sábado, 27 de maio de 2017

O CALADO É O MELHOR

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A confiança é mais vezes fruto da ignorância que do conhecimento.
Charles Darwin in The Descent of Man (1871)
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Como é do conhecimento geral, o sumo de limão diluído em água dá para improvisar "tinta invisível". Depois de escrever com tal mistela e deixar secar, não se vê nada no papel, a menos que este seja aquecido, por exemplo, com a chama duma vela, sem o queimar — ponto.
Em 1995, um "crânio" de Pittsburgh, EUA, de seu nome McArthur Wheeler, assaltou dois bancos em plena luz do dia, com a cara destapada, fazendo questão de sorrir em frente das câmaras de vigilância antes de sair. Preso umas horas depois e confrontado com os filmes dos assaltos, exclamou surpreendido: mas eu usei sumo de limão na cara!
Este é um exemplo padrão do "burro encartado", "calhau com olhos", "do que seria um Stradivarius se a estupidez fosse música" e por aí fora. 
Todos conhecemos o espécimen, estamos habituados, alguns estão no Governo, outros no Parlamento e, em face disso, perguntar-se-á a que propósito vem a conversa. Naturalmente, não vou falar de Jerónimo, ou das políticas patrióticas de esquerda, nem de Carlos César. Vou falar de David Dunning, da Universidade de Cornell, EUA, e do seu colaborador Justin Kruger, doravante referidos como Dunning/Kruger.  
Dunning/Kruger fizeram vários estudos do que chamaram "confiança ilusória", que habita no crânio de quase todo o mundo — até no dos pessimistas — em percentagem variada, naturalmente. O interessante e original fruto do trabalho é que a "confiança ilusória" é tanto maior, quanto maior é a "burrice" do confiante, seja qual for o método de medir essa "burrice": aproveitamento escolar,  competência profissional, progressão numa carreira, etc. — nunca falha.
Portanto, e esta é a "moralidade" da história de Dunning/Kruger, cuidado com gente que sabe tudo, facilmente identificada porque, em regra, fala muito. O calado é o melhor — Vox populi vox Dei — e não há nada "como realmente. Fica o aviso.
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