terça-feira, 28 de abril de 2015

NÃO ME FAÇAS CHORAR

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O Zezito, epistoleiro contumaz, escreveu uma carta a António Campos hoje publicada no site da SIC Notícias. Li em diagonal—foi mais na vertical, para ser franco—porque não possuo robustez física para mais, não obstante os progressos do meu fitness, graças ao competente apoio da personal trainer do ginásio que frequento. Mesmo assim, chegou para poder avisar os leitores do perigo que correm se facilitarem e lerem a peça toda, puro lixo tóxico. Só um parágrafo me enterneceu. Reza assim:




[...] Este é, portanto, o verdadeiro facto novo: depois de tanta busca, de tantas escutas, de tantos interrogatórios, depois até da resposta à carta rogatória, a investigação não só não prova nada do que afirma, como provou exactamente o contrário: que o dinheiro pertence a outro ou a outros, que não é meu nem nunca foi e que não posso, nem alguma vez pude, dispor dele. [...]


Óh égua: não posso, nem alguma vez pude, dispor dele.[...] Esta agora!
É disso mesmo que a gente se queixa: dispunha dele mais do que eu disponho do ar que respiro. Segundo as escutas, era só telefonar ao amigo e mandar entregar um bocadinho daquilo que gosta muito, se possível em cash, numa mala ou em envelopes porque não confiava nos bancos. E não havia recibos ou papeis e não ficava nada registado—nem atrás da porta. Talvez numa pedra de gelo, penso eu. E como a memória nos atraiçoa a todos, Zezito e amigo incluídos, nem um nem outro se lembra quanto transitou naquela correnteza de malas e envelopes.
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