A civilização tem um alicerce sina qua non:
prosaicamente, a comida, também chamada "manga" ou "papa".
Não é literariamente, nem poeticamente, muito elevado dizê-lo, mas é a verdade.
Arranjamos um esquema que nos libertou da escravidão de andar à cata da
"manga" e podemos dar-nos ao luxo de ler livros, ir ao cinema e ao
ginásio, editar blogs, tirar fotografias na zona ribeirinha e um ror de outras actividades
lúdicas, mesmo quando temos de trabalhar num escritório, num hospital ou numa
oficina.
Quer se compre a comida no supermercado, quer
na mercearia do Senhor Mário, ou se coma no restaurante "Favas com Todos",
ninguém está preocupado com a sua qualidade—zelar por isso compete a quem de
direito, não ao comedor.
O agricultor, por seu lado, procura melhorar
a qualidade e a quantidade do que produz para arrecadar mais uns cobres e poder
comprar o "Mercedes" com que sonha. Antes, aguardava inquieto que
alguma mutação espontânea desse origem a novo fenotipo vegetal, que ele se encarregava
de multiplicar, participando na evolução biológica de Darwin, a que este chamava
por domesticação. Isto começou com um Senhor chamado Thoreau, ainda antes de
Mendel, mas acentuou-se com este. Mendel inspirou a cultura dos mutantes.
Depois veio a "Monsanto" e a
Bio-Engenharia, em princípio uma grande ideia, mas praticada por sacanas sem vergonha que estragaram tudo. Tão sacanas,
que já ninguém confia nos alimentos geneticamente modificados, potencialmente
uma benção de Deus para a humanidade. E vai levar muitos anos para a selecção
natural dar cabo de gente como os patrões da "Monsanto". Mas
confiemos em Darwin—a natureza há-de acabar com eles. Não falha!
.


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