sexta-feira, 10 de março de 2017

SER HONESTO

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Falava, ontem à noite, do desembargador Rui Rangel, um verdadeiro "caso" para mim. Hoje vou falar de outro caso — também ele verdadeiro, mas sem aspas — ocorrido com um advogado da Madeira e contado pelo seu filho, igualmente advogado. Reconheço que recentemente, tenho andado um nadinha enrodilhado com assuntos da Justiça, quiçá porque leio jornais em excesso e, na imprensa, a Justiça é diariamente "prato do dia"; passe a tautologia, estatutariamente autorizada neste local.
Então, o advogado/pai teve em tempos entre mãos um processo relacionado com uma qualquer disputa jurídica  — cuja natureza não interessa agora — no "Reino de Jardim". Realizadas as audiências necessárias, foi lavrada sentença favorável à cliente do causídico e esta apressou-se a comparecer no seu escritório para saldar contas. 
Depois de ter colocado um pacote de notas em cima da mesa, perfazendo os honorários, acrescentou outro — volumoso — ao lado. Como o causídico estranhasse, apressou-se a explicar: a) o primeiro era para pagar o serviço; b) o segundo era compensação por o advogado não ter recebido igual quantia da outra parte para se deixar subornar e perder a causa!
Sócrates — o genuíno!... — dizia: "Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, seria honesto ao menos por ser desonesto". Mas Sócrates estava a ser cínico. Ainda há muita boa alma honesta por convicção, como a do caso agora contado.
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