terça-feira, 4 de março de 2014

LUA AZUL, LUA NEGRA, LUA ÀS PINTAS

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Já sabe que a segunda Lua Cheia a ocorrer num mesmo mês se chama Lua Azul. A última aconteceu em 31 de Agosto de 2012 e a próxima será em 31 de Julho de 2015. O fenómeno da Lua Azul foi objecto de cultos vários nos povos primitivos, embora ainda haja quem o comemore hoje. Mas também a repetição da Lua Nova num mês do calendário teve, e tem, direito a celebrações: é a Lua Negra. Serve isto para dizer que não são só as imagens luminosas e visíveis da abóbada celeste que interessaram e interessam aos homens—e às mulheres, naturalmente (o Dr. Soares diria humanos e resolvia o problema). Há fenómenos celestes negros que também têm pergaminhos.
Não vou falar da matéria negra porque essa não é negra nem deixa de ser, antes pelo contrário: não se vê. Mas vou dizer que há aspectos negros do firmamento que são importantes—refiro-me, por exemplo, às constelações negras. As constelações clássicas são áreas do céu limitadas por estrelas visíveis e facilmente identificáveis (para quem sabe) e servem para localizar outros astros e fenómenos astronómicos. Explicando melhor, se aparece uma supernova (é um supônhamos), comunica-se ao mundo que ela apareceu e está localizada na constelação X, para evitar que tenha de se percorrer todo o firmamento à procura. As constelações negras são o negativo das clássicas—consistem em espaços menos iluminados, negros até, entre as estrelas.
Onde está isso?, perguntar-se-á. Em várias regiões, mas as mais conhecidas são as da América do Sul que os Incas veneraram, sendo a mais importante a do Lama. Consiste numa área mais escura do céu onde se vê, com alguma imaginação, um sombra que parece o pescoço e a cabeça de um lama, com duas estrelas a simularem os olhos (ver figura). E também há a da Serpente e blá, blá, blá. 
O mundo actual, cheio de luz artificial à noite e a necessidade de dormir antes de ir trabalhar de manhã, privou o homem de se entreter com estas larachas e tornou-se uma maçadoria.

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