terça-feira, 4 de março de 2014

AS DUAS CULTURAS

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A ciência é frequentemente considerada, de forma errada, com duas faces: i) corpo de conhecimento e compreensão do mundo, como a gravidade, a fotossíntese, a evolução e por aí fora; e ii) uso desse conhecimento e compreensão em matérias práticas, como vacinas, computadores, automóveis etc.—esta, na verdade, tecnologia.
A ciência propriamente dita é—de sua natureza—sempre provisória, sujeita a revisão. É antiautoritária—todos podem colaborar e todos podem estar errados, qualquer que seja a sua qualificação. Como Carl Sagan escreveu, constitui uma maneira de pensar—a melhor conhecida até hoje, embora imperfeita—para conseguir a aproximação ao modo como as coisas são na realidade.
Como método, pode contribuir para muitas actividades afastadas dos laboratórios. Infelizmente, tal método é quase sempre ignorado pelos políticos que não observam princípios científicos no acto de decidir e na avaliação contínua dos resultados, seja na educação, na justiça, na cultura, na segurança social, rebabá. O triste é que, mesmo quando são homens de ciência, o esquecem. A ciência é capaz de ajudar na abordagem das questões sociais do nosso tempo tão bem como explica os primeiros microssegundos do universo, a estrutura do ribossoma, ou a evolução biológica.
O problema reside no que C.P. Snow chamou as "duas culturas". Frequentemente, o cientista é ignorante das humanidades e o especialista nestas não sabe o que é a raiz quadrada dum número. Tal e qual.
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