quarta-feira, 29 de outubro de 2014

REQUIESCAT IN PACE

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Neste momento de aperto da Nação Lusitana, um dos problemas de Estado que começa a agigantar-se e a ocupar as primeiras páginas dos jornais é o escândalo do Zezito não ser proposto para receber uma comenda. O primeiro a denunciar a situação foi uma das mais notórias e conhecidas figuras portuguesas, de seu nome Ascenso Simões; depois foi o Poeta Alegre; e agora espera-se a todo o momento que intervenha o Dr. Soares com a  sua proverbial sensatez, isenção e lucidez. Lamentável a todos os títulos tudo isto, como já referi, e revelador do carácter do Presidente de Portugal.
Cavaco Silva, que também foi Primeiro-Ministro, tem inveja do zelo e da diligente competência que Zezito revelou no exercício de tais funções. Cavaco foi um pigmeu quando comparado com Zezito, um gigante a quem ficámos a dever a terceira travessia do Tejo, a alta velocidade e o Aeroporto de Alcochete. Não tivesse ele feito mais e, só por isso, merecia três condecorações—uma por cada obra.
Está porventura Cavaco preocupado com aquela coisa da  "necessidade de aceitar a implicação exterior em decisões que só ao país deveriam dizer respeito" quando era Primeiro-Ministro. Errado! Quem criou a "necessidade de aceitar a implicação exterior em decisões que só ao país deveriam dizer respeito" foi Teixeira dos Santos, Ministro da Fazenda do XVIII Governo Constitucional. Foi esse cafajeste que, acobardado com a ideia de não ter dinheiro para pagar aos assalariados do Estado e aos pensionistas, roeu a corda e atraiçoou o Zezito—uma precipitação lamentável!
Zezito, homem da adrenalina, do risco, das artes malabares, funâmbulo que nunca caiu do arame, arranjava uma solução. Zezito ainda tinha as Ilhas Berlengas, as Selvagens, o Promontório de Sagres, quiçá os Açores e a Madeira para negociar. Zezito desenrascava-se. Ai desenrascava, desenrascava!
Mas não! Atraiçoado pelo bruto Teixeira, qual Júlio César, Zezito finou-se politicamente. Jaz no lazareto da História para onde foi injustamente lançado, não tendo ainda os lusitanos conhecimento da sua morte prematura.
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