quarta-feira, 14 de março de 2012

MARAVILHAS DO UNIVERSO

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Nébula
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TRECHOS QUE VALE A PENA CITAR

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A governação socialista conduziu o país à catástrofe. Durante o processo sinistro desse descalabro, fez orelhas moucas às advertências, às análises, aos alertas, aos sinais de alarme que chegavam de todos os lados e vaticinavam o que ia acontecer. [...]

[...] Ora não me lembro de ver nenhum dos garnizés de serviço à propaganda e à concretização da governação socialista aparentar qualquer espécie de inquietação, apreensão ou simples prurido, quanto ao caminho que estava a ser seguido e quanto ao que de há muito se antevia que ia acontecer a Portugal, tão certo como dois e dois serem quatro. Foram solidários, sim, mas com a construção do plano inclinado e a exploração sem escrúpulos das vias para o desastre. [...]

[...] Essa atitude mental e comportamental prolongou-se com a passagem à oposição, que vem sendo feita da maneira mais insolitamente superficial e demagógica, insistindo em levar à conta do Governo actual o que mais não é do que o resultado da irresponsabilidade do Governo que o antecedeu. E com o picante de recorrer a pretextos de ataque político de que nem um atrasado mental lançaria mão. Tricas, questiúnculas verbais, arrazoados patéticos e inconsistentes - é isto e não passa disto a oposição socialista que temos, incapaz de fazer mea culpa e sem inteligência nem ideias para fazer coisa diferente. A governação socialista transformou Portugal numa porcaria e esse é o seu principal título de glória. [...]
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Vasco Graça Moura in "Diário de Notícias"
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terça-feira, 13 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Marques"
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O navio “Marques” era uma barca construída em Valência, Espanha, em 1917. Transportava fruta das Canárias para o Norte da Europa. Em 1971, foi comprado por um inglês e servia de iate, tendo participado em vários filmes. Em 1984, naufragou no decurso de uma regata de veleiros. Tinha 37 m de comprimento e 7,5 m de boca.
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KIM JONG UN

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Este vídeo encontra-se no site da agência de informação (!) da Coreia do Norte e está encimado pela seguinte tirada de arrasar: "Todo o que ofende a dignidade dos dirigentes supremos da República Popular Democrática da Coreia não terá o mínimo descanso na terra e no céu deste país."
Imaginem isto numa nação a morrer à fome, com um milhão de homens e mulheres em armas. Ficamos sem saber se haverá descanso no mar. Patético!
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O NAVIO FANTASMA

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BIOENERGIA

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Segundo Penelope Boston, investigadora da vida subterrânea no Novo México, a energia é coisa que a vida vem fazendo com completo sucesso há milhares de milhões de anos. Na realidade, a Biologia revela métodos diversificados e eficientes de produção da energia. Ao longo da história do planeta, os organismos vivos desenvolveram e optimizaram  métodos diversos para a criar e armazenar, através da fotossíntese, da quimiossíntese, e de outros processos celulares básicos.
Num momento histórico em que as fontes energéticas ameaçam secar no médio/longo prazo, e em que se prevê o aumento significativo das necessidades de energia, decorrentes do aumento populacional e de novos figurinos sociais, aprender com organismos animados, especialmente os mais primários, a forma simples e barata de a fabricar parece ideia com chispa. Boa ideia, mas difícil e complicada.
A maior parte dos sistemas energéticos biológicos desenvolveu-se ao longo de eternidades, em processos apurados pela selecção natural e difíceis de industrializar, pese embora o génio do Homo sapiens.
Naturalmente, é matéria de fundo a pedir trabalho de igual profundidade. É convicção dos especialistas que será uma das formas de abordar o problema energético, mas apenas mais uma. Por exemplo, a electricidade produzida pela combustão do carvão custa 3 cêntimos do euro por cada kilowatt/hora, preço imbatível por outras fontes. Por isso o carvão continua a arder; e a bioenergia  a comer papa para lá chegar.

1º PELOTÃO DA 2ª COMPANHIA DE BATEDORES DE TURISMO

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A NÁUSEA

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Basílio Horta, o democrata cristão, também vice-presidente da bancada socialista na Assembleia da República, e também ex-presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal durante o governo socrático, perorou. E que disse Basílio?
Basílio eructou o seguinte ipse dixit:
“Na minha opinião, o ex-Secretário de Estado da Energia foi um homem que se bateu contra poderosos interesses instalados e perdeu porque não teve a solidariedade do Governo a que pertence.”
“Com este Governo, quem se atreve a afrontar poderosos interesses instalados não ganha e isso é mau para os portugueses.”
“Não conheço o novo secretário de Estado. Parece que é uma pessoa especialista em energia, até academicamente qualificada, mas vem do regulador. Se isto fosse feito no governo do Sócrates o que é que não seria.”
O editor deste modesto blog afirma o seguinte ipse dixit:
Uma náusea!
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ACORDEÃO DE BOTÕES

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RESERVA NÃO TEM FIM; CERTEZA SIM

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Dizia eu ontem, a propósito da depleção do ozono nas regiões polares, que a explicação científica dada para o fenómeno por Molina, Crutzner e Rowland, que morreu no Sábado, foi contestada por muitos e, provavelmente, ainda será. O próprio Molina, como disse, mantinha reserva sobre a matéria, depois de ser galardoado com o Prémio Nobel da Química por participar na sua formulação.
A este respeito, li hoje um texto, da autoria de Carlo Rovelli, sobre o “cientificamente provado”, expressão usada quase sempre para atestar a validade de qualquer conceito, e considerada por Rovelli como fonte frequente de erro, mesmo de insistência na asneira. A depleção do ozono pelos clorofluorcarbonetos pode caber aqui.
A ciência tem no seu fundamento um princípio sine qua non, qual é o da abertura sistemática à dúvida: o bom cientista nunca está “certo”; isto é, não alimenta “verdades indiscutíveis”. É seguro que a Terra vai continuar a aquecer, ou que os detalhes da Teoria da Evolução constituem  factos inegáveis, ou são as medicinas alternativas menos eficazes que a Medicina científica? É provável que sim, mas manda a norma, e sobretudo a prudência, manter a reserva. Quer isto dizer que devemos abandonar a preocupação com o aquecimento global, encarar o Universo como criado há 6 mil anos tal como é hoje, ou optar pelas medicinas alternativas em substituição da Medicina tout court? Podemos, mas não devemos porque seria estúpido. A falta de certeza não é debilidade ou falta de credibilidade. Pelo contrário, a admissão da incerteza é a maior força da ciência desde o tempo em que a Terra era plana, ou o centro do Universo. Existe grande probabilidade de as coisas serem como se pensa no tempo actual. Mas probabilidade não é verdade e tempo actual não é eternidade.
Como escreveu Lawrence Krauss, físico da Universidade de Arizona, a noção de incerteza na ciência é dos conceitos mais difíceis de entender pelo público. Esta, sim, é uma certeza absoluta!

HUMIDADE

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segunda-feira, 12 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Khersones"
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O “Khersones”, veleiro de treino ucraniano com casco de aço, foi construído nos estaleiros de Gdansk, Polónia, em 1989, numa série de seis navios irmãos, segundo desenho de Zygmunt Choreń. Tem 108 m de comprimento, 14 m de boca e 2770 m2 de velas.

SABER É CONHECER

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TRECHOS ESCOLHIDOS

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Há trinta e cinco anos que um bretão anónimo lavrou na Westminster Review a condenação do vinho do Porto como deletério e empeçonhado por acetato de chumbo e outros tóxicos anglicidas. O homem, pelas rábidas violências do estilo, parece ter redigido a calúnia depois de jantar, numa exaltação capitosa do tanino do alvarilhão que ele confundiu com as aflições dos venenos metálicos. Relembra lamentosamente, com a lágrima das bebedeiras ternas, o século dezoito, em que o genuíno licor do Porto era um repuxo de vida que irrigara a preciosa existência de grandes personagens da Grã-Bretanha. Recorda Pitt e Dundas, Sheridan e Fox, famigerados absorventes do nosso vinho. Diz que Lord Eldon e Lord Stowel, graças infinitas ao Porto, reverdejaram e floriram em velhos; e Sir William Grant, já decrépito, bebia duas garrafas de Porto a cada repasto, para conservar cristalinamente a limpidez das suas faculdades mentais e a rija musculatura de todos os seus membros já locomotores, já apreensores, e o resto. Lamenta que Pitt, débil de compleição, com o uso imoderado deste tónico, e em resultado de plétoras frequentes combatidas com amoníaco e sulfato de magnésia, vivesse dez anos menos do que viveria, se possuísse o incombustível estomago curtido do venerável Lord Dundas.
Sucedeu, porém, ao colaborador da Westminster Review achar-se dispéptico, com azias, relaxes intestinais, eructações cloacinas, e o crânio sempre flamejante como suja poncheira, com o encéfalo em combustão de cognac e casquinha de limão—isto depois de saturações copiosas dos vinhos adulterados do Porto—uma mixórdia negra, diz ele aflito; mas não sabe decidir de pronto se a degeneração está na raça saxónia, se no vinho português. Pelo menos e provisoriamente considera-se envenenado, o bruto.
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Camilo Castelo Branco in O Vinho do Porto
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AMBIENTE DE TRABALHO

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Monitor de um blogger apaixonado pela Astronomia
Galáxia "El Dorado"
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PROFESSOR SHERWOOD ROWLAND

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Com 84 anos, morreu no Sábado o Prof. Sherwood Rowland, da Universidade da Califórnia. O Prof. Rowland recebeu, em 1995, o Prémio Nobel da Química, juntamente com o mexicano naturalizado americano Mario Molina, e com o alemão Paul Crutzen. E que fizeram os três para tão alto galardão?
Depois de se verificar que o ozono na atmosfera do continente Antárctico todos os anos, no princípio da Primavera polar, sofria enorme depleção, conhecida popularmente por “buraco do ozono”, ficou-se sem perceber qual a razão de tal ocorrência. Muitas foram as hipóteses avançadas para explicar o fenómeno, todas sem consistência. Foram os trabalhos do Prof. Mario Molina, mexicano a trabalhar nos Estados Unidos, do Prof. Sherwood Rowland, americano e agora falecido, e do Prof. Paul Crutzen, alemão, que trouxeram a primeira luz sobre a matéria. A sua interpretação, de que a depleção do ozono Árctico e Antáctico é devida à presença de fuorcarbonetos usados pelo homem como propelentes de spays, expansores industriais de espumas e nos aparelhos de condicionamento da temperatura, como frigoríficos, congeladores, ambientadores térmicos e outros, ainda hoje é contestada em alguns centros; mas, a verdade é que nunca apareceu melhor explicação e tornou-se doutrina oficial. Em ano que já não me recordo qual, tive oportunidade de assistir a uma conferência do Prof. Molina, nos Estados Unidos. E, nessa altura, nem ele tinha completa certeza de que a hipótese dos três investigadores estava certa. Passaram bastantes anos e há muito que não acompanho o problema. Acho que o ambiente científico está pacificado e a depleção do ozono será, efectivamente, provocada pelos CFC. Paz à sua alma.
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MATELOT

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David Hockney
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CONTROL YOUR SPOTLIGHT

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Nos anos 60, o psicólogo Walter Mischel fez uma experiência curiosa com crianças de 4 anos, que era mais ou menos como segue.  Num pequeno quarto, com uma mesa e cadeiras, colocou várias guloseimas e disse a cada petiz que podia comer uma delas de imediato; mas, se quisesse esperar algum tempo sem comer nada enquanto ele se ausentava por minutos, quando voltasse, podia comer duas guloseimas.
A grande maioria optou por esperar, mas quase todos desistiram e comeram o doce antes dele regressar. Na época, dizia-se que a capacidade de resistir à tentação de satisfazer o desejo dependia da força de vontade. Mas, depois de observar centenas de crianças submetidas ao teste, Mischel constatou que as capazes de esperar tinham em comum o facto de desviarem a atenção dos doces, ocupando-se com coisas como brincar debaixo da mesa, cantar, ficar com os olhos fechados, e mesmo tentar dormir. Isto é, não havia força de vontade nenhuma envolvida. O que havia era desvio da atenção para outra coisa. E chegados aqui, é preciso valorizar este facto que pode ter significado importante.
O psicólogo observou novamente as crianças quando já eram jovens estudantes de 17 anos, ou seja, 13 anos mais tarde; e constatou que os incapazes de resistir à tentação dos doces tinham mais problemas comportamentais, em casa e na escola, dificuldade de fixar a atenção e rendimento escolar claramente inferior aos outros. Mischel interpretou isto como fruto de não conseguirem controlar o que chamaremos o foco da atenção. De acordo com este ponto de vista,  o sucesso ou insucesso, a felicidade ou infelicidade, a realização pessoal ou a não realização, dependem do modo de focarmos, e  em que focamos, a atenção durante a vida. Na realidade, vivemos num mundo com informação excessiva. Parece estúpido dizer isto, mas a verdade é que ninguém consegue dominar tanta informação. E, ou sabemos fazer as escolhas certas, ignorando o supérfluo, ou somos afogados num mar de coisas inúteis que nos distraem e atrapalham.  É indispensável a norma anglo-saxónica: control your spotlight. Tal e qual!
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domingo, 11 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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INS "Tarangini"
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O INS “Tarangini” é uma barca de três mastros construída nos estaleiros de Goa (Goa Shipyard Limited) e lançada à água em 1995. O desenho é do arquitecto naval britânico Colin Mudie. É o navio de treino dos cadetes da Marinha Indiana. Desloca 513 toneladas, e tem 54 m de comprimento, 8,33 m de boca e 4,5 m de calado.
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PAPOILA

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Adaptação duma pintura de Malema
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TRECHOS ESCOLHIDOS

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[...] Assim, eu não creio, por exemplo, que haja nada mais espanhol, e que se nos afigure mais heróico, do que o atentado contra o marechal Martinez Campos. O velho general está passando uma revista numa praça de Barcelona, cercado de oficiais e de populares, que em Espanha se misturam sempre familiarmente aos estados-maiores. De repente um rapazola de vinte anos, um anarquista, atravessa o grupo, desata tranquilamente, e de cigarro na boca, as pontas de uma pequena trouxa, e atira sobre o marechal uma bomba de dinamite. Há uma horrenda explosão, uma nuvem de pó e de estilhas, gritos, todo o tropel e tumulto de uma catástrofe. Mas uma grande voz ressoa, uma voz de comando, serena e quase risonha. É Martinez Campos, de pé, coberto de sangue, que brada com a mão no ar: «No és nada, no és nada!» O seu cavalo jazia despedaçado numa poça de sangue. Em torno, no chão escavado pela bomba, estão caídos uns poucos de oficiais e de populares, mortos ou terrivelmente feridos e gemendo. O marechal tem a farda em farrapos, donde pinga sangue. E, todavia, indignado que se erga tanto alarido por causa de uma bomba, continua a encolher os ombros, a gritar: «Pero si no és nada, hombre, si no és nada
Mais adiante soa outro grito ainda mais alto. É o do rapazola, o anarquista, que agita o boné, berra em triunfo: «Fui eu! Fui eu!» Tem vinte anos, acaba de cometer um crime que o levará à forca, e está ansioso por que todos saibam que foi ele, só ele! Não vá outro ser preso, roubar-lhe ali diante do povo, diante de todas aquelas mulheres, a glória do seu feito anarquista! Através do terror, da confusão, podia fugir. Mas quê! Perder todo o prestígio que lhe cabe pela sua façanha? Não! Por isso bate no peito, chama os gendarmes, brada: «Fui eu! Fui eu!» E quando o prendem, vai pelas ruas, já de mãos amarradas, clamando ainda com orgulho para as janelas cheias de gente que fora ele, só ele!
Ao mesmo tempo, por outra rua, vai o velho marechal, em braços, meio desmaiado, continuando a sorrir e a afirmar que «no és nada, que no és nada!»
O quadro é admiravelmente espanhol – e só pode ser espanhol. [...]
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Eça de Queirós in "Ecos de Paris"

FANTASIA

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Arranjo com pintura de David Hockney
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A MAGIA DO HUBBLE

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Extraordinárias imagens do Universo feitas a partir do telescópio Hubble.
Nébulas são nuvens inter-estelares de hélio, hidrogénio e outros gases ionizados.
Galáxias são grupos de milhares de milhões de estrelas.
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JÁ VEJO TERRAS DE ESPANHA...

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VIVER ENVIESADO

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Falámos há três dias do viés da mente humana quando apreciamos benevolentemente, com tolerância e generosidade, as nossas capacidades e defeitos. Dissemos então que viés é a tendência para ter uma visão parcial e distorcida da realidade, de acordo com as nossas convicções e gostos, e citámos o exemplo do adepto desportivo cujo clube preferido devia sempre ganhar e, se perde, é porque foi roubado ou teve azar, mesmo que não jogue nada de jeito.
Pois o viés mental faz parte integrante do nosso intelecto. A nossa mente trabalha com o fruto da informação que os órgãos dos sentidos recolhem e enviam até ao cérebro sob a forma de padrões de impulsos eléctricos. Tal informação é depois tratada de maneira personalizada e isto quer dizer que cada padrão, ou conjunto de padrões, tem tratamento diferente de pessoa para pessoa. O conjunto de critérios que cada um usa para tratar essa informação é como uma impressão digital, único e diferente de todos os outros dos nossos semelhantes. Baseia-se no património genético e na experiência. Por isso, ninguém “vê” o mundo da mesma maneira e, assim, todos “vemos” um mundo que, rigorosamente, não corresponde à verdade, ou realidade. Goethe, sabiamente, dizia que, se queremos saber qual o gosto dos morangos ou das cerejas, devemos perguntar às crianças ou às aves - tirada de génio, diga-se.
Mas, e a ciência?, perguntar-se-á. A ciência, porque há muito percebeu que a mente humana é traiçoeiramente enganadora, tem mecanismos de defesa. Desde logo porque a investigação é multicêntrica, feita por muitas mentes, todas diferentes, que praticam o exercício do controlo mútuo. E porque o resultado de cada investigação tem de “encaixar” com rigor no enquadramento geral de todos os resultados, dessa e de outras investigações sobre a mesma matéria e matérias relacionadas, como um enorme problema de palavras cruzadas, em que cada palavra tem de combinar com todas as perpendiculares com que se cruza. E na Medicina, cuja investigação é vítima fácil do viés da subjectividade, usa-se o método da dupla ocultação, ou do ensaio duplamente cego, em que os resultados são avaliados sem conhecer, para cada um, se é favorável ou desfavorável ao que se pretende demonstrar.
Em resumo, o viés da nossa mente é permanente, mas o seu fruto provisório; este deve adaptar-se à mudança porque é sempre apenas hipótese; e, sobretudo, é normal. Sábio é o que sabe viver com ele.
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CLEÓPATRA

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Eugenio Lombardi
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DO QUE SEGURO ESTÁ SEGURO

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[...] Confrontado com os números do desemprego e das falências, António José Seguro acusou Pedro Passos Coelho de ser "o primeiro--ministro com maior insensibilidade social de sempre". Deus Todo Poderoso e alguns leitores são testemunhas de que não reverencio por aí além o actual chefe de Governo, mas a afirmação do dr. Seguro, tão violenta quanto vaga, deixou-me a pensar.
Em primeiro lugar, a pensar na História. O que será que o dr. Seguro quis dizer com "sempre"?
Referia-se apenas ao regime vigente, incluindo o malvado Cavaco Silva e o enxovalhado Santana Lopes? Limitou-se à República em geral e considerou tanto Salazar e Caetano quanto cada um daqueles incontáveis primeiros-ministros que precederam o Estado Novo e governavam durante quinze dias? Ou é possível que o dr. Seguro seja erudito a ponto de ter avaliado criteriosamente a "insensibilidade social" de todos os primeiros-ministros, presidentes do Conselho de Ministros, presidentes do Ministério, secretários de Estado dos Negócios do Reino, ministros de Estado, presidentes da Junta Provisional e secretários de Estado que mandaram ou fingiram mandar nos executivos desde o popular Miguel de Vasconcelos até aos nossos dias? Não faço ideia.
Também não imagino como é que o dr. Seguro mede a "insensibilidade social" dos políticos. Pela cara? Pelas acções? Através de instrumentos de alta, ou baixa, tecnologia? Um "insensível social" é o indivíduo que demonstra avareza na hora de distribuir consolo aos pobres? Ou é o que se esquece de introduzir a temática da pobreza em pelo menos 65% daquilo que diz? Ou o que não enverga uma expressão facial compungida quando disserta acerca dos necessitados? Ou o que, por incapacidade e desonestidade patológicas, governa de modo tão abominável que arruína um país e que, mediante uma falta de lealdade para com os cidadãos muito mais grave do que a falta de lealdade de que o Presidente da República se queixa, condena boa parte da população a sofrer por muitos e bons anos as consequências de tamanho desastre?
No máximo, Pedro Passos Coelho é o primeiro-ministro com maior "insensibilidade social" desde o eng. Sócrates, a cujo partido o dr. Seguro pertence e a cujo fulminante desprezo pelo bem-estar alheio o dr. Seguro assistiu em recato. [...]
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Alberto Gonçalves in "Diário de Notícias"
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TÃO ESQUERDISTA QUE ELE ERA!...

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sábado, 10 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Hendrika Bartelds"
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O «Hendrika Bartelds» é uma escuna construída em 1918 na Alemanha, para a pesca do arenque. Em 2000, foi convertido em navio de cruzeiro e assim continua. Tem 39 m de comprimento, 7 m de boca e 2,8 m de calado. A bandeira é holandesa. 
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SENTIDO ÚNICO

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Neste espaço da Via Láctea, mais concretamente em volta das coordenadas 38,7 graus de Latitude Norte e 9,1 graus de Longitude Este do planeta Terra, há alguma dificuldade em apreender o conceito da muito decantada liberdade de imprensa, valor democrático fluído, sem volume constante nem forma própria - cada um toma a que quer, como a água benta, e molda-a a seu gosto também. Isto é, trata-se de indispensável exigência se usada para apontar o dedo ao outro, mas abusiva e caluniosa se é o outro a aponta-lo a nós. É via de sentido único que assegura a impunidade de uns tantos diletantes da comunicação social, detentores da verdade.
Num dos últimos números do jornal “Expresso”, Miguel Sousa Tavares narra um episódio ocorrido há anos com ele e com Luís Marinho, em que este não terá ficado muito bem na fotografia. Não sei se foi exactamente como contado, nem isso interessa agora, mas Luís Marinho não gostou e, em face disso, escreveu ao jornal a dar explicações. A sua carta foi publicada discreta e apagadamente na secção de Cartas do Leitor.
Esta semana, na sua coluna do mesmo jornal, Mário Crespo refere-se ao facto e diz que Luís Marinho tinha o direito de defender-se no mesmo espaço, com o mesmo destaque e sem comentários.
Hoje leio no “Correio da Manhã” que Mário Crespo foi dispensado de colaborar com o “Expresso”. E que, numa nota distribuída pelo semanário e intitulada “Uma questão de rigor”, se diz que a crónica de Crespo assenta em pressupostos errados e contém conclusões falsas e injuriosas para o jornal.
Por isso, foi sumariamente despedido, digo eu!
Voltando à crónica de Mário Crespo, verifico que só lá diz o irrefutável: Miguel Sousa Tavares soprou no trombone para divulgar um facto de há oito anos, capaz de enxovalhar um homem que nem sei quem é e também não interessa; e quando esse homem se dirige ao jornal para se defender, este dá-lhe um pífaro de barro para o fazer. Nisto não há pressupostos errados, nem sem ser errados, porque nem sequer há pressupostos. O mesmo para conclusões falsas e injuriosas para o jornal. Simplesmente, os seus responsáveis viajam na via de sentido único e não aceitam que alguém tente viajar em sentido contrário.

NORUEGA

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Margem de um fiorde
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LAWRENCE OATES

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No dia 16 de Março de 1912, faz 100 anos na próxima Sexta-Feira, o capitão Lawrence Oates, de 31 anos, saiu descalço duma tenda na gelada Antárctida e disse para os companheiros: “Vou lá fora e pode ser que demore um bocado”. Nunca mais ninguém o viu, nem vivo, nem morto.
Oates regressava do Polo Sul junto com Scott e mais três parceiros, depois de constatarem que haviam sido precedidos por Amundsen na chegada àquele horrível local situado no cu do mundo.  Sofria de lesões graves produzidas pelo frio, estava sub-alimentado, e tinha enormes dores das sequelas dum ferimento de guerra que lhe deixou um dos membros inferiores mais curto. Atrasava a marcha de regresso dos companheiros, também eles desmoralizados e doentes, e já lhes havia pedido para o abandonarem e seguirem caminho. Com a sua decisão, Oates pôs fim ao problema que estava a criar aos parceiros, embora isso não lhes tivesse servido de nada.
Pergunta-se: quantos de nós seriam capazes de fazer o mesmo que Lawrence Oates? É difícil responder porque, desde logo, muitos de nós, eu incluído, não se vêem metidos numa situação daquelas. Oates teve de pagar – literalmente, em metal sonante - para participar na expedição que o fez sofrer e morrer anonimamente de forma inenarrável, financiando-a. Quantos dos que me lêem sabia o nome de Oates, ou conhecia as circunstâncias em que morreu? Ficou na História? Ficou, mas apenas na História dos especialistas e não do povão. Daqui a 100 anos haverá mais gente no mundo a conhecer Cristiano Ronaldo que os que hoje conhecem Lawrence Oates!
Mas também acho que pessoas como Oates não fazem as coisas a pensar nisso. Numa das guerras em que participou, na África do Sul, quando a sua unidade estava em vias de ser massacrada e surgiam vozes de rendição, Oates negou-se a fazê-lo dizendo que tinha vindo àquele local para combater e não para se render. Combateu, não se rendeu e não morreu. Na Antárctida, combateu, mas rendeu-se em prol dos companheiros e morreu por isso. São assim os heróis. Estava preparado para tal desde o princípio, quando se candidatou para integrar a expedição de Scott.
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Em cima, o grupo de cinco exploradores, incluindo Oates, que chegaram ao Polo e morreram. À esquerda, o capitão Lawrence Oates.
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PADRÕES ANTÓNIO COSTA

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Padrão de tapete da Câmara Municipal de Lisboa
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A BEM DA NAÇÃO

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Estava a ouvir a TSF quando surgiu um programa chamado “Bloco Central” que conta com a preciosa colaboração desse politólogo imparcialíssimo de seu nome Pedro Adão e Silva, e do oráculo iluminado pelo Além e indispensável à cultura nacional chamado Pedro Marques Lopes. E de que falaram as ditas personalidades, aguardadas com sofreguidão pelo auditório nacional e internacional, astecas e patagónicos incluídos? Pois dedicaram o seu tempo a uma matéria original, inexplorada, imprevisível e inspirada: “O Tiro ao Álvaro”!
E porque se dedicaram ao “Tiro ao Álvaro”? Porque, ainda o Álvaro não tinha nascido e já Pedro Marques Lopes sabia que o ministério do Álvaro era uma burrice, dada a experiência que o opinador tem de gerir ministérios daqueles; e porque sabe talqualmente que o Álvaro é uma nódoa desde que viu a luz do dia na maternidade. E porque Pedro Adão e Silva, cujo nome dá ideia da antiguidade da sua experiência da vida, acha que o Álvaro não está à altura de integrar um governo herdeiro do património político concebido pela luminária socrática. E também porque é muito mais fácil fazer "Tiro ao Álvaro" do que discutir o estado social em situação real de ruína financeira, sem eructar banalidades sobre o que deve  ser tal estado, por exemplo; ou discutir sem demagogia um Serviço Nacional de Saúde que nem os americanos têm possibilidade de pagar.
Embora o receptor de que disponho consuma energia insignificante, a bem da diminuição da poluição pelo CO2 produzido na geração dessa exacta energia; da prevenção da poluição acústica no meu bairro; da profilaxia da surdez, minha e dos vizinhos; e do melhor para a Nação Portuguesa, apressei-me a desligar o receptor.
Serve a presente para aconselhar todos os leitores a fazer o mesmo e seguirem o meu exemplo. Vão ver que têm uma tarde muito mais descansada.
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FIM DE ESTAÇÃO

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PREPAREMO-NOS PARA O DILÚVIO

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Dois agentes da PSP foram detidos ontem numa operação da Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária, por envolvimento com uma rede criminosa de romenos. Os dois polícias, do Comando Metropolitano de Lisboa, foram apanhados em escutas, a negociar com elementos do gangue a receptação de material roubado, principalmente equipamento informático.
Noé era filho de Lameque, que era filho de Matusalém, que era filho de Enoque, que era filho de Jarede, que era filho de Malalel, que era filho de Cainam, que era filho de Enos, que era filho de Sete, que era filho de Adão, que era filho de Deus. Segundo o Génesis, Jeová, arrependido de ter criado o homem, que espalhou a maldade na Terra, decidiu mandar-lhe enorme dilúvio para destruir tudo quanto havia sido criado. Decide poupar Noé e a sua família, bem como um casal de cada espécie. Consequentemente, havia a família de Noé e um casal de cada espécie que ainda mereciam ser salvos.
A pergunta é: Ainda haverá instituição capaz de sobreviver a outro dilúvio? Não creio!
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sexta-feira, 9 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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"Georg Stage"
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O ”Georg Stage” foi construído em 1935 para navio de instrução da Marinha Mercante da Dinamarca. Tem 54 m de comprimento, 8,5 m de largura máxima e 4,2 m de calado.

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GLACIAR DE BRIKSDAL - NORUEGA

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Visto dum fiorde
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O PENSAMENTO DO ADOLFO

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[...] De longe, o maior esforço da “educação” política, que neste caso se pode definir com a palavra “propaganda”, é trabalho da imprensa. É a imprensa, acima de tudo, que desempenha tal “trabalho de esclarecimento”, constituindo assim uma forma de escola para adultos. Esta instrução, contudo, não está na mão do Estado, mas parcialmente nas garras de forças muito inferiores. Como jovem em Viena, tive boa oportunidade de me familiarizar com os donos e produtores espirituais desta máquina de educar as massas. No princípio, fiquei admirado com o pouco tempo que levava a este poder demoníaco, dos maiores no Estado, a criar uma opinião, mesmo que tal representasse completa falsificação da vontade ou opinião do pensamento do público. Em poucos dias, uma ninharia transformava-se em assunto de Estado, enquanto, ao mesmo tempo, problemas de vital importância caiam no esquecimento geral e eram tirados da mente e da memória das massas.
Assim, conseguiam em poucas semanas a magia de consagrar nomes a partir do nada e criar grandes esperanças por parte do grande público, dando-lhes uma popularidade que os homens verdadeiramente importantes nunca atingem durante toda uma vida; nomes de que ninguém tinha ouvido falar há um mês, enquanto, ao mesmo tempo, antigos e credíveis representantes da vida pública ou política, com saúde florescente, simplesmente morriam no pensamento dos seus contemporâneos, ou eram atingidos com tão miseráveis abusos, que rapidamente os seus nomes corriam risco de se tornarem símbolos de vilania e patifaria. É preciso estudar este infame método judeu com o qual, simultaneamente e de todos os lados, a uma palavra, todos derramam calúnias e difamação no fato limpo da gente honesta, para perceber completamente o perigo destes patifes da imprensa. [...]


Adolfo Hitler in “A Máquina de Educar as Massas” (Mein Kampf)
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SUNSPOT AR 1429

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Já todos ouviram notícias nos últimos dias sobre uma intensa tempestade solar, a ocorrer este mês e com emissão de radiações capazes de perturbar o funcionamento de aparelhos eléctricos e electrónicos na Terra, como telefones, emissões de rádio e televisão, comunicações aéreas e espaciais, GPS e por aí fora. Já aqui falámos disso. Tais tempestades são fenómenos geomagnéticos colossais e expressam-se, vistos da Terra, por manchas na superfície da estrela, conhecidas internacionalmente por sunspots, que podemos traduzir por manchas solares, embora a tradução, como sempre, não tenha o rigor sintético da expressão inglesa.
A fotografia extraordinária reproduzida aqui em cima foi tirada por Davis Tremblay, no Novo México há dois dias, sem qualquer filtro artificial. Tremblay aproveitou a passagem duma nuvem de poeira muito densa que permitia olhar o Sol a olho nu e fotografá-lo.
Na parte superior da metade direita, observa-se nitidamente a grande mancha solar AR1429, correspondente à tempestade magnética responsável pelas extraordinárias auroras boreais que têm sido observadas neste dias no Norte.
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FIM DE INVERNO

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O LEÃO E O BURRO

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Dizem os órgãos de comunicação que Cavaco diz, no prefácio do livro “Roteiros V”, publicado no site da Presidência, o que não vejo dito no dito site. Se diz, não encontro o dito, e se disse, já não está lá o dito; ou estou a ver mal. Não interessa.
Dando crédito à imprensa, rádio e televisão, Cavaco acha o comportamento de José Sócrates, em relação ao PEC IV, “uma falta de lealdade institucional que fica registada na história da nossa democracia”, tudo com letra minúscula como merece.
Cavaco não teve autoridade para meter um freio nos dentes de José Sócrates, um megalómano do foro da patologia, perigoso como se viu, que em vésperas do seu Ministro das Finanças pedir ajuda internacional à revelia, por o País estar literalmente “de tanga”, ainda falava no aeroporto de Alcochete, na terceira travessia do Tejo e no TGV. Mas Cavaco vem agora dar o coice no Zézito, como o burro da lenda no leão moribundo, descontando o leão que não está moribundo e nunca foi leão, mas também burro.
Cavaco é, com o devido respeito, um cágado. Quando devia falar, mete-se na casca e cala-se porque tem cagaço; e fala quando já não vem a propósito, porque não há perigo nem cagaço. Cavaco Silva, o Boliqueimense Sem Medo, para a História de Portugal. Grande cognome! 
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quinta-feira, 8 de março de 2012

OS GRANDES VELEIROS

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HMS "Surprise"
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O HMS "Surprise” foi construído em 1970 e era uma réplica do navio de 20 canhões HMS "Rose” (1757). Foi modificado em 2001 para se assemelhar ao HMS "Surprise” e participar  no filme Master and Commander: The Far Side of the World. Actualmente é propriedade do Museu Marítimo de S. Diego.

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O VIÉS NOSSO DE CADA DIA

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Num inquérito feito a 829.000 estudantes de escolas secundárias dos Estados Unidos, 0% consideraram-se abaixo da média intelectual, 60% nos 10 por cento acima da média, e 25% no 1 por cento dos melhores.
Quando comparados com os nossos semelhantes, a maioria de nós acha-se mais inteligente, com melhor aspecto, eticamente mais perfeito, mais saudável e com probabilidade de viver até mais tarde - facto ilustrado pelo marido que diz à mulher: se um de nós morresse, ia viver para Paris.
Estatisticamente, isto chama-se viés, neste caso viés em self-service. Viés é a tendência de apresentar uma perspectiva parcial, tipo lagartada a dizer que o Sporting é o maior porque ganhou ao City.
O viés conduz ao erro sistemático, omnipresente na vida. Se há sucesso, tal deve-se à nossa qualidade; no insucesso, a sorte abandonou-nos, ou alguém nos prejudicou. Os melhores exemplos observam-se no desporto, quando a derrota é atribuída ao “azar” da bola que bateu na trave, ou ao árbitro que julgou mal, mas ocorrem diariamente quando falamos de políticos, banqueiros e gestores, muito inferiores a nós eticamente; quando somos ultrapassados por outro “que tinha cunhas”; ou quando batemos com o carro no carro dum condutor “que era um nabo”.
O viés self-serving é parente próximo do optimismo tipo Sócrates, verdadeira desgraça nacional; e, quando colectivo, conduz às maiores tragédias, ilustradas pela Alemanha hitleriana. Ter consciência de que existe e afecta todos gera humildade e permite afirmar qualidades genuínas; as nossas e as dos outros. É baril.
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A FESTA DA LAGARTADA

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JANELA

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O ANTI-HIDROGÉNIO FOI "CAÇADO"

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O átomo mais simples que existe é o de hidrogénio, constituído por um protão, uma das partículas atómicas dos núcleos, com carga eléctrica positiva, e um electrão, com carga negativa, a orbitar em volta dele. Sabemos também que tal átomo faz parte da matéria e que, para cada átomo desta, existe um átomo de antimatéria; neste caso um átomo de anti-hidrogénio, constituído por um anti-protão, com carga negativa, e um anti-electrão ou positrão, com carga positiva.
Se um átomo de matéria entra em contacto com outro de anti-matéria, verifica-se a aniquilação de ambos, originando-se energia. Quando ocorreu o Big Bang, formou-se igual quantidade de matéria e anti-matéria e só não se transformou tudo em energia, por aniquilação, porque se separaram antes que tal acontecesse. A explicação é tosca, mas serve por agora neste texto tosco também. Interessa é que, em menos de um segundo, a anti-matéria desapareceu e deixou a matéria a dominar o Universo. E não sabemos onde pára a anti-matéria!
Em 2010, no laboratório do CERN, em Genebra, conseguiu-se “apanhar” átomos de anti-hidrogénio durante fracções de segundo; e, em 2011, durante cerca de mil segundos. Tal  permite estudá-los e ver se são, de facto, do ponto de vista funcional e estrutural, “imagens de espelho” da matéria, ou seja, a mesma coisa em termos práticos, ou coisa completamente diferente. O Dr. Hangst, responsável pela investigação, não sabe o que as pessoas pensam. Mas para ele é a coisa mais importante que ele e todos os investigadores que com ele trabalham fizeram em toda a vida. Tenho a certeza que sim.
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O CAMINHO

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David Hockney
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