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O processo da "Operação Marquês" está em vias de terminar e tudo leva a crer que serão feitas várias acusações; uma, ou mais, a José Sócrates, suspeito de ter recebido milhões indevidamente em troca de decisões tomadas quando era Primeiro-Ministro, decisões que terão favorecido os seus corruptores. Pode dizer-se que, neste momento, só Sócrates sabe com certeza, se é culpado ou não nessas suspeitas.
SERÁ ASSIM??!
Pergunto isto porque o facto tem-me dado que pensar. E não é
a primeira vez que o faço, incluindo muitos outros processos judiciais. Estou a
pensar, naturalmente, nos advogados.
A pergunta é: Se Sócrates cometeu todos aqueles crimes,
contou a verdade, nua e crua, aos advogados? É isto que me deixa intrigado.
Não parece razoável que uma pessoa na situação de Sócrates
tente defender-se enganando os próprios advogados. Seria um passo
arriscadíssimo, pois estes poderiam ser confrontados em tribunal com provas que
não esperavam, atirando a defesa para o caixote do lixo. Sócrates teve de contar
tudo aos seus defensores, mesmo que seja uma colossal borrada! E era aqui que
queria chegar.
Deduzo que os seus advogados, pelo exposto, conhecem as
artes malabares de Sócrates e têm que o defender. Defender como? Arranjando
maneira de "formalmente" — na situação, diria antes "burocraticamente"
—
anular as provas por falta de cumprimento de qualquer exigência judicial,
mínima que seja? Se é assim, têm consciência que estão a impedir que se faça
justiça. Não há ética profissional na advocacia?
Ou vão tentar apenas minimizar os factos em busca de uma
sentença mais leve? Ou são uns aldrabões e vão inventar factos nebulosos e
suspeitas insuspeitas para baralhar, confundir, criar fumaça, protelar e
arrastar o processo até às calendas gregas? Repito: não há ética profissional
na dvocacia?
Não sei, mas é isto que dá força à chamada "Justiça na
praça pública" ou "Justiça popular". É que o povão chega a uma certa
altura em que fica farto. Ou seja, não há pachorra.
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