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O terceiro casamento de Lloyd Connover
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Morreu o químico Lloyd Conover, o
homem que sintetizou o primeiro antibiótico moderno. Como é sabido, os
antibióticos são medicamentos usados no tratamento de infecções humanas e
animais. O primeiro antibiótico — a penicilina — foi descoberto, se tal se pode
dizer, por Alexander Fleming em 1928, quase por acaso.
Fleming
era bacteriologista e um belo dia verificou que, em placas de Petri onde
tinha semeado estafilococos e tinha deixado descobertas por esquecimento, as
bactérias não cresceram em volta de algumas colónias de fungos que haviam
contaminado as culturas.
Fleming podia ter dito uma asneira e simplesmente deitado tudo ao lixo — como provavelmente eu faria —, mas ficou intrigado
e... suspeitou que aqueles fungos produziriam qualquer substância capaz de "atacar"
os estafilococos.
A ideia "circulou" e, com a ajuda de químicos, foi possível
verificar que a suspeita substância era a penicilina, o primeiro antibiótico com
grande eficácia, especialmente no tratamento da sífilis, uma das pragas daquele
tempo. Antibiótico, produto natural gerado por fungos e não sintetizado pelo
homem, como as sulfamidas.
Modesto como era, Fleming terá dito, a propósito: "Por
vezes e por acaso, descobrimos coisas de que não andávamos à procura".
Talvez não seja bem assim e Fleming foi galardoado justamente com o Prémio Nobel da Medicina,
no tempo em que o Nobel ainda não era atribuído a personalidades como Yasser Arafat,
Saramago ou Bob Dylan.
Depois da penicilina, vieram outros antibióticos,
nomeadamente as tertraciclinas — clorotetraciclina e oxitetraciclina — também
produzidas por seres vivos. Só em 1992 Lloyd Conover
conseguiu um antibiótico sintético (parcialmente).
Intrigado com a diferença
mínima entre a clorotetraciclina e oxitetraciclina — na realidade, uma tinha um
átomo de cloro na mesma posição em que a outra tinha um átomo de oxigénio —, Conover resolveu pôr lá um átomo de hidrogénio, o que parecia a ele, e
agora a toda a gente, o mais lógico. E embora essa coisa da "lógica
química" normalmente não faça faísca, desta vez fez. O novo composto era
mais eficaz e menos tóxico que os dois de onde nasceu.
Conover viria a
contar mais tarde que havia trabalhado apenas com um assistente, coisa
complicada para aquele trabalho, mas explicou porquê: se a investigação viesse
a dar "bota", queria ter o menor público possível — os cientistas, ao
contrário do que se pensa, são habitualmente gente muito mesquinha. Sei que
haverá quem fique escandalizado com a afirmação, mas também sei do que falo.
Connover reformou-se
da Pfizer em 1984, morreu com 93 anos e sobreviveu à terceira mulher, a quatro
filhos, a seis enteados e a número indeterminado de netos e bisnetos. Um grande homem!
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