William Deresiewicz é um autor, crítico literário e ensaísta
americano que ensinou Inglês durante dez anos na Universidade de Yale. O
seu blog "All Points" apareceu no site American
Scholar de 2011 a 2013. Agora, colabora esporadicamente no site.
Ontem publicou um post intitulado On Political
Correctness de que se traduz a seguir um extracto (Deresiewicz me
perdoe) — traduttore traditore é expressão que não esqueço —
espero não ter feito isso a Deresiewicz. De
qualquer maneira, pode ler o original na íntegra aqui.
Diz a páginas tantas Deresiewicz:
A bactéria do politicamente correcto,
que parasita sobretudo o tecido cerebral e é endémica nas elites dos campus
universitários, revela a sua verdadeira virulência, não em surtos epidémicos
nacionais, mas numa miríade de casos banais do dia a dia de que raramente se
fala.
Antes de continuar, é necessária uma
clarificação. O politicamente correcto em causa não é o da direita, da adesão a
normas básicas de decência, como o de evitar epítetos depreciativos. É antes a
velha acepção, ou seja, a tentativa permanente de eliminar a menção de
convicções não bem-vindas de crenças e ideias. O caso de uma jovem de família
Americano-Chinesa católica, por exemplo, que dizia ter aprendido a não se
manifestar na Universidade sobre a as suas convicções religiosas e não feministas
porque já conhecia as reacções a tais convicções. Ou o do professor que
repreendia os alunos se usavam expressões como "ideias loucas" porque
isso era estigmatizar os doentes mentais. Exemplos assim há muitos, por todos
os lados, infelizmente — na política, no futebol, nos transportes, nos cafés,
nos ginásios, no supermercado e por aí fora.
As coisas já estão no ponto de haver
pessoas identificadas com os sentimentos do politicamente correcto que se
abstêm de os manifestar por acharem que as coisas chegaram longe de mais. A
situação é indubitavelmente melhor nuns sítios que noutros. Por exemplo,
bastante menos sufocantes na universidade em geral que nas faculdades de arte
em particular, fenómeno que deve merecer atenção.
O politicamente correcto tem, na
base, uma posição mental que não se formou espontaneamente no encéfalo do seu
cultor; antes, foi subtilmente inoculada por outrem, fosse uma educação
religiosa, ou uma família de fortes convicções políticas, sociológicas, éticas, ou sem convicções de todo, ou até com as piores das convicções. É sobre esse alicerce
que se constrói a personalidade onde "mora" o "politicamente correcto"
de cada um. A sua maior ou menor expressão tem fases no tempo — há modas. Actualmente, são os media os seus principais gestores.

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