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Falava, ontem
à noite, do desembargador Rui Rangel, um verdadeiro "caso" para mim.
Hoje vou falar de outro caso — também ele verdadeiro, mas sem aspas — ocorrido
com um advogado da Madeira e contado pelo seu filho, igualmente advogado. Reconheço
que recentemente, tenho andado um nadinha enrodilhado com assuntos da Justiça, quiçá
porque leio jornais em excesso e, na imprensa, a Justiça é diariamente "prato
do dia"; passe a tautologia, estatutariamente autorizada neste local.
Então, o
advogado/pai teve em tempos entre mãos um processo relacionado com uma qualquer
disputa jurídica — cuja natureza não
interessa agora — no "Reino de Jardim". Realizadas as audiências necessárias,
foi lavrada sentença favorável à cliente do causídico e esta apressou-se a
comparecer no seu escritório para saldar contas.
Depois de ter colocado um
pacote de notas em cima da mesa, perfazendo os honorários, acrescentou outro —
volumoso — ao lado. Como o causídico estranhasse, apressou-se a explicar: a) o
primeiro era para pagar o serviço; b) o segundo era compensação por o advogado
não ter recebido igual quantia da outra parte para se deixar subornar e perder
a causa!
Sócrates —
o genuíno!... — dizia: "Se o desonesto soubesse a vantagem de
ser honesto, seria honesto ao menos por ser desonesto". Mas Sócrates
estava a ser cínico. Ainda há muita boa alma honesta por convicção, como a do caso agora contado.
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