segunda-feira, 6 de março de 2017

SÓ PARA ADULTOS

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O Tribunal da Relação de Lisboa ordenou à editora Gradiva a recolha dos exemplares do último livro de José António Saraiva, "Eu e os Políticos". Em causa estão dois parágrafos. Para o Tribunal, estes violam a intimidade da jornalista Fernanda Câncio.
Já li o livro e acho a decisão do tribunal uma lástima. Em resumo, conta-se lá que um namorado de Fernanda Câncio tinha o hábito de tirar fotografias dos "jogos sexuais" dos dois, fotografias que deixava espalhadas pela casa, à vista de várias pessoas, incluindo uma empregada doméstica. Cada um pensa sobre isto o que quer, mas ninguém nega a veracidade dos factos, o que é esclarecedor.
Mas tal não interessa, porque o problema põe-se assim: quem violava a intimidade de Câncio era ela própria e o namorado, com a referida prática fotográfica e a falta de recato — exibicionista — com os clichês assim paridos.
Além de que o imbróglio "câncio-judicial" foi a melhor coisa que aconteceu à editora. Duas semanas, tempo que o Tribunal deu para recolher todos os exemplares, são mais que suficientes para esgotar a edição completa depois da  publicidade que lhe fizeram os meritíssimos desembargadores do Tribunal da Relação. 
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