sábado, 7 de fevereiro de 2015

SELECÇÃO NATURAL

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MORRER DA CURA

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A Ilha de Páscoa, com 170 km2, situada a 3.600 km da costa do Chile (a que pertence), famosa pelas estátuas gigantes (moais), terá começado a ser habitada perto do ano 1200 e a população atingiu o número de cerca de 15.000 habitantes numa fase curta da sua História. Descoberta por um holandês em 1722, tinha nessa data população muito inferior que desapareceu completamente até 1860. Porquê?
A extinção da população pascoense foi provocada, em parte, pela chegada dos europeus com doenças como a varíola, a sífilis e a tuberculose; mas não só. O declínio demográfico já vinha de trás e era resultado da fome. Cultivando intensivamente a terra para alimentar o excesso populacional, os indígenas esgotaram os solos. Quando o holandês Jakob Roggeveen lá chegou—em 1722—já a população estava reduzida a 2.000. O abate intensivo de árvores, necessárias para instalar os moais, também ajudou. As doenças importadas da Europa fizeram o resto.
Alguma megalomania estatuária não foi grande ideia. Mas, paradoxalmente, foi a luta pela sobrevivência que matou os pascoenses—morreram da cura! 
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PENSAMENTO DA SEMANA

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RETRATO

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UM DILEMA

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A revista "The Atlantic" online publica hoje um artigo sobre o terrorismo, a propósito da execução do piloto jordano que foi queimado vivo pelos militantes do Estado Islâmico (pode ler aqui). Tem algumas ideias a reter.
A primeira é a de que, como escreveu Rapoport em 1984, o terrorismo é um crime praticado em nome da publicidade de qualquer causa—uma bomba que explode atrai mais atenção que mil discursos ou imagens.  E, como escreveu alguns anos depois Conor Cruise O’Brien, discursos sobre os actos do terror pelas mais altas individualidades, sejam presidentes, primeiros-ministros, ministros, reis ou rainhas, são estímulo para os autores da barbárie, traduzido na reacção: "Estão a ver? Agora dão-nos atenção: estamos a amolá-los".
Depois vem a necessidade do terror ser um acto que carece de crescendo permanente. Não pode assumir rotinas sob pena de perder impacto público. Às decapitações iniciais seguiu-se a praticada por uma criança; depois vieram as crianças bombistas-suicidas; ataques às próprias crianças, como aconteceu na escola do Paquistão; a execução do jordano queimado vivo; e sabe-se lá que mais virá aí. Como se refere na peça, terrorismo comporta-se como toxicodependência: precisa de aumentar regularmente a dose da droga para obter o mesmo efeito—é a taquifilaxia da Farmacologia.
Finalmente, a noção de que a barbárie carece de ser adaptada às circunstâncias envolventes. O que tem impacto brutal quando as vítimas são do primeiro mundo pode passar quase despercebido no terceiro mundo, como acontece na Nigéria com os massacres do Boko Haram.
Matéria difícil esta. Vivemos na época em que a notícia corre mundo em cima do acontecimento. A pergunta é: como evitar que o terror se sirva disso? Ou não se evita, e o resultado está à vista, ou temos o mesmo mundo a clamar contra a limitação da liberdade de informar.
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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PENSAMENTO PARA HOJE

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1 MINUTO DE MÚSICA

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RETRATO

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VIRARFAQUIR

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Referi há dias que a Ordem da Jarreteira do PS, também conhecida por fósseis da ética republicana, não considera António Vitorino bom candidato a Belém porque não terá dimensão—dizem eles. Expliquei então que Vitorino tem no mínimo mil e quinhentos milímetros de distância entre a extremidade cefálica e a ponta do calcâneo e quase outro tanto de distância entre-eixos e entre-rodas e, tudo visto e avaliado, a dimensão é perfeitamente satisfatória para ser presidente de todos os portugueses.
Adicionalmente, Vitorino é mais esperto que mil e quinhentas personalidades da ética republicana—todas juntas—e está a cagar-se pra eles, no que faz muito bem. Hoje, num programa da Renascença disse esta coisa inspirada: o comportamento e a gestão mediática do novo ministro grego das Finanças "é mais de uma estrela rock que está a fazer a promoção do próximo concerto, do que propriamente de alguém que tem uma dívida de 317 mil milhões às costas". 
Varoufakis—ou Viroufaquir em português—aguenta-se bem com as consequências do calote. Dorme em cama de pregos, caminha sobre as chamas e, na falta de outra comida, engole espadas. O problema está resolvido no dia em todo o grego se alimente de espadas, se não tiver ouros, copas, ou mesmo paus.
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AVENIDA GOMES PEREIRA

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ENSAIO SOBRE ESPINGARDALOGIA

A Ministra da Justiça, que não se afigura grande espingarda, antes escopeta de pederneira de carregar pela boca, disse hoje que receia ver encolher o limite da separação de poderes, caso o PS ganhe as próximas eleições. E em abono da teoria, lembrou a intenção do PS de juntar a justiça e a segurança, de constituir uma polícia única e as declarações de Mário Soares, fundador do PS, a condicionar claramente um magistrado.
Jorge Lacão, dirigente socialista que não é sequer escopeta de pederneira, apenas canhangulo, também chamado esperapoco, apressou-se a dizer aos jornalistas que Mário Soares não é dirigente do PS, por isso as afirmações que faz são da sua responsabilidade.
Soares não tem lugar na hierarquia da espingardalogia—é anterior ao canhangulo, ou esperapoco. Em boa verdade, o Dr. Soares, intelectual e politicamente, não passa duma clava ou porrete—mais porrete que clava: nem Lacão o leva a sério. 
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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PENSAMENTO PARA HOJE

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O BOMBISTA

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Conta-se que Ferreira do Amaral, comandante da Polícia Cívica de Lisboa ainda durante a Primeira República, quando tomou conhecimento de que um conhecido, afamado e temido bombista—dos muitos que na época se dedicavam a tal desporto—tinha sido detido, mandou que o trouxessem à sua presença para o ver e eventualmente interrogar. Quando o facínora apareceu, Ferreira do Amaral olhou bem para ele, não se conteve e perguntou: Essa merda é que é o bombista? Depois terá coçado a cabeça e dito: Mandem o gajo embora. E pô-lo em liberdade.
Não sei se a história é verdadeira e, em caso afirmativo, se foi exactamente assim, mas não interessa. Falo nela porque me foi contada quando comentava com um familiar o facto do juiz Carlos Alexandre se ter abstido de fazer qualquer participação contra o Mário Soares, depois deste ter mandado mais uma bomba.
Soares é o bombista verbal de serviço na actual situação política. O juiz Carlos Alexandre conhece-o bem e, pelo visto, tem dele a mesma opinião com que Ferreira do Amaral ficou depois de ver o outro bombista.
Fico decepcionado se alguém se dá ao trabalho, Procuradora-Geral incluída, de tomar qualquer atitude em relação às bacoquices do Dr. Soares que tem passado toda uma vida a dizê-las—desde o tempo que usava bibe.  
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GRIMALDI LINES

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"Grande Togo"
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OS AMERICANOS E A BASE DAS LAJES

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A operação das forças militares americanas na Base Aérea das Lajes há muito que merecia um livro.
Muito resumidamente foi assim:
A apetência dos EUA pelos Açores (e Cabo Verde) recua à Guerra Hispano-Americana, de 1898, que marca o início do imperialismo “yankee” fora do Continente Americano, o que nunca mais parou até hoje.
Prolongou-se na I Guerra Mundial, com a ameaça submarina alemã e a visita do futuro presidente Roosevelt (na altura Subsecretário de Estado da Marinha), em 1918, e firmou-se na II Guerra Mundial, por causa da ameaça naval alemã – podia ter sido aero - naval caso a Alemanha tivesse intentado e conseguido ocupar aquele arquipélago e também o da Madeira.
Mas quem, de facto, pensou ocupar os Açores – considerados como uma fronteira avançada de defesa da América – foram os próprios americanos, que chegaram a preparar uma invasão e ocupação do território, em Jul/Ago de 1941 (Operação “Life Buey”, comandada pelo Brig. Gen. Holland Smith).[...]

Assim começa um texto do Tenente-Coronel Brandão Ferreira sobre as Base das Lajes. Faz uma resenha histórica da presença dos americanos nos Açores, não muito conhecida dos portugueses e que é bom ler para compreender a actual situação naquela região. Pode ler o texto integral aqui.
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(Com colaboração de J. Castro Brito)
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ALERTAS ( SERVIÇO PÚBLICO 'DOLICOCÉFALO' )

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(Com colaboração de J. Castro Brito)
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FOTOGRAFIA DO DIA

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Cachecol
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UMA POUCA VERGONHA !

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Leio com algum regozijo que o Zezito já pode usar o cachecol do Benfica, oferta do "Barbas". Segundo o jornal, é uma peça que passou a ser permitida por despacho do Diretor-Geral das prisões, publicado no Domingo, com algumas regras novas sobre vestuário e calçado que os reclusos podem usar.
Esta parte da notícia deixa-me perplexo: o Director-Geral publica despachos ao Domingo?! Ou só o faz porque a semana do agora detido também tinha sete dias para tudo, incluindo a emissão de diplomas universitários?
E também não esclarece a notícia, talvez porque o despacho involuntariamente seja omisso nesse aspecto, se os cachecóis autorizados são apenas os do Benfica, ou podem também ser da lagartada, do FêQuêPê, ou do Rio Ave. Palpita-me que vai ser necessária uma adenda ao diploma para esclarecer quais os clubes abrangidos pelo despacho.
Com espanto meu, muito espanto mesmo, diz o "Diário de Notícias" que o edredão—cuja proibição também é objecto de litígio jurídico—só pode ser usado se comprado no estabelecimento prisional. Então o estabelecimento prisional tem agora o exclusivo de edredões, a que o jornal "de referência" chama edredãos? Só faltava esta para ficar inteirado da pouca vergonha que lavra por aí! Há, seguramente, algum fabricante de edredões de penas—os indicados para as cadeias por razões óbvias—a ganhar muito dinheiro com isso.
E as botas? As botas do detido não podem ser usadas, pronto—diz o Director-Geral! Nem sequer há botas à venda na cadeia!... Estão a ver? Provavelmente, até aparecer um sapateiro avençado do regime, favorecido com contrato exclusivo para aquecimento dos pés detidos. E não vão ser Gucci®, de certeza. É tudo uma pouca vergonha! No  consulado do agora detido não havia nada disto—outros tempos!...
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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"Le Bon"
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PENSAMENTO PARA HOJE

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1 MINUTO DE MÚSICA

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FROTA DO BALÃO

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ZERO ABSOLUTO

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Na sua maioria, os comentários publicados por leitores nos jornais online são chachadas. Uma vez por mês—talvez menos—lê-se um aproveitável. É o caso do que a seguir se transcreve, publicado no "Observador", a propósito dum artigo sobre os partidos socialistas, de Helena Matos. O autor assina Manuel Gonçalves e reza assim:

AC (António Costa) traiu, esfaqueou vilmente AJS (Seguro) depois de este obter uma vitória eleitoral, com dois argumentos principais:
– AJS não tinha ideias próprias (só seis e meia seriam novas);
– AJS não descolava nas sondagens e não teria carisma.
Chegado a SG do PS, AC:
– não balbucia uma única ideia;
– mostra-se disponível para qualquer arranjo político futuro, da esquerda à direita, numa tergiversação nunca vista;
– tira da cartola candidatos presidenciais a um ritmo de prestidigitador;
– não descola nas sondagens que, ironicamente, teimam em manter-se ao nível de AJS.
Síntese:
– um candidato sem coragem, que deixou para AJS os perigos de um prolongado período de oposição e entrou na maratona no último km, com um encosto ao companheiro de equipa, alegando que estava mais fresco (pudera);
– um indivíduo sem palavra, que esqueceu tudo o que disse nas diretas e em público a AJS, sendo comoventemente magnânimo e benévolo no critério que aplica a si próprio, pois já não há urgência na proposição de ideias ou em sondagens expressivas e muito menos na coerência;
– abandono total dos eleitores lisboetas, que lhe confiaram o voto para um mandado de quatro anos.
Quando final e tardiamente a sua equipa de crânios apresentar um programa de governo, não lhe bebam as palavras, nem leiam os lábios, porque já teve o cuidado de vos demonstrar que, com ele, tudo é circunstancial e orbita em torno do seu projeto político pessoal.

Mais palavras para quê?
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GAIVOTA DO ESTUÁRIO

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ENCERRAMOS AO SÁBADO

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Referi-me há dias a um artigo em defesa da homeopatia, publicado por intitulado filósofo chamado Fernando Belo no "Público". Em tal peça, Belo compara a homeopatia à prática da vacinação, ideia peregrina só possível numa cabeça que não sabe do que fala. Hoje, David Marçal e Carlos Fiolhais respondem no mesmo jornal a Belo. Acho perda de tempo polemizar com alguém que argumenta como Belo, mas há uma parte que gostava de salientar naquela resposta, a respeito das vacinas. Diz assim:


[...] Aplica-se (a vacinação) a doenças infecciosas e sabemos bem porque funcionam. A homeopatia não funciona, porque não há maneira nenhuma de poder funcionar.
O opinador espera talvez que surja uma prova que demonstra a eficácia da homeopatia e que um qualquer avanço mirabolante do conhecimento justifique o seu modo de acção. É certo que em ciência tudo é passível de ser posto em causa, face a novas observações ou experiências. Mas nem tudo está em pé de igualdade. Ninguém espera que se demonstre que a Terra seja plana. Com a homeopatia passa-se o mesmo: não são necessários mais estudos. Como tão bem disse Carl Sagan, devemos ter o cérebro aberto a todas as ideias, mas não tão aberto que os miolos nos caiam da cabeça. [...]

Não conhecia  o dito de Sagan e, por isso, aqui fica. É boa norma. Abrir o cérebro a todas as ideias é qualidade dos intelectualmente honestos e bem intencionados—até atitude louvável. Mas manda a prudência que a prática não se generalize. É que muitos dos miolos caídos a gente com a cabeça excessivamente aberta vagueiam pelo mundo para nossa perdição.
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OLHA A MALA

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La ancienne valise en carton

Une valise très actuelle
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(Com colaboração de Francisco Carvalho)
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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Fugir à tempestade
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PENSAMENTO PARA HOJE

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1 MINUTO DE MÚSICA

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REFLEXOS

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EXCERTOS ESCOLHIDOS

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[...] Na América, quer do lado do Pacífico quer do Atlântico, também houve imensa neve e gelo, que têm causado, como se tem visto, inúmeros estragos.
Entretanto, o presidente Barack Obama evitou que os mercados usurários continuassem a furar a terra na descoberta de mais e mais petróleo e gás, o que fez baixar o preço do petróleo em vários países, como por exemplo na Rússia de Putin.
No entanto, o mundo vai mal, em todos os continentes. E ou se acaba com a globalização dos mercados e com as inúmeras guerras que afetam o mundo árabe e Israel, como é o caso do fanático primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, embora sejam ambos contra o terrorismo dos jihadistas e da Al--Qaeda, ou tudo será cada vez pior... [...]
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Mário Soares in "Diário de Notícias"

Óh égua!...
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A LINGUAGEM UNIVERSAL DO AR

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SOL E SOMBRA

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Duas imagens da Índia vista do espaço.  A de cima feita de dia, em Setembro de 1966, pela tripulação da Gemini 11. A de baixo feita à noite, em 15 de Janeiro passado, a partir da Estação Espacial Internacional, mais ou menos à mesma altitude
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ESTOU DE ACORDO

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Já ontem falei da fama de pesetero que Luís Figo tinha em Espanha e do pequeno-almoço com o Zezito no fim da campanha eleitoral deste, facto não criticável se Figo fosse movido por convicção política, o que parece não ter sido o caso—havia, segundo se diz, um contrato com a Taguspark de 750 mil euros misturado com a coisa.
A respeito da sua candidatura à presidência da FIFA, João Miguel Tavares escreve hoje no "Público" e termina assim:

[...] No vídeo de apresentação de candidatura, o antigo jogador português afirma: “Olho para a reputação da FIFA e não gosto do que vejo. O futebol merece melhor.” Substitua-se FIFA por Figo e a frase continua verdadeira. O futebol merece mesmo muito melhor.

Aprovado com distinção e louvor, digo eu.
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FOTOGRAFIA DO DIA

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Um amor incontido
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TER OU NÃO TER CARTA DE LAMBRETA


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Segundo diz a imprensa, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra  considerou nulo o diploma que criou a prova de avaliação de professores por considerar o diploma "ofensivo do princípio da segurança jurídica imanente da ideia de 
Estado de Direito Democrático, bem como da liberdade de escolha da profissão prevista na Constituição da República Portuguesa".
Não percebo coisa nenhuma de ciência jurídica, mas resta-me um bocado de senso comum—não muito, mas um nadinha. Em relação a essa coisa do princípio da segurança jurídica, não digo nada porque tenho dúvidas se respeita apenas ao direito dos cidadãos terem legítima convicção de serem tratados com justiça pelo poder público, o que, a ser assim, não adianta nem atrasa neste caso—é "palha" jurídica, provavelmente.
Relativamente à liberdade de escolha de profissão, leio na Constituição: «Todos têm o direito de escolher livremente a profissão ou o género de trabalho, salvas as restrições legais impostas pelo interesse colectivo ou inerentes à sua própria capacidade» (Artigo 47.º). Isto é, o surdo não pode ser maestro da Orquestra Sinfónica da GNR; o analfabeto está impedido de responder pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo; quem não possui sequer licença para tripular lambretas não pode comandar um avião comercial; e um jerico não pode ser juiz de direito, por exemplo no Tribunal Administrativo de Coimbra, mesmo que tenha muita vontade.
Admito que a notícia esteja mal redigida porque para ser jornalista também  há restrições impostas pelo interesse colectivo, ou inerentes à capacidade, que nem sempre são respeitadas. O mesmo  para ser professor, naturalmente. Mas se  a história está bem contada, pergunto que mais irá nos acontecer.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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PENSAMENTO PARA HOJE

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1 MINUTO DE MÚSICA

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CARLOS ALEXANDRE QUE SE CUIDE . . .

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No excelente artigo do Dr. Soares, de 1.231 palavras e que será amanhã publicado no Diário de Notícias"—genuíno artigo de fundo (de penico)—e que terei o prazer de comentar mais tarde, depois de o ler quatro vezes para absorver melhor a mensagem, diz-se a folhas tantas:

 [...] Nesta fase final de um governo incapaz e de um Presidente da República que nunca se dignou dizer uma palavra acerca de um ex-primeiro-ministro, com o qual durante tantos anos dialogou, a indignação e a solidariedade dos portugueses para com Sócrates não podia ser maior. Como se tem visto em inúmeras visitas que, de norte a sul, lhe têm feito, com enorme carinho. Valha-nos isso. E o juiz Carlos Alexandre que se cuide... [...]

Também eu fico comovido com a chegada diária a Évora de milhares—se não milhões—de peregrinos das sete partidas do mundo para prestarem homenagem e manifestarem devoção a uma vítima da injustiça que reina em Portugal. O País em peso está com Zezito, o que é visível, sobretudo audível, nas ruas, praças, avenidas e vielas, e legível nos blogs e caixas de comentários dos jornais.
Só esse biltre chamado Carlos Alexandre, porque embirrou com ele e sem fundamento, acha bem pô-lo de cana. Mas o Dr. Soares avisa: o juiz Carlos Alexandre que se cuide... Às tantas, acontece-lhe o mesmo que ao rei D. Carlos, subentende-se. E desse tipo de solução percebe o Dr. Soares—já são dois na mira da ética republicana; o outro é Cavaco. 
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PAU DA BUJARRONA

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EPÍSTOLAS SALGADAS

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Já havia as "Cartas Portuguesas", de Mariana Alcoforado, as "Cartas de Inglaterra" e a "Correspondência de Fradique Mendes", do Eça, as cartas de Évora, do Zezito, as cartas de amor, as cartas de apresentação, as cartas de condução, as cartas de navegação, as cartas da Maya e por aí fora—um ror de cartas.  Agora há as cartas do Ricardo Salgado do BES mau.    
Salgado, depois de guardar de Conrado o prudente silêncio, resolveu falar e fala muito por via epistolar; quase incontinente.
Na primeira missiva, revelou que antes do desastre se encontrou com Cavaco, Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, Durão Barroso e sabe-se lá quem mais. Agora, em nova carta, com Portas e Moedas. Provavelmente amanhã escreve que também conversou com Jorge Jesus, Domingos Paciência, com o "Barbas", com Aleixo Tripas e com o Emplastro.
Salgado, ao contrário do que procura mostrar, está inquieto. A ida do Zezito para um hotel alentejano tira-lhe o sono e fá-lo ter pesadelos—acorda de noite a gritar e a pedir as botas e o cachecol do Benfica, sem que em casa alguém perceba o que se passa. Quando chega a aurora, toma a pena, põe os óculos de ler na ponta do nariz e lavra epístolas, verdadeiros sprays de trampa dirigidos em todas as direcções—a esmo, diria. Agarra-se a boias, na enganosa esperança de que elas o salvarão para não serem arrastadas com ele para Évora, ou sítio pior.
Salgado é ingénuo: quando, num estertor final, disser que está inocente, as ditas boias deitam-lhe mais uma pazada de terra em cima, calcam-na bem com as botas e dizem ao mundo que ele está é mal enterrado.
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HÁ CADA UM ! . . .

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Figo vai candidatar-se à presidência da FIFA contra Blatter e mais dois candidatos (so far...). Como diziam os espanhóis na era "pré-euro", Figo é um pesetero. É capaz de tomar o pequeno almoço em público com um tipo como o Zezito em campanha eleitoral, mas ainda assim melhor que Blatter, o que não é difícil.
Entretanto, o antigo e grande  futebolista holandês Johan Cruyff declarou ao mundo que a candidatura de Figo é excelente, mas o português devia desistir. E porquê? Cruyff explica: porque seria positivo que apoiasse o holandês van Praag. Estou de acordo e digo mais: a candidatura de van Praag é excelente, mas seria positivo que Van Praag apoiasse o português Figo.
Há cada um!...
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domingo, 1 de fevereiro de 2015

OS GRANDES VELEIROS

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PENSAMENTO PARA HOJE

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FOTOGRAFIA DO DIA

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Alto de Santa Catarina
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FILHOS DAS MÃES

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Há mulheres cujo ADN das mitocôndrias (não interessa explicar o que são mitocôndrias) as torna mais susceptíveis a doenças genéticas, como a distrofia muscular e rebabá (não interessa quais são e o que são as doenças). Tal característica mitocondrial existe também, como é evidente, nos óvulos dessas mulheres e, consequentemente, é transmitida aos filhos. Para prevenir a transmissão, cientistas ingleses criaram uma técnica que repara o ADN dos óvulos antes de serem fecundados pelo espermatozoide, substituindo nos óvulos da mãe o seu ADN da mitocôndria por ADN de outra mulher sem o problema. Até aqui vai tudo bem e ainda não aconteceu nada; mas os filhos dessas mulheres não são filhos da mãe, mas filhos das mães. Ou seja, têm um pai—até ver!—e duas mães.
Está na cara que os problemas éticos levantados pela inovação, especialmente para muitas religiões, contam-se na escala dos quiloproblemas, em que quilo é prefixo de mil. Os defensores da prática dizem que é como uma transfusão de sangue no caso de doenças em que o doente carece de mais hemoglobina e mais nada. Os detractores dizem, e é verdade, que não é a mesma coisa porque o sangue transfusional dura tempo limitado no organismo e o ADN inoculado nos óvulos vai durar até à consumação dos séculos, por ser transmitido sistematicamente às gerações futuras. Há líderes religiosos que acham ser legítimo usar recursos da inteligência humana como este porque são recursos dados por Deus e há os que excomungam a técnica.
E agora? Agora, não sei. Se a lei que autoriza a prática for aprovada na Grã-Bretanha, no Outono de 2016 nascerão os primeiros ingleses filhos das mães. E, se eles se reproduzirem como coelhos, para usar uma expressão papal, dentro de poucos anos a Albion será uma terra de filhos das mães. Sem dúvida.
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ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO

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AS VACAS LOUCAS

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Há longos anos que a UE treme ante a perspectiva de um partido de extrema-direita chegar ao poder de um dos seus Estados membros. Se tal acontecesse, garantiam-nos que seria o Apocalipse - e isto nas visões mais optimistas.
Ora o suposto Apocalipse acabou de acontecer e, à semelhança de outras calamidades como a gripe suína e as vacas loucas, as profecias eram manifestamente exageradas. [...]

[...] Por agora, fica demonstrado que, afinal, os maluquinhos da extrema-direita não representam perigo nenhum - desde que devidamente acompanhados por maluquinhos da extrema-esquerda. [...]

Alberto Gonçalves in "Diário de Notícias"
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ESCOLA SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

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NÃO À CAÇA ÀS BRUXAS !

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A Dr.ª Cândida Almeida deu uma entrevista, leio nos jornais. Declarou-se surpreendida com a prisão do Zezito, "por ser um ex-Primeiro-Ministro" (!) e "porque nas investigações que antes liderou não foram detectados indícios dos crimes que agora lhe são imputados".
Não me surpreende. Embora sem dados para o afirmar, suspeito que a Dr.ª Cândida Almeida, na carreira no Ministério Público, nunca deve ter detectado indícios de nenhum crime—algum pilha-galinhas preso sob a sua mira deve ter sido alguém que se entregou à Justiça voluntariamente para comer uma refeição quente na cadeia.
Corria o ano de 2013, quando A Dr.ª Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República há pouco tempo, numa das suas primeiras decisões, para assentar ideias, correu com Cândida Almeida do DCIAP, acabando com uma carreira brilhante de 12 anos caracterizada pelo arquivamento de processos de corrupção, como a concessão do Freeport e a licenciatura do Zezito. A maçon Cândida, segundo consta em listas que se podem ver na Net, ficou ofendida porque, conforme diz, "devia ter sido ela a fechar alguns processos que estavam em curso"; e diz muito bem: a então directora do DCIAP era um autêntico cadeado, um aloquete, um engenho de fechar processos.
Na Universidade de Verão do PSD, Cândida Almeida declarou urbi et orbi que os políticos portugueses não são corruptos, que Portugal não é um País corrupto e que o combate à corrupção não pode ser uma caça às bruxas. E Cândida não caça bruxas, não caça corruptos, não caça gambozinos, não caça nada. É um ícone da inércia jurídica e da  inutilidade judicial. Tal e qual.
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