Chama-se genoma ao conjunto de genes que existem no núcleo
das células de qualquer ser vivo e determina a morfologia e fisiologia deste.
Hoje chegou-se à perfeição de, através da genómica — estudo do genoma —,
conseguir saber a que ser vivo, animal ou planta, incluindo micróbios,
pertenceu uma "catota" minúscula encontrada nas profundezas duma
gruta imunda dos confins da Patagónia, ou no penico do quarto de Kim Jong-un, adorado líder da Coreia do Norte. É verdade!
Serve esta conversa para falar dos
nossos "ex-primos", os homens de Neanderthal, que passarei a designar
por neanthertais para simplificar. E digo "ex-primos" porque
despareceram da Europa há 40 mil anos. Se fossem vivos, seriam hoje, provavelmente,
adeptos do Sporting, acrescento em
aparte. Pois os neanderthais foram talvez — não tenho a certeza —, os homininos
mais próximos do homem actual e chegaram a cruzar-se connosco, ou antes, com os nossos
antepassados. Recentemente, um grupo de investigadores publicou na revista
"Nature" os resultados do estudo feito nos restos mortais de três
neanderthais encontrados num gruta no Norte de Espanha, a gruta de El Sidrón.
Espertos (os investigadores — os restos mortais não sei!), lembraram-se de ir
aos maxilares dos fósseis para procurar e estudar genes conservados no tártaro
dentário, vejam lá. Merecem quadro de honra que fica arquivado n' "O
Dolicocéfalo".
E que encontraram eles? Um ror de
coisas, incluindo cogumelos, pinhões, musgo e vários outros vegetais; mas
carne, nem raspas. Isto é, vegetarianos convictos. Inclusivamente, num deles,
existiam vestígios de plantas usadas com fins medicinais para tratamento de um
abcesso dentário cujo agente causador também foi identificado!
Mas o curioso é que os mesmos
investigadores já haviam realizado trabalho semelhante na Bélgica e concluído
que, ali, a dieta era predominantemente carnívora, incluindo ovelhas e ...
rinocerontes! Cada terra com seu uso... todas... todas... com... tártaro
dentário!
A ciência avança de forma notável. Sei que tal já foi dito e
escrito milhões de vezes ao longo da História, sempre com a convicção de que o
génio do homem é cada vez maior. Não é — é sempre o igual. Só que em cada
geração "arranca" sobre o fruto da investigação criativa das gerações
anteriores, como quem sobe uma escada. Escada que, como já tive oportunidade de
aqui escrever, é a estrutura mais inteligente para vencer
diferenças de nível.
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