A ciência é frequentemente considerada, de forma errada, com
duas faces: i) corpo de conhecimento e compreensão do mundo, como a gravidade, a
fotossíntese, a evolução e por aí fora; e ii) uso desse conhecimento e
compreensão em matérias práticas, como vacinas, computadores, automóveis etc.—esta,
na verdade, tecnologia.
A ciência propriamente dita é—de sua natureza—sempre
provisória, sujeita a revisão. É antiautoritária—todos podem colaborar e todos
podem estar errados, qualquer que seja a sua qualificação. Como Carl Sagan
escreveu, constitui uma maneira de pensar—a melhor conhecida até hoje, embora
imperfeita—para conseguir a aproximação ao modo como as coisas são na
realidade.
Como método, pode contribuir para muitas actividades
afastadas dos laboratórios. Infelizmente, tal método é quase sempre ignorado
pelos políticos que não observam princípios científicos no acto de decidir e na
avaliação contínua dos resultados, seja na educação, na justiça, na cultura, na
segurança social, rebabá. O triste é que, mesmo quando são homens de ciência, o
esquecem. A ciência é capaz de ajudar na abordagem das questões sociais do
nosso tempo tão bem como explica os primeiros microssegundos do universo, a
estrutura do ribossoma, ou a evolução biológica.
O problema reside no que C.P. Snow chamou as "duas culturas".
Frequentemente, o cientista é ignorante das humanidades e o especialista nestas
não sabe o que é a raiz quadrada dum número. Tal e qual.
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