terça-feira, 7 de março de 2017

POLITICAMENTE CORRECTO

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William Deresiewicz é um autor, crítico literário e ensaísta americano que ensinou Inglês durante dez anos  na Universidade de Yale. O seu blog "All Points" apareceu no site American Scholar de 2011 a 2013. Agora, colabora esporadicamente no site. Ontem publicou um post intitulado On Political Correctness de que se traduz a seguir um extracto (Deresiewicz me perdoe) — traduttore traditore é expressão que não esqueço — espero não ter feito isso a Deresiewicz. De qualquer maneira, pode ler o original na íntegra aqui.

Diz a páginas tantas Deresiewicz:

A bactéria do politicamente correcto, que parasita sobretudo o tecido cerebral e é endémica nas elites dos campus universitários, revela a sua verdadeira virulência, não em surtos epidémicos nacionais, mas numa miríade de casos banais do dia a dia de que raramente se fala.
Antes de continuar, é necessária uma clarificação. O politicamente correcto em causa não é o da direita, da adesão a normas básicas de decência, como o de evitar epítetos depreciativos. É antes a velha acepção, ou seja, a tentativa permanente de eliminar a menção de convicções não bem-vindas de crenças e ideias. O caso de uma jovem de família Americano-Chinesa católica, por exemplo, que dizia ter aprendido a não se manifestar na Universidade sobre a as suas convicções religiosas e não feministas porque já conhecia as reacções a tais convicções. Ou o do professor que repreendia os alunos se usavam expressões como "ideias loucas" porque isso era estigmatizar os doentes mentais. Exemplos assim há muitos, por todos os lados, infelizmente — na política, no futebol, nos transportes, nos cafés, nos ginásios, no supermercado e por aí fora.
As coisas já estão no ponto de haver pessoas identificadas com os sentimentos do politicamente correcto que se abstêm de os manifestar por acharem que as coisas chegaram longe de mais. A situação é indubitavelmente melhor nuns sítios que noutros. Por exemplo, bastante menos sufocantes na universidade em geral que nas faculdades de arte em particular, fenómeno que deve merecer atenção.
O politicamente correcto tem, na base, uma posição mental que não se formou espontaneamente no encéfalo do seu cultor; antes, foi subtilmente inoculada por outrem, fosse uma educação religiosa, ou uma família de fortes convicções políticas, sociológicas, éticas, ou sem convicções de todo, ou até com as piores das convicções. É sobre esse alicerce que se constrói a personalidade onde "mora" o "politicamente correcto" de cada um. A sua maior ou menor expressão tem fases no tempo — há modas. Actualmente, são os media os seus principais gestores.

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