Tempos houve em que fumar era uma actividade recreativa
relaxante—a publicidade dizia mesmo que os cigarros recomendados pelos médicos
eram os "Camel"—e em que beber uns copos ajudava a esquecer as
agruras da vida. Depois veio a relação com o cancro do pulmão, o risco de
acidentes cardiovasculares, as doenças hepáticas, rebabá, e o cidadão absteve-se
disciplinadamente de tais hábitos—afinal, eram só duas privações.
E, quanto a cozinhados, o melhor eram os grelhados. Eu disse
grelhados? Está mal. Os grelhados, especialmente naquelas partes mais passadas
e estaladiças, têm muitas acrilamidas,
compostos com risco de gerar cancros no aparelho digestivo! E mais—em boa
verdade, tudo que é estaladiço tem o mesmo risco, incluindo os cereais que se comem ao pequeno almoço, as torradas e possivelmente as bolachas. Para não falar da
carne vermelha com elevados níveis de associação com o cancro do intestino. E o
leite? Rebabá...
A pessoa fica condenada a arruinar a vida a fim de viver
para sempre. Que tal? Catita!
Falaram-me de um janota que dizia assim: "Era capaz
de me habituar a viver só de pão e água. Mas quando estiver habituado, dizem-me
que isso faz cancro no dedo grande do pé esquerdo. Desisti".
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