terça-feira, 11 de março de 2014

O MUNDO VAI MAL (SEGUNDO EPISÓDIO)

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Sei que os leitores apreciam a inestimável e valiosa informação vertida pelo Dr. Soares nas suas lapidares crónicas das terças-feiras no "Diário de Notícias", mas dada a falta de tempo da vida moderna e a densidade e extensão dos textos—hoje são 1.500 palavras—eventualmente não terão tempo, nem cabeça, para metabolizar tudo aquilo. Por isso, "O Dolicocéfalo" chamou a si a missão—verdadeiro serviço públicode resumir a prosa do Dr. Soares, de modo a que os leitores possam manter-se informados up to the minute. Espero não trair o texto. Aí vai:

O Mundo vai mal, as troikas e, sobretudo, a austeridade, que o Papa Francisco disse com a sua sabedoria - e muito bem - que mata, são terríveis para os Estados vítimas dessa desgraça e a poluição, a que a ONU deixou de dar qualquer importância, como ao aquecimento da Terra, são, para o futuro próximo, de extrema gravidade, a ONU deixou de ter qualquer intervenção nas guerras e nas dificuldades que ocorrem em vários lados, a verdade é que com o atual secretário-geral, Ban Ki-moon, tão tímido, nada se passa de importante, por exemplo, a propósito da Coreia do Norte, onde o ditador louco que dirige o Estado, Kim Jong-un, preparou cães esfomeados para, ao fim de vários dias comerem o tio, tal a raiva que lhe tinha, a ONU disse - e bem - que devia ser julgado no Tribunal de Haia, dada a forma, tão cruel, como o seu tio foi assassinado, pelo ditador da Coreia do Norte, mas tudo ficou em breves palavras do secretário-geral da ONU, sem qualquer consequência prática, em suma, o Mundo vai mal por culpa da ganância dos humanos e pela importância que continuam a ter os mercados, ignorando as pessoas... contudo, além da gravidade com que os mercados usurários se impõem à política e aos Estados, visto não contarem com as pessoas, o que representará algo de muito grave no futuro, refiro-me ao aquecimento da Terra e ao desinteresse que têm os Estados mais importantes - e a ONU - pelas questões do ambiente, da poluição dos mares, pelo desaparecimento de certas floras e faunas e das casas com amianto, que contaminam perigosamente as pessoas que nelas trabalham ou vivem... por todas estas razões, as florestas estão a desaparecer, com incêndios ou sem eles, e os mercados, em busca do petróleo, do gás e de minerais preciosos, estão sem saber, ou sem se importar, a destruir a Terra, o que sucedeu este ano com as ondas gigantes que destruíram a nossa costa, de norte a sul, e ainda mais a Galiza, com ondas maiores e mais terríveis que chegaram aos 15 metros, este inverno foi particularmente chuvoso e inédito pela intensidade das chuvas e o tamanho das ondas, foi um fenómeno que muitas pessoas ainda não compreenderam - ou não querem compreender - que representa um perigo para a destruição da Terra, mais breve do que se pode julgar, e eram cerca de 15 mil polícias que, segundo noticiaram os jornais, protestaram e cantaram o hino nacional e gritavam contra o Governo, dizendo: Basta! Está na hora, está na hora, do Governo se ir embora! mas o Governo - e o Presidente da República, como principal responsável - estão agarrados ao poder como as lapas às rochas, diz o Povo que só pela violência largam o poder, não creio nisso, note-se que o Governo está completamente paralisado, não sabe o que quer nem para onde vai, mas não se demite e a maior parte dos ministros, dos secretários de Estados e dos apaniguados, que são muitas dezenas, ninguém sabe ao certo quantos são e quanto custam e relativamente aos polícias, há os que estão ao serviço e foram mobilizados para defender o Parlamento, dos colegas que vinham a cantar e a gritar pela Rua de São Bento abaixo, quando chegaram à escadaria do Parlamento não quiseram subir à força, por causa dos cães-polícias e da apreciável quantidade dos colegas de serviço que impediam (sem violência de maior, diga-se) que subissem a escadaria, mas alguns subiram e chegaram a falar com a presidente do Parlamento que, com bom senso, lhes prometeu que iria procurar uma solução, até maio muitos acontecimentos se irão suceder perante um Governo paralisado, desorientado e sem qualquer estratégia relativa ao futuro e em abril, as comemorações dos 40 anos da Revolução dos Cravos vão ter lugar por todo o País e este Governo não tem nada para fazer nem para dizer, é um contraste terrível para o Governo e em maio haverá eleições, tudo vai correr mal para o Governo, sem mais remédio, PIM.
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