O Tribunal da Relação de Lisboa ordenou à editora Gradiva a recolha dos exemplares do último livro de José António Saraiva, "Eu e os Políticos". Em causa estão dois parágrafos. Para o Tribunal, estes violam a intimidade da jornalista Fernanda Câncio.
Já li o livro e acho a decisão do
tribunal uma lástima. Em resumo, conta-se lá que um namorado de Fernanda Câncio
tinha o hábito de tirar fotografias dos "jogos sexuais" dos dois,
fotografias que deixava espalhadas pela casa, à vista de várias pessoas,
incluindo uma empregada doméstica. Cada um pensa sobre isto o que quer, mas
ninguém nega a veracidade dos factos, o que é esclarecedor.
Mas tal não interessa, porque o problema
põe-se assim: quem violava a intimidade de Câncio era ela própria e o namorado,
com a referida prática fotográfica e a falta de recato — exibicionista — com os
clichês assim paridos.
Além de que o imbróglio "câncio-judicial"
foi a melhor coisa que aconteceu à editora. Duas semanas, tempo que o Tribunal
deu para recolher todos os exemplares, são mais que suficientes para esgotar a
edição completa depois da publicidade
que lhe fizeram os meritíssimos desembargadores do Tribunal da Relação.
.

Sem comentários:
Enviar um comentário