quarta-feira, 15 de março de 2017

MORREU O "PAI" DA TETRACICLINA

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O terceiro casamento de Lloyd Connover
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Morreu o químico Lloyd Conover, o homem que sintetizou o primeiro antibiótico moderno. Como é sabido, os antibióticos são medicamentos usados no tratamento de infecções humanas e animais. O primeiro antibiótico — a penicilina — foi descoberto, se tal se pode dizer, por Alexander Fleming em 1928, quase por acaso. 
Fleming era bacteriologista e um belo dia verificou que, em placas de Petri onde tinha semeado estafilococos e tinha deixado descobertas por esquecimento, as bactérias não cresceram em volta de algumas colónias de fungos que haviam contaminado as culturas.
Fleming podia ter dito uma asneira e simplesmente deitado tudo ao lixo — como provavelmente eu faria —, mas ficou intrigado e... suspeitou que aqueles fungos produziriam qualquer substância capaz de "atacar" os estafilococos. 
A ideia "circulou" e, com a ajuda de químicos, foi possível verificar que a suspeita substância era a penicilina, o primeiro antibiótico com grande eficácia, especialmente no tratamento da sífilis, uma das pragas daquele tempo. Antibiótico, produto natural gerado por fungos e não sintetizado pelo homem, como as sulfamidas. 
Modesto como era, Fleming terá dito, a propósito: "Por vezes e por acaso, descobrimos coisas de que não andávamos à procura". Talvez não seja bem assim e Fleming foi galardoado justamente com o Prémio Nobel da Medicina, no tempo em que o Nobel ainda não era atribuído a personalidades como Yasser Arafat, Saramago ou Bob Dylan.
Depois da penicilina, vieram outros antibióticos, nomeadamente as tertraciclinas — clorotetraciclina e oxitetraciclina — também produzidas por seres vivos. Só em 1992 Lloyd Conover conseguiu um antibiótico sintético (parcialmente)
Intrigado com a diferença mínima entre a clorotetraciclina e oxitetraciclina — na realidade, uma tinha um átomo de cloro na mesma posição em que a outra tinha um átomo de oxigénio —, Conover resolveu pôr lá um átomo de hidrogénio, o que parecia a ele, e agora a toda a gente, o mais lógico. E embora essa coisa da "lógica química" normalmente não faça faísca, desta vez fez. O novo composto era mais eficaz e menos tóxico que os dois de onde nasceu.  
Conover viria a contar mais tarde que havia trabalhado apenas com um assistente, coisa complicada para aquele trabalho, mas explicou porquê: se a investigação viesse a dar "bota", queria ter o menor público possível — os cientistas, ao contrário do que se pensa, são habitualmente gente muito mesquinha. Sei que haverá quem fique escandalizado com a afirmação, mas também sei do que falo.
Connover reformou-se da Pfizer em 1984, morreu com 93 anos e sobreviveu à terceira mulher, a quatro filhos, a seis enteados e a número indeterminado de netos e bisnetos. Um grande homem!
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