domingo, 9 de março de 2014

O DIABO NA COZINHA

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Tempos houve em que fumar era uma actividade recreativa relaxante—a publicidade dizia mesmo que os cigarros recomendados pelos médicos eram os "Camel"—e em que beber uns copos ajudava a esquecer as agruras da vida. Depois veio a relação com o cancro do pulmão, o risco de acidentes cardiovasculares, as doenças hepáticas, rebabá, e o cidadão absteve-se disciplinadamente de tais hábitos—afinal, eram só duas privações.
Mas descansou pouco: logo vieram as gorduras saturadas, o açúcar e todos os hidratos de carbono em geral. Pacientemente, o mesmo cidadão aquiesceu. Depois seguiram-se as proteínas! Embasbacado, o supracitado cidadão, a quem haviam dito toda a vida que o valor dos alimentos dependia em grande parte do conteúdo em proteínas, ouvia agora que muitas proteínas  podiam ser tão más como fumar—assim falava a Universidade da Califórnia!
E, quanto a cozinhados, o melhor eram os grelhados. Eu disse grelhados? Está mal. Os grelhados, especialmente naquelas partes mais passadas e estaladiças, têm muitas acrilamidas, compostos com risco de gerar cancros no aparelho digestivo! E mais—em boa verdade, tudo que é estaladiço tem o mesmo risco, incluindo os cereais que se comem ao pequeno almoço, as torradas e possivelmente as bolachas. Para não falar da carne vermelha com elevados níveis de associação com o cancro do intestino. E o leite? Rebabá...
A pessoa fica condenada a arruinar a vida a fim de viver para sempre. Que tal? Catita!
Falaram-me de um janota que dizia assim: "Era capaz de me habituar a viver só de pão e água. Mas quando estiver habituado, dizem-me que isso faz cancro no dedo grande do pé esquerdo. Desisti".
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