarthSky
.
O HUMOR NA POLÍTICA
.
.
Make America Great Again
foi um dos slogans da campanha de Trump.
Entretanto
eleito, apressou-se a abandonar o "Acordo de Paris" sobre o ambiente.
Não sei se bem, se mal; mas a verdade é que invocou razões baseadas em dados
que estão errados — sobre o desemprego, a poluição, o aquecimento e outros
aspectos que estariam em causa com o Acordo. A análise da sua argumentação, feita
por especialistas independentes, mostra que é falsa.
O
mesmo acontece com o fim do Obama-Care. Provavelmente, outras
burrices serão descobertas em breve, o que não admira. Trump baseia-se em
palpites e "ideias feitas", já todos perceberam.
Por
isso, Paul Krugman escreve hoje um artigo de opinião sobre isso, no New York Times, cujo título é "MAKING IGNORANCE GREAT AGAIN"
.
PELE DE CRISTAL
.
Maria
Alejandra sofre de uma doença congénita chamada epidermólise bolhosa, incurável,
e em que fragilidade cutânea é tão grande que traumatismos insignificantes
bastam para produzir ulcerações na pele e, num segundo tempo, cicatrizes que
levam à impotência funcional.
A
sua história é triste mas, simultaneamente, uma lição. Aquilo a que
Guterres se referia quando dizia: É a
vida!
Mas as crianças...
Mas as crianças...
.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















































